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Bom dia!

A sexta chega com o tarifaço americano enfim no papel, e a boa é que café, carne e suco brasileiros passaram longe da mordida. Na mesma toada, o governo publicou a MP que promete desafogar a dívida no campo, enquanto a Europa liga o alerta e ameaça fechar a porta pra nossa carne em setembro. No meio disso, o cacau tomou um tombo lá fora, um estudo acendeu a luz amarela sobre o fim da Moratória da Soja e o etanol virou moeda de briga com os EUA.

Pra você fechar a semana já por dentro de tudo.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$173.825,27 -1,24% 7,88%
IFIX R$3.846,24 0,18% 1,78%
AGRO3 R$19,41 2,21% -2,66%
TTEN3 R$15,25 0,66% -7,58%
SMTO3 R$15,72 1,22% 3,97%
MBRF3 R$15,29 -0,71% -23,47%
VGIA11 R$9,62 -0,41% -4,37%
XPCA11 R$7,79 -0,64% -6,59%
Solana US$75.94 -1,64% -39,45%
Bitcoin US$64,151.18 -0,97% -27,39%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

O tarifaço bateu, mas o café passou batido

Fonte: Tenor

Vem comigo que essa mexe com quem embarca pra fora. Os EUA publicaram a ordem que aplica 25% de tarifa, com vigência no dia 22, mas deixando de fora café, carnes e algumas frutas, e essas isenções preservam bilhões em exportação.

O que a manchete de "maior retaliação já aplicada" não conta: os EUA são só o 3º destino do nosso agro, com 6,7% do total exportado (US$ 11,4 bilhões em 2025), bem atrás da China e da União Europeia. E os produtos que mais pesam, café, carne e suco, foram justamente os poupados.

Cá entre nós, tarifaço é barulhento na política e cirúrgico na conta. Pra você, o número que decide não é os 25%, é a régua de mercado, com a China valendo quase cinco vezes os EUA.

Moral da história: quem exporta manufaturado e etanol sente a pancada no dia 22, mas é a diversificação de destino que blinda a receita.

COLHENDO CAPITAL

A renegociação alivia, mas não cura o problema velho

Fonte: Giphy

A novela virou lei provisória, agora com a letra miúda que faltava.

O governo publicou a MP 1.376, que mira mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, com juros de 5% a 12% ao ano e prazo de até dez anos

Parece enorme, e é. Mas, olhando de fora, esses R$ 100 bi são cerca de 13% do endividamento rural do país, que já soma R$ 752 bilhões no sistema financeiro. E renegociar virou hábito: a securitização das dívidas do campo começou em 1995 e voltou em ciclos desde então.

A MP boa é a que destrava caixa sem esconder a origem do aperto, que é margem espremida por custo e juro alto. Some o risco de execução, o último fundo de socorro liberou R$ 12 bi e só R$ 5,4 bi saíram do papel.

E o que fica mesmo de lição pro produtor: use a janela pra renegociar a dívida cara, mas não conte com ela como plano de safra. Renegociação é fôlego, não folga.

POR DENTRO DO MERCADO

O cacau só sabia subir até esta quinta

Fonte: Revista Cultivar

Será que a queda desta quinta é só um tropeço? O cacau despencou 8,86% em Nova York, a US$ 5.362 a tonelada, no embalo da moagem europeia no menor nível em seis anos.

Os números de fora dizem que não é blip: a ICCO projeta superávit de 287 mil toneladas em 2025/26 e 267 mil em 2026/27, depois de um déficit de quase 500 mil toneladas em 2024, com os estoques mundiais já cerca de 29% maiores.

Traduzindo: o mercado está reprecificando uma virada estrutural, de escassez para sobra, puxada por demanda fraca, não por safra cheia. Pro produtor da Bahia e do Pará que plantou no topo do super-ciclo, a janela de preço alto está se fechando.

Portanto, planejar a margem de 2027 com o cacau de 2024 é apostar num teto que o próprio consumo já começou a derrubar.

RADAR SANITÁRIO

Perder a Europa dói?

