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Bom dia!
Quem faz compra de segunda-feira olha primeiro a data no rótulo, e o agro amanheceu com a etiqueta virada para cima em tudo que interessa, então pega o café que em cinco minutinhos a gente confere o que ainda vale. O milho de Mato Grosso valeu mais em agosto do que valia em julho, com o produtor segurando a venda, a cooperativa do Paraná decidiu que a fábrica de óleo dela venceu pequena e vai dobrar, a cota de carne ganhou data de validade em quatro balcões ao mesmo tempo, e um inseticida de prateleira teve o registro vencido pelo ministério antes do prazo impresso no galão. Descendo a página tem mais etiqueta virada te esperando.
Pra você começar a semana sabendo o que ainda vale e o que já venceu.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
ASSUNTO DE GABINETE
O Engeo Pleno venceu antes do prazo de validade

Fonte: Syngenta
Confira a data no galão antes de ler o resto. O Ministério da Agricultura cancelou o registro do inseticida Engeo Pleno, da Syngenta, em ato publicado no Diário Oficial de sexta, e o que já está no seu galpão continua valendo até o fim da validade impressa na embalagem; o que acabou foi o direito de fabricar, importar e vender mais.
O processo foi aberto em 2021 e terminou na comissão de recursos do próprio ministério, que deu razão em parte à Syngenta e mesmo assim negou o pedido final, esgotando o recurso. A lei que sustenta o cancelamento fala em fraude ou modificação não autorizada na fórmula e nas condições de fabricação, e o ato não diz qual das duas foi. O produto tem validade impressa; o motivo, não.
Quem contou foi a imprensa especializada a partir do Diário Oficial, e a Syngenta não aparece falando em nenhuma cobertura. O que o ato cassa é o registro de número 06105, e é por esse número, não pelo nome de fantasia, que o ministério reconhece o que pode ir para a lavoura.
Para quem tem estoque, a data que manda é a da embalagem. Para quem ia comprar, o nome continua na prateleira; o que venceu foi o papel que ficava atrás dele.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Vibra comprou etanol de quem senta no conselho dela

Fonte: Giphy
A Vibra vai comprar etanol anidro da Inpasa até maio de 2029 num contrato que ela mesma estima em R$ 1,28 bilhão, assinado no dia 15 e valendo desde junho, para cumprir uma obrigação regulatória de distribuidora e a necessidade de abastecer a própria operação.
O detalhe está em quem assina. O diretor-presidente da Inpasa, Éder Odvar Lopes, tem cadeira no conselho de administração da Vibra, e por isso a própria companhia classifica o negócio como transação entre partes relacionadas, com a ressalva de que a Inpasa entrou só como fornecedora e que a contraparte e seus sócios não participaram da decisão do lado comprador. É a empresa olhando no espelho e garantindo que o reflexo ficou de fora da conversa.
O preço, diz a Vibra, saiu em condições compatíveis com as de mercado, e não foi constituída garantia específica para a operação. Tudo isso vem do comunicado que a própria Vibra mandou ao mercado, e nenhuma cobertura até aqui traz alguém de fora conferindo o preço, ou seja, quem garante que o espelho não opinou é o mesmo rosto que aparece nele.
Para quem vende etanol para distribuidora, três anos de anidro acabaram de sair da mesa com um fornecedor de dentro de casa, e a referência de preço desse contrato, por enquanto, é a palavra de quem comprou.
DE OLHO NO PORTO
Senha de padaria pra carne

Fonte: Giphy
A cota da China para a carne bovina é a novela que contamos na semana passada; o capítulo de hoje é a senha nos outros balcões.
Os Estados Unidos abriram uma fatia mensal de cem mil toneladas livre da tarifa de 26,4%, e até o dia 14 pouco mais de um quinto da fatia de setembro estava usada, na conta da Abrafrigo, que representa os frigoríficos e é quem mais quer mostrar que a válvula funciona. A senha vence no fim do mês, porque o que não embarcar em setembro não passa para outubro, e vale só para aparas de carne magra, não para o boi inteiro.
No balcão vizinho, a Argentina já pegou senha demais: os frigoríficos de lá pediram certificado para mais carne do que resta na cota anual de cem mil toneladas dos Estados Unidos, com o quarto trimestre ainda por começar. Senha pedida não é carne embarcada, e a própria matéria lembra que parte do volume ainda está a caminho.
Do outro lado do Pacífico, o USDA prevê as Filipinas comprando 2,4% mais carne bovina em 2027, com o Brasil entre os fornecedores baratos, a Índia crescendo com búfalo mais barato ainda e a Austrália entrando sem tarifa. E a China, a senha que a Abiec avisa que acaba até abril, só volta a chamar em novembro.
Para quem decide o que engorda para o começo de 2027, o balcão americano paga por mês e não guarda senha, o argentino já está cheio, o filipino abre devagar e o chinês tem hora para fechar. O painel está aceso em quatro lugares, e nenhum deles é o seu curral.
A CONTA CHEGOU
A renegociação está pingando

