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Bom dia!

A edição de hoje vem com febre aftosa aparecendo na China em dois foco, Reforma Tributária virando fábrica de fake news em grupo de WhatsApp, com boatos sobre multas e mudanças obrigatórias que ainda nem existem na lei, e com fertilizante nos EUA virando problema diplomático, com tarifas, guerra e investigação de cartel tudo na mesma conta. No meio disso, a Natville bota R$ 700 milhões no Nordeste e o IBRA megalab vai exportar tecnologia de solo pro mercado americano.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 187.952,90 16,65%
JALL3 R$3,70 33,57%
SOJA3 R$7,49 -17,15%
JBSS32 R$91,01 15,01%
SMTO3 R$20,35 34,59%
Bitcoin US$66.912,76 -24,26%
Ethereum US$2.062,51 -30,96%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

Aftosa reaparece na China e pode mexer com a conta da carne brasileira

Gif: thelittlevampire on Giphy

A China tá na boca de todo mundo do agro depois de confirmar dois focos de febre aftosa em bovinos nas províncias de Xinjiang e Gansu, envolvendo mais de 6 mil animais, com 219 apresentando sintomas. As autoridades locais já trataram de tentar abafar e resolver tudo e disseram que já colocaram em prática o pacote padrão de emergência, com abate sanitário, desinfecção, descarte seguro, monitoramento e investigação epidemiológica.

O ponto que chama atenção, pelo menos pro Brasil, não é só o surto em si, mas como ele pode mexer na postura chinesa daqui pra frente. A China tava trabalhando com toda aquela burocracia de salvaguardas e cotas pra carne bovina importada, inclusive com limite de 1,1 milhão de toneladas pro Brasil em 2026. Só que o ritmo já tava forte até demais, com mais de 370 mil toneladas de carne brasileira saindo pra lá só entre janeiro e fevereiro.

Foi exatamente nessa tecla que os analistas do mercado bateram. A leitura da Agrifatto e da Safras & Mercado é de que, se esses focos não ficarem isolados e começar a pipocar mais casos pelo país, a China pode ser forçada a olhar de novo pras salvaguardas e reavaliar se elas merecem continuar de pé. Se isso rolar, não vai ser de uma hora pra outra, mas esse sinal de alerta já virou assunto.

Também tem um detalhe que deixa a tensão um pouco maior. A febre aftosa não afeta só bovino, ela também bate em animais de casco partido, como os suínos, e a China é simplesmente o maior produtor e consumidor de carne suína do mundo. Até aqui não teve nenhum relato de foco em suínos, mas basta essa possibilidade entrar na conversa pra deixar o mercado com a sobrancelha levantada.

SAFRA DE CIFRAS

IBRA megalab leva análise de solo pros EUA e resolve inverter o caminho clássico do agro

Foto: Divulgação/IBRA megalab

Durante muito tempo, o agro brasileiro viveu naquele esquema de importar tecnologia, adaptar tudo na gambiarra e seguir em frente do jeito que dava. Agora a história tá virando de lado e tem empresa brasileira querendo exportar justamente o conhecimento que nasceu aqui. O IBRA megalab tá investindo R$ 5 milhões pra exportar sua tecnologia de análise de solo pros Estados Unidos, com projeto piloto já rodando por lá e uma meta bem clara no horizonte, abrir um laboratório em território americano até 2030.

A aposta não nasceu do nada. Segundo a empresa, o mercado americano de análise de solo movimentou US$ 800 milhões em 2025, um número até 5 vezes maior que o nosso. O argumento do IBRA é que o Brasil aprendeu bastante apanhando de solo pobre, fertilidade baixa e produtividade desafiadora, e teve que desenvolver na marra uma leitura técnica mais completa que pode ser útil também pros desafios dos Estados Unidos, especialmente em produtividade, eficiência no uso de fertilizantes e medição de carbono no solo.

Pra não chegar lá pagando de professor sem ter entrado na sala, o laboratório já tá fazendo a lição de casa. O IBRA teve acesso a 150 mil amostras de solo gringas pra desenvolver uma metodologia mais específica pro mercado de lá e já colocou de pé projetos piloto com um produtor de Illinois e com a cooperativa Agtegra, da Dakota do Norte. Enquanto isso, a empresa também segue crescendo por aqui, com 1 milhão de amostras analisadas por ano e uma nova unidade prevista em Passo Fundo (RS).

O AGRO EM NÚMEROS

Ração sobe, cana ganha fôlego e a soja ainda corre atrás do prejuízo

Foto: FS/Divulgação

A indústria de ração animal segue comendo pelas beiradas e já mira 97 milhões de toneladas no Brasil em 2026, segundo o Sindirações. O motor principal continua sendo a proteína animal, com a avicultura puxando a fila e a suinocultura logo atrás. A demanda por ração pra frango deve chegar a 39,1 milhões de toneladas, enquanto a dos suínos deve bater 23,1 milhões.

Na cana, o humor do setor tá bem melhor do que em outros pedaços do agro. A Datagro projetou uma moagem de 635 milhões de toneladas no Centro-Sul na safra 2026/27, bem acima das 610,5 milhões do ciclo anterior, com uma forcinha das chuvas mais bem distribuídas e do resgate da produtividade dos canaviais. O açúcar deve ficar praticamente estável, em 40,7 milhões de toneladas, enquanto o etanol deve pegar embalo e bater 46 bilhões de litros.

