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Bom dia!

A quinta chega com o Brasil entre dois fogos lá fora e uma conta salgada dentro de casa. Os Estados Unidos deram a negociação por encerrada e colocaram o tarifaço de volta na mesa do Trump, e o governo enfim tirou do forno a MP que promete desafogar a dívida no campo. Ainda tem um número da Serasa que ninguém queria ver subindo. No mais, a Bayer foi à França atrás da semente de trigo, o arroz gaúcho achou comprador do outro lado do mundo e a gripe aviária derrubou a última ilha que faltava.

Pra você começar a quinta um passo à frente.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (R$/saca 60kg) R$139,99 -0,46% -0,72%
Milho (R$/saca 60kg) R$64,77 0,20% -6,81%
Trigo (R$/tonelada) R$1.392,65 -0,06% 17,80%
Arroz (R$/saca 50kg) R$63,91 0,96% 19,57%
Algodão (R$/libra-peso) 409,17 0,96% 17,37%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

COLHENDO CAPITAL

A conta que travou na porteira de quem é mais novo

Fonte: Giphy

Se o custo aperta e o preço oscila, adivinha onde a corda arrebenta primeiro? No caixa. A inadimplência dos produtores rurais bateu 8,8% no primeiro trimestre, o maior nível da série da Serasa Experian. Traduzindo: é a fatia de gente do campo com dívida vencida há mais de seis meses. E não foi um tropeço isolado: vem subindo trimestre a trimestre, era 7,6% um ano atrás.

Aí mora a pegadinha: quem mais atrasa é a turma de 30 a 39 anos, com 13,6%, e o Norte lidera (13,2%), puxado pelo Amapá, em 21,2%. E daí pra você: o Agro Score, a nota que o banco olha, caiu de 606 para 591.

No fim das contas, a lição é simples: caixa curto hoje vira crédito mais caro amanhã. E, nem sempre, safra boa no campo significa conta em dia no balcão.

DE OLHO NO PORTO

Os EUA bateram o martelo e o etanol ficou de fora do troco

Fonte: Globo Rural

O USTR, o braço comercial da Casa Branca, deu as negociações por encerradas e já levou ao Trump a recomendação final do novo tarifaço sobre o Brasil.

A parte boa? Sinalizou ampliar a lista de exceções, de olho nas peças "made in Brazil" que empresas americanas mandam pra matriz. A parte ruim: avisou que não vai ter "lista dinâmica", ou seja, quem ficar de fora agora não entra depois.

Do jeito que está, o tarifaço pegaria 21% do que o Brasil exporta pros EUA. E teve recado seco pro agro: o Brasil ofereceu baixar a tarifa do etanol em troca de mais açúcar no mercado deles, e a resposta foi não.

Negociação encerrada, mas o telefone segue na linha.

ASSUNTO DE GABINETE

A novela da renegociação saiu do papel

Fonte: CNN Brasil

Será que dessa vez é diferente?

O governo publicou nesta quarta a MP que renegocia mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, e o campo respirou, ainda mais com o impacto fiscal "abaixo de R$ 4 bilhões" que o ministro prometeu, bem menor que o susto.

Só que socorrer o agro no Brasil virou quase rotina: desde os anos 1990, quase toda safra ruim termina numa canetada que empurra o vencimento lá pra frente.

O alívio é justo pra quem a enchente ou o tarifaço quebraram de verdade, e o critério, dessa vez, veio mais apertado do que o Congresso queria.

Mas remédio que se repete vicia: quando a renegociação vira hábito, o mercado passa a contar com ela, e a conta de amanhã já sai com a aposta embutida de que vem outro perdão.

No fim, quem paga em dia banca a rolagem de quem apostou no “calote”, não é mesmo? E a novela ainda não acabou: juro, prazo e quem se qualifica saem numa nota técnica que vem depois.

E tem mais, comemorar agora é adiantar a festa, porque dívida rural rolada não some, só troca de safra.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Bayer aposta um bilhão de euros na semente de trigo do futuro

Fonte: Globo Rural

Imagina uma semente que rende 10% a mais a mais sem você mexer em mais nada. É o que a Bayer foi buscar. A gigante alemã fechou um acordo exclusivo de licenciamento com a francesa RAGT para vender sementes híbridas de trigo na Europa e na América do Norte até 2030.

