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Bom dia!

A Jalles Machado fez história essa semana pelo lado errado. As ações despencaram quase 10% depois que o canavial saiu aquém do esperado e o açúcar segue travado em R$ 1.600 por tonelada, bem abaixo da média histórica. No radar climático, o Santander soa o alarme: mais de 80% de chance de El Niño forte após junho, com riscos sérios para soja e milho de MT, e para as hidrovias do Norte. E lá no Sul, Santa Catarina bateu -7°C com mais frio vindo entre 24 e 28 de junho. Para quem viu o copo meio cheio: Marcos Jank, do Insper, lembra que o mundo está ávido por commodities brasileiras. Desde que o Brasil saiba aproveitar.


Pra você acordar bem informado

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 168453.94 4,55%
IFIX 3799.74 0,55%
AGXY3 R$1,8 -59,37%
SMTO3 R$14,97 -0,99%
CRAA11 R$98 3,26%
RURA11 R$8,25 -3,85%
ETF OURO R$22,61 -8,72%
Bitcoin US$62896.67 -28,81%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Jalles afunda 10% na bolsa enquanto o açúcar testa a paciência dos investidores

Fonte: InfoMoney.

O canavial ficou menor do que o prometido, e o mercado não foi piedoso. As ações da Jalles Machado, um dos maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, desabaram cerca de 10% depois que a empresa reportou produtividade do canavial aquém das expectativas. Era exatamente o tipo de notícia que os investidores não queriam ouvir.

O pano de fundo já não era dos melhores. O preço do açúcar spot está em R$ 1.600 por tonelada, enquanto a média histórica é de R$ 2.300/ton. Uma diferença de R$ 700 por tonelada parece abstrata até você multiplicar pelo volume produzido. O ciclo atual de cana tem 383 dias, e cada dia com preço baixo importa.

A empresa tentou dar uma mensagem de controle. 80% da produção esperada já está hedgeada a 40% acima do spot atual o que amortece parte da queda, mas não apaga o dano. O BTG Pactual manteve recomendação neutra. No idioma dos analistas, isso significa: pior do que aqui é difícil, mas também não tem porque comemorar.

Para equilibrar a receita, a Jalles mexeu no mix de produção: o etanol foi de 53% para 59% do total, e o açúcar recuou de 46% para 41%. Faz sentido com açúcar barato. E faz ainda mais sentido com o E32 nova mistura de etanol na gasolina prestes a entrar em vigor na próxima semana, criando demanda adicional de 1,1 bilhão de litros. Um alento. Mas insuficiente para resolver o problema estrutural do setor.

Por dentro da operação: a Jalles cortou 350 empregos na safra passada, investiu em irrigação e biológicos para reduzir custos. O caixa termina a safra com R$ 1,8 bilhão o que dá fôlego. Só que as ações já caíram 47% nos últimos 12 meses. A tese de recuperação, segundo os próprios executivos, só aparecerá na safra 2027/28. Uma longa espera.

POR DENTRO DO MERCADO

El Niño, Rumo e hidrovias: o Santander já mapeou os riscos que estão vindo

Fonte: Folha de São Paulo. Digital.

Enquanto o campo ainda debate se o El Niño vai aparecer de verdade, o Santandercalculou o impacto nos ativos. Em relatório divulgado hoje, o banco aponta mais de 80% de chance de formação do El Niño após junho de 2026, e mais de 65% de chance de evento forte ou muito forte entre outubro e dezembro segundo a NOAA.

As empresas na mira: Rumo e Hidrovias do Brasil. No caso da Hidrovias, o problema está no Rio Tapajós, que cai em média 0,9 metro abaixo do normal em anos de El Niño comprometendo o escoamento de grãos pelo Arco Norte, rota estratégica para as exportações brasileiras. Para a Rumo, uma quebra de safra em MT reduz diretamente os volumes transportados.

Mato Grosso também aparece no relatório. O banco projeta queda de 4% na produção de soja e milho do estado em 2026/27, com exportações recuando 11%. Os fretes rodoviários nas rotas Sorriso-Miritituba e Sorriso-Rondonópolis tendem a crescer 10 pontos percentuais a menos do que em anos normais porque menos produção significa menos demanda por transporte.

Só que e tem um só que importante aqui o mesmo El Niño que pressiona a produção no Brasil vai afetar também o Leste Europeu e o Oriente Médio. Quando o clima ameaça o trigo lá fora, os preços sobem e o Brasil tem mais oportunidade de exportar para regiões que dependem de outros fornecedores. O problema é se a logística aguenta e aí voltamos ao Tapajós.