Na soja, a colheita avançou bem na semana, mas ainda segue devendo na comparação. A Safras & Mercado apontou 78,9% da área colhida até ontem (2), acima dos 71,5% da semana anterior, só que ainda muito abaixo dos 86,6% do mesmo período do ano passado e também da média histórica de 82,9%.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Reforma Tributária virou terreno fértil pra fake news

Gif: colbertlateshow on Giphy

Pouca coisa corre mais rápido no agro do que áudio alarmista em grupo de WhatsApp com cara de breaking news. A bola da vez é a Reforma Tributária, que já começou a render uma safra generosa de fake news entre produtores rurais. Tem boato falando em multa imediata, mudança obrigatória de regime tributário e exigência que, por enquanto, nem existe na legislação. O problema é que esse tipo de desinformação mistura meia verdade, termo técnico e pânico embalado pra encaminhamento, aí muita gente lê, assusta e já acha que o contador esqueceu de contar metade da história.

Segundo especialistas, boa parte dessa confusão nasceu porque a reforma até foi aprovada, mas ainda tem muita coisa dependendo de regulamentação. Nem a alíquota definitiva dos novos tributos foi fechada até agora. E o fato de que sistemas de nota fiscal já tão sendo adaptados pra incluir CBS e IBS não quer dizer que esses impostos já tão sendo cobrados ou que o produtor vá acordar amanhã com multa na testa. O sistema tá só se preparando.

Também não existe nenhuma regra, até aqui, obrigando produtor a migrar pra lucro presumido ou lucro real, apesar de esse boato já rolar por aí com a confiança de quem tem carimbo oficial. O que 2026 marca é o começo da fase de testes dessa transição, com uma implementação gradual nos próximos anos. A reforma quer simplificar o sistema, aumentar transparência e mudar a lógica da tributação pro destino, mas ainda tem bastante peça desse quebra-cabeça sendo montada. Então, antes de acreditar em print sem fonte, arte com letra vermelha ou áudio de alguém que tem um amigo no governo, talvez seja melhor recorrer a um hábito meio esquecido no Brasil, conferir o que é de verdade e o que é só fanfic.

COMO TÁ LÁ FORA?

Fertilizante virou bomba relógio e o produtor americano tá apanhando de todos os lados

Foto: Getty Images

Tem insumo que sobe de preço e incomoda. E tem insumo que vira confusão diplomática, guerra comercial e crise no setor, tudo ao mesmo tempo. Nos Estados Unidos, o fertilizante resolveu tirar a paz do produtor e entrou nessa segunda categoria.

O produtor rural tá espremido entre as tarifas compensatórias sobre fosfatados importados de Marrocos e Rússia, que seguem em vigor, e toda a tensão militar com o Irã, que tá travando o Estreito de Ormuz, aquela rota por onde passa uma fatia importante do comércio global de fertilizantes.

A pancada não é pequena. No trigo, o fertilizante representa mais ou menos 38% do custo operacional, então qualquer salto no preço já deixa a conta toda zuada. Segundo os dados citados, as tarifas elevaram o preço do DAP em 28,6% no período inicial e geraram um custo extra acumulado de US$ 6,9 bilhões pros produtores gringos entre 2021 e 2025. Como se isso já não bastasse, o enxofre, que é uma peça bem importante na produção dos fosfatos, triplicou de valor em 2025.

A chiadeira já chegou com força em Washington. Cerca de 50 associações estaduais e 8 entidades nacionais ligadas a milho, soja e trigo pediram a revogação das tarifas, dizendo que a conta ficou insustentável. Só os produtores de trigo teriam acumulado quase US$ 1 bilhão em custo extra no período. Pra engrossar ainda mais a confusão, o mercado interno também tá sob suspeita, com acusações de concentração excessiva na oferta e investigação sobre possível complô na formação de preços.

COLHENDO CAPITAL

Natville acelera no Nordeste e bota R$ 700 milhões em novas unidades

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No agro, crescer não é só vender mais caixinha na prateleira. É garantir fornecedor, fábrica, ração e uma operação que não desande quando o clima ou o custo resolvem aprontar. A Natville anunciou R$ 700 milhões em investimentos no Nordeste, com novas unidades industriais em Alagoas e na Bahia e uma fábrica de ração em Sergipe. A empresa tá reforçando presença justamente onde a pecuária leiteira tem peso de verdade na economia local, o que mostra que não tá só expandindo no mapa, tá tentando se enraizar ainda mais onde já conhece o terreno.

Hoje, a marca coleta 1,1 milhão de litros de leite por dia de mais de 2 mil propriedades em Sergipe, Alagoas e Bahia. Com essa expansão, a meta é chegar a 1,5 milhão de litros por dia e aumentar a base pra 2,5 mil fornecedores. No meio desse pacote entra também a nova fábrica de ração em Nossa Senhora da Glória (SE), que vai ter capacidade pra produzir 500 toneladas por dia. A jogada faz bastante sentido, processar milho da própria região e depender menos de produto vindo de fora ajuda a dar mais previsibilidade pra alimentação do rebanho, especialmente quando a estiagem resolve aparecer com a delicadeza de um boleto vencido.

A Natville completa 30 anos em 2026 e quer soprar as velinhas em ritmo de crescimento. Depois de faturar R$ 1,3 bilhão no ano passado, a expectativa agora é chegar a R$ 1,5 bilhão. Pra quem começou em 1996 processando só 1,2 mil litros por dia com o rebanho da própria família fundadora, é um salto e tanto. Hoje a empresa já tá espalhada em um portfólio que vai de leite longa vida a queijo, manteiga, requeijão, creme de leite e leite condensado, mostrando que o plano não é só crescer no leite, é crescer em tudo que dá pra fazer com ele.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Cacau

Pergunta de hoje: Qual leguminosa rotacionada com cana em São Paulo ajuda a melhorar solo e renda entre cortes?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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