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Hoje tem bancos chegando com tesoura de poda no PL da dívida rural antes da votação no Senado, Raízen vendendo refinaria e postos na Argentina por US$ 1,42 bilhão pra ganhar fôlego na reestruturação e berne detectado no Texas pela primeira vez desde 1966. No meio disso, o Inova Agro Tour desembarca no Rio de Janeiro no dia 08/06 e chuva na colheita prejudica parte do trigo chinês com risco de alta nos preços globais.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

ASSUNTO DE GABINETE

Bancos tentam podar PL da dívida rural antes da votação

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A novela da renegociação das dívidas rurais ganhou mais um capítulo, e dessa vez os bancos chegaram com tesoura de poda na mão. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) entregaram pra senadora Tereza Cristina (PP-MS) uma versão calibrada do PL 5.122/2023, que deve ir ao plenário do Senado na quarta-feira (10).

O principal corte é pesado: os bancos querem tirar da renegociação as dívidas privadas dos produtores com revendas de insumos, tradings, cooperativas e cerealistas. Eles topam discutir o respiro pro campo, mas não querem transformar o banco em pronto-socorro até do boleto que nasceu fora da agência.

Pela proposta do sistema financeiro, só entram no pacote as CPRs emitidas em favor de bancos e cooperativas, registradas, contratadas até 31/12/2025, inadimplentes a partir de 02/01/2024 e ainda em atraso em 22/05/2026. Também entram regras mais claras pras operações de crédito rural com recursos livres, com a possibilidade do Conselho Monetário Nacional criar uma linha específica pra recompor essas dívidas.

A treta mora aí: o governo não quer enfiar as operações com juros de mercado no guarda-chuva da renegociação, enquanto o setor produtivo lembra que boa parte do Plano Safra já funciona justamente com esse tipo de recurso. É um empurra-empurra em que ninguém quer pagar a conta.

Os bancos também pedem mais liberdade pra negociar garantias, retirada de capital de giro de empresas do agro, limite mais claro sobre quem pode entrar no programa e vínculo direto entre a dívida prorrogada e a atividade que realmente foi afetada. Ou seja, se a quebra foi na soja, nada de usar isso pra pedir alívio em um aviário que passou ileso.

Eles ainda querem evitar a suspensão longa de cobranças, execuções e negativação, porque tão vendo um risco de estimular quem pode pagar a entrar na fila do “depois eu vejo”. Do outro lado, produtores defendem um texto mais amplo, com cerca de R$ 130 bilhões em dívidas, juros de até 7,5% ao ano e mobilização em Brasília pra pressionar pela aprovação.

A disputa agora tá entre 3 pontas tentando puxar o mesmo cobertor. Os produtores querem fôlego pra atravessar o aperto causado por clima, mercado e alavancagem. Os bancos querem segurança jurídica pra não travar o crédito rural da próxima safra. E o governo resiste a um acordo muito largo, de olho no impacto fiscal e no Plano Safra. Davi Alcolumbre (União-AP) deve definir a pauta nesta sexta-feira (5), e o texto pode ir ao plenário na próxima semana.

RADAR SANITÁRIO

Berne no Texas coloca pecuaristas dos EUA em alerta e mexe no preço do gado

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A pecuária americana ganhou um vilão que parece ter fugido de um filme de terror. O berne-do-novo-mundo foi detectado em um bezerro no Texas, o primeiro caso no estado desde 1966, depois da praga subir pelo México no ano passado. O governo americano diz que acredita que vai conseguir conter o foco, mas o setor já tá com a sobrancelha levantada, porque a larva dessa mosca ataca animais de sangue quente e pode causar estrago sério se sair do controle.

O mercado sentiu o cheiro de problema antes mesmo de terminar o café. Os futuros do gado de engorda até caíram no começo, com medo de o consumidor olhar torto pra carne bovina, mas logo viraram e subiram mais de 3% em Chicago. O motivo é simples: o rebanho dos EUA já tá no menor nível em 75 anos, apertado por seca, custo de alimentação e redução de plantéis. Se o berne se espalhar, a oferta pode apertar ainda mais. E a carne, que já tá cara nos EUA, não precisa de muito empurrão pra subir mais um degrau.

