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Bom dia!

Hoje tem a Bayer botando o glifosato numa empresa novinha só pra brigar na Justiça, 42 frigoríficos encarando férias coletivas agora que a cota da China encheu, e a soja brasileira ganhando passaporte novo pra entrar em Pequim. No meio disso, a Piracanjuba foi fazer queijo coalho em Alagoas, o Paraná pôs caminhão pra rodar com o que a lavoura planta, e o segundo maior café do país travou as dívidas no tribunal.

Pra você começar o dia um passo à frente.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$172.787,62 0,64% 7,24%
IFIX R$3.833,57 0,18% 1,45%
JBSS3 R$63,44 1,42% -19,83%
BEEF3 R$3,51 -0,85% -39,06%
MBRF3 R$16,94 -5,89% -15,22%
AGRO3 R$18,33 0,94% -8,07%
SNAG11 R$9,89 -1,88% -10,90%
RURA11 R$8,26 0,73% -3,73%
Ethereum US$1,697.52 4,22% -43,18%
Bitcoin US$61,490.70 1,22% -30,40%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

A empresa nova que a Bayer criou só pra brigar

Fonte: Giphy

Botar o problema num quarto separado da casa não faz ele sumir, mas ajuda a dormir melhor. Foi mais ou menos isso que a Bayer fez com o glifosato na quarta à noite.

A alemã anunciou que vai jogar toda a operação do Roundup nos Estados Unidos, produção, preço, venda e as brigas na Justiça, pra dentro de uma empresa novinha, a Ruveon. O mercado leu como blindagem e gostou. As ações subiram até 5,7% em Frankfurt na manhã seguinte, acumulando quase 40% no ano.

O timing não é coincidência. Uma semana antes, a Suprema Corte americana tinha dado à empresa a maior vitória nos processos que ligam o herbicida a casos de câncer, uma queda de braço que já dura mais de dez anos e custou mais de US$ 10 bilhões à companhia. Separar o glifosato num CNPJ próprio deixa mais fácil vender ou isolar esse abacaxi se a coisa apertar de novo.

E a recém-nascida já saiu de casa dando patada. No primeiro dia de vida, a Ruveon pediu às autoridades dos EUA uma investigação antidumping contra o glifosato chinês, alegando que a China vende subsidiado a um preço "que nenhum produtor não subsidiado consegue igualar". Bem-vinda ao mundo, filha.

Só que os analistas de banco farejaram outra coisa no ar, a velha novela de uma cisão da divisão agrícola inteira, que a Bayer insiste em negar. Pro investidor, fica a dúvida, reorganização de contabilidade ou primeiro capítulo de um divórcio já anunciado?

QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU

O que a Piracanjuba foi fazer em Alagoas

Fonte: Globo Rural

Tem empresa que cresce comprando pasto. Tem empresa que cresce comprando queijo. O Grupo Piracanjuba é do segundo time.

Com o aval do Cade saindo na quarta, a dona do leite condensado fechou a compra do Laticínio Sertão, fábrica em Monteirópolis (AL) especializada em queijo coalho, muçarela, provolone e companhia. Com ela, a companhia chega a 12 plantas industriais no país e finca bandeira mais firme no Nordeste.

O negócio tinha sido anunciado em maio e agora virou realidade. O contrato prevê a transferência integral do controle, com a promessa de manter os 70 empregos diretos e tocar a produção com a marca Sertão por um tempo, até ela ir, aos poucos, vestindo o uniforme da Piracanjuba. Hoje a distribuição da fábrica se concentra no próprio Nordeste, exatamente a praça que a companhia quer ocupar.

No papo institucional, é "proximidade com o produtor da região" e "evolução do portfólio produzido localmente". Na tradução do balcão, é uma gigante do Centro-Sul plantando o pé numa praça onde o queijo é rei, o mercado de coalho tem gosto próprio e a concorrência local conhece cada cliente pelo nome. Comprar a estrutura pronta é atalho. Manter a freguesia fiel depois que a marca troca de rótulo é outra prova bem mais difícil.

Queijo coalho com sotaque paulista. Falta ver se o freguês aprova.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

A cana e o eucalipto ganharam mais tempo de patente

Fonte: Giphy

Criar uma variedade nova de planta é um dos trabalhos mais lentos do agro. Um clone comercial de eucalipto pode levar de 12 a 20 anos pra ficar pronto, enquanto a árvore em si cresce em seis, sete.

Foi de olho nessa matemática que a Câmara aprovou na quarta o projeto que estica a proteção de algumas cultivares para 25 anos. Vale pra videiras, árvores frutíferas, florestais, ornamentais e cana-de-açúcar, justamente as de ciclo longo, onde a pesquisa demora mais pra dar retorno.

Quem muda e quem fica igual:

  • Perenes e cana — sobem de 18 para 25 anos de proteção.

  • Anuais (soja, milho, feijão, arroz)seguem nos 15 anos de sempre, porque o retorno já vem rápido e mexer nisso encareceria semente e comida.

Pro dono de tecnologia, é mais tempo faturando e mais previsibilidade pra investir. Pro produtor, é semente protegida por mais tempo, o que nem sempre vira preço camarada. O relator garante que buscou "justo equilíbrio" e preservou o pequeno, o floricultor pode seguir trocando muda com o vizinho. Mas quem paga a conta da inovação, no fim, costuma ser quem planta.

O texto ainda volta pro Senado. Patente mais longa protege a pesquisa, mas é no balcão da semente que o produtor vai sentir se o equilíbrio ficou justo mesmo.

