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Bom dia!

Hoje tem o Bradesco BBI publicando o mapa do El Niño pra safra 26/27 com lista de quem ganha, quem perde e quais ações o clima coloca no radar dependendo do que o tempo decidir. E tem a FS enterrando a pá em Querência: R$ 2 bilhões e 580 milhões de litros de etanol de milho por ano chegando ao mercado. No meio disso, Lula senta com Ursula von der Leyen no G7 tentando não deixar a carne brasileira perder o passaporte pra Europa; e um fundo paulista que atravessou pandemia, duas guerras e a maior crise de crédito do agro entregando mais de 400% de retorno.

Pra você acordar bem informado

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 169.799 0,62%
IFIX R$13,48 -0,52%
CSAN3 R$3,27 +0,00,22%
SOJA3 R$6,14 +1,15%
SNAG11 R$10,03 -1,96%
GCRA11 R$51,53 -2,50%
ETF OURO R$96,41 +0,46%
Bitcoin US$65.593 -1,34%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

POR DENTRO DO MERCADO

IG4 quer sentar no trono da Raízen e já tem 80% dos credores na mesa

Fonte: Moneytimes/Divulgação

A operação mais ousada do agronegócio brasileiro em 2026 está tomando forma. A IG4 Capital, gestora fundada pelo ex-Pátria Paulo Mattos, está estruturando uma proposta para assumir o controle da Raízen, a gigante de cana-de-açúcar que Rubens Ometto construiu ao longo de décadas em sociedade com a Shell.

O modelo é assim: a IG4 compra os R$ 65 bilhões em dívida da Raízen, converte 45% desse valor em participação acionária, e passa a sentar na cadeira de controle. A Shell entra com mais R$ 3,5 bilhões de capital novo. Os credores, com cerca de 80% já alinhados à proposta, ficam com participação diluída ou créditos reestruturados.

O template é a Braskem: a IG4 usou o mesmo mecanismo, comprou dívida e virou controladora de uma empresa em dificuldades. Só que na Braskem os credores eram concentrados, bancos e fundos institucionais numa mesa só. Na Raízen, a estrutura de dívida é bem mais pulverizada, o que torna a coordenação exponencialmente mais complexa.

Na prática, o que está em jogo é o destino de uma das maiores empresas de bioenergia do mundo: a maior produtora de etanol do Brasil, com operações de SAF e uma rede de postos de combustível. Quem sentar no trono depois de Ometto herda tanto a oportunidade quanto a conta.

NAS CABEÇAS DO AGRO

El Niño chegou: Bradesco BBI mapeou quem ganha e quem perde no campo

Fonte: CNN Brasil

O Bradesco BBI vasculhou os dados históricos e publicou o mapa de quem sai ganhando e quem leva um tombo se o super El Niño confirmar força na safra 2026/27. A análise virou referência de mercado esta semana.

Quem ganha: A Camil aparece como uma das maiores beneficiadas. O El Niño historicamente empurra riscos de quebra de safra de arroz no Sul, o IBGE estima 67% a 86% de chance de quebra por região, o que faz o preço do arroz subir e pode elevar a receita da Camil em +45%. A 3tentos, concentrada no Rio Grande do Sul, também é pick do banco: o Sul tende a receber chuvas mais regulares no El Niño, favorecendo soja e trigo.

Quem perde: A SLC Agrícola é a mais exposta. Com 49% da área em Matopiba (nordeste do Cerrado, que sofre estiagem no El Niño), o risco de quebra de soja e milho é real, agravado por custos altos com fertilizantes. A Boa Safra também entra no radar: excesso de umidade pode comprometer a qualidade das sementes no Cerrado, que é o coração do negócio da empresa.

Para São Martinho e Jalles Machado, a cana historicamente responde bem ao El Niño: TCH sobe 4 a 5%. Só que o cenário para o açúcar continua difícil independente do clima, e os resultados que a Jalles acaba de soltar confirmam isso na prática.

ASSUNTO DE GABINETE

Brasil e UE criam canal direto pra salvar a carne do embargo europeu

Fonte: CNN Brasil

Na margem do G7 na França, Lula e Ursula von der Leyen sentaram em Évian-les-Bains e saíram de lá com uma novidade: um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e a Comissão Europeia para resolver os impasses que travam a carne bovina brasileira e o aço nos portos europeus.