O Texas, maior estado pecuarista americano, pode encarar perdas de até US$ 1,8 bilhão se a infestação sair do controle. O USDA congelou a movimentação de animais na área ao redor do caso, enquanto frigoríficos como JBS, Cargill e Tyson já vinham suando pra encontrar boi suficiente pro abate. Agora, o desafio é monitorar os rebanhos espalhados por pastagens enormes, onde o bicho pode passar dias sem ser visto.

QUAL A BOA?

O Inova Agro Tour chega ao Rio de Janeiro

O agro vai trocar um pouco a poeira da estrada por paisagem bonita, crachá no peito, sotaque carioca e muito papo de inovação. No dia 08/06, o Inova Agro Tour RJ 2026 desembarca na sede da Sociedade Nacional de Agricultura, no Rio de Janeiro, reunindo produtores, startups, investidores, empresas e especialistas pra conectar tecnologia, negócios e gente que pode tirar ideia boa do slide e colocar no campo.

Realizado pelo SNASH, o SNA Startup Hub, junto com a Sociedade Nacional de Agricultura, o encontro promete um dia inteiro de debates, exposição de soluções e conexões estratégicas. A proposta é juntar quem cria e desenvolve tecnologia com quem lida todo dia com clima, custo, logística, produtividade e aquele combo de desafios que quem trabalha com o agro já tá acostumado.

A programação vem recheada com temas que já deixaram de ser tendência e viraram necessidade, como agricultura digital, IA no campo, transição bioenergética e o cenário atual do agro brasileiro. Também entram no pacote o Startup Premium Lounge, com startups da Rede SNASH, o SNASH Pitch Challenge, rodadas de negócios, matchmaking e happy hour de networking.

Com patrocínio da Senior Sistemas e apoio financeiro da Faperj, o Inova Agro Tour RJ chega pra reforçar que inovação no agro não é mais aquele enfeite bonito na apresentação de PowerPoint. Virou ferramenta de competitividade, eficiência e sobrevivência num setor que precisa produzir mais, gastar melhor e errar menos. No Rio, a missão é colocar startup, produtor e investidor na mesma mesa pra transformar conversa boa em oportunidade e negócio.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen vende ativos argentinos e ganha fôlego no caixa

Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg

A Raízen passou a tesoura na operação argentina e fechou a venda dos ativos no país pra suíça Mercuria Energy e pra argentina Integra Capital por US$ 1,42 bilhão. O pagamento será feito em dinheiro no fechamento, ainda sujeito àqueles ajustes tradicionais de capital de giro, caixa, dívida e outras miudezas. Pra uma empresa que tá tentando reorganizar R$ 65 bilhões em dívida, é um PIX que não resolve a vida inteira, mas já ajuda a respirar.

O pacote vendido não é pouca coisa. Entram na conta a refinaria de Dock Sud, que é responsável por 14% da produção de combustíveis da Argentina, a rede de 894 postos Shell, com 17,9% do mercado local, uma fábrica de lubrificantes em Buenos Aires, 2 bases de abastecimento nos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque e 2 terminais de combustíveis em Arroyo Seco e Santa Fe. O acordo também prevê que os compradores assumam a dívida da Raízen Argentina, mais uma peça importante nesse quebra-cabeça de caixa.

A Mercuria, trader suíça de commodities, já atua na Argentina por meio da Phoenix Resources, em Vaca Muerta, e aparece de novo ao lado do empresário José Luis Manzano, fundador da Integra Capital. Com a compra, o grupo amplia presença no setor de energia argentino e leva ativos estratégicos de refino e distribuição. Já pra Raízen, a venda entra como peça central do plano de desinvestimentos.

A operação ainda depende de autorizações regulatórias e judiciais, mas a expectativa é concluir tudo dentro da safra atual. O timing não é detalhe, porque a Raízen apresentou nesta semana sua proposta final de recuperação extrajudicial e espera apoio de mais de 70% dos credores. Depois de colocar 45% da dívida na mesa pra virar ações e negociar alongamento do restante, vender a Argentina virou parte do plano pra trocar aperto financeiro por fôlego.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Mandioca

Pergunta de hoje: Qual especiaria indiana era usada como perfume nos templos antigos e hoje é base de remédios e doces?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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