APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje tem governo gastando R$ 3 bilhões por mês pra segurar combustível, Europa pressionando a carne brasileira, guerra no Irã chegando na lavoura africana com ureia 90% mais cara, Copersucar mirando biometano em 42 usinas, leite ganhando índices de preço e um touro de 1,4 tonelada tentando ficar ainda maior.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 177.098,30 9,91%
IFIX 3.834,34 1,47%
BEEF3 R$4,05 -29,69%
PETR3 R$48,98 50,38%
IAAG11 R$8,38 -3,68%
AGRX11 R$8,31 -6,31%
ETF OURO R$24,39 -1,53%
Bitcoin US$79.387,65 -10,14%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

O desenrolar do block da UE nas carnes brasileiras

Foto: Mapa/Divulgação

Se terça-feira (12) foi dia de susto no agro brasileiro, quarta-feira (13) virou mutirão diplomático. Depois de a União Europeia tirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal pro velho continente, o governo correu pra tentar se explicar. A promessa agora é mandar uma leva de documentos, protocolos e esclarecimentos técnicos nos próximos 15 dias pra tentar desfazer o climão em Bruxelas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o Brasil tá confiante que vai resolver esse BO e falou que as informações solicitadas pela UE já tão sendo preparadas. O ministro da Agricultura, André de Paula, foi na mesma linha e reforçou que o Brasil vai continuar exportando carne pros europeus. Segundo ele, o Brasil tem um sistema sanitário bem parrudo, vende proteína animal pra mais de 170 países e tá na mesa da Europa há 40 anos, então não tem porque travar tudo de uma hora pra outra.

O problema é que a bronca europeia não gira só em torno de antibiótico. Os gringos querem rastreabilidade individual dos animais, segregação das cadeias e comprovação sanitária praticamente em tempo real, com um histórico completo da vida dos animais. Não basta dizer que faz certo, tem que mostrar recibo, protocolo e quase o boletim escolar do boi. E aí entra o maior gargalo brasileiro, principalmente na pecuária bovina, já que um mesmo animal pode passar por várias fazendas até chegar ao frigorífico e esse mochilão por pastos diferentes dá uma complicada na rastreabilidade.

Nos bastidores, o governo ficou irritado porque diz que já vinha desenrolando esse assunto desde 2023 e tava cobrando uma resposta formal da UE desde outubro de 2025. Segundo o Mapa, o Brasil enviou informações e protocolos no ano passado, mas ficou sem retorno até tomar a pancada pública desta semana. A avaliação em Brasília e no setor é que a medida foi “brutal”, “sumária” e muito mais política do que sanitária, principalmente depois da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia.

O clima também azedou porque a restrição acabou sobrando pra cadeias que nem estavam no radar da crise. Frango, mel, pescado e aquicultura entraram no pacote europeu mesmo tendo sistemas mais fáceis de rastrear e, em alguns casos, sem uso dos antimicrobianos questionados pela UE. A piscicultura reclamou que levou uma paulada por algo que nem tem a ver com eles, enquanto o setor de carnes teme que o movimento europeu vire inspiração pra novos surtos protecionistas e barreiras comerciais ao redor do mundo. Porque no comércio global é assim: quando a Europa chia, sempre aparece alguém comprando o barulho.

CAMPO ATUALIZADO

Cepea e StoneX lançam 3 novos índices e o leite ganha bússola de preços pra fugir do improviso

Gif: Giphy

O mercado do leite resolveu trocar um pouco do improviso pela calculadora financeira. Nesta quarta-feira (13), o Cepea e a StoneX anunciaram três novos indicadores de preços pro setor lácteo brasileiro, criando referências oficiais pros contratos de leite UHT, muçarela e leite em pó industrial. Agora o produtor pode tentar se proteger das montanhas russas do mercado sem precisar de chute ou ficar perguntando no grupo do zap quanto os outros tão cobrando.

Os novos indicadores vão ficar de olho bem de pertinho nos preços do leite UHT no Sudeste em R$/litro, da muçarela em R$/kg e do leite em pó industrial em São Paulo em R$/kg também, mas levando em conta o pacote de 25 kg pro último. Eles chegam pra servir como base pras operações de hedge e contratos de balcão estruturados pela StoneX, dando uma ajudinha pros produtores, indústrias e varejistas na hora de colocar uma trava nos preços e proteger as margens. É quase um airbag financeiro pra um mercado que vive levando tombo no preço.

A movimentação acontece num momento em que o mercado leiteiro tá mais volátil do que nunca, com os preços pagos ao produtor lá embaixo. Segundo o Cepea, a cadeia passou por uma transformação pesada nos últimos anos, com mais tecnologia, produtividade, concentração e competição. Só que junto veio a oscilação de preços, aquela velha conhecida de todo produtor. A ideia agora é ajudar a profissionalizar a gestão financeira do leite brasileiro. Os indicadores de UHT e muçarela vão sair diariamente, enquanto o do leite em pó sai semanalmente.

SAFRA DE CIFRAS

Governo joga R$ 3 bilhões no tanque pra segurar os preços dos combustíveis

Gif: Giphy

Com petróleo literalmente sob fogo cruzado por causa da guerra no Oriente Médio, os preços dispararam no mundo inteiro e o governo resolveu mexer no tanque antes que a inflação resolvesse acelerar junto. Brasília anunciou um pacote pra aliviar os preços dos combustíveis, incluindo subvenção de R$ 0,89 por litro na gasolina e suspensão de R$ 0,35 de PIS/Cofins no diesel. A brincadeira vai custar cerca de R$ 3 bilhões por mês aos cofres públicos.

Além da gasolina e do diesel, o biodiesel também entrou nessa festinha tributária. A desoneração total de PIS/Cofins sobre o combustível renovável segue valendo até o fim de maio e tem um impacto estimado em R$ 145 milhões por mês. O pacote ainda tem isenção sobre querosene de aviação e GLP.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a ideia da medida é manter uma neutralidade fiscal, porque o governo tá arrecadando receitas extras justamente com a disparada internacional do preço do petróleo. É quase um cashback geopolítico: o barril sobe lá fora, Brasília arrecada mais aqui dentro e tenta devolver parte do tranco segurando combustível.

Pro agro, o movimento tem peso direto. Diesel caro bate no trator, no frete, no fertilizante, na colheita e em tudo que depende de caminhão pra chegar ou sair da fazenda. E com produtor já reclamando de juros altos, crédito apertado e a margem fazendo dieta forçada, a última coisa que o governo queria agora era ver o diesel virando vilão.

PAUTA VERDE

Copersucar quer todas as suas 42 usinas produzindo biometano até 2036

Foto: Reprodução

A Copersucar olhou pra vinhaça da cana e enxergou algo além de dor de cabeça logística. A gigante do açúcar e etanol quer todas as suas 42 usinas produzindo biometano nos próximos 10 anos, apostando pesado num combustível renovável que custa menos, polui muito menos e ainda faz bonito no relatório ESG do fim do ano.

A estreia mais visível dessa aposta atende pelo nome de BioRota, um projeto da empresa que já coloca caminhões movidos a biometano pra transportar o açúcar até o porto de Santos. Hoje, 14% da frota rodoviária usada pela companhia já roda na base do gás renovável, trocando diesel por resíduos da própria cana. A economia fica entre 20% e 30% no transporte, enquanto as emissões caem até 90%.

Por enquanto, só 2 usinas da Copersucar produzem biometano. Mas o plano é acelerar com 6 a 7 projetos novos por ano até fechar a conta. O investimento não é exatamente troco de pinga: cada unidade tem um custo salgado que fica entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões. Ou seja, não dá pra sair reformando todas as usinas como se não tivesse boleto pra pagar no fim do mês. Mesmo assim, a empresa vê muito potencial em um mercado enorme num país onde 65% das cargas ainda andam de caminhão e diesel.

COMO TÁ LÁ FORA?

