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Bom dia!
Hoje tem a Bom Futuro colocando R$ 1,85 bilhão nas fazendas da Radar, com a SLC na cola pra decidir se entra ou deixa o Mato Grosso mudar de mão. E tem o VBP agropecuário chegando a R$ 1,4 trilhão em maio com queda de 4,6%, soja lidera, cacau e laranja em queda livre. No meio disso, Mato Grosso comprou mais tempo pra banir a biomassa nativa, Durigan prometeu atacar as dívidas do campo e o trigo disparou +2,81% em Chicago com o El Niño na cola.
Pra você acordar bem informado
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
POR DENTRO DO MERCADO
O El Niño, que o Brasil ainda não sentiu, já está mexendo nos preços do trigo

Fonte: giphy.com
O mercado de commodities começou a embutir o El Niño nos preços, mas de um jeito que a maioria dos produtores brasileiros ainda não percebeu. O trigo subiu +2,81% em Chicago para US$ 6,21 por bushel. O milho acompanhou com +1,41% e a soja avançou +0,24%. No Brasil, a soja subiu mais de 2% na semana.
Os motivos são múltiplos, mas o El Niño está no centro da narrativa: projeções climáticas revisadas indicam risco crescente em áreas produtoras de trigo no leste europeu e no Oriente Médio. Quando o clima ameaça a produção no Hemisfério Norte, o mercado reage antes da safra acontecer, é a lógica do preço futuro.
No Brasil, o mesmo El Niño que preocupa o campo trabalha a favor da demanda externa. A China, maior compradora de soja brasileira, mantém o ritmo de compras firme enquanto os preços americanos sobem. Resultado: o Brasil está vendendo bem, com base elevada.
Só que... o El Niño que empurra o trigo lá fora é o mesmo que o Bradesco BBI mapeou aqui dentro, e a história do campo brasileiro em anos de El Niño é feita de ganhadores e perdedores por região. Quem tem soja no Matopiba, cuidado. Quem tem arroz no Sul, pode sorrir, por enquanto.
NAS CABEÇAS DO AGRO
R$ 1,85 bilhão na mesa: a batalha pela Radar entre Bom Futuro e SLC

Fonte: Gemini, 2026
A Radar, subsidiária imobiliária da Cosan que compra terras e arrenda pra terceiros, virou palco de uma disputa de peso. A Bom Futuro, grupo agropecuário fundado por Eraí Maggi Scheffer, sobrinho do ex-ministro Blairo Maggi, fez uma oferta formal de R$ 1,85 bilhão por um lote de 41.200 hectares em Querência e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.
Só que tem um detalhe no contrato de arrendamento: a SLC Agrícola tem direito de preferência sobre essas terras. Isso significa que a SLC pode, pelo mesmo preço oferecido pela Bom Futuro, ficar com as fazendas. A empresa tem prazo curto pra decidir. Não exercer a preferência significa perder o controle sobre áreas que já opera há anos.
Por que isso importa? A Cosan está em modo de venda de ativos para reduzir alavancagem. A Radar tinha mais de 150 mil hectares no portfólio em 2023; a empresa já vendeu partes, e este lote de 41.200 ha representa um dos maiores blocos remanescentes. Quem comprar recebe terras em operação, com arrendatário consolidado e localização estratégica no coração do Mato Grosso produtivo.
Nos bastidores, o desfecho importa de formas diferentes: se a SLC exercer a preferência, torna-se proprietária de terras que já cultiva, reduzindo custo de arrendamento. Se a Bom Futuro levar, o grupo aumenta expressivamente seu patrimônio fundiário em MT. De qualquer forma, quem ganha mesmo é o vendedor: R$ 1,85 bilhão entra no caixa da Cosan.
ASSUNTO DE GABINETE
O Plano Safra vem com mais do que o campo pediu?

Fonte: giphy.com
O ministro da Fazenda, Guilherme Durigan, entrou na pauta do agronegócio com três sinalizações importantes. Primeiro: defendeu a expansão dos biocombustíveis como política de Estado. Segundo: reconheceu que a inadimplência no crédito rural está entre 5% e 6% e prometeu estruturar uma saída para as dívidas acumuladas no campo. Terceiro: deixou claro que o governo vai dar suporte ao setor, sem, contudo, anunciar números concretos ainda.
O contexto pesa. O agronegócio acumula pressão de dívidas renegociadas diversas vezes, especialmente em soja e algodão no Centro-Oeste. A inadimplência nessa faixa é considerada “gerenciável” pelo governo, mas para o produtor endividado, a conta é bem menos abstrata. Só que...
O Plano Safra 2026/27, previsto para ser anunciado em 1º de julho, deve trazer volume de recursos abaixo do solicitado pela bancada ruralista. O setor pedia pelo menos R$ 600 bilhões em crédito; a estimativa do governo está entre R$ 570 e R$ 580 bilhões. A diferença parece pequena no papel, mas representa bilhões a menos em crédito subsidiado disponível para a campanha agrícola que começa em agosto.
E ainda tem o cacau na pauta: a MP 1341/2026 foi aprovada na comissão especial do Congresso. Ela reduz o prazo do drawback de cacau de 1 ano para 6 meses, pressionando a indústria que precisa importar matéria-prima para manter as fábricas rodando. O MDIC decide sobre prorrogação, e a conta, se não vier, pode chegar a R$ 230 milhões anuais em perdas para o setor.
PAUTA VERDE
Mato Grosso muda o cronograma da biomassa nativa, e a proibição vai para 2035

