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Bom dia!
Hoje a edição passa por uma 3tentos com lucro recorde, por pesquisa no oeste da Bahia tentando deixar a soja mais preparada pra aguentar o clima e por números que ajudam a entender como o agro se mexeu em fevereiro. No meio disso, tem empresa redesenhando operação pra ganhar fôlego, abelha entrando na lógica da polinização monitorada e um Plantão Rural com fertilizante, ferrugem, cana e decisão lá fora que pode pesar no bolso de quem importa e exporta.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
3tentos bate lucro recorde e bota o pé no acelerador em soja, biodiesel e etanol

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A 3tentos fechou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 808,7 milhões, alta de 6,9% na comparação anual, e jogou essa conta na prateleira da diversificação. A empresa, que completa 30 anos em 2026, vem empilhando serviços e fontes de receita como quem monta um combo completo, do grão ao combustível, com loja no caminho.
Só que o 4º trimestre veio mais amassado. O lucro líquido caiu 39,4% e ficou em R$ 82,4 milhões, mesmo com a receita operacional líquida do ano subindo 28,1% e chegando a R$ 16,4 bilhões. No trimestre, a receita avançou 13,3%, pra R$ 4,4 bilhões, naquele roteiro em que o faturamento cresce, mas a margem resolve fazer greve.
A empresa também abriu a mão, mas com disciplina. O Capex de 2025 foi o maior da história, R$ 1,7 bilhão, mirando expansão de processamento de soja, produção de biodiesel, abertura de lojas e a 1ª indústria de etanol no Vale do Araguaia (MT). No 3tentos Day, em dezembro, ainda entrou no mapa uma 2ª planta de etanol em Redenção (PA) e a entrada em 4 novos estados, Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais, com plano de abrir até 10 lojas ao longo de 2026.
MENTES QUE GERMINAM
Pesquisador do oeste da Bahia tira ciência do papel mirando soja mais resistente ao clima

Foto: Reprodução/Canal Rural
No oeste da Bahia, onde o clima adora testar a paciência do produtor, o engenheiro agrônomo e pesquisador Ricardo Andrade tá tentando deixa a soja mais preparada pra seca e outros B.Os. Indicado ao Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26, ele trabalha desenvolvendo tecnologias pra manter a produtividade no alto mesmo quando a natureza quer se fazer de difícil.
Nascido em uma família de pequenos produtores e criado na roça, Andrade tá em Luís Eduardo Magalhães (BA) desde 2007 e virou uma espécie de tradutor oficial da fisiologia vegetal pro dia-a-dia do campo. O foco da pesquisa dele é manejo e fisiologia das plantas, principalmente pra mitigar estresses como seca, que, nos últimos anos, virou personagem fixo da safra.
E o cenário tá exigindo mais do que fé e calendário. As mudanças climáticas e as adversidades dos últimos anos tão empurrando a agricultura pra uma fase em que tecnologia deixa de ser um bônus e vira obrigação, pra soja e outras culturas continuarem entregando produtividade alta num ambiente cada vez mais imprevisível. A lógica da fisiologia, segundo ele, é entender como a planta reage ao mundo real e criar técnicas pra ela se adaptar às mudanças constantes.
Só que ele também bate numa tecla que muita gente esquece quando fala em inovação. Educação. Ele defende que mudar o agro passa por formar gente nova, levar conhecimento pra academia e preparar a próxima geração de pesquisadores e agrônomos. E faz questão de lembrar que, por mais que a cadeia seja grande, tudo começa e termina no produtor, que é quem pega a tecnologia e faz ela virar resultado na fazenda.
Na linha do que a equipe vem desenvolvendo, um destaque é o uso de bioestimulantes pra aumentar a tolerância à seca, reduzir os estresses causados por produtos químicos e elevar o potencial produtivo. Ele diz que o que dá gosto de ver é quando uma tecnologia sai do centro de pesquisa e aparece na fazenda, usada de verdade, depois de anos de desenvolvimento, e reforça que o objetivo é pesquisar pras condições imperfeitas, que são as que mandam no campo.
