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Bom dia!

Hoje tem JBS fechando 2 unidades nos EUA porque o rebanho americano tá no menor nível em 75 anos e boi virou item escasso, Moratória da Soja voltando pro STF sem acordo depois que agricultores, indústria e ambientalistas não chegaram a um consenso e CNPE marcando pra 24 de junho a votação que pode elevar o etanol na gasolina de 30% pra 32%. No meio disso, IA entra no pivô pra prever se vai ter água no manancial, peixe-anual do Pampa vira fiscal da natureza e Bahia Farm Show atinge recorde de visitantes.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 171.132,66 6,21%
IFIX 3.814,03 0,93%
CSAN3 R$3,34 -37,22%
SOJA3 R$6,15 -31,97%
SNAG11 R$10,20 -8,11%
GCRA11 R$52,70 -2,23%
ETF OURO R$22,12 -10,70%
Bitcoin US$63.472,89 -28,15%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

POR DENTRO DO MERCADO

JBS fecha 2 unidades por falta de oferta de bovinos

Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

A JBS apertou o cinto nos Estados Unidos e fechou 2 unidades por lá, com a justificativa de que boi tá virando item de colecionador na gringa. A companhia encerrou a planta de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, com capacidade pra processar cerca de 2 mil cabeças por dia, e também fechou uma unidade de produtos processados em Memphis, no Tennessee, que empregava cerca de 200 pessoas. A empresa diz que a produção será absorvida por outras operações e que vai apoiar os funcionários afetados com transferências e suporte.

O problema pro Tio Sam é que a JBS não tá sozinha nesse movimento. Os EUA entraram em 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor estoque em 75 anos. O rebanho de vacas de corte caiu pra 27,6 milhões de cabeças, o menor nível desde o começo dos anos 1950, e o total de bezerros foi estimado em 32,9 milhões, o menor desde 1941. A receita do aperto veio bem temperada: anos de seca em regiões pecuárias, alimentação cara e pecuarista mandando matriz pro abate pra sobreviver à crise.

A tesoura também passou em outros nomes grandes. A Tyson fechou um frigorífico em Lexington, no Nebraska, com capacidade pra 5 mil bovinos por dia, e reduziu operações em Amarillo, no Texas. A Cargill encerrou uma unidade de carne moída em Milwaukee. Só os fechamentos da JBS em Souderton e da Tyson em Lexington tiraram cerca de 7 mil cabeças por dia de capacidade do mercado, algo entre 5% e 6% do abate diário dos EUA.

No total, JBS, Tyson e Cargill, juntas, já fecharam 5 plantas só esse ano.

A conta, claro, não ficou no pasto. O preço médio do boi terminado deve chegar a US$ 235,75 por 100 lbs em 2026, alta de cerca de 26% em 2 anos. Na prática, um animal de 635 kg saiu de aproximadamente US$ 2.620 em 2024 pra perto de US$ 3.300 em 2026. Como o boi representa de 80% a 90% dos custos de um frigorífico, a margem tá mais apertada que metrô às 18h. Pro consumidor, a carne fresca bateu US$ 9,64 por lbs em abril, e a carne moída chegou a US$ 7,06 por lbs em maio. Pra completar o roteiro, a mosca-varejeira-do-novo-mundo acendeu o alerta sanitário na fronteira com o México e causou uma crise no setor, por enquanto pequena, mas deixou o mercado com medo de ter a oferta ainda mais comprometida.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Moratória da Soja volta pro STF sem aperto de mão

Foto: STF/Divulgação

A tentativa de apaziguar a treta da Moratória da Soja no STF terminou do jeito que muita reunião termina: todo mundo falou, ninguém fechou acordo e o problema voltou pra mesa de quem decide. O Núcleo de Solução Consensual de Conflitos da corte devolveu aos relatores os 4 processos que discutem a legalidade do pacto, depois de agricultores, indústria, Ministério Público e ambientalistas não chegarem a um consenso. A mediação tinha sido anunciada em março, com aquele clima de “agora vai”, mas não foi. Agora, a soja saiu da conciliação e voltou pro Supremo sem aperto de mão, sem ata feliz e sem data pro julgamento.

A Moratória da Soja nasceu há cerca de 20 anos com uma regra: empresas signatárias não comprariam soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de 2008, mesmo quando o desmate fosse legal. Só que o acordo entrou no olho do furacão depois que Mato Grosso e Rondônia aprovaram leis tirando benefícios fiscais de empresas que participam de compromissos privados como esse. Na prática, os estados colocaram a Moratória contra a parede, e o pacto começou a esvaziar: tradings ligadas à Abiove e a própria associação deixaram o acordo.

O STF tentou mediar não exatamente quem tá certo ou errado na constitucionalidade das leis estaduais, mas os efeitos práticos que uma decisão pode causar. A preocupação é abrir uma porteira de processos em várias instâncias. Já tem ação de produtores em Mato Grosso pedindo mais de R$ 1 bilhão em ressarcimento e acusação no Cade contra tradings por suposta formação de cartel. As partes até chegaram perto de um entendimento, segundo o despacho, mas recuaram antes de apertar as mãos. Agora, a bola volta pros ministros Flávio Dino, Dias Toffoli e Luiz Fux pra decisão final.

