
APRESENTADO POR
Bom dia!
Domingo é dia de descansar, mas não te impede de ficar bem informado. Na terça, sai o Plano Safra 2026/27, que deve passar de R$ 650 bilhões, a Biotrop foi fincar bandeira nos Estados Unidos e a Aurora embarca mais carne suína pra Ásia. No meio do caminho, o ovo da Mantiqueira virou gourmet, a ADM fecha soja de madrugada e o chocolate já teme o El Niño. E hoje a gente ainda traz a agenda de eventos do agro.
Pra você começar a semana dois passos à frente.
Por Luciana Stival
E AÍ, BORA?
Expoleite: 2 a 4 de julho em Arapoti (PR), pra ver de perto a genética e a tecnologia da pecuária leiteira. [adcionar na agenda]
Agroleite: 3 a 7 de agosto em Castro (PR), a maior vitrine de tecnologia do leite da América Latina. [adcionar na agenda]
Congresso ANDAV: 11 a 13 de agosto em São Paulo (SP), onde a distribuição de insumos debate o futuro do balcão do agro. [adcionar na agenda]
Fenasucro & Agrocana: 11 a 14 de agosto em Sertãozinho (SP), a feira mundial de bioenergia, açúcar e etanol. [adicionar na agenda]
Congresso AvAg (Aviação Agrícola / SINDAG): 18 a 20 de agosto em Goianápolis (GO), o maior evento mundial de aviação agrícola. [adcionar na agenda]
Expointer: 29 de agosto a 6 de setembro em Esteio (RS), a maior feira agropecuária da América Latina. [adcionar na agenda]
Feedlot Summit Brazil: 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO), o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. [adcionar na agenda]
ACATE AgTech Summit: 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online, o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. [adcionar na agenda]
ASSUNTO DE GABINETE
O cofre do agro abre na terça

Fonte: Canal Rural
Todo ano agrícola tem uma data que vale por feriado no campo, a do anúncio do Plano Safra, e ela caiu pra esta terça (30). O governo confirma de manhã o pacote de crédito da agricultura empresarial e, à tarde, o da agricultura familiar.
Pela apuração do Canal Rural, o governo sinaliza um Plano Safra 2026/27 em torno de R$ 652 bilhões, cerca de 10% acima da safra passada, enquanto a CNA, a confederação do setor, pediu algo perto de R$ 623 bilhões. Mas o número que o produtor quer mesmo ver é o do juro, e aí mora a expectativa: o custeio pode cair pra cerca de 8% ao ano e parte do investimento pra 6,5%, ante os 10% a 14% da safra atual.
O detalhe é que volume anunciado não é a mesma coisa que crédito barato chegando na fazenda. O nó é o espaço fiscal pra bancar a equalização, aquele mecanismo em que o Tesouro paga a diferença entre o custo do banco e o juro camarada do produtor, e sem essa verba a conta não fecha. Não à toa já tem analista dizendo que o crédito rural está chegando no limite. O tamanho do número impressiona, a taxa é que decide se a conta fecha.
Pro produtor, o que pesa mesmo não é a manchete do bilhão, é a letra miúda, quais os juros de cada linha, quanto vai pro pequeno e pro médio, e se o dinheiro aparece antes de a janela de plantio fechar. Bilhão no PowerPoint é fácil. Difícil é ele virar semente no chão.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Uma brasileira foi caçar dólar na terra do milho

