
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem suíno registrando a maior queda de preço da história com 32,8% de desvalorização em 2026, máquinas chinesas e indianas batendo recorde de importação com alta de 48% e Mercosul-UE entrando de vez em vigor com tarifa zero pra mais da metade dos produtos do bloco. No meio disso, a Petrobras acorda fábrica de ureia no Paraná depois de 5 anos parada, a FMC registra prejuízo de US$ 281 milhões e a Cotribá tenta recuperação judicial pela segunda vez com bancos na porteira.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
DEU BO
Cotribá tenta RJ de novo e BV acusa cooperativa de má fé e chicana jurídica

Foto: Divulgação
Tem briga no agro que parece safra ruim, você acha que acabou e ela volta na próxima rodada. A Cotribá entrou de novo com pedido de recuperação judicial e já deu de cara com os bancos na porteira. O Banco Votorantim e o Santander correram pro Tribunal de Justiça do RS tentando travar o processo e derrubar a decisão inicial favorável à cooperativa gaúcha. O Votorantim ainda subiu o tom e acusou a Cotribá de má fé e chicana jurídica, que é basicamente o juridiquês elegante pra dizer que alguém tá tentando enrolar o jogo com firula processual.
A treta é grande porque cooperativa, pela lei atual, não entra na recuperação judicial do mesmo jeito que empresa privada. A Cotribá diz que, na prática, funciona como uma empresa rural, tem operação de mercado, assume risco e precisa desse remédio jurídico pra não morrer na praia com as dívidas. Se essa tese passar, abre um precedente daqueles que fazem advogado de banco perder o sono e cooperativa em crise ver uma luz no fim do túnel.
Do lado dos credores, o papo é outro. O Votorantim diz que a Cotribá já tentou esse caminho antes, desistiu quando percebeu que a tese não ia andar e voltou com uma ação parecida pra tentar a sorte de novo, usando o processo como uma estratégia pra empurrar a dívida mais pra frente. Em português claro, os bancos enxergam um “vai que cola” com carimbo judicial por parte da cooperativa. A dívida da Cotribá com o BV gira em torno de R$ 15 milhões, mas o buraco total da cooperativa passa de R$ 1,4 bilhão, então ninguém tá discutindo troco.
No meio disso tudo, o caso virou um verdadeiro ping pong judicial. Vai pra um juiz, volta pra outro, entra recurso, sai decisão, e ainda tem discussão sobre quem deveria julgar o processo. Teve até menção a “forum shopping”, quando uma das partes tenta escolher um juiz mais favorável.
Enquanto o processo faz seu tour pelo Judiciário, a Cotribá tenta arrumar a casa. A cooperativa já reduziu o quadro de funcionários, trouxe um executivo de reestruturação e estuda vender alguns ativos pra ganhar fôlego. O problema é que, sem proteção judicial, os credores seguem batendo na porta. Mas o jogo grande mesmo tá na decisão final, porque se essa RJ sair, muda a regra do jogo pra cooperativas no Brasil inteiro. A Cotribá quer tempo pra reorganizar a lavoura financeira. Os bancos querem evitar que a porteira da RJ abra pra todo o cooperativismo.
COLHENDO CAPITAL
FMC leva pancada de US$ 281 mi no balanço, mas tenta vender esperança pro segundo semestre

Foto: Divulgação
A FMC começou 2026 com aquele balanço que mistura suspiro de alívio com dor de cabeça latejando. A receita caiu 4% no 1º trimestre, pra cerca de US$ 759 milhões, pressionada por preços 6% menores, custos mais altos e um mercado global de defensivos ainda bem longe do ideal. A empresa até vendeu mais em algumas regiões, mas o preço baixo jogou contra.
Mas o capítulo mais indigesto foi o prejuízo. A FMC saiu de uma perda de US$ 15,5 milhões pra um rombo de US$ 281 milhões. Parte disso vem de um efeito fiscal pesado e de uma reestruturação que tá mais pra reforma de fazenda antiga, daquelas que você começa arrumando o telhado e quando vê já trocou metade da casa. Baixa de ativo, corte de equipe, ajuste operacional… tudo tá pesando na conta.
Mesmo assim, Wall Street resolveu enxergar copo meio cheio e as ações da FMC subiram mais de 6% depois do balanço. O motivo é que receita, prejuízo e Ebitda vieram ruins, mas menos piores do que o esperado. O CEO Pierre Brondeau também tentou colocar um pouco de adubo no humor dos investidores ao dizer que o Brasil, principal mercado da FMC na América Latina, já tem 32% dos pedidos do 2º semestre capturados e pode chegar à metade até junho.
O problema é que, enquanto tenta animar o mercado lá fora, a FMC também entrou numa briga pesada por aqui. A empresa conseguiu na Justiça o direito de arrestar R$ 112 milhões em grãos da Belagrícola, depois que a revenda não entregou soja prevista em contrato de barter. Era um acordo grande, 1,4 milhão de sacas até 2028, e a primeira entrega já deu ruim. A Belagrícola tentou colocar a FMC na recuperação extrajudicial, mas o papo não colou e a Justiça entendeu que a CPR de entrega física fica fora desse guarda-chuva.
POR DENTRO DO MERCADO
Tratores chineses e indianos tão começando a dominar o mercado brasileiro

