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Bom dia!

Hoje tem Lula vetando a Lei dos Safristas e a FPA prometendo reverter a decisão no Congresso, El Niño ganhando carimbo oficial da NOAA com chance de 63% de ser muito intenso e Brasil mandando mais sementes pro cofre do fim do mundo na Noruega. No meio disso, a Be8 desembarca na Itália com biodiesel, leilão coloca 70 mil hectares de terra com desconto de até 56% e Rússia reconhece o Brasil livre de aftosa sem vacinação.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

ASSUNTO DE GABINETE

Lula veta manter Bolsa Família pra safristas e FPA promete briga no Congresso

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula vetou integralmente o PL 715/2023, mais conhecido como Lei dos Safristas, e comprou mais uma briga com a bancada ruralista. O projeto tinha como base permitir que os trabalhadores rurais temporários, que fossem contratados só pra safra, continuassem tendo acesso a programas sociais, como o Bolsa Família, durante o período do trampo. Na prática, a renda do contrato de safra ficaria fora do cálculo da renda familiar per capita.

A proposta já tinha passado pelo Senado em dezembro e pela Câmara em maio, mas tomou canetada no Diário Oficial dessa quinta-feira (11). Na justificativa que foi enviada pro Congresso, o governo disse que o texto tem vício de inconstitucionalidade e contraria o interesse público. A equipe econômica também entrou na história com a calculadora na mão, dizendo que a medida criaria mais uma despesa obrigatória contínua sem estimativa de impacto, sem fonte de custeio e sem comprovação de compatibilidade com as metas fiscais.

A FPA não curtiu o veto e nem a explicação, e reagiu dizendo que o veto penaliza quem quer trabalhar e ignora a realidade do campo. Pra bancada, o projeto não criava benefício novo nem tirava direito de ninguém, só evitava que a formalização do serviço virasse uma armadilha pro safrista. O argumento é que uma galera deixa de aceitar o contrato formal por medo de perder o Bolsa Família, o que empurra parte dessa mão de obra pra informalidade e piora a falta de trabalhador em períodos de plantio, colheita e outras etapas da produção.

Agora, o veto ainda vai ser analisado em uma sessão conjunta do Congresso, onde deputados e senadores vão prosear pra decidir se vão manter ou derrubar a decisão presidencial. Se cair, o texto aprovado pelo Legislativo pode virar lei. Se ficar de pé, a proposta vai pro arquivo e a novela volta pra primeira temporada. A FPA já avisou que vai tentar reverter a decisão, defendendo que política social e trabalho formal não deveriam andar em lados opostos da estrada.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Brasil manda sementes pro cofre do fim do mundo, na Noruega

Foto: Elcio Guimarães

O Brasil fez mais um depósito no banco mais gelado do planeta. E não foi em dinheiro, foi em genética. Nesta quarta-feira (10), a Embrapa entregou um pacote de novas amostras de sementes pro Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega, também conhecido como “cofre do juízo final” ou “Arca de Noé das plantas”. A presidente da estatal, Silvia Massruhá, foi até lá levando caju, fava, amendoim, mamona e gergelim. É tipo um backup do agro brasileiro, só que em vez de subir pra nuvem, vai pra um freezer no Ártico.

As novas sementes entram no clube dos 8.125 materiais que a Embrapa já deixou guardados em Svalbard, que é uma espécie de seguro de vida da biodiversidade agrícola. O cofre existe pra proteger a biodiversidade dos B.O.s que o mundo oferece, como guerras, pragas e mudanças climáticas. Hoje, ele guarda cerca de 1,38 milhão de amostras, de mais de 5 mil espécies, vindas de 223 países e territórios.

Desde 2012, a Embrapa representa o Brasil nessa Arca de Noé vegetal. No estoque brasileiro lá fora, arroz lidera com 4.850 acessos, seguido por milho, com 739, e feijão, com 514. Também tem forrageiras, fruteiras, hortaliças, espécies florestais, soja e trigo. Segundo Silvia Massruhá, a iniciativa reforça o papel da ciência brasileira na segurança alimentar e na adaptação às mudanças climáticas.

E nem precisa ir até a Noruega pra encontrar cofre de semente com CPF brasileiro. Em Brasília, a Embrapa mantém o maior banco do país e da América Latina, com quase 126 mil amostras de 1.213 espécies, que ficam conservadas a -18 ºC pra que continuem viáveis por décadas ou até séculos.

E ESSE TEMPO, HEIN?

El Niño chega oficialmente e preocupa o agro

Gif: news on Giphy

Depois de muita espera, previsão e torcida contra, o El Niño ganhou carimbo oficial da NOAA nesta quinta-feira (11). O Pacífico Equatorial Central já tava aquecido e a atmosfera também dava sinais do fenômeno nas últimas semanas. Agora, com a chancela dos meteorologistas dos EUA, a preocupação subiu de categoria: a chance de um El Niño muito intenso, com anomalia acima de 2 °C, saltou de 37% para 63%. Ainda não dá pra saber se vai bater os monstros de 1982/83, 1997/98 e 2015/16, mas a criança já entrou na sala fazendo barulho.

Na prática, El Niño é aquele personagem que mexe no roteiro inteiro da safra. No Brasil, ele costuma trazer chuva demais pro Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste, especialmente a partir de setembro, enquanto Norte e Nordeste sofrem com menos chuvas e mais calor. A conta sobra pra todo mundo: culturas de inverno sofrem com excesso de água no Sul, a soja atrasa no Sudeste e Centro-Oeste, e o milho segunda safra pega estiagem precoce no outono.