O que ninguém diz em voz alta: isso é menos sobre trigo e mais sobre patente. Quem vai mandar no amanhã da lavoura não é quem planta, é quem é dono da semente, e essa fila está se fechando em poucas mãos lá fora.

E daí pra quem importa metade do trigo que consome? O trigo mais produtivo lá fora pode pressionar o preço do pão e da farinha aqui dentro. No fim, a corrida pela semente de amanhã é disputada hoje. E o Brasil ainda está assistindo de fora.

POR DENTRO DO MERCADO

O arroz do Sul achou comprador do outro lado do mapa

O gaúcho está vendo o preço reagir depois de dois anos de aperto. O que as notícias trazem é que as exportações de arroz bateram recorde no primeiro semestre, 433,6 mil toneladas, +32,7% sobre o ano passado, segundo o Cepea, com Venezuela e Senegal na frente da fila. Com parte da safra indo pro navio, sobra menos no talhão, e o preço do arroz em casca no RS reagiu, o alívio que faltava desde a enchente de 2024.

Só que esse repique tem uma origem que muda a leitura: o preço não subiu porque o mundo está pagando mais, subiu porque o arroz foi embora. Lá fora a cotação está pressionada, com a Índia de volta ao mercado despejando safra recorde.

Ou seja, o que firmou o preço no Sul foi a oferta interna mais curta, não o comprador animado. E alívio de estoque tem prazo de validade: se o embarque afrouxa ou a safra nova entra cheia, o fôlego desinfla.

A conta pro produtor é que vender bem nesta janela vale mais do que apostar que ela fique aberta. A final, preço que depende de navio some quando ele muda de rota.

RADAR SANITÁRIO

A última ilha livre da gripe aviária caiu

Fonte: CNN Brasil

O maior inimigo da avicultura chegou de asa aberta no único canto que faltava: a Nova Zelândia confirmou seu primeiro caso de gripe aviária H5N1, achado numa ave marinha migratória perto de Wellington.

Calma que não é pânico ainda: não houve caso em granjas comerciais, e o país já começou a vacinar espécies ameaçadas. Mas o simbolismo pesa: a Oceania era o último grande continente sem o vírus de alta patogenicidade em terra firme.

E pra quem vive num país que é o maior exportador de frango do mundo? Cada nova fronteira que o H5N1 cruza mexe com barreira sanitária, rota de comércio e preço lá na ponta.

Infelizmente, não tem como, simplesmente, cancelar o visto.

PLANTÃO RURAL

  • Junior Friboi: o empresário comprou a operação da Frialto em Rondônia, ampliando a presença do frigorífico na fronteira pecuária do Norte.

  • Camil: a dona de marcas de arroz e grãos ampliou as vendas, mas viu o lucro cair 57,6% no 1º trimestre fiscal de 2026, pressionado por custos, volume e preços.

  • Coopama: a cooperativa vai além do café com leite, ganha força nos grãos e mira se fixar na faixa de R$ 1 bilhão de faturamento.

  • Orbia: a plataforma digital de insumos de Bayer, Yara e Itaú BBA atingiu R$ 7 bilhões em transações e já prepara uma nova rodada de expansão.

  • Mar Negro: a Ucrânia perdeu cerca de um terço da capacidade de exportação de grãos pela região após a nova escalada do conflito com a Rússia.

  • FGV Agro: a agroindústria acumula retração de 0,1% no ano, sinal de atividade fraca no setor de transformação do agro.

  • Feijão carioca: a colheita avança e amplia a oferta, aliviando a pressão sobre os preços do grão no mercado interno.

SE DIVERTE AÍ

O Dueto lança o desafio de duas palavras de cinco letras pra descobrir ao mesmo tempo, com as mesmas tentativas. Dá aquele frio na barriga de quem planta em duas lavouras e precisa colher as duas, errou o palpite e já era em dobro. Perfeito pra acordar o cérebro antes de encarar a cotação do dia.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: MAPA é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a pasta que comanda as políticas do agro no Brasil, do Plano Safra às regras sanitárias que abrem (ou fecham) mercado lá fora.


Pergunta de hoje: qual cidade paulista é conhecida como a "capital do agronegócio" e sedia a Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina?


A resposta você confere na próxima edição!

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