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Bom dia!

Hoje tem a Bom Futuro colocando R$ 1,85 bilhão nas fazendas da Radar, com a SLC na cola pra decidir se entra ou deixa o Mato Grosso mudar de mão. E tem o VBP agropecuário chegando a R$ 1,4 trilhão em maio com queda de 4,6%, soja lidera, cacau e laranja em queda livre. No meio disso, Mato Grosso comprou mais tempo pra banir a biomassa nativa, Durigan prometeu atacar as dívidas do campo e o trigo disparou +2,81% em Chicago com o El Niño na cola.

Pra você acordar bem informado

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 168453.94 4,55%
IFIX 3811.18 0,85%
RAIZ4 R$0,42 -48,15%
SOJA3 R$5,95 -34,18%
FGAA11 R$8,5 -7,10%
JGPX11 R$62,96 -9,33%
ETF OURO R$22,53 -9,04%
Bitcoin US$64.033,99 -27,52%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

POR DENTRO DO MERCADO

O El Niño, que o Brasil ainda não sentiu, já está mexendo nos preços do trigo

Fonte: giphy.com

O mercado de commodities começou a embutir o El Niño nos preços, mas de um jeito que a maioria dos produtores brasileiros ainda não percebeu. O trigo subiu +2,81% em Chicago para US$ 6,21 por bushel. O milho acompanhou com +1,41% e a soja avançou +0,24%. No Brasil, a soja subiu mais de 2% na semana.

Os motivos são múltiplos, mas o El Niño está no centro da narrativa: projeções climáticas revisadas indicam risco crescente em áreas produtoras de trigo no leste europeu e no Oriente Médio. Quando o clima ameaça a produção no Hemisfério Norte, o mercado reage antes da safra acontecer, é a lógica do preço futuro.

No Brasil, o mesmo El Niño que preocupa o campo trabalha a favor da demanda externa. A China, maior compradora de soja brasileira, mantém o ritmo de compras firme enquanto os preços americanos sobem. Resultado: o Brasil está vendendo bem, com base elevada.

Só que... o El Niño que empurra o trigo lá fora é o mesmo que o Bradesco BBI mapeou aqui dentro, e a história do campo brasileiro em anos de El Niño é feita de ganhadores e perdedores por região. Quem tem soja no Matopiba, cuidado. Quem tem arroz no Sul, pode sorrir, por enquanto.

NAS CABEÇAS DO AGRO

R$ 1,85 bilhão na mesa: a batalha pela Radar entre Bom Futuro e SLC

Fonte: Gemini, 2026

A Radar, subsidiária imobiliária da Cosan que compra terras e arrenda pra terceiros, virou palco de uma disputa de peso. A Bom Futuro, grupo agropecuário fundado por Eraí Maggi Scheffer, sobrinho do ex-ministro Blairo Maggi, fez uma oferta formal de R$ 1,85 bilhão por um lote de 41.200 hectares em Querência e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.

Só que tem um detalhe no contrato de arrendamento: a SLC Agrícola tem direito de preferência sobre essas terras. Isso significa que a SLC pode, pelo mesmo preço oferecido pela Bom Futuro, ficar com as fazendas. A empresa tem prazo curto pra decidir. Não exercer a preferência significa perder o controle sobre áreas que já opera há anos.

Por que isso importa? A Cosan está em modo de venda de ativos para reduzir alavancagem. A Radar tinha mais de 150 mil hectares no portfólio em 2023; a empresa já vendeu partes, e este lote de 41.200 ha representa um dos maiores blocos remanescentes. Quem comprar recebe terras em operação, com arrendatário consolidado e localização estratégica no coração do Mato Grosso produtivo.

Nos bastidores, o desfecho importa de formas diferentes: se a SLC exercer a preferência, torna-se proprietária de terras que já cultiva, reduzindo custo de arrendamento. Se a Bom Futuro levar, o grupo aumenta expressivamente seu patrimônio fundiário em MT. De qualquer forma, quem ganha mesmo é o vendedor: R$ 1,85 bilhão entra no caixa da Cosan.

ASSUNTO DE GABINETE

O Plano Safra vem com mais do que o campo pediu?

