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Bom dia!
Na xícara de hoje, a AgroGalaxy troca o comando e muda de mãos no bastidor, a Corteva fecha 2025 no vermelho e Brasília libera R$ 83,5 milhões pra segurar praga e doença antes que vire manchete ruim. No clima de transição energética, o STJ resolveu lembrar que RenovaBio não é sugestão, e lá fora o USDA mostra que o boi nos EUA ainda tá sumido. No Plantão Rural tem Cade cutucando a GDM nas sementes, tecnologia nacional prometendo calda sem fila, Bunge engolindo seco com 2026, carne mirando Coreia do Sul e cooperativa fechando o ano no volume.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
NAS CABEÇAS DO AGRO
AgroGalaxy troca a chefia e o controlador larga o osso

Foto: Divulgação
A AgroGalaxy acordou na quarta-feira (4) com uma reviravolta digna de novela das 9. Com sua recuperação judicial rolando desde setembro de 2024, a empresa viu agora seu alto escalão resolver meter o pé do nada, tudo de uma vez só, com várias renúncias em bloco.
Do lado executivo, renunciaram o CEO Eron Martins, o CFO Luiz Conrado Sundfeld e a diretora Marina Godoy. No conselho, o barulho maior veio com Sebastian Popik deixando a presidência, o que pesa ainda mais porque o Aqua Capital, que é representado por Popik, é o maior acionista, com 66,8% da empresa. Um movimento que mostra o controlador tentando se afastar do pepino.
O bastidor que amarra tudo é que o Aqua Capital fechou um acordo pra ceder a gestão e o controle de fato pra Tauá Partners, especializada em ativos estressados, aquela rapazeada que entra em campo quando o jogo já tá nos acréscimos pra tentar a virada milagrosa. A ideia é simples, o Aqua até pode continuar com as ações num primeiro momento, mas quem assume o rojão e o eventual lucro de uma recuperação é a Tauá, e a escolha de Marcos de Carvalho Ramos pra diretoria ajuda a contar essa história sem precisar desenhar.
Na nova configuração, Luiz Gabriel Piovezani Silva virou CEO e vai acumular interinamente as funções de financeiro e relações com investidores, aquele 3 em 1 que parece prático até aparecer o primeiro pepino do dia. No conselho, quem assume a presidência é Ruy Flaks Schneider e, a partir de quinta-feira (5), o colegiado encolhe de 5 pra 3 membros, com a empresa dando a desculpa de que o foco é eficiência, disciplina financeira e adequação de custos no cenário de crédito curto no agro.
Tudo isso acontece numa companhia que já vinha tentando enxugar gelo pra se manter de pé. Depois da recuperação judicial, a AgroGalaxy fechou mais de 75 lojas, viu o faturamento cair mais de 70% e, agora no começo do ano, encostou a Sementes Campeã, que já foi tratada como joia da coroa e acabou virando item de corte. Pra completar, no balanço do 3º tri a companhia ainda consumia caixa, com R$ 57,5 milhões em setembro contra R$ 199,8 milhões um ano antes, então a pergunta que fica no ar é se essa nova turma chega pra reerguer a casa ou só pra segurar a estrutura enquanto apaga incêndio.
SAFRA DE CIFRAS
Corteva fecha no vermelho

Foto: Corteva / Divulgação
A Corteva abriu o extrato e mostrou que 2025 foi um ano pra esquecer. A gigante terminou o 4º tri com um prejuízo líquido de US$ 552 milhões, bem mais pesado que o prejuízo de US$ 41 milhões de 1 ano antes. A receita líquida ficou em US$ 3,91 bilhões, queda de 2%, e o volume vendido recuou 5% porque parte das vendas trocou de trilha e foi jogada pro 3º tri de 2025 e pro 1º tri de 2026.
Na operação, a conta veio com atraso e com frete fazendo papel de coadjuvante. Em proteção de cultivos, as vendas caíram 2% com a sazonalidade na América do Norte escorregando pro começo de 2026 e com o calendário de fungicidas na América Latina ficando fora do ponto. Em sementes, o recuo foi de 8% por entregas adiadas na América do Norte por conta do clima e de ajustes logísticos, enquanto na América Latina teve entrega mais cedo do que se esperava. O preço médio subiu 1%, com mix de sementes subindo 3% e proteção caindo 1%, mas não foi suficiente pra esconder que o Ebitda do trimestre deu aquela murchada e foi pra US$ 446 milhões contra US$ 525 milhões no 4º tri de 2024.
No consolidado de 2025, a Corteva somou um prejuízo líquido de US$ 1,09 bilhão, pior que os US$ 907 milhões de 2024, mesmo com a receita crescendo 3% pra US$ 17,40 bilhões e Ebitda subindo pra US$ 3,85 bilhões. O CEO Chuck Magro disse que teve demanda firme por tecnologia e que novos produtos e biológicos ajudaram, mas 2026 vem com cara de safra boa e bolso apertado, commodity pressionada e margem menor pro produtor, tanto que a empresa revisou a projeção e agora mira Ebitda entre US$ 4 bilhões e US$ 4,2 bilhões. E, como se balanço não bastasse, ela segue no plano de separar o negócio em 2 companhias de capital aberto no 2º semestre de 2026.
O AGRO EM NÚMEROS
Café com clima de reconciliação e cana em PE dando prejuízo

