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Bom dia!
Meio da semana, e a conversa do agro já mudou de assunto desde ontem. Cinco minutinhos aqui e você sai sabendo o principal que mexe no seu bolso. A chuva que o Sul e São Paulo esperavam já tem dia marcado no calendário. A colheita do café no Cerrado fechou quase inteira, e o que sobrou no chão conta outra história. O enxofre deu uma trégua no preço, mas o alívio não é o que parece. E, enquanto meio país renegocia com o banco, alguém no Cerrado comprou terra de quem precisava vender, e já disse quanto vai plantar a mais. Ainda tem manchete de sobra rolando mais pra baixo.
Pra você abrir o dia sabendo por onde a conversa vai.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O Ibovespa destoou e subiu na contramão de Wall Street com o cenário eleitoral empurrando, na mesma sessão a Embrapa escapou de privatização numa sabatina sobre agro, mas humor de pregão não barra a próxima parcela de insumo vindo do Golfo.
O MAPA DO AGRO
Enquanto o vizinho renegocia, a Bom Futuro planta mais 17 mil hectares

Fonte: Tenor
Tem gente lendo o balanço do crédito rural e adiando trator. E tem gente dobrando a aposta. A Bom Futuro, dos irmãos Maggi Scheffer, vai levar a soja de 353 mil hectares colhidos em 2025/26 para perto de 370 mil em 2026/27. O número é da própria Bom Futuro.
De onde vem a terra? Do lado de quem precisou vender. A Cosan se desfez em julho de 41,2 mil hectares físicos da Radar no Cerrado, 28 mil deles agricultáveis, para abater uma dívida que ela mesma estima em R$ 11,5 bilhões. Os arrendatários tinham preferência, SLC e Bom Futuro, e os dois exerceram, a gente contou em julho. Agora a parte da Bom Futuro, uns 18,7 mil hectares, começa a entrar na conta: o que está sem contrato entra já, o resto conforme os arrendamentos forem vencendo.
Vale a ressalva. Os 370 mil dependem da chuva em Mato Grosso, que começou na semana passada, e o próprio grupo diz que a incorporação é gradual, sem dizer quanto entra nesta safra. El Niño no horizonte a empresa responde com 44 anos de casa, o que é confiança, não número.
Terra no Cerrado está trocando de mão de quem deve para quem tem caixa, e os dois maiores operadores do país estão do lado que compra. Quem arrenda perto deles vai renovar contrato com um vizinho maior. E o mercado de semente, adubo e máquina de 2026/27 já sabe onde mora um pedaço da demanda nova.
A CONTA DA LAVOURA
O desconto do enxofre é menor do que parece

Fonte: CNN Brasil
Imagina o insumo que você compra cair quase 10% numa semana e ainda custar mais que o triplo do ano passado. É o enxofre agora. Nesta semana, a cotação em porto brasileiro recuou mais de US$ 100 por tonelada e ficou acima de US$ 1.000 a tonelada.
Mesmo depois da queda, o preço da semana está cerca de 230% acima de um ano atrás. Quase 10% de desconto em cima do triplo, oferta que nem grupo de família repassa. E o Brasil compra pela metade, importações de janeiro a agosto 50% abaixo do volume do ano passado. Enxofre é matéria-prima do fosfatado, a conta chega no seu adubo de plantio.
Fala-se em Cazaquistão voltando a exportar, em Rússia voltando, e de data confirmada, nem sinal. A fonte trata tudo como rumor. E a oferta segue curta. O subsídio de R$ 2 bilhões que o setor pediu em agosto você já acompanhou aqui. Hoje o assunto é preço.
Se você esperava o normal voltar, o normal ficou em 2025. Com o país importando metade, quem deixou pra última hora disputa produto que tem menos. Preço que cai um degrau e continua no triplo não é barato, é menos caro. E a queda da semana é janela, não tendência, ninguém garante que fica aberta.
DE OLHO NO PORTO
A soja de Mato Grosso não sumiu, só embarcou antes