Gif: Giphy
O mercado brasileiro de máquinas agrícolas tá vendo uma cena que parece pesadelo. Enquanto as vendas de máquinas feitas no Brasil vêm derrapando ano após ano, as importadas tão pisando fundo e batendo marcas. Em 2025, entraram 11 mil máquinas no país, alta de 17% e recorde na série. A Índia liderou, com 6 mil unidades, enquanto a China chegou logo atrás, com 3,9 mil e crescimento de 85,7%.
E 2026 começou no mesmo. Só no primeiro trimestre, as importações saltaram 48,4%. O motivo não tem muito mistério, juro alto, crédito caro e produtor tentando fazer a conta fechar sem vender um rim junto com a safra. Como máquinas chinesas e indianas podem custar até 27% menos, muita gente tá olhando pro preço antes de pensar no brasão da marca e as máquinas mais baratas tão ganhando espaço, mesmo que o pós-venda ainda seja meio promessa de campanha.
Enquanto isso, a chinesa CRCHI apareceu pela 1ª vez na Agrishow com ambição de gente grande. A empresa, que veio da área de máquinas pesadas pra infraestrutura e mineração, quer montar toda uma infraestrutura por aqui, com pós-venda, área de peças no Brasil e ganhar nome no agro nacional. O diretor da companhia disse que o país é prioridade número 1 e soltou uma frase que resume bem o tamanho da fome: a meta é ser a BYD das máquinas agrícolas.
O movimento não é à toa. O mercado brasileiro é gigante, mas ainda tem espaço pra crescer, e os chineses enxergaram esse gap como oportunidade. Já começaram com testes em Mato Grosso e agora querem ganhar escala. A indústria nacional, claro, não tá achando graça nesse filme. Fabricantes brasileiras e multinacionais instaladas por aqui reclamam da pressão sobre a cadeia, dos preços agressivos e das compras públicas.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Petrobras acorda fábrica no Paraná e bota a ureia pra trabalhar de novo

Foto: Petrobras/Divulgação
A Petrobras acordou a Ansa do sono profundo e colocou a fábrica de Araucária (PR) pra produzir ureia de novo. A unidade tava parada desde 2020 e voltou à ativa depois de R$ 870 milhões em investimentos, entre manutenção, testes, recomposição de equipe e aquele check-up completo de quem ficou anos parada na gaveta. A retomada ainda gerou mais de 2 mil empregos na mobilização e mantém cerca de 700 postos diretos na operação.
A fábrica tem capacidade pra produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, algo perto de 8% do mercado nacional. Antes da ureia, a Ansa já tinha começado a fazer Arla 32, usado no controle de emissões de veículos a diesel, e amônia. A Petrobras tá voltando ao tabuleiro dos fertilizantes num momento em que o produtor brasileiro olha pro insumo importado com o mesmo carinho de quem vê a fatura do cartão depois de pagar hotel, almoço e uber superfaturados na Agrishow.
A volta da Ansa se junta às Fafens da Bahia e de Sergipe, que também voltaram a produzir, e deve levar a Petrobras a cerca de 20% do mercado interno de ureia com as 3 fábricas. Mais pra frente, a UFN-III, em Três Lagoas (MS), prevista pra 2029, pode elevar essa fatia pra 35%.
PAUTA VERDE
Governo quer mais etanol na gasolina e mais biodiesel no diesel

Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Se depender do governo, o combustível brasileiro vai ficar ainda mais temperado. O presidente Lula disse que pretende subir a mistura de etanol na gasolina de 30% pra 32% e a de biodiesel no diesel de 15% pra 16%. O recado foi dado junto com o anúncio de um pacote de R$ 21,2 bilhões do Move Brasil, aquele programa focado na renovação da frota de caminhões, e agora a bola tá com o CNPE, que decide se essa receita entra de vez no cardápio.
A ideia vem num timing curioso, com petróleo caro, guerra no Oriente Médio e aquele déjà vu de sempre no mercado global. Enquanto o barril lá fora tá fazendo aquele drama geopolítico de sempre, o Brasil olha pro próprio quintal e vê cana, milho e soja dando sopa. A conta é simples, quanto mais mistura aqui dentro, menos dependência de gasolina importada e mais giro pra cadeia do agro. É tipo trocar um delivery caro por comida feita em casa, só que em escala continental.
O setor de biocombustíveis abriu um sorriso de orelha a orelha. Mais mistura significa mais demanda e mais protagonismo pra quem já vinha puxando essa pauta há anos. Lula ainda falou que o Brasil pode virar a Arábia Saudita dos biocombustíveis. Com bem menos areia e bem mais usina, mas com a mesma ambição de mandar energia pro mundo, só que verde.
DE OLHO NO PORTO
Mercosul-UE estreia e agro já tá de olho no euro