PAUTA VERDE

Os caminhões do Paraná que trocaram o diesel pela soja

Fonte: AGFeed

Rodar 100% a biodiesel deixou de ser promessa de feira e virou frota de verdade, pelo menos no Paraná.

Na terça, a Volvo entregou ao Grupo Potencial os caminhões flex que rodam com B100 puro, o combustível feito de soja e milho, com a opção de voltar ao diesel comum se precisar. Com a leva nova, são 31 unidades do Volvo FH B100 Flex rodando pela produtora, que agora chega a 43 caminhões movidos a B100 no total e calcula deixar de jogar mais de 3 mil toneladas de CO₂ no ar por ano.

A Potencial, que já é a maior fábrica de biodiesel em planta única do mundo, está no meio de um ciclo de R$ 6 bilhões em investimentos até 2030 pra esmagar mais soja e produzir etanol de milho e biogás. Trocar a frota por caminhão que polui menos entra na conta de virar uma empresa carbono negativo.

O apetite existe. A montadora já vendeu 300 desses caminhões desde o lançamento, em 2024, e eles saem só cerca de 5% mais caros que o modelo a diesel comum, bem abaixo do elétrico ou do movido a gás.

Aí mora o espinho no meio do talhão. O B100 corta até 90% das emissões, mas hoje a ANP não deixa vender biodiesel puro na bomba do posto. Na prática, esses caminhões abastecem dentro da fábrica e, se a viagem for longa demais pro tanque, voltam pro diesel na estrada. A tecnologia está pronta, a regra é que ainda não acompanhou.

Ou seja, dá pra rodar com o que a fazenda planta, desde que não se afaste muito de casa. Frota limpa esbarrando na burocracia, de novo.

DE OLHO NO PORTO

O passaporte novo da soja brasileira pra China

Fonte: Giphy

Vender soja pra fora não é só encher navio. É provar, papel na mão, que o grão não saiu de mata derrubada.

Nessa quarta, em Xangai, a China lançou um guia de sustentabilidade pra comprar a soja brasileira, e o detalhe que interessa é qual régua ele adotou. Depois de dois anos de conversa técnica puxada pela Aprosoja MT, o documento reconhece a legislação brasileira, o Código Florestal e o CAR, como referência principal, no lugar do "desmatamento zero" genérico que vinha da Moratória da Soja.

Parece burocracia, mas mexe no bolso. Pelo Código Florestal, na Amazônia o produtor preserva 80% da área e usa 20%, tudo dentro da lei. A régua antiga da Moratória barrava até desmate legal feito depois de 2008. Trocar uma pela outra é a diferença entre o sojicultor brasileiro ser tratado como cumpridor da lei ou como suspeito por padrão.

Antes de soltar rojão, um porém. Guia não é contrato, e o Programa Soja Legal entrou como estudo de caso, não como carimbo definitivo. A Aprosoja ainda espera assinar, dia 6 em Pequim, um memorando pra destravar a rastreabilidade. E parte do mercado, a Abiove e 19 tradings saíram da Moratória em janeiro, ainda vai medir se o comprador chinês compra a régua junto com o grão.

No fim, é o freguês reconhecendo a lei do fornecedor. Falta ver se, na hora de pagar, a régua nova vale tanto quanto a antiga assustava.

DEU B.O.

O que 42 frigoríficos vão fazer sem a China

Fonte: Agrolink

Quando o maior comprador enche o carrinho e vai embora, quem fica pra trás precisa decidir o que fazer com a fábrica ligada.

A cota brasileira de carne bovina pra China está chegando no teto, e o levantamento aponta cerca de 42 indústrias habilitadas, uns 67,7% das 62 no total, como as mais expostas à freada das compras chinesas nos próximos meses. São, na maioria, frigoríficos médios e regionais, cooperativas e independentes.

A saída mais provável pra esse grupo é dar férias coletivas no próximo mês, com nomes como Frigol, Iguatemi, Plena e Better Beef já nessa toada, esperando a China reabrir a cota lá por outubro. Quem depende de um cliente só sente mais na pele quando ele levanta da mesa.

Do outro lado do balcão, os grandes respiram melhor. JBS (18 plantas), Minerva (5) e Marfrig (2) têm estrutura em vários países e conseguem desviar embarque pra Uruguai, Argentina ou Estados Unidos. Cota cheia no Brasil não trava quem tem CNPJ vizinho.

Para bom entendedor: a cota da China não é torneira que fecha de vez, é intervalo. Os grandes atravessam o recesso jogando com as filiais lá fora; os pequenos, que vivem da China, param a máquina e torcem pra outubro chegar rápido. Pro pecuarista, o recado vem pela arroba, menos planta comprando hoje é preço pressionado amanhã.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o jogo é pra quem jura que sabe de onde vem a comida. No FoodGuessr aparece um prato do outro lado do mundo e você tem que cravar o país de origem, com três rodadas por dia pra provar que não é só no boteco que você manda bem em geografia. Pra galera do agro cai que nem uma luva, todo prato começa num campo e num produtor de algum canto do planeta, então cada palpite é meio que rastrear a cadeia de trás pra frente. Começa pelos sabores que você reconhece de olho fechado.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: é o Paraná que segura a coroa, sozinho o estado responde por cerca de um terço de todo o frango produzido no Brasil e ainda puxa a fila das exportações.

Pergunta de hoje: qual é o segundo grão mais plantado no Brasil, logo atrás da soja?


A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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