O AGRO EM NÚMEROS
O agro botou US$ 5,14 bilhões no bolso em fevereiro e a soja carregou metade do rolê

Foto: REUTERS/Rodolfo Buhrer
O agro fechou fevereiro com o caixa sorrindo e o MDIC via Secex carimbou o número. Foram US$ 5,14 bilhões exportados, alta de 6,14% na comparação com fevereiro de 2025, e isso representou 19,54% de tudo que o Brasil vendeu no mês, já que o total geral ficou em US$ 26,31 bilhões. A soja puxou o bonde com US$ 2,94 bilhões e 57,15% do setor, o café não torrado veio com US$ 1,02 bilhão e 19,88%, o algodão em bruto fez US$ 413 milhões e 8,04%, o milho entrou com US$ 347,8 milhões e 6,77%, e frutas e nozes não oleaginosas fecharam em US$ 114,6 milhões e 2,23%. E o mapa segue com a Ásia mandando na demanda, com 43,3% das compras e a China levando 27,4% do total do Brasil.
Na carne bovina, a exportação também andou bem em fevereiro. O Brasil faturou US$ 1,33 bilhão com 235,89 mil toneladas embarcadas, com média diária de US$ 73,92 milhões e 13,11 mil toneladas por dia útil. O preço médio ficou em US$ 5,64 mil por tonelada, alta de 14,5% contra fevereiro de 2025, e o valor médio diário disparou 41,8%, com a China comprando menos que em janeiro e abrindo espaço pra outros destinos entrarem no jogo.
No porco, o humor tá bem menos simpático em SP. O suíno vivo fechou fevereiro em média a R$ 6,91 por quilo, queda de 16,1% na comparação com janeiro e de 20% na comparação com fevereiro de 2025, com o Cepea apontando que a indústria puxou o freio nas compras do mercado independente e bagunçou a dança entre oferta e demanda. Enquanto isso, na reposição da pecuária, o bezerro tá se achando estrela, passou de R$ 3 mil por cabeça em boa parte das praças e em MS a parcial de março bateu R$ 3,24 mil, alta acima de 20% em 12 meses.
Na soja, as consultorias tão brigando pra ver quem crava o recorde maior. A Agroconsult subiu a estimativa pra 183,1 milhões de toneladas e a AgResource marcou 182,43 milhões, mesmo já colocando na conta perdas no RS. Mas essa expectativa de recorde vai na contramão de AgRural e StoneX, que recuaram pra 178 milhões e 177,8 milhões. Só o tempo vai dizer quem tava certo.
E o café resolveu lembrar que mercado também tem humor. O arábica caiu 14,3% em fevereiro e ficou em R$ 1,86 mil por saca de 60 kg no indicador Cepea/Esalq, com o pessoal já precificando uma possível safra recorde em 2026/27. Do outro lado da fronteira do grão, a Colômbia veio no sentido contrário e produziu 869 mil sacas de 60 kg em fevereiro, queda de 36%, e exportou 807 mil sacas, recuo de 32%, com chuva atrapalhando a disponibilidade.
E o insumo tá querendo virar notícia todo dia. Com a guerra envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz travado, fertilizante e combustível começaram a subir e o mercado tá falando em aumentos de dezenas de euros por tonelada na Europa, com os EUA vendo cotações saltarem de US$ 516 pra até US$ 683 por tonelada em poucos dias em Nova Orleans. A ureia já ganhou cerca de US$ 80 por tonelada na comparação com o nível antes do conflito, e o medo é o choque durar mais que algumas semanas e empurrar preços pra um replay de 2022.
DE OLHO NO PORTO
FriGol faz parceria em Rondônia e ganha passaporte pra entrar nos EUA

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A FriGol fechou um contrato de prestação de serviços de industrialização com a DistriBoi, de Rondônia, e colocou 2 plantas no pacote, Ji-Paraná e Rolim de Moura. O pulo do gato tá em Rolim de Moura, que já é habilitada pra exportar pros Estados Unidos, o que abre caminho pra FriGol começar a vender carne bovina por lá sem precisar reinventar a roda nem esperar mil anos de burocracia.
No desenho do acordo, assinado no dia 3, a FriGol fica com a parte que mexe no bolso e no mercado. Ela compra os animais e comercializa os produtos, enquanto a DistriBoi faz o serviço pesado, abate, desossa e processamento nas 2 unidades. Ou seja, a FriGol entra com o boi e a venda, e a DistriBoi entra com a faca e a linha de produção.
De quebra, as plantas da DistriBoi também são habilitadas pra outros mercados onde a FriGol já opera, como China, Israel, Chile e Canadá, então a parceria não serve só pra carimbar EUA no passaporte. E esse movimento não veio do nada, em janeiro a FriGol já tinha fechado outra parceria em Rondônia com o frigorífico RioBeef, também em Ji-Paraná, sinal de que o plano é ganhar escala com eficiência e manter o caixa no cabresto enquanto expande.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Beeflow quer treinar abelha no Brasil e vender polinização inteligente

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A Beeflow, que é uma startup argentina fundada em 2016 e que hoje tem base lá na Califórnia depois de passar pela IndieBio, tá montando operação no Brasil pra vender um serviço que parece coisa de filme até você ver que é sério. Eles chamam de polinização 3.0, que é basicamente parar de largar a natureza no automático e começar a gerenciar abelha como se fosse time de campo. Em vez de só jogar colmeia no pomar e rezar, a empresa diz que consegue treinar as abelhas pra priorizarem uma cultura específica durante a florada, com direito a monitoramento em tempo real da atividade das colmeias.
O truque envolve compostos voláteis das flores, que são usados pra condicionar os insetos a focarem na planta certa, e a promessa é de eficiência até 2,7 vezes maior que o modelo tradicional, segundo contas da própria Beeflow. O country manager no Brasil, Felipe Cresciulo, resume o drama que eles querem resolver, o produtor paga pelo serviço e só descobre depois que perdeu 30% ou 40% das colmeias por clima ou outro perrengue. Aqui, a tese é medir, acompanhar e corrigir no meio do caminho, pra abelha não virar variável surpresa.
A estreia brasileira começou pelo Cerrado mineiro, com testes em laranja entre 2022 e 2023 pra medir o tal do pegamento, que é a porcentagem de flor que vira fruto. Em condição normal, gira em torno de 28% e, com polinização manual, pode chegar a 40%, então a Beeflow foi atrás de mostrar que dá pra puxar ainda mais esse ponteiro com polinização direcionada. Depois de projetos comerciais em 2024 e 2025 na laranja, o foco agora vira café, tanto arábica quanto conilon, de olho em escalar de verdade.
E escala é o que não falta. O Brasil tem cerca de 2 milhões de hectares de café arábica e 400 mil hectares de conilon, que vem expandindo cerca de 6% ao ano, e a empresa aposta que acertar o produto nessas lavouras muda o jogo na América Latina. A empresa também tá de olho em maçã, melão e outras frutas e hortaliças, e até joga no radar culturas como soja e girassol pra mais pra frente, com um modelo de cobrança por hectare que inclui colmeias via parceria com apicultores locais, mais monitoramento e gestão da polinização.
COLHENDO CAPITAL
Cocamar assume 9 unidades da Belagrícola

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A Belagrícola tá fazendo o que pode pra melhorar a própria situação, que não tá fácil. Enquanto briga na Justiça do Paraná pra manter de pé a proposta de reestruturação via recuperação extrajudicial, a empresa deu mais um passo no plano de reduzir a sua atuação no mercado de grãos, que hoje parece mais dor de cabeça do que solução pra eles.
Seguindo uma linha de menos armazém e mais fôlego, a empresa fechou com a Cocamar, cooperativa de Maringá, o arrendamento de 7 unidades de recebimento e armazenagem em São Paulo. Entram Nantes, Iepê, Cruzália, Assis, Cândido Mota, Palmital e Ribeirão do Sul, e quem passa a operar tudo é a Cocamar. O movimento tá alinhado ao que o novo CEO, Eron Martins, já tinha dito que vinha por aí quando assumiu o comando em 23 de fevereiro.
