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Bom dia!
Hoje tem cana perto de mudar a lógica inteira do plantio, Cofco anunciando investimento de R$ 2 bilhões em Mato Grosso e boi gordo encostando nos R$ 380 a arroba enquanto o suíno segue caindo no mercado interno. No meio disso, a Inpasa quer chegar a 10 biorrefinarias até 2027, a Syngenta abre vagas de estágio e soja e abelha ganharam um curso pra aprender a trabalhar juntas.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
NAS CABEÇAS DO AGRO
Depois de 500 anos, a cana pode mudar o seu plantio

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
A cana tá flertando com uma revolução que demorou séculos pra chegar. Depois de mais de 500 anos sendo plantada basicamente do mesmo jeito, por meio de mudas, o setor agora tá vendo surgir uma tecnologia que promete mexer na lógica inteira do jogo.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou em Piracicaba a primeira unidade de produção de sementes de cana, coroando 12 anos de pesquisa e R$ 1 bilhão investidos num projeto que quer fazer a cultura sair do modo colonial e entrar, de vez, no século 21. A promessa é de simplificar o plantio, acelerar a chegada de novas variedades no campo e ainda tirar a cultura do piloto automático.
Hoje, plantar cana é uma operação pesada, daquelas que exigem muito material, fôlego e paciência. Pra cada hectare, são necessárias cerca de 16 toneladas de cana só pra formar a lavoura, com equipe grande, viveiro, tempo e logística tensa nos bastidores do trampo. Com a nova tecnologia, esse volume cairia pra perto de 400 quilos por hectare.
E apesar do nome, a tal semente de cana não é uma semente do jeito que tá todo mundo acostumado a ver. Na verdade, ela é uma solução biotecnológica produzida a partir da própria planta, com etapas no laboratório, multiplicação em escala, adaptação fora do ambiente controlado, automação e até inteligência artificial no meio da jogada pra selecionar as mudas com mais potencial.
O ganho mais sedutor talvez seja o do tempo. Hoje, quando surge uma variedade nova, ela ainda precisa passar por um longo caminho de multiplicação até chegar numa escala comercial. Com esse sistema, o produtor poderia pular boa parte dessa novela e partir direto pro plantio em áreas maiores. E isso conversa direto com a obsessão atual do setor, produzir mais na mesma área e com mais eficiência. A produtividade média nacional gira perto de 75 toneladas por hectare, e a meta é dobrar essa produtividade até o fim da próxima década.
Claro que entre a inovação bonita no laboratório e a revolução de verdade no campo ainda existe um caminho cheio de barro. O desafio agora é escalar a produção, garantir custo competitivo e fazer a tecnologia performar bem em diferentes condições. Além disso, o novo modelo também exige mudanças na mecanização, já que plantar semente em vez de muda pede máquinas específicas, algo que o CTC já tá desenvolvendo em parceria com fabricantes. Se der certo, o Brasil pode não só mudar a forma de plantar cana por aqui, mas também exportar essa ideia pra outros países tropicais e virar referência em mais uma área da pesquisa do agro.
TRAMPO NO CAMPO
Procuram-se estagiários

Gif: theoffice on Giphy
Pra quem tá tentando colocar um pé no agro antes mesmo de pegar o diploma da faculdade, a Syngenta abriu mais de 33 vagas de estágio em várias regiões do Brasil. As oportunidades tão espalhadas por cidades como São Paulo (SP), Paulínia (SP), Ribeirão Preto (SP), Londrina (PR), Goiânia (GO), Cuiabá (MT) e Campo Novo do Parecis (MT), com modelos híbrido e presencial, e inscrições abertas até 30 de abril.
O início do estágio tá previsto pra agosto de 2026, e a empresa tá procurando universitários com disponibilidade pra estagiar de 1 ano e meio a 2 anos, além daquela combinação clássica que toda vaga gosta de pedir, gente curiosa, dinâmica e que saiba trabalhar junto sem transformar reunião em campeonato de ego.
As vagas passam por áreas como Marketing, Pesquisa e Desenvolvimento, Comercial, RH, Produção, Suprimentos, Finanças, TI e Jurídico, e o pacote vem recheado de benefícios, com assistência médica e odontológica, Wellhub, day-off no aniversário, cartão de Natal e outros extras que variam conforme a cidade.
A empresa também promete uma trilha de desenvolvimento com treinamentos e curso de inglês, pra mostrar que o estágio não é mais buscar café, fazer planilha e levar a culpa quando dá tudo errado. A ideia é colocar o jovem talento pra crescer junto com uma das gigantes do agro. Pra quem quer entrar no agro pela porta da frente, essa pode ser uma boa chance de começar a carreira sem precisar esperar o mercado abrir a porteira sozinho.
O AGRO EM NÚMEROS
Soja gaúcha chega à metade da colheita, boi encosta nos R$ 380 e suíno barato até demais

Foto: Freepik
No Rio Grande do Sul, a colheita da soja finalmente bateu 50% da área cultivada, que, no total, passa de 6,6 milhões de hectares. É metade da safra no bolso e metade ainda esperando a vez, num ritmo bem mais lento do que o produtor gostaria. As chuvas em algumas regiões seguiram atrapalhando a entrada das máquinas, e a produtividade continua uma verdadeira colcha de retalhos, variando bastante entre regiões e até dentro do mesmo município. A média estimada pela Emater/RS tá em 2.871 kg/ha, enquanto milho e arroz já caminham pra reta final dos trabalhos por lá.
Na conta mais ampla do agro, o Ministério da Agricultura projeta um VBP de R$ 1,385 trilhão em 2026. É mais do que o que tava previsto no mês passado, mas ainda 3,9% abaixo do resultado de 2025. A soja segue mandando na planilha, com faturamento bruto estimado em R$ 332,4 bilhões, enquanto os bovinos puxam a fila das proteínas com R$ 237,5 bilhões.
E falando no boi, a alta nos preços continua firme e forte. Em São Paulo, as negociações tão girando entre R$ 360 e R$ 370 por arroba, com lotes maiores já chegando na casa dos R$ 380. Em outros estados o preço fica ali perto, numa média de R$ 350, com os valores mais baixos sendo registrados no Pará, perto de R$ 320 por arroba.
Já o suíno tá vivendo o roteiro oposto e bem menos animador. Mesmo com as exportações batendo recorde, os preços do animal vivo e da carne seguem em queda livre no mercado interno, porque lá fora até tem apetite, mas aqui dentro a demanda continua andando devagar e a oferta tá sobrando. Segundo o Cepea, os preços do suíno vivo já atingiram o menor nível desde março de 2022, em termos reais, e a carne suína caiu pro menor patamar desde maio de 2020.
SAFRA DE CIFRAS
Inpasa quer chegar a 10 biorrefinarias até 2027 aproveitando tudo que sai da moagem

Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso
A Inpasa tá crescendo num ritmo que faz muita empresa parecer que tá operando com o freio de mão puxado. A maior produtora de etanol de grãos da América Latina projeta chegar a 10 biorrefinarias em operação até 2027, acelerando uma expansão que já vem em ritmo de 50% ao ano, segundo a própria empresa. Desde que começou a operar no Brasil, em 2019, a companhia já investiu mais de R$ 15 bilhões no país e fez de Sinop (MT) sua joia da coroa, com a maior biorrefinaria de etanol do mundo, que é capaz de produzir 2 bilhões de litros por ano.
A estratégia da empresa não para no etanol. Com capacidade instalada de 6,7 bilhões de litros de etanol por ano, a Inpasa também tá ampliando a produção de DDGS, óleo vegetal e energia renovável, numa operação que tenta tirar valor até do suspiro da moagem. A chegada no Nordeste, com a planta de Luís Eduardo Magalhães (BA), entra nessa conta como um movimento estratégico pra aproximar a produção do mercado consumidor e reduzir a dependência regional de etanol vindo de fora. A ideia é crescer com escala, infraestrutura e armazenamento suficiente pra não depender de improviso e gambiarra.
Por trás dessa corrida, tem também uma aposta grande no futuro dos biocombustíveis e na descarbonização, especialmente em setores que tão sendo pressionados a descarbonizar de verdade, como aviação e transporte marítimo. A Inpasa vê nisso uma janela pro Brasil ganhar ainda mais protagonismo global no fornecimento de energia renovável e quer surfar essa onda com escala, eficiência e bastante milho no tanque da ambição.
MENTES QUE GERMINAM
Senar, Embrapa e BASF lançam curso que ensina a fazer soja e abelha jogarem no mesmo time

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Em todo lugar, em todo mercado, tem dupla que todo mundo acha que não vai dar entrosamento, que parece improvável de dar resultado, e aí do nada começa a engrenar. É o caso da soja com a apicultura. O Senar lançou um curso online e gratuito com o nome Integração entre Apicultura e Sojicultura, em parceria com a Embrapa Soja e a BASF, pra mostrar que lavoura e colmeia podem, e devem, trabalhar juntas. A proposta é ensinar aquelas boas práticas que cortam os riscos pros polinizadores e, ao mesmo tempo, ajudam a soja a produzir melhor.
O curso, disponível na plataforma Senar Play, foi montado com base em um projeto de pesquisa que rolou ao longo de 3 safras e traz um pacote bem parrudo de temas importantes: relação entre defensivos e abelhas, boas práticas agrícolas, pulverização, manejo apícola e comunicação entre produtor e apicultor. E esse último ponto talvez seja um dos mais importantes de todos, porque boa parte da confusão começa quando um pulveriza sem avisar e o outro descobre do pior jeito.
Segundo os estudos da Embrapa, essa ajudinha das abelhas pode elevar a produção de soja em média 13%, além de abrir um espaço no bolso pra uma renda extra com o mel da florada da soja. O curso tem 16 horas de duração e é voltado pra produtores, trabalhadores rurais e prestadores de serviço com pelo menos 16 anos. É uma capacitação pra lembrar que produtividade e biodiversidade não precisam viver se estranhando.
COLHENDO CAPITAL
Cofco põe R$ 2 bilhões na mesa e quer fazer de Rondonópolis a capital da soja esmagada