Fonte: Giphy
Quem acompanha o agro sabe que o sonho de quase toda empresa grande tem o mesmo endereço, os Estados Unidos, e a Biotrop acaba de completar o primeiro ano morando por lá. A companhia é uma das principais fabricantes de insumos biológicos do Brasil, aqueles produtos feitos de microorganismos e moléculas da natureza pra combater praga e doença sem despejar química na lavoura.
Fundada em 2018, ela cresceu rápido e faturou quase R$ 900 milhões no Brasil em 2025, alta de 23%. Lá fora, o começo foi modesto, pouco mais de US$ 1 milhão no primeiro ano, mas a ambição não é, a empresa projeta faturar US$ 160 milhões nos Estados Unidos até 2034. A conta por trás do otimismo é simples, o produtor americano ainda usa muito menos biológico que o brasileiro, então sobra avenida pra crescer.
Acontece que sonho americano também cobra pedágio. O primeiro ano ainda foi miúdo, e a renda do produtor dos Estados Unidos vem em queda, na casa dos US$ 150 bilhões segundo o USDA, abaixo dos últimos anos. Bolso apertado lá fora não ajuda quem está chegando pra vender novidade.
Já para o agro brasileiro, fica o orgulho de exportação que não cabe em saca, a tecnologia de bioinsumo verde-amarela virou produto de vitrine na maior prateleira do mundo. Falta agora o faturamento alcançar o tamanho da ambição.
CAMPO ATUALIZADO
O peixe que fisgou dinheiro holandês

Fonte: Rei das Antiguidades Leilões
Tem fazenda de peixe no interior de São Paulo que cresceu tanto que chamou a atenção de um fundo lá da Holanda. É a Fisher Piscicultura, de Riolândia, que tem o fundo Aqua-Spark com cerca de 40% do negócio, depois de aportes em 2019 e 2022.
O pulo do gato foi de engenharia. A empresa patenteou os tanques-rede de grande volume, com alimentador automático e até garrafa PET reciclada pra boiar, e foi nesse sistema que o fundo holandês apostou ainda em 2019.
De lá pra cá, a Fisher saltou de cerca de 50 para perto de 400 toneladas mensais em 73 tanques, e agora o plano é abrir cinco novas frentes (Goiás, Rondônia, Bahia e dobrando Riolândia) pra quintuplicar a produção, com uma unidade que junta tanque, fábrica de ração e abate no mesmo lugar.
Acontece que nem tudo é mar de almirante. No começo do ano a empresa sentiu uma desaceleração puxada por preço, e o cenário lá fora tem espinho, a tilápia do Vietnã briga no mesmo balcão e a tarifa dos Estados Unidos no governo Trump bateu num frigorífico que é cliente da casa. A história mostra que peixe deixou de ser coadjuvante e virou ativo que fundo gringo faz fila pra comprar. A ambição está fincada, falta o preço da tilápia nadar no mesmo ritmo.
POR DENTRO DO MERCADO
Sobra etanol, falta freguês

Fonte: Giphy
Quando as usinas de etanol de milho brotam uma atrás da outra pelo Brasil, fica no ar a pergunta de um milhão de litros, pra onde vai todo esse álcool que está sendo produzido a mais.
Pra FS e Inpasa, as maiores do setor, parte da resposta mora no mercado externo, e o caminho tem ordem. Primeiro a Ásia, onde Vietnã, Filipinas, Japão, Tailândia e Indonésia discutem aumentar a mistura de etanol na gasolina, com a Índia já rodando no E20 como vitrine. Depois, mais pra frente, a aviação (o SAF) e o transporte marítimo entram como fronteira nova. O etanol de milho já é cerca de 20% da produção nacional e pode chegar a um terço dos 30 bilhões de litros de biocombustível previstos até 2030.
A urgência tem número, as exportações brasileiras de etanol somaram 1,6 bilhão de litros em 2025, queda de 14,6% e o menor volume desde 2017. Ou seja, a produção cresce e o embarque encolhe, uma combinação que tira o sono de quem investiu em usina.
Só que aviação e navio ainda são mais promessa do que pista. Os próprios executivos admitem que esses destinos só ganham escala no médio e longo prazo, porque falta construir mercado e um jeito de precificar um combustível que hoje é negociado de forma regional.
Pro produtor de milho, a leitura é animadora com pé no chão, cada mercado novo é mais uma porta de saída pro grão que sobra na safra. As portas existem, só ainda estão se abrindo.
PAUTA VERDE
Cortar carbono virou desconto no banco