A diferença do movimento agora é o modelo. No mês passado, a Belagrícola tinha feito contratos com cooperativas como Coamo e Lar envolvendo 19 unidades no Paraná, mas mantendo o serviço. Desta vez, ela repassa a operação mesmo, e a Cocamar fica responsável pelo recebimento e armazenagem dos grãos ligados a barter e contratos já firmados com produtores. No pacote, a cooperativa ainda assume 2 unidades no Paraná, em Sertaneja e Santa Mariana, que eram arrendadas pela Belagrícola e foram devolvidas ao proprietário antes de serem realugadas pra Cocamar.
Mesmo saindo do volante da armazenagem, a Belagrícola não quer desaparecer do mapa do produtor. A empresa deve manter a venda de insumos e a assistência técnica em endereços diferentes nas cidades paulistas e em Sertaneja. No contexto geral, a tendência é transformar armazenagem em caixa e se desfazer de ativos pra levantar capital e cumprir o que tá prometido no plano da recuperação extrajudicial, com as próprias cooperativas já aparecendo como potenciais compradoras.
Enquanto isso, a companhia prepara recurso contra a decisão judicial que travou a recuperação extrajudicial do grupo e quer mostrar que tem apoio de boa parte dos credores que, segundo apuração, já representariam mais de 50% dos R$ 2,2 bilhões da dívida listada, usando como referência um caso semelhante em que a Lavoro conseguiu reverter o bloqueio.
PLANTÃO RURAL
Yara abre CD novo no RS. A Yara inaugurou em Cruz Alta (RS) um centro de distribuição com capacidade anual de 100 mil toneladas de fertilizantes e estoque estático de 16 mil toneladas em big bags. O armazém fica dedicado às linhas de alta tecnologia e abriu 10 vagas diretas.
S&P aperta a Raízen. A S&P rebaixou o rating da Raízen de CCC+ pra CCC- e manteve perspectiva negativa, citando reorganização de capital com aporte de R$ 4 bilhões, venda de ativos e possível conversão de dívida em ações. Mesmo com R$ 17 bilhões em caixa, a agência vê fluxo de caixa negativo nos próximos trimestres.
Ferrugem passa de 325 casos. O Consórcio Antiferrugem confirmou 325 ocorrências de ferrugem asiática no Brasil, com o Paraná liderando com 156, seguido por MS com 69 e RS com 58. A Embrapa Instrumentação com a UFSCar colocou no radar uma plataforma em nuvem com IA e dados climáticos pra antecipar risco e afinar o manejo.
Gestante fora do barulho no frigorífico. O MPT firmou acordo com a MBRF sobre aquela polêmica com trabalhadoras gestantes que sofreram abortos supostamente causados por condições de trabalho (a gente falou disso na edição de segunda). A resolução vem com afastamento imediato de áreas com ruído a partir de 80 decibéis e realocação sem perda salarial. Se descumprir, o acordo prevê multa de R$ 50 mil por irregularidade e R$ 20 mil por trabalhadora prejudicada.
Tarifaço vira reembolso nos EUA. O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA mandou a Alfândega começar a processar reembolsos com juros de tarifas consideradas ilegais após decisão da Suprema Corte. A Alfândega disse que a escala é inédita e pode envolver revisão manual de mais de 70 milhões de entradas.
CTC lança cana pra render mais. O CTC lançou duas novas variedades de cana, a Advana2 e a Tecna3902, mirando produtividade maior num ano de açúcar com preço mais baixo e manejo mais fino. Uma mira ambientes mais restritivos e a outra foca nas regiões paulistas de Ribeirão Preto, Piracicaba, São Carlos e Assis.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Baru
Pergunta de hoje: Qual palmeira do Maranhão sustenta cadeias de óleo, farinha e carvão ativado artesanal?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