ASSUNTO DE GABINETE

CNPE deve aprovar aumento do etanol na gasolina de 30% pra 32% ainda esse mês

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O CNPE marcou pra 24 de junho a votação que pode aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. O assunto entrou na pauta depois que lideranças e empresários do setor bateram na porta do presidente Lula e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pra defender o E32.

O setor já vinha pedindo esse empurrão tem uns meses, mas uma parte da área técnica queria fazer mais testes antes de liberar a nova mistura. O detalhe é que, nos estudos que abriram caminho pro E30 no ano passado, o E32 também foi avaliado como uma margem de segurança. Depois da reunião com o setor, Silveira prometeu mandar a recomendação de aprovação em até 15 dias. Ou seja, o tema saiu da gaveta, ganhou carimbo de urgência e agora tá a um voto de virar mais uma dose de etanol no tanque brasileiro.

Segundo o ministro, subir a mistura pra 32% pode economizar 450 milhões de litros de gasolina por ano, bem numa hora em que guerra no Oriente Médio deixou o petróleo e a importação mais salgados. De quebra, a medida ajuda a escoar parte do excedente de etanol dessa safra, que tá entre 2 bilhões e 4 bilhões de litros. O E32 virou um negócio bom demais pro setor não defender com entusiasmo: reduz gasolina importada, abre espaço pro etanol nacional e ainda coloca a cana como protagonista.

MENTES QUE GERMINAM

Banhado do Pampa ganha fiscal pequeno e eficiente

Foto: CEEE Equatorial/Divulgação

No Rio Grande do Sul, um projeto tá tentando proteger um peixe que vive pouco, mora em banhado temporário e, mesmo sem LinkedIn ou equipe de ESG, tem um currículo ambiental de responsa. Os peixes-anuais aparecem em pequenas áreas úmidas do Pampa e funcionam como uma espécie de dedo-duro da natureza: se o ambiente piora, eles sentem primeiro e entregam que tem coisa errada. A iniciativa, financiada pela CEEE Equatorial com recursos de Reposição Florestal Obrigatória, passou quase 3 anos rodando por 18 municípios gaúchos pra mapear populações ameaçadas, encontrar áreas prioritárias e entender onde o Pampa tá pedindo socorro sem gritar.

O bicho pode ser pequeno, mas não tá ali de enfeite. Como é extremamente sensível a mudanças no habitat, ele ajuda a mostrar os impactos do avanço agrícola, da drenagem de áreas úmidas, da expansão urbana e da degradação do solo. E ainda faz um freela no controle natural de larvas de mosquitos, incluindo vetores de dengue e zika.

O Rio Grande do Sul é um centro de diversidade desses peixes, com 40 espécies no Pampa, e 12 delas tão na mira do projeto. Além da pesquisa científica, a iniciativa virou trabalho de educação ambiental, com escolas, prefeituras, comunidades, cartilha, livro infantil, músicas, reportagens e conteúdos digitais. Segundo os responsáveis, o projeto criou um banco de dados sobre biodiversidade, uso do solo e conservação.

CAMPO ATUALIZADO

IA entra no pivô pra evitar irrigação no escuro

Foto: iStock

A irrigação já responde por 50,3% do uso de água no Brasil e, com pivô central abrindo os braços sobre o campo, um dos pontos mais importantes é saber se vai ter água pra encher a mangueira. Em 2024, o país tinha cerca de 2,2 milhões de hectares irrigados por pivôs centrais e 64% dessas áreas irrigadas usavam água captada de rios, açudes e reservatórios. Foi de olho nesse cenário que a startup paulista Espectro, com apoio da Fapesp, criou o Palmaview, uma plataforma que usa sensores e inteligência artificial pra dizer se vai ter água no manancial nas próximas semanas.

O sistema faz parte do ecossistema Palmaflex e foi pensado pra gestão hídrica, eficiência energética e monitoramento de pivôs e tanques. Na prática, ele mede a vazão dos cursos d’água e cruza essas informações com dados de chuva por satélite. Isso é importante porque a chuva que cai na cabeceira de uma bacia não aparece imediatamente no ponto de captação. Dependendo do solo e das condições da área, a água demora alguns dias pra dar o ar da graça.

Segundo a Espectro, essa ferramenta pode gerar uma economia de cerca de 30% e chega a 75% de assertividade nas previsões. Com informação contínua, o agricultor consegue programar a irrigação nos horários mais vantajosos, evitar desperdício e aproveitar tarifas de energia mais baixas. A plataforma também pode indicar situações como “hoje não tem vazão suficiente, mas em 3 ou 4 dias a água deve voltar”, e esse tipo de spoiler vale ouro pro produtor.

Além de ajudar no manejo, o Palmaview ainda pode dar munição técnica nas discussões sobre outorga de água. Nos testes no Noroeste Paulista, os pesquisadores encontraram casos em que a autorização permitia captar mais água do que o manancial conseguia entregar e outros em que havia água disponível, mas a outorga segurava o uso. Com monitoramento contínuo, o produtor ganha dados próprios pra apoiar renovação de autorizações e planejar a irrigação sem ficar refém de achismo.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Erva-mate

Pergunta de hoje: Qual fruta asiática, parente do limão, era usada como antisséptico natural em viagens marítimas?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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