Fonte: Giphy
Contamos na terça que a renegociação existia no papel e não tinha chegado ao produtor. Agora tem número. Até o dia 16, a Medida Provisória das dívidas rurais tinha R$ 3,19 bilhões contratados, em 17,9 mil operações renegociadas e 10,8 mil novas, a uma taxa média de 8,56% ao ano, no levantamento apresentado à câmara de crédito da CNA nesta semana. A torneira abriu, e é esse o volume que pingou em dois meses.
O balde embaixo dela é de outro tamanho. A carteira de crédito rural tinha em julho R$ 207 bilhões em operações problemáticas, quase um quarto do total, no dado do Banco Central que a Frente Parlamentar da Agropecuária pôs ao lado do agro caindo 1,2% em julho na prévia do PIB. São medidas diferentes, uma do que já foi renegociado e outra do que está atrasado, e é justamente por isso que uma cabe dentro da outra tantas vezes.
Por que pinga, quem explica é o Paraná. A Faep ouviu produtores de quatro regiões e voltou com a lista: banco pedindo garantia a mais, juro de 18% a 19% ao ano em cima de contratos que nasceram entre 14% e 16%, exigência de já estar inadimplente em maio quando a maioria das parcelas venceu entre junho e agosto, e, numa das cidades ouvidas, só uma em cada oito propostas aceita. A CNA pediu ao governo que ajuste o rumo da medida, e a Aprosoja de Mato Grosso levou a ideia de um fundo garantidor.
Vale lembrar quem está contando: CNA, Faep e Frente Parlamentar falam pelo produtor e têm interesse em mostrar que a torneira pinga. O número do que foi contratado é o mesmo que a CNA levou para a reunião, e é ele que dá o tamanho do pingo. Se você tem parcela vencida entre junho e agosto, o prazo de adesão vai até 12 de novembro, e a fila, pelo relato do Paraná, anda no ritmo do banco.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Desce cheio, sobe seco

Fonte: Revista Cultivar
O El Niño que roda desde março deve chegar à categoria muito forte no trimestre que começa em dez dias, com 98% de chance no prognóstico que Inmet, Cptec e Funceme soltaram para a primavera, e possivelmente entre os mais intensos desde 1950. É a gangorra do clima brasileiro: o mesmo empurrão no Pacífico que desce um lado cheio de chuva sobe o outro seco.
Do lado que desce, ficam o Sul e boa parte do Sudeste. São Paulo já acumulou mais de 300 milímetros em quinze dias de setembro, com granizo e vento, e as frentes frias seguem chegando com risco de geada na serra e solo encharcado atrapalhando máquina.
Do lado que sobe, ficam o Norte, o Nordeste e o alto do Centro-Oeste, com termômetro entre 38°C e 40°C em Mato Grosso e Goiás, 37°C a 39°C no interior do Nordeste, e déficit de chuva se espalhando pelo Centro-Norte, Nordeste e Norte, segundo o mapa regional do prognóstico Inmet/Cptec/Funceme. Na Amazônia, o Cemaden avisa que o rio sobe seco há anos seguidos, com o Xingu na vazão de agosto de 2023 e Belo Monte autorizada a operar com 100 metros cúbicos por segundo até o fim de novembro, e Amazônia e Pantanal entram na lista de risco de fogo.
A ressalva vem de quem mede o tamanho da descida: o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, diz que a intensidade no Pacífico não se traduz na mesma proporção em cada lado da gangorra. O Sul pode descer de novo, mas não é o mesmo tombo de 2023, porque quem mede garante que o peso não é o mesmo. Ufa.
SