
APRESENTADO POR
Bom dia!
A edição de hoje tem a cota chinesa da carne bovina entrando em contagem regressiva, credor gringo juntando a tropa pra conversar com a Raízen, mea culpa na conta da Corteva, o agro abrindo 2026 com superávit parrudo mesmo recebendo menos por tonelada, Conab apostando em soja recorde e o leite do Paraná organizando o grito pra tentar virar o jogo em 2026. Pra você acordar bem informado.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
Mea culpa: a gente errou na conta da Corteva
Na semana passada, a gente usou uma informação que veio errada direto de uma notícia de outro portal e acabamos publicando o número do ano cheio da Corteva invertido. Falha nossa! A correção é simples e necessária: a Corteva não fechou 2025 no vermelho. Ela fechou no azul, com lucro líquido no acumulado do ano, mesmo tendo tomado um tombo feio no 4º tri. (Fica o nosso agradecimento pro Giovanni Scalli Fonseca que nos alertou no nosso LinkedIn).

Foto: Corteva / Divulgação
A Corteva abriu o extrato e mostrou que o 4º tri de 2025 foi um trimestre pra esquecer. A gigante terminou o período com um prejuízo líquido de US$ 552 milhões, bem mais pesado que o prejuízo de US$ 41 milhões de 1 ano antes. A receita líquida ficou em US$ 3,91 bilhões, queda de 2%, e o volume vendido recuou 5% porque parte das vendas trocou de trilha e foi jogada pro 3º tri de 2025 e pro 1º tri de 2026.
Na operação, a conta veio com atraso e com frete fazendo papel de coadjuvante. Em proteção de cultivos, as vendas caíram 2% com a sazonalidade na América do Norte escorregando pro começo de 2026 e com o calendário de fungicidas na América Latina ficando fora do ponto. Em sementes, o recuo foi de 8% por entregas adiadas na América do Norte por conta do clima e de ajustes logísticos, enquanto na América Latina teve entrega mais cedo do que se esperava. O preço médio subiu 1%, com mix de sementes subindo 3% e proteção caindo 1%, mas não foi suficiente pra esconder que o Ebitda do trimestre deu aquela murchada e foi pra US$ 446 milhões contra US$ 525 milhões no 4º tri de 2024.
No consolidado de 2025 a Corteva aumentou o lucro líquido anual, indo de US$ 919 milhões em 2024 pra US$ 1,105 bilhão em 2025, mesmo com o trimestre final no vermelho. A receita anual cresceu 3% pra US$ 17,40 bilhões e o Ebitda subiu pra US$ 3,85 bilhões. A empresa disse que 2026 segue com cenário misto, com demanda e produção altas, mas commodities e margens do produtor pressionadas, tanto que revisou a projeção e agora mira Ebitda entre US$ 4 bilhões e US$ 4,2 bilhões. E, sobre a separação do negócio em 2 companhias, a previsão é concluir essa parada no 2º semestre de 2026.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Paraná junta o rebanho e cria associação pra parar de pagar pra trabalhar

Meysson Vetorello/Arquivo Pessoal
No meio do aperto do leite, os produtores do Paraná resolveram que reclamar sozinhos não enche tanque e fundaram a União Paranaense de Produtores de Leite durante o 38º Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR). A ideia é unificar o discurso, organizar a pressão e correr atrás de solução pra um 2026 que já tá com cara de repeteco de 2025. Como resumiu Meysson Vetorello, líder do movimento, o quadro tá pendurado e ninguém tá afim de assistir parado.
O plano é que a entidade vire um primeiro degrau pra algo maior, uma representação mais forte e, quem sabe, até nacional, do jeito que outros estados já tentaram fazer. Na prática, o recado é que o setor precisa de menos improviso e mais defesa coordenada, tanto pra segurar as oscilações históricas que viram crise em loop, quanto pra apertar o cerco em problemas que tão ameaçando a sobrevivência da atividade.
E o estopim tá no bolso, ou melhor, no litro. A turma que teve pela feira falaram em discrepância na cadeia, com gente tendo margem folgada e gente vendendo o almoço pra nem conseguir comprar a janta, no retrato mais cruel do pagando pra trabalhar. Teve até relato de produtor que recebe R$ 2 e gasta R$ 2,40 pra produzir 1 litro. No pacote de preocupação, também entrou a importação alta de leite em pó e a cobrança por mais fiscalização pra frear o que eles chamam de compras desenfreadas de países do Mercosul.
O AGRO EM NÚMEROS
Janeiro vendeu mais carga, recebeu menos por tonelada e deixou o agro com superávit

O agro abriu 2026 exportando US$ 10,8 bilhões em janeiro, só que com aquele plot chato que a gente tá ficando acostumado. O volume embarcado subiu 7%, mas o preço médio caiu 8,6%, aí o valor total recuou 2,2% em comparação com o mesmo mês de 2025. Mesmo assim, com só US$ 1,7 bilhão de importações, o superávit ficou parrudo em US$ 9,2 bilhões, então não dá pra reclamar muito.
A China seguiu na ponta do ranking com US$ 2,1 bilhões e 20% do total, enquanto a União Europeia veio com US$ 1,7 bilhão e 11% e os EUA apareceram com US$ 705 milhões e 6,6%. E teve avanço em rota alternativa, as vendas pra ASEAN (sudeste asiático) cresceram 5,7%, mostrando que o agro tá tentando não depender de um único freguês, mesmo que o chef da cozinha siga sendo o mesmo.
Na prateleira dos campeões, as carnes lideraram com US$ 2,58 bilhões e alta de 24,0%, e o complexo soja veio logo atrás com US$ 1,66 bilhão e salto de 49,4%. O café tá de ressaca com US$ 1,10 bilhão e queda de 24,7%, e o complexo sucroalcooleiro caiu 31,8% pra US$ 0,75 bilhão, enquanto produtos florestais recuaram 8,8% pra US$ 1,38 bilhão. No detalhe que o mercado ama, a carne bovina in natura foi o item de maior valor, com US$ 1,3 bilhão e 231,8 mil toneladas pra 116 países, e os EUA arelâmpagoumentaram as compras em 93%, como quem viu a promoção .
Falando de abates, o IBGE contou 10,95 milhões de bovinos abatidos no 4º tri de 2025, alta de 13,1% na comparação anual, com 2,91 milhões de toneladas de carcaças, avanço de 15%. Suínos somaram 14,77 milhões de cabeças, alta de 2,3%, frangos bateram 1,69 bilhão, alta de 3,9%, e a aquisição de leite chegou a 7,34 bilhões de litros, alta de 8,2%.
E a Conab chegou com o pacote de previsões pra safra 2025/26. A produção de grãos foi estimada em 353,4 milhões de toneladas, alta de 0,3%, mantendo o cheirinho de recorde no ar. A soja ganhou holofote com projeção de 177,98 milhões de toneladas, aumento de 3,8% sobre a safra passada, e exportações vistas em 112,2 milhões de toneladas, com clima ajudando a cultura a fazer o trabalho sem drama extra.
Nem todo mundo, porém, tá com a mesma animação. No arroz, o RS vai reduzir a área plantada em 8,06%, pra 891,9 mil hectares, com o Irga citando 2025 como ano de crédito difícil e custo alto. A produtividade esperada tá entre 8,5 mil e 9 mil kg por hectare, mas o recado central é equilíbrio entre oferta e demanda, com necessidade de ampliar consumo interno e fortalecer exportações, porque arroz não tem vocação pra ficar encalhado esperando milagre.
DE OLHO NO PORTO
Cotas chinesas não devem durar muito não

Giphy
Se janeiro virar regra, setembro pode virar sirene. O Cepea alertou que o Brasil pode esgotar já em setembro a cota anual de exportação de carne bovina pra China, hoje em 1,106 milhão de toneladas, caso o ritmo de embarques do começo do ano se mantenha.
Os números ajudam a explicar o susto. Dados da Secex mostram que a gente exportou 258,94 mil toneladas de carne bovina em janeiro, recorde pro mês e bem acima do que vinha acontecendo em anos anteriores. E dentro desse pacotão, a China levou 119,63 mil toneladas, também o maior volume já embarcado pra lá em um janeiro.
O ponto é que cota não tem jeitinho. Se a torneira seguir aberta nesse nível, o limite anual vai ser preenchido cedo, e aí o resto do ano vira xadrez de venda, contrato e destino, com impacto na dinâmica de preços e na estratégia comercial de 2026. Ninguém quer ver o principal cliente com taxa de mais de 65%.
COLHENDO CAPITAL
Game of Bonds na Raízen

Gif by gameofthrones on Giphy
Os credores gringos da Raízen juntaram a galera e montaram um grupo “ad hoc” pra conduzir conversas sobre uma possível reestruturação da dívida. Do lado da empresa, já tão na mesa Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, quando o assunto vira dívida, reestruturação e briga de contrato, ninguém quer ir pra audiência sem terno.. Quem entrou no campo foi a assessoria financeira Moelis, com o escritório White & Case no jurídico
O que piora tudo é que o termômetro do mercado tá bem gelado. Nesta quinta-feira (12), os bonds da Raízen tavam rodando, em média, a 30% do valor de face, um desconto de 70% que dói mais que corte de cana no dedo. No fechamento do 2º trimestre do ano-safra 2025/26, a dívida líquida somava R$ 53,4 bilhões, com cerca de R$ 27 bilhões em bonds vencendo entre 2027 e 2054, ou seja, é dívida longa, mas não é “tranquila”.
Pra tentar tirar peso da mochila, a Raízen busca um aumento de capital estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão e ainda tenta vender ativos na Argentina, que poderiam render mais US$ 1,5 bilhão. Só que a engenharia é complexa porque esse aporte depende da entrada de um novo sócio além de Cosan e Shell. E a companhia não abriu o bico sobre nada porque tá em período de silêncio, já que divulga os resultados hoje (13). Vale a pena ficar de olho pra tentar adivinhar como o mercado vai reagir
PLANTÃO RURAL
Hub do milho no ar. A Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e a Fatec Pompeia fecharam com a Bayer o Hub Bayer VAlora Milho, uma central remota de suporte técnico pra talhão. O projeto sai do papel no 1º semestre de 2026 com conteúdo curado, árvore de recomendação, laboratório no CITAP e IA com o CIAg.
Leite com pegada menor. Um estudo da Universidade de São Paulo e da Embrapa Gado de Leite com apoio da Cargill calculou 1,19 kg de CO2eq por kg de leite no Brasil, menos da metade da média global de 2,5.
Startup BR na John Deere. A IoTag entrou no John Deere Startup Collaborator 2026 e vira prestadora oficial nas concessionárias no Brasil. A telemetria patenteada em 2018 compara desempenho de máquinas de marcas diferentes, usa IA e IoT e manda relatório via WhatsApp com custo por hora, consumo e ociosidade.
BB fez mutirão do boleto rural. O Banco do Brasil renegociou R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais, somando 29 mil operações de 21 mil clientes, usando linhas da MP 1.314/2025. Só que a MP caducou em 12/02 e o programa acabou. A inadimplência do agro no banco já passou de 6,09%.
Tarifa zero pra insumo e freio no dumping. O Gecex da Camex liberou 1.059 ex-tarifários com alíquota 0 e também zerou tarifa de 20 insumos usados por indústria e agro, além de 2 produtos finais. No pacote, vieram 3 medidas antidumping e uma quota de 400 mil toneladas de malte não torrado com tarifa 0 por 12 meses.
CTC com lucro e caixa sobrando. O CTC reportou lucro líquido de R$ 59,5 milhões no 3º tri de 2025, alta de 19,5%, com receita líquida de R$ 349,6 milhões e Ebitda de R$ 178,2 milhões. A empresa acelerou investimento em P&D e manteve o discurso de disciplina, eficiência e inovação no canavial.
CerradinhoBio adoçou o trimestre. A CerradinhoBio cresceu 24,3% no lucro líquido do 3º tri da safra 2025/26 e chegou em R$ 137,6 milhões. O mix puxou mais pra açúcar, a nova fábrica ganhou tração e o Ebitda ajustado foi pra R$ 449,2 milhões com margem de 39%. Etanol de milho segue segurando a bronca do caixa.
Plano Clima mira o machado. Pra cumprir a meta climática até 2035, o governo reforçou que o corte no desmatamento vai ter que ser pesado, em área pública e privada. No desenho, as emissões do agro ficam quase estáveis, com limite de alta de 2%. A discussão agora é separar desmate ilegal do resto e usar o plano como vitrine de prática sustentável.
Cargill fecha planta nos EUA. A Cargill vai encerrar a unidade de carne moída em Milwaukee, nos EUA, e cortar 221 vagas. A produção migra pra outras plantas na América do Norte, incluindo Butler em Wisconsin. O desligamento começa parcial em 17/04 e termina com porta fechada em 31/05, num ajuste de portfólio pra casar com a demanda atual.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Arroz
Pergunta de hoje: Qual fruta andina, parente do tomate, era considerada sagrada pelos incas e renasceu como superalimento?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