Fonte: Globo Rural

Marca a data: 3 de setembro. Há dois dias, contamos que o governo ainda estudava como cumprir a regra de antimicrobianos da UE; agora o relógio tem hora marcada, e a indústria já admite grande possibilidade de o Brasil parar de vender carne à União Europeia a partir de setembro.

O motivo é a falta de comprovação do controle dos insumos, uma exigência de papel, não de sanidade, e o bloco já tirou o Brasil da lista de países aptos.

Onde isso realmente pesa: a UE comprou US$ 1,06 bilhão em carne bovina em 2025, contra US$ 8,9 bilhões da China, que sozinha faz 48% do embarque. A Europa é menos de 6% do valor, mas paga o prêmio, 51% acima da média.

Mas, na sinceridade, o problema é de margem e reputação, não de volume. A saída inteligente é segregar a cadeia habilitada à UE.

E daí pro pecuarista: agora que o prazo tem data, brigue pela papelada da UE pelo prêmio que ela paga, mas fique de olho nos outros compradores de peso.

PAUTA VERDE

O fim de um acordo pode custar caro

Fonte: Tenor

A Unica diz que o Brasil quase não compra mais etanol dos EUA porque o nosso etanol de milho cresceu, e não por causa de tarifa. Só que os números do comércio dizem o contrário: o Brasil importou 247 milhões de litros de etanol americano só de janeiro a abril de 2026, um salto de 350%.

O que está mesmo em jogo é a tarifa. O etanol foi taxado no tarifaço, e os EUA reclamam que o Brasil cobra 18% pra deixar o etanol deles entrar, enquanto o nosso paga só 2,5% lá fora.

Essa tarifa de 18% é o que segura a margem das usinas enquanto o etanol de milho ganha escala. Por isso ela virou moeda na mesa de negociação.

Para o usineiro a briga não é simbólica. Mexer nessa tarifa mexe direto no preço que ele recebe.

PLANTÃO RURAL

  • Boi gordo: o contrato futuro do boi para outubro passou de R$ 355 por arroba na B3 e caminha para renovar a máxima do vencimento, com os papéis de 2027 já perto de R$ 367.

  • Frigoríficos: a Abiec alerta que a queda nas exportações deve pressionar as margens dos frigoríficos brasileiros nos próximos meses.

  • VBP: o Valor Bruto da Produção Agropecuária de 2026 foi calculado pelo Mapa em R$ 1,40 trilhão, com as lavouras respondendo por 64% e a pecuária por 36%.

  • Cade: o conselho aprovou a compra de três empresas agropecuárias pela Alvorada, operação que abre caminho para a varejista avançar no oeste da Bahia e no norte de Minas Gerais.

  • Coamo: a maior cooperativa da América Latina vai investir R$ 64,2 milhões para ampliar a capacidade de armazenagem de grãos.

  • Drawback do cacau: sem votação no Senado dentro do prazo, a MP que dava regime especial de tributação ao setor de cacau perdeu a validade.

  • Cooxupé: a maior exportadora de café do país registra o maior atraso na colheita desde 2018, com o Cerrado Mineiro mais lento que o Sul de Minas.

  • Planalto Capital: com produtores rurais à frente, a gestora aposta em uma tese de investimento em terras agrícolas para atrair capital da Faria Lima ao campo.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o passatempo é pra quem tem olho de agrimensor. No Angle, aparece um ângulo desenhado na tela e você precisa cravar quantos graus ele tem, quatro tentativas, mirando cada vez mais perto do alvo. É a mesma habilidade de quem alinha a plantadeira no talhão ou calcula a rampa do silo: acertar o grau no olhômetro. Rapidinho, vicia, e ainda afia a sua noção de precisão antes de você encarar os números do dia.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Ribeirão Preto (SP), a "capital do agronegócio", que todo ano recebe a Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina.


Pergunta de hoje: qual estado brasileiro é hoje o maior produtor de cacau do país, posto que o título já foi da Bahia?


A resposta você confere na próxima edição!

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