Gif: Giphy
A Cofco tá querendo aumentar bastante o volume do moedor em Mato Grosso e vai investir cerca de R$ 2 bilhões pra dobrar a capacidade da planta de Rondonópolis. Hoje, a unidade já processa 4,5 mil toneladas de soja por dia. Com o upgrade, vai chegar a 10 mil toneladas diárias e virar, segundo a prefeitura da cidade, a maior fábrica do Brasil em esmagamento de soja.
A obra deve ficar pronta no começo de 2028 e entra numa estratégia de ganhar escala e empurrar mais produto de valor agregado pro mercado, como farelo e óleo de soja. Vender grão é bom, mas esmagar no meio do caminho e capturar mais margem costuma deixar qualquer trading bem mais animada. O anúncio veio depois de um encontro entre o prefeito de Rondonópolis e executivos da companhia, incluindo o CEO da Cofco Brasil, Luiz Noto.
O movimento mostra que a gigante chinesa segue com apetite bem aberto no Brasil. Em 2024, a operação brasileira faturou mais de R$ 54 bilhões, e no ano passado a empresa já tinha inaugurado um novo terminal no porto de Santos com US$ 285 milhões em investimentos. Agora, ao turbinar Rondonópolis, a Cofco deixa claro que não quer só embarcar soja brasileira pro mundo. Quer esmagar a oportunidade inteira antes pra aproveitar tudo ao máximo.
PLANTÃO RURAL
BNDES turbina etanol de milho em MT. A ALD Bioenergia recebeu R$ 575,3 milhões do BNDES pra ampliar a usina de etanol de milho em Nova Marilândia (MT). A meta é triplicar a escala, levando o processamento de 335 mil pra 900 mil toneladas por ano e a produção de etanol de 150 milhões pra até 400 milhões de litros.
Faria Lima calça a bota e vai atrás do agro. XP, BTG, Itaú e companhia tão saindo da cidade pra disputar a riqueza do campo mais de perto. A ideia é abrir espaço em polos agrícolas e falar menos economês e mais em saca de soja, fluxo de caixa e sucessão patrimonial pra captar investidores rurais.
Mulheres do Agro abre espaço pra ciência. Estão abertas até 30 de abril as indicações pro Prêmio Mulheres do Agro na categoria Ciência e Pesquisa. A iniciativa da Bayer com a Abag quer reconhecer pesquisadoras ligadas à sustentabilidade no agro brasileiro.
Soja vai bater recorde no processamento. A Abiove elevou a estimativa de processamento de soja no Brasil pra 62,2 milhões de toneladas em 2026, um recorde e alta de 6% sobre 2025. O farelo deve crescer 6,8% e o óleo 4,8%. Mesmo exportando mais em volume, a receita do complexo soja deve cair 3,2%.
CNA rebate investigação dos EUA. A CNA respondeu tecnicamente à investigação dos Estados Unidos pra averiguar se o Brasil tem ou não um regime específico para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A entidade disse que o Brasil já tem legislação rígida, fiscalização ativa e punições pesadas, inclusive sem paralelo em outras jurisdições.
Cooxupé vende carbono e põe café na conta verde. A Cooxupé fez sua primeira comercialização de créditos de carbono dentro da própria cadeia do café, usando um projeto piloto com 12 cooperados em 43,27 hectares. O sistema sequestrou 649,94 toneladas de carbono e distribuiu R$ 104,6 mil aos produtores.
Agro abre mercados pra frutas, feno e sementes. O Brasil abriu novos mercados em 5 países pra 15 produtos agropecuários. Tem fruta indo pra Arábia Saudita, maçã pra El Salvador, uva pro Azerbaijão, feno pra Jordânia e sementes de forrageiras pra Etiópia.
BrasilAgro cancela venda e traz fazenda de volta pra casa. A BrasilAgro vai rescindir os contratos de venda da Fazenda Rio do Meio, na Bahia, depois que o comprador entrou em recuperação judicial. Parte da área volta pro portfólio da companhia, e a empresa calcula impacto contábil de R$ 47,1 milhões em recebíveis.
Consecana-SP muda regra e produtor ganha adicional. Orplana e Unica formalizaram a revisão do Consecana-SP com um adicional de 4,5% na remuneração da cana, exclusivo pro produtor. O acordo também traz retroatividade, auditoria externa, revisão de governança e atualização periódica dos critérios.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se você reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e você tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se você mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Soja
Pergunta de hoje: Qual cultura andina foi levada à Europa pelos espanhóis e se transformou no ingrediente principal de um prato típico irlandês?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