Fonte: giphy.com

O ministro da Fazenda, Guilherme Durigan, entrou na pauta do agronegócio com três sinalizações importantes. Primeiro: defendeu a expansão dos biocombustíveis como política de Estado. Segundo: reconheceu que a inadimplência no crédito rural está entre 5% e 6% e prometeu estruturar uma saída para as dívidas acumuladas no campo. Terceiro: deixou claro que o governo vai dar suporte ao setor, sem, contudo, anunciar números concretos ainda.

O contexto pesa. O agronegócio acumula pressão de dívidas renegociadas diversas vezes, especialmente em soja e algodão no Centro-Oeste. A inadimplência nessa faixa é considerada “gerenciável” pelo governo, mas para o produtor endividado, a conta é bem menos abstrata. Só que...

O Plano Safra 2026/27, previsto para ser anunciado em 1º de julho, deve trazer volume de recursos abaixo do solicitado pela bancada ruralista. O setor pedia pelo menos R$ 600 bilhões em crédito; a estimativa do governo está entre R$ 570 e R$ 580 bilhões. A diferença parece pequena no papel, mas representa bilhões a menos em crédito subsidiado disponível para a campanha agrícola que começa em agosto.

E ainda tem o cacau na pauta: a MP 1341/2026 foi aprovada na comissão especial do Congresso. Ela reduz o prazo do drawback de cacau de 1 ano para 6 meses, pressionando a indústria que precisa importar matéria-prima para manter as fábricas rodando. O MDIC decide sobre prorrogação, e a conta, se não vier, pode chegar a R$ 230 milhões anuais em perdas para o setor.

PAUTA VERDE

Mato Grosso muda o cronograma da biomassa nativa, e a proibição vai para 2035

Fonte: ChatGPT, 2026

O governo de Mato Grosso alterou o TCA (Termo de Compromisso Ambiental) que regula o uso de biomassa nativa na geração de energia das usinas agroindustriais. A mudança principal: a proibição absoluta de uso de biomassa nativa, que estava prevista para antes disso, agora só acontece em 2035. Até lá, um teto intermediário: máximo de 40% de biomassa nativa até 2034, depois zero.

Para quem não acompanha essa pauta: as usinas de cana e as plantas de bioenergia em MT usam biomassa nativa, madeira do Cerrado, como combustível nos momentos de pico. O estado vinha sendo pressionado há anos por organizações ambientais e compradores internacionais pra encerrar essa prática, que resulta em desmatamento para queima.

A mudança compra tempo para que as usinas substituam a biomassa nativa por bagaço de cana, palha e outras fontes renováveis sem parar a produção. A lógica do setor: a transição custa caro e exige investimento em caldeiras e infraestrutura, e o prazo anterior era curto demais pra viabilizar isso sem travar a geração.

Mas há um risco político: compradores europeus e fundos ESG já sinalizaram que o uso de biomassa nativa é linha vermelha para certificação de produtos do Cerrado. Ganhar tempo agora pode custar mercado lá na frente.

SAFRA DE CIFRAS

O agro produz mais, mas está ganhando menos

Fonte: giphy.com

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuário brasileiro atingiu R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, segundo o Ministério da Agricultura. É muito dinheiro. Só que tem um detalhe que estraga um pouco a festa: em relação ao mesmo período de 2025, o VBP caiu 4,6%.

A soja lidera o ranking com R$ 338,5 bilhões, sustentada por volume e por preços que ainda seguram a lavoura. A pecuária soma R$ 510,2 bilhões; as lavouras chegam a R$ 908,8 bilhões.

Só que há setores que simplesmente despencaram. O cacau caiu 56,8% no VBP, o maior tombo, reflexo de preços em colapso depois do boom de 2024. A laranja recuou 38%, pressionada pela baixa demanda de suco no exterior. O arroz caiu 30% com oferta excedente no mercado interno.

O que esse número diz: o agronegócio brasileiro não para de produzir, mas as margens estão comprimidas. Quando o VBP cai com produção estável, o nome disso é queda de preços, e quem estava alavancado na safra passada sente no bolso agora.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

O Cartola FC é um jogo muito bom e divertido para quem gosta de futebol e acompanha o Campeonato Brasileiro. Você escala 11 jogadores e um técnico por rodada, usando moedas virtuais (cartoletas). A sua pontuação depende do desempenho real desses atletas em campo (gols, desarmes, passes, etc.)

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: 30%.

Pergunta de hoje: Quantos metros quadrados tem 1 hectare?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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