A pauta é urgente. A UE anunciou restrições à carne bovina brasileira por questões sanitárias, com entrada em vigor prevista para setembro. No lado do aço, as tarifas europeias pressionam o setor industrial. O mecanismo criado define um canal de diálogo técnico não resolve nada ainda, mas abre a porta antes que o prazo chegue.

Só que o relógio está correndo. Na prática, o Brasil precisa provar conformidade sanitária antes de setembro, e o mecanismo criado hoje é a aposta do Itamaraty pra acelerar esse processo. A nota oficial fala em “buscar soluções que contemplem as preocupações europeias e os legítimos interesses exportadores do Brasil”. Traduzindo: os dois lados ainda estão bem longe de um acordo concreto. O encontro também teve António Costa, presidente do Conselho Europeu.

PAUTA VERDE

FS inicia a quinta usina de etanol de milho e o E32 vem aí

Fonte: Theagribiz

A FS acaba de enterrar a pá no chão de Querência, no Mato Grosso, para começar a construir sua quinta usina de etanol de milho. São R$ 2 bilhões de investimento, capacidade de 580 milhões de litros por ano, processamento de 1,3 milhão de toneladas de milho e previsão de operação em julho de 2027.

O anúncio vem junto com os resultados do ano safra 2025/26, que foram na contramão do setor: lucro +71%, Ebitda de R$ 3,5 bilhões com margem de 27%. A usina de Campo Novo do Parecis, a quarta, teve capacidade ampliada de 540 para 580 mi de litros, com R$ 500 mi do BNDES aprovados nesta semana.

Com as duas plantas em construção, a FS vai chegar a 3,8 bilhões de litros/ano de capacidade instalada. A decisão de construir Querência, por sinal, foi tomada antes da venda de 40% da empresa pra Amaggi, o negócio com o grupo dos Maggi vai completar cerca de US$ 100 mi em caixa quando a aprovação regulatória sair no próximo mês.

E tem mais demanda no horizonte: o CNPE deve anunciar o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% pra 32% (E32) ainda este mês. Cada 1 ponto percentual a mais cria demanda imediata pra quem já está produzindo. A FS está exatamente nessa posição.

SAFRA DE CIFRAS

O fundo que atravessou pandemia, duas guerras e a crise do agro e entregou 400%

Fonte: Agfeed

O fundo se chama Xingu, a gestora é a Éxes, e o número é desses que fazem a galera ler de novo: a cota subordinada entregou mais de 400% de retorno em seis anos. No mesmo período, quem ficou no CDI levou cerca de 80%.

O Xingu foi um FIDC de crédito agro criado em 2020, antes mesmo dos Fiagros existirem. Nasceu no pico da pandemia, quando ninguém queria apostar em nada, exceto em alimentação. A Éxes enxergou que o produtor de grão oferecia terras como garantia e pagava spreads altos num ambiente de Selic a 2%. Entrou.

Ao longo de seis anos, o fundo passou por praticamente tudo: pandemia, Selic de 2% a 15%, guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, boom do agro, crise de crédito e onda de recuperações judiciais. Houve renegociações, reestruturações, e uma vez a execução de uma fazenda em Rio Verde (GO) chegou a ser preparada, o produtor vendeu parte das terras antes de perder a propriedade.

Resultado final: sem um default sequer. A cota sênior entregou CDI +4%/ano; a subordinada, CDI +20%/ano. O fundo chegou a administrar R$ 250 milhões em patrimônio e investiu em 16 operações de CRA e CPR, concentradas em soja, milho e algodão.

A Éxes ainda tem dois fundos agro ativos: o Carajá (R$ 80 mi, diversificado em setores) e o Araguaia AGRX11 (R$ 186 mi de PL, negociado em bolsa com desconto de 20% pelo episódio da Agrogalaxy). Para novos aportes, a gestora diz que está esperando "convergência entre o risco que enxergamos e o retorno que os tomadores estão dispostos a pagar".

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

A Copa do Mundo começou, e pra entrar no clima, o jogo de hoje é diferente. No Who Are Ya? você tem que acertar quem é o jogador misterioso em 8 tentativas. A cada erro, você recebe dicas, tipo o grupo em que a seleção dele está na copa, a idade, a posição, o país, entre outras. Será que você manja de futebol o suficiente pra acertar? O desafio foi lançado.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Lima.

Pergunta de hoje: Qual a porcentagem de etanol aceita na gasolina, no Brasil, atualmente?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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