Fonte: ChatGPT, 2026
O governo de Mato Grosso alterou o TCA (Termo de Compromisso Ambiental) que regula o uso de biomassa nativa na geração de energia das usinas agroindustriais. A mudança principal: a proibição absoluta de uso de biomassa nativa, que estava prevista para antes disso, agora só acontece em 2035. Até lá, um teto intermediário: máximo de 40% de biomassa nativa até 2034, depois zero.
Para quem não acompanha essa pauta: as usinas de cana e as plantas de bioenergia em MT usam biomassa nativa, madeira do Cerrado, como combustível nos momentos de pico. O estado vinha sendo pressionado há anos por organizações ambientais e compradores internacionais pra encerrar essa prática, que resulta em desmatamento para queima.
A mudança compra tempo para que as usinas substituam a biomassa nativa por bagaço de cana, palha e outras fontes renováveis sem parar a produção. A lógica do setor: a transição custa caro e exige investimento em caldeiras e infraestrutura, e o prazo anterior era curto demais pra viabilizar isso sem travar a geração.
Mas há um risco político: compradores europeus e fundos ESG já sinalizaram que o uso de biomassa nativa é linha vermelha para certificação de produtos do Cerrado. Ganhar tempo agora pode custar mercado lá na frente.
SAFRA DE CIFRAS
O agro produz mais, mas está ganhando menos

Fonte: giphy.com
O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuário brasileiro atingiu R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, segundo o Ministério da Agricultura. É muito dinheiro. Só que tem um detalhe que estraga um pouco a festa: em relação ao mesmo período de 2025, o VBP caiu 4,6%.
A soja lidera o ranking com R$ 338,5 bilhões, sustentada por volume e por preços que ainda seguram a lavoura. A pecuária soma R$ 510,2 bilhões; as lavouras chegam a R$ 908,8 bilhões.
Só que há setores que simplesmente despencaram. O cacau caiu 56,8% no VBP, o maior tombo, reflexo de preços em colapso depois do boom de 2024. A laranja recuou 38%, pressionada pela baixa demanda de suco no exterior. O arroz caiu 30% com oferta excedente no mercado interno.
O que esse número diz: o agronegócio brasileiro não para de produzir, mas as margens estão comprimidas. Quando o VBP cai com produção estável, o nome disso é queda de preços, e quem estava alavancado na safra passada sente no bolso agora.
PLANTÃO RURAL
Geadas na próxima semana: no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Danos às lavouras devem ser limitados: mas o alerta é alto para cafezais e culturas de inverno.
Colheita café Cooxupé em 15,8%: as chuvas que persistem no Sul de Minas Gerais travam o trabalho no campo e podem comprometer a qualidade do grão
Milho em Goiás pode ter quebra de 30%: impactada por irregularidades climáticas durante o enchimento de grãos.
Brasil abre mercado na China e no Panamá: 642 aberturas de mercado conquistadas pelo MAPA desde 2023.
Cooperativas terão acesso a R$ 3 bilhões: lei aprovada garante até R$ 3 bilhões de fundos constitucionais regionais de desenvolvimento.
Seguro contra aftosa renovado no Rio Grande do Sul: mantendo a cobertura sanitária num dos estados com maior densidade pecuária do país.
Unifrango investe R$ 20 mi em logística: ampliação do centro de distribuição, reforçando a capacidade num momento em que a demanda por proteína animal segue em alta.
Soja certificada vai abastecer aviões: é a primeira vez que o elo entre lavoura e tarmac fica tão curto no Brasil.
Preço do arroz recua com oferta maior: revertendo parte da alta dos meses anteriores.
SE DIVERTE AÍ
O Cartola FC é um jogo muito bom e divertido para quem gosta de futebol e acompanha o Campeonato Brasileiro. Você escala 11 jogadores e um técnico por rodada, usando moedas virtuais (cartoletas). A sua pontuação depende do desempenho real desses atletas em campo (gols, desarmes, passes, etc.)
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: 30%.
Pergunta de hoje: Quantos metros quadrados tem 1 hectare?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