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Depois de 2 anos de seca fazendo o cafezal viver de reza braba, o clima resolveu dar uma trégua e o Itaú BBA já tá vendo a safra 2026/27 crescer 10,1% e bater 69,3 milhões de sacas. A temperatura mais tranquilinha na pré-florada ajudou o pegamento e puxou a recuperação do arábica, que deve render 44,8 milhões de sacas, alta de 18%, enquanto o robusta deve ficar em 24,5 milhões, quedinha de 2%.
Com mais grão prometendo aparecer, o preço perdeu a marra de intocável. O Cepea falou que janeiro veio com um clima mais favorável e o começo de fevereiro tá ajudando no enchimento dos grãos. Por causa disso, o arábica caiu R$ 80,19, recuo de 3,7%, e fechou janeiro em R$ 2.094,55 por saca, com média de R$ 2.178,82, a menor desde outubro de 2025.
Só que nem todo mundo tá tomando cafezinho com sorriso. Em Pernambuco, o setor sucroenergético calcula que pode ter um prejuízo de R$ 500 milhões se as tarifas adicionais de 50% dos Estados Unidos continuarem pesando, já que o açúcar ficou de fora da retirada parcial anunciada por Donald Trump no ano passado. De agosto a dezembro de 2025, a moagem das 13 usinas ativas no estado caiu 18,3% e o valor da tonelada da cana recuou 20,4% pra R$ 137,23 em média. A cadeia, que emprega 50 mil pessoas em 50 municípios, tá tentando costurar ações com a Casa Civil e tem reunião marcada pra quinta-feira (5), com pedido de compra e entrega de adubo pra aliviar o custo.
ASSUNTO DE GABINETE
Sanidade em emergência e R$ 83,5 milhões liberados pra segurar o rojão

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A Câmara resolveu abrir a carteira pra sanidade e aprovou, na segunda-feira (2), a MP 1312/25, que libera R$ 83,5 milhões pro Ministério da Agricultura e Pecuária sair caçando pragas e doenças em animais e plantas. A grana, autorizada a partir de setembro de 2025, agora segue pro Senado, e vem com cara de melhor prevenir do que virar manchete depois, já que quando o assunto é praga e vírus no campo, o plot twist costuma ser caro.
O foco principal é dar munição pro Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária lidar com emergências, especialmente no rastro da gripe aviária e do estado de emergência zoossanitária decretado no ano passado. Além dela, entram na lista mosca-da-carambola, monilíase do cacaueiro e vassoura-de-bruxa-da-Mandioca, um elenco de vilões que ninguém pediu, mas que aparece toda hora pra testar a paciência do produtor e a velocidade do serviço público.
E o Pix não vem de uma vez, vem separado por caixinha. São R$ 45 milhões pra despesas do dia-a-dia, como compra de insumos, estudos e contratações, mais R$ 29,5 milhões pra obras e investimentos que viram patrimônio da União, e R$ 9 milhões indo pros estados. No total, é quase o dobro do que tinha sido autorizado em 2025 pro sistema, e como é crédito extraordinário, entra no modo urgência, dinheiro liberado pra usar na hora, porque praga não espera carimbo nem agenda.
PAUTA VERDE
CBio não é brinde e RenovaBio não é opcional