Os primeiros sinais já tão aparecendo antes mesmo do fenômeno colocar o crachá no pescoço. Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, que normalmente não veem tanta chuva em junho, já tão com precipitação acima da média. Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul também podem receber volumes fortes, chegando a 100 mm em alguns municípios até a próxima terça-feira (16). Essa chuva fora de hora pode atrasar a colheita do milho segunda safra, da cana e do café, piorar a qualidade da pluma do algodão e travar o plantio do trigo.

Entre 18 e 25 de junho, a chuva ainda deve vir forte, mas num ritmo mais normal pra época, pegando a região Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, pode até cair como boa notícia, já que a umidade do solo tá abaixo do ideal pro trigo. No Paraná, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, porém, a água ainda pode entrar na lista de problemas com boa intenção. A temperatura também deve cair no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste, com chance de geadas entre os dias 15 e 18 de junho, do sul do Paraná até o Rio Grande do Sul, mas sem atingir culturas mais vulneráveis.

POR DENTRO DO MERCADO

Be8 põe biocombustível na mala e desembarca na Itália

Gif: Giphy

A Be8 decidiu fazer as malas, pegar o biodiesel e embarcou rumo a Milão pra encher o tanque europeu. A produtora brasileira de biocombustíveis vai abrir uma filial na Itália pra dar aquela facilitada nos negócios com a União Europeia. A empresa, que já tem operação na Suíça, vê o país como uma base mais estratégica pra exportar biocombustíveis e matérias-primas pra Europa toda, expandindo ainda mais os horizontes comerciais.

Segundo Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, a expansão faz parte do plano estratégico da empresa pra crescer em energia renovável e ampliar presença internacional. E o negócio pode ir além de escritório bonito em Milão: a companhia não descarta investir na produção de biocombustíveis na Itália, dependendo da demanda nos próximos anos. O momento também ajuda, já que o acordo entre União Europeia e Mercosul começou a vigorar. Ou seja, enquanto metade do mercado ainda tá tentando entender as vírgulas do comércio internacional, a Be8 já tá ensinando o biodiesel a falar ciao ragazzi.

Além da exportação, a empresa também tá pensando em montar uma estrutura logística na Itália pra servir como ponto de conexão e distribuição no velho continente. Pra isso, a unidade vai buscar certificações de sustentabilidade e rastreabilidade, aquele carimbo que, na Europa, vale quase como passaporte diplomático. Hoje, a Be8 já tem escritório comercial em Genebra, unidade industrial na Suíça, plantas no Paraná, Mato Grosso, Piauí, Pará e Paraguai, além de investir em uma fábrica de etanol de trigo no Rio Grande do Sul.

PAUTA VERDE

Embrapa e Promip fecham parceria pra levar MIP da soja pra mais produtores

Foto: Divulgação

A Embrapa Soja e a Promip resolveram juntar ciência, controle biológico e produtor no mesmo grupo pra dar um chega pra lá nas pragas da soja. As duas assinaram uma carta de intenções durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR), pra ampliar o acesso ao programa Soja Rota + Sustentável. A missão é capacitar produtores no Manejo Integrado de Pragas, o famoso MIP, que basicamente tenta fazer o produtor aplicar somente o necessário e quando necessário, com várias estratégias diferentes.

O programa, que é tocado pela Promip, reúne treinamentos e ações pra incentivar o uso do MIP, combinando produtos biológicos, defensivos químicos, monitoramento e análises dentro de uma estratégia mais inteligente e eficiente. O tema não é nenhuma novidade e a ciência em volta disso já avançou bastante, mas a adoção ainda tá bem abaixo do potencial em várias regiões.

Segundo Marcelo Poletti, CEO da Promip, a parceria com a Embrapa vem justamente pra expandir a capacitação e criar uma jornada de evolução contínua no manejo da soja. Já Carina Rufino, da Embrapa Soja, disse que a ideia é levar o conhecimento da pesquisa de forma on-line pra diferentes regiões do país, melhorando a decisão do produtor e fortalecendo a sustentabilidade econômica, ambiental e social.

SAFRA DE CIFRAS

Leilão põe 70 mil hectares na vitrine com etiqueta de desconto

Gif: david on Giphy

Mais de 70 mil hectares de terras rurais em Mato Grosso e São Paulo vão pra leilão judicial, e o anúncio veio com cara de Black Friday de terra. Ao todo, são 17 fazendas da massa falida da Colonizadora Vale do Rio Ferro, avaliadas em cerca de R$ 80 milhões, mas com lance inicial a partir de R$ 35 milhões. Ou seja, desconto de até 56%.

A maior parte do pacote tá em Mato Grosso: 12 fazendas em Nova Ubiratã e 3 em Sinop, além de 2 áreas em Piedade, no interior de São Paulo. A Colonizadora Vale do Rio Ferro atuava na compra e venda de imóveis rurais, especialmente no norte mato-grossense, quando a fronteira agrícola ainda tava abrindo caminho no facão. A falência veio em 1993, mas os ativos ficaram ali, esperando a hora de voltar pro radar do mercado.

Segundo a Balbino Leilões, responsável pelo certame, esse é um dos maiores leilões judiciais de terras rurais dos últimos anos no Brasil. Por ser alienação de massa falida, a operação promete segurança jurídica e valores mais competitivos que os de mercado, uma combinação que agrada todos os lados. O leilão será 100% eletrônico, com cadastro e habilitação prévios, e os lances vão até 17 de junho.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Laranja

Pergunta de hoje: Qual erva originária do Paraguai virou símbolo cultural do Sul do Brasil e do chimarrão?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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