Fonte: AGFeed
Quem imaginava que sustentabilidade era apenas um discurso bonito para encher relatório vai ter que rever o conceito, virou linha de crédito de verdade. A trading chinesa Cofco, uma das maiores compradoras de grão do mundo, já soma US$ 1,2 bilhão em empréstimos atrelados a metas de redução de emissões.
O modelo é engenhoso. São US$ 400 milhões com o ICBC e US$ 200 milhões com o Bank of China nesta semana, somados a US$ 600 milhões de uma operação de 2024. A companhia só acessa o dinheiro se comprovar que está cortando carbono na cadeia, e se bater a meta intermediária ganha desconto nos juros. As metas pra 2033 são duras, reduzir 54,6% das emissões do milho e 39,4% das da soja ante 2021, e em 2025 a queda já foi de 23% e 11%.
O recado atravessa o portão, comprovar pegada de carbono baixa começa a virar dinheiro mais barato lá na ponta da cadeia. Quem anota o que faz no campo larga na frente quando o banco pede a conta.
POR DENTRO DO MERCADO
O porco brasileiro embarcou pra Ásia

Fonte: Giphy
Enquanto o boi rouba os holofotes do churrasco, é o porco que está fazendo as malas pra atravessar o oceano. A Aurora, maior exportadora de carne suína do Brasil, vai ampliar a produção mirando a fome asiática.
A aposta tem cifra e data. São cerca de R$ 1,2 bilhão investidos em 2026, e nesta terça (30) a empresa inaugura uma unidade ampliada no Mato Grosso do Sul que eleva a capacidade de abate em 60%, para 5.000 suínos por dia. Mais da metade das exportações de 2026 deve ir para a Ásia, com Filipinas, Japão, Vietnã, Singapura e Hong Kong na fila, parte do apetite vindo da Peste Suína Africana, que derrubou a produção filipina e abriu espaço pra carne brasileira.
O problema é que nem todo plano roda solto. O próprio presidente da Aurora, Neivor Canton, admite que pode segurar iniciativas menos estratégicas por causa dos juros altos, esse velho conhecido que encarece qualquer expansão no Brasil.
A jogada mostra a proteína brasileira espalhando os ovos em mais cestas, menos dependência de um comprador só e mais destino na Ásia. A rota está traçada, só não pode esbarrar no custo do dinheiro pra sair do papel.
PLANTÃO RURAL
Dívida rural ganha novo fôlego: o Conselho Monetário Nacional editou a Resolução 5.314 e mexeu nas regras de alongamento das dívidas do campo.
O fim de uma novela no algodão: a Justiça do Mato Grosso decretou a falência do grupo do ex-rei do algodão José Pupin.
Soja esperando o juiz de fora: o mercado fechou a última sexta de junho de lado, com o produtor de olho nos próximos relatórios do USDA.
A Europa quer ver a certidão do boi: o Ministério da Agricultura vai adotar um controle do ciclo completo de vida dos animais para atender a exigência da União Europeia.
Adubo deu uma trégua: com a reabertura do Estreito de Ormuz, a ureia aliviou e chega a tempo de socorrer o milho, mas o fosfato seguiu caro e a soja deve ficar a ver navios.
O ovo subiu de status: na Mantiqueira, que tem a JBS como sócia, os ovos especiais já são 32% das vendas, contra 2% a 3% cinco anos atrás.
Tem soja fechando de madrugada: a ADM passou a negociar grão fora do horário comercial pra encher navio.
O chocolate olha pro céu com medo: o cacau subiu mais de 20% no mês com o El Niño rondando a próxima safra.
SE DIVERTE AÍ
Domingo é dia de viajar sem sair de casa. No GeoGuessr o jogo te joga num ponto qualquer do mundo pelo Street View, e você tem que adivinhar onde está só olhando a paisagem, igual quem bate o olho e já sabe se aquilo ali é lavoura de soja, pasto ou cerrado. Vale reparar no solo, na placa da estrada, no tipo de plantação. Começa fácil numa estradinha e termina com você jurando que conhece cada talhão do planeta.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: São Paulo, de longe o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, responsável por mais da metade da cana do país.
Pergunta de hoje: o que significa a sigla "Embrapa"?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