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O STJ resolveu passar a faca nas decisões judiciais que tavam puxando sardinha pra quem tava tentando burlar o RenovaBio, sem cumprir meta nenhuma. As entidades do setor comemoraram mais que estádio lotado quando vê gol nos acréscimos.
Quem puxou o freio foi o ministro Luiz Felipe Salomão, relator do caso, determinando que 6 decisões fiquem congeladas até o julgamento de eventuais recursos ou até o processo encerrar de vez. Na visão dele, esse pacote de decisões representa “grave risco à ordem pública”.
Aí entrou o coro do finalmente. Sindicom, Bioenergia Brasil e Unica disseram que a decisão reforça a regra igual pra todo mundo e corta a esperteza de tentar relativizar obrigação no tapetão. O Instituto Combustível Legal também aplaudiu, dizendo que ajuda a coibir atalhos usados como estratégia comercial.
COMO TÁ LÁ FORA?
Rebanho dos EUA segue em falta de boi

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O USDA soltou o relatório anual e a vibe não é de comeback, não. Se alguém tava esperando “rebanho: o retorno”, pode guardar a pipoca. Pelo contrário, ainda não tem sinais claros de reconstrução do rebanho bovino nos Estados Unidos, com o número de vacas de corte caindo mais 1% na comparação anual e batendo 27,61 milhões de cabeças, o menor nível desde 1961. A conta desse sumiço vem da junção de seca pesada nos últimos anos e comida de cocho mais cara, aí o pecuarista segura a onda do jeito que dá.
E quando você puxa o zoom, o filme fica longo. Desde o pico de 2019, quando o rebanho de corte chegou a 31,64 milhões de cabeças, já foram 4,03 milhões a menos, um tombo de 12,7% em 7 anos. Pra completar o enredo, a safra de bezerros de 2025 veio menor do que se esperava, com 32,9 milhões de cabeças, o menor número desde 1941.
O único sinalzinho de vida foi nas novilhas de reposição, que subiram 0,9% em janeiro de 2026, o 1º aumento em 9 anos. Só que isso, por enquanto, parece mais um rebanho parando de escorregar do que começando a crescer de verdade. Do lado do gado pra engorda, o relatório também mostra queda em todas as categorias, com estoques totais em confinamento 3,3% menores que em janeiro de 2025, enquanto a oferta calculada fora dos confinamentos subiu 0,9%.
PLANTÃO RURAL
Cade cutucando sementeira. O Cade tirou do armário o inquérito sobre a posição dominante da GDM nas sementes de soja. A empresa pediu arquivamento e disse que não tem infração, mas o órgão quer contratos, lista de multiplicadores e mais detalhe sobre bônus e sugestão de preço que pode virar fidelização disfarçada.
Calda sem fila e sem drama. A Zait.ag lançou o Zait Calda, um sistema 100% nacional que automatiza receita, dosagem, mistura, transferência e autolimpeza, com investimento de R$ 1,4 milhão. A promessa é cortar 60% do tempo de preparo e, na cana, subir 10% o rendimento do pulverizador.
Bunge olhando o cenário e engolindo seco. A Bunge avisou que espera lucro ajustado em 2026 abaixo do que o mercado queria ouvir, citando volatilidade, margem apertada no processamento e incerteza macro. No trimestre, veio US$ 1,99 por ação, melhor que o consenso, mas o recado pro ano tá claro, ninguém tá assinando cheque grande no escuro.
Coreia do Sul no radar da carne. A Abiec disse que a Coreia do Sul pode virar novo destino da carne bovina brasileira, com Roberto Perosa na missão que parte no próximo dia 17 rumo à Índia e Seul. Além disso, também tem Japão mandando missão sanitária em março pra habilitar plantas por aqui.
Lar fechou 2025 no nível cooperativa raiz. A Lar Cooperativa terminou 2025 com receita líquida de R$ 23,2 bilhões, alta de 14,4%, mesmo com perdas de soja no Mato Grosso do Sul e baque da gripe aviária. Teve expansão em grãos e lojas, entrou na piscicultura em São Miguel do Iguaçu e ainda reforçou frota e exportação pra 71 países, porque cooperativa quando acelera, acelera de verdade.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Noz-moscada
Pergunta de hoje: Qual fruta originária da Mata Atlântica já foi símbolo de status entre as famílias portuguesas no século XVIII?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