PAUTA VERDE

A aposta do Imaflora para tornar sustentabilidade financeiramente irresistível

Fonte: Andrii Yalanskyi/Shutterstock

Quem disse que sustentabilidade só funciona com punição? O Imaflora está estruturando um Fiagro com uma lógica diferente: ao invés de barrar crédito de quem não cumpre, quer oferecer insumos mais baratos para quem aderir ao programa de rastreabilidade bovina do Pará. Brincou o boi, pagou menos pelo adubo.

O mecanismo: a ONG planeja captar entre R$ 10 e R$ 50 milhões, distribuir para revendas de insumos, e essas revendas oferecem crédito com taxa mais baixa para produtores que comprovem a brincagem dos animais, verificada pelo banco de dados do próprio governo estadual. Quem monitora o fluxo de informações é o próprio Imaflora.

O contexto importa: o Programa Pecuária Sustentável do Pará tem como meta identificar todo o rebanho bovino do estado até 2030, em parceria com a JBS. O Pará tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil. Carne rastreada é carne que já chegou à China com o selo Beef on Track (BoT), a primeira remessa de carne brasileira sem desmatamento a chegar ao país asiático, esse ano.

O Fiagro ainda está em desenho, com assessoria jurídica e consultoria contratadas. Se for lançado ainda em 2026 e funcionar no Pará, o modelo pode se expandir para outros estados. Uma lógica financeira, não de doação, como diz a diretora do Imaflora. E o dinheiro vem do Bezos Earth Fund: a ONG recebeu US$ 16,3 milhões em 2023 para projetos na Amazônia.

COLHENDO CAPITAL

A startup que chegou ao Brasil com 1 milhão de litros e vendeu 5,2 milhões

Fonte: giphy.com

A GeenLight Biosciences chegou ao Brasil em 2024 com 1 milhão de litros de defensivo biológico e planos de vender tudo nos primeiros meses. Deu certo, e aí o mercado foi bem além. Em 2025, a empresa vendeu 5,2 milhões de litros. Cinco vezes o planejado. Os clientes? Entre eles, a AMAGGI.

A tecnologia é o diferencial: ao invés de agrotóxicos clássicos, os produtos da GeenLight usam RNA de interferência (RNAi), que silencia genes específicos em pragas, patógenos ou ervas daninhas, sem alterar DNA, sem impactar abelhas, com degradação mais rápida no solo. A empresa foi fundada nos EUA e entrou no Brasil após um aporte de US$ 25 milhões da firma Just Climate.

Agora a GeenLight vai além. Já submeteu dois novos produtos baseados em RNA ao Ministério da Agricultura para aprovação, com foco em ampliar o portfolio para algodão, citros, uva e hortifrutís. A equipe no Brasil é dividida em 7 regionais, com pelo menos 6 profissionais cada. Estrutura de quem veio para ficar.

A meta global: US$ 100 milhões em faturamento até 2028, com EUA, América Latina e Europa como pilares. O Brasil, sozinho, já mostrou que pode puxar esse número. E o mercado de biológicos no país cresceu mais de 20% ao ano nos últimos 5 anos. Quem chegou na hora certa vai sentir menos o peso das margens.

E ESSE TEMPO, HEIN?

SC bateu -7°C e a segunda onda já está marcada: entre 24 e 28 de junho

Fonte: Mycchel Legnaghi/Arquivo Pessoal. Geada em São Joaquim, na Serra de Santa Catarina, em maio, 2026.

Quem tem lavoura no Sul precisou agasalhar bem o trator essa semana. Santa Catarina registrou -7°C, a mínima mais baixa do ano, com geadas confirmadas nas serras catarinenses e paranaenses. E não foi só no campo: cidades inteiras amanheceram com geada nas janelas.

O que vem pela frente: uma nova onda de frio entre 24 e 28 de junho, com temperaturas podendo zerar em partes do Sul. São Paulo deve ficar abaixo de 10°C no fim de semana, com risco de geada na Serra da Mantiqueira. Em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, o ar polar continental pode trazer o efeito de friagem, mais seco, mais traiçoeiro para certas culturas.

O risco agrícola está concentrado em café (em áreas que ainda estão em colheita), trigo e outras culturas de inverno, e pastagens. Do lado positivo: a umidade do solo em MT está boa, e as chuvas que devem acompanhar a frente fria podem ajudar algumas regiões do Centro-Oeste antes do plantio da soja.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: 10.000

Pergunta de hoje: Qual fruta asiática, parente do limão, era usada como antisséptico natural em viagens marítimas?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

ERRATA

Na edição de 17/06/2026, nos referimos ao Ministro da Agricultura e Pecuária como Guilherme Durigan. O nome correto é Dario Durigan. Pedimos desculpas pelo erro.

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