Guerra no Oriente Médio tá adubando crise no agro da África

Foto: John MACDOUGALL / AFP via Getty Images

A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos começou no petróleo, passou pelos navios e agora chegou na lavoura africana sem pedir licença. Com o Estreito de Ormuz praticamente travado, os fertilizantes dispararam no mercado global e a ureia já subiu mais de 90%. Como resultado, tem produtor entrando na safra com menos adubo, menos combustível e mais dor de cabeça.

O caso mais delicado é o do Malaui, um dos países mais pobres do mundo e muito dependente das importações que vêm dos países do Golfo. Quase 60% dos fertilizantes nitrogenados usados por lá vêm da região que tá refém da guerra. E como desgraça pouca é bobagem, o país também tem uma das gasolinas mais caras do planeta, acima de US$ 3,50 por litro. É a tríade do caos rural: combustível caro, adubo escasso e plantio batendo na porta.

A situação já tá mexendo no plantio em vários países africanos. Tem agricultor reduzindo área cultivada na Nigéria, outros abandonando fertilizante em Lesoto e alguns apelando pra produtos mais baratos e de qualidade bem duvidosa no Senegal. Enquanto isso, na África do Sul, a previsão já é da menor safra de trigo em 12 anos.

O problema é que a África entra nessa crise com pouca gordura pra queimar. Mais da metade da população depende da agricultura e muitos pequenos produtores já usavam pouco fertilizante antes da pancada. Agora, com navios atrasados, cargas canceladas e países ricos furando a fila das compras globais, os pequenos agricultores africanos tão ficando pro fim da fila do adubo mundial. E mesmo que a guerra termine amanhã, especialistas avisam que a normalização vai demorar.

No Malaui, o sinal já tá bem vermelho. O governo vende reservas de ouro pra pagar combustível, enfrenta filas nos postos e tenta segurar uma insegurança alimentar que só cresce. Cerca de 22% da população já enfrentou fome aguda recentemente. Agora, com fertilizante caro, combustível escasso e plantio ameaçado, o medo é que a próxima safra venha menor justamente onde já faltava comida. A guerra tá acontecendo a milhares de quilômetros dali, mas a conta chegou direto na lavoura africana.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Dono recusa oferta de R$ 500 mil e quer fazer touro mais pesado do Brasil pesar ainda mais

Foto: Maria Laura Demétrio

Tem boi grande, tem boi muito grande e tem o Hércules, um Brahman de 7 anos com 1,4 mil kg e 2 metros de altura que parece ter tomado o mesmo soro que deu superpoderes pro Capitão América. O touro da Cabanha Talismã, em Criciúma (SC), já levou o título de mais pesado da Expointer em 2025, com 1,43 mil kg, e agora se prepara pra tentar a dobradinha em Esteio (RS).

O plano do criador Adilor Pedro Viana é fazer Hércules recuperar os cerca de 30 kg perdidos durante o período de coleta de sêmen e chegar na disputa ainda mais parrudo. Antes da Expointer, o touro ainda vai passar por eventos em Santa Catarina, como Agropolo, Feagro e Agroponte. É uma turnê agro, só que o artista principal pesa mais que muito carro popular e provavelmente exige camarim com silagem.

A fama fez o valor do animal subir junto com a balança. Adilor conta que já recusou R$ 500 mil por Hércules e não pretende vender. Meio milhão é dinheiro que faz qualquer um olhar 2 vezes, mas, segundo ele, o prazer de ter o touro mais pesado do Brasil vale mais.

Apesar do tamanho de atração turística com chifre, Hércules leva uma rotina parecida com a dos outros 80 animais da fazenda. A diferença tá no transporte, que precisa de caminhão reforçado e porta maior, porque não é qualquer carreta que encara esse Uber Black bovino. Na alimentação pré competição, o cardápio também ganha força: são 25 kg de silagem e 10 kg de ração por dia. Com essa dieta dá pra dizer que o Hércules não tá só comendo, tá fazendo bulking igual bodybuilder antes de Mr. Olympia.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Chicha

Pergunta de hoje: Qual leguminosa indiana é base de pratos como dhal e tem registros de cultivo há mais de 4 mil anos?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

Keep Reading