Foto: Ilustração/Reprodução CNN Brasil
Depois de anos de lenga-lenga, o acordo Mercosul-UE finalmente saiu do papel e entrou em vigor nesta sexta-feira (1º) e já chegou daquele jeito, abrindo acesso pra um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Pra dar o gostinho, cerca de 54% dos produtos do Mercosul já entram com tarifa zero logo de cara. A Apex calcula até US$ 1 bilhão a mais em exportações nos próximos 12 meses.
No campo das oportunidades, tem de tudo um pouco. Café solúvel e torrado vão ter tarifa zerada em até 4 anos, carne bovina deve ganhar espaço aos poucos e o frango já chega com cotas sem tarifa que aumentam ao longo dos anos. No etanol, abriu-se uma janela pra exportar mais, enquanto frutas, mel, couro e tilápia entram com vantagem de preço. É um cenário em que alguns pontos percentuais de imposto fazem diferença entre fechar negócio ou ficar só no orçamento.
Só que não é só o Brasil que vai vender, não. A Europa também vai começar a mandar mais produto pra cá, e aí o jogo muda de figura. Máquinas, vinhos e alguns itens industriais vão chegar com preço mais competitivo, o que já deixou a indústria nacional de orelha em pé. Não é pânico, mas também não é cochilo, porque se o custo Brasil continuar pesando, o concorrente estrangeiro chega leve e corre solto.
Quando desce pro detalhe, cada cadeia tem sua própria novela. Açúcar segue limitado por cota, arroz ganha um espaço limitado, suco de laranja pode economizar até US$ 320 milhões em tarifas em 5 anos e o óleo de soja fica mais competitivo com imposto menor. Nas proteínas, aparecem novas cotas, mas ainda rola aquela divisão estilo churrasco de família entre os países do Mercosul pra ver quem fica com qual pedaço.
SAFRA DE CIFRAS
Suíno despenca em 2026 e queda é a maior da história

Gif: kenjikunGIFS on Giphy
Se o porco pudesse falar, tava pedindo socorro no caixa. O preço do suíno vivo já caiu 32,8% em 2026 e registrou a maior desvalorização de toda a série histórica, segundo o Cepea, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI de março de 2026. Em abril, a queda se espalhou por todas as regiões, com destaque pra SP-5, onde o tombo foi mais feio. O motivo é aquele combo já conhecido, consumo interno fraco e oferta ainda ajustando o passo.
Nem a exportação, que segue aquecida, conseguiu segurar essa pressão. A demanda de fora até ajuda a enxugar um pouco a oferta, mas não resolve o principal problema, o brasileiro tá comprando menos carne suína. Como resultado, o preço do animal vivo vem escorregando mês após mês.
No atacado, a queda também apareceu, mas um pouquinho menor, cerca de 30,1% no ano, com a carcaça chegando no menor nível desde 2019. Pra maio, o mercado ensaia um leve otimismo, com expectativa de estabilização. Mas no fim do dia, tudo volta pro mesmo ponto, enquanto o consumo interno não reagir, o suíno vai continuar sentindo.
PLANTÃO RURAL
Biodiesel americano no limite. Os EUA meteram meta recorde de biocombustível e o setor já tá suando antes mesmo de ligar o motor. Pra bater a conta, a produção teria que subir mais de 60%, algo que nem os mais otimistas tão comprando. Se não entregar, o diesel pode ficar mais caro.
Newcastle volta a aparecer na Europa. A Doença de Newcastle voltou a dar as caras em granjas da Espanha e Polônia, atingindo cerca de 170 mil aves. O problema não é só o número, mas a recorrência. O vírus tá rodando pela Europa e o setor já reforça biossegurança pra evitar um efeito dominó no frango.
Embrapa coloca agrofloresta no radar. A Embrapa e uma startup do Amazonas tão costurando parceria pra recuperar áreas degradadas com sistemas agroflorestais. A ideia junta banana, mamão, cacau, açaí e floresta no mesmo pacote, com tecnologia, bioinsumos e carbono entrando na conta.
Abate mais simples em SP. São Paulo resolveu desburocratizar o abate e abrir espaço pro pequeno produtor entrar no jogo com mais facilidade. Agora dá pra abater até 3 bois ou 100 aves por dia com regras simplificadas.
Preço do leite sobe no campo. O preço do leite ao produtor subiu 10,5% em março e já engata o terceiro mês de alta. A oferta curta tá fazendo laticínio disputar matéria-prima no braço. Só que no varejo o consumidor já começa a travar, então o repasse tá ficando mais difícil de sustentar.
Fendt cresce mesmo com mercado no aperto. Mesmo com o mercado de máquinas patinando, a Fendt tá ganhando espaço na América Latina. Não cresceu em receita, mas avançou em participação. A marca mantém o plano de dobrar de tamanho na região, com aposta em tratores mais potentes, garantia maior e operação autônoma no radar.
BASF segura a conta em meio a queda nas vendas. A BASF viu as vendas caírem 3%, mas conseguiu aumentar o lucro em quase 15% no trimestre. O segredo foi volume e ajuste fino no operacional, mesmo com câmbio atrapalhando.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Jaca
Pergunta de hoje: Qual fruta amazônica, conhecida pelo sabor exótico e aroma forte, já foi chamada de “carne vegetal” por exploradores europeus?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