Fonte: Giphy
Mato Grosso ficou pra trás na soja? O número do mês dá vontade de dizer que sim. A fatia do estado no embarque brasileiro de soja em grão caiu pela metade em um mês, de 27,06% em julho para 14,42% em agosto.
Em toneladas, o estado embarcou 1,41 milhão em agosto, 61% menos do que em julho, enquanto o Brasil inteiro caiu 26,8%. O país desacelerou. Mato Grosso freou. Que, convenhamos, assusta quem olha só o gráfico, e a gente olhou.
Só que a resposta pra pergunta lá de cima é não. Agosto é fim de janela de embarque da safra mato-grossense, o grão que ia pro porto já foi e o que sobrou disputa com o esmagamento aqui dentro. Convidado que chegou cedo no churrasco já comeu. O embarque nacional de agosto cresceu 5,2% sobre um ano antes, e o acumulado do ano, 92,79 milhões de toneladas, está 7,2% acima de 2025. Ninguém perdeu comprador.
Pra você muda a origem física do embarque, muda a conta de frete, armazém e quem ainda tem grão pra fechar em setembro. Perda de mercado você pode descartar, a migração é sazonal antes de ser estrutural. Mato Grosso não perdeu mercado. Ele só chegou primeiro.
POR DENTRO DO MERCADO
O algodão bom de preço e ruim de fechar

Fonte: Agrolink
Agosto tratou bem quem tem pluma em Mato Grosso, pelo menos na arroba. O produtor negociou a safra 2025/26 a R$ 140,46 por arroba, 8,43% acima de julho. A safra atual já tem 75,52% da produção estimada vendida.
A safra que ele já tem na mão avançou só 1,52 ponto percentual no mês. A 2026/27, que ele ainda não colheu, avançou 6,61 pontos e já tem 39,34% da produção estimada vendida. Pré-venda batendo a bilheteria de filme que nem estreou.
O que segura a venda é a qualidade, a fibra afetada pela chuva preocupa e limita contrato. É preocupação declarada, não quebra medida, sem percentual de lote fora do padrão nem desconto no preço. Em Nova York, o dezembro fechou praticamente parado na terça, −0,01%, a 86,32 centavos por libra. Alta do físico, não do papel.
Tem algodão da safra atual pra vender? O preço está do seu lado. A fibra, que o comprador olha primeiro, talvez não. Quem travou quase 40% da safra que vem fixou preço em pluma que nem nasceu, ótimo só se a chuva colaborar. Preço bom com fibra ruim é dinheiro na tabela, não no caixa. Por enquanto, preocupação de boletim, não desconto de nota.
PLANTÃO RURAL
A chuva desta semana tem hora marcada no Sul e em São Paulo: o boletim do Inmet para 8 a 15 de setembro projeta acumulados acima de 100 mm no Paraná, em Santa Catarina, no extremo norte do Rio Grande do Sul e no centro-sul de São Paulo, com os maiores volumes entre quinta e sexta.
O recorde da soja 26/27 vem do tamanho da área, não da lavoura: a StoneX projeta 183,5 milhões de toneladas, 0,5% acima de 2025/26, com a área subindo 0,8%, para 49,5 milhões de hectares, e a produtividade caindo de 3,72 para 3,71 toneladas por hectare.
A auditoria europeia foi bem e mesmo assim não adiantou a data: com o controle de antimicrobianos em aves e mel considerado satisfatório pelos auditores da Comissão Europeia, a decisão sobre a relistagem fica para a reunião do SCoPAFF em novembro.
A colheita do Cerrado terminou bem e a qualidade do lote não: na área da Expocacer, 96% da safra estava colhida até 4 de setembro, com cerca de 30% da produção caída no chão e catação média acima de 20%.
O recorde de milho de Mato Grosso já tem prazo de validade no próprio instituto: o estado colheu 130,11 sacas por hectare em 2025/26, contra 127,01 projetadas na Argentina, com o Imea prevendo 119,64 sacas em 2026/27, 8,05% menos.
O frango de agosto ganhou muito mais em dinheiro do que em carne: os embarques subiram 22,59%, para 457.989 toneladas na base Secex in natura, com a receita avançando 40,51%, para US$ 919,7 milhões.
SE DIVERTE AÍ
No agro o caminho mais curto quase nunca é reto: a saca sai do talhão e dá volta até virar preço. O Torto, da Coquetel das revistinhas de banca, é isso em jogo: uma grade de letras onde você liga cada uma na vizinha, em qualquer direção, sem repetir letra, e anota toda palavra de quatro letras pra cima que achar.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: 159 litros, ou 42 galões americanos. A US$ 100 o barril, dá US$ 0,63 o litro.
Pergunta de hoje: quantos grãos vêm dentro de cada fruto do cafeeiro?
A resposta você confere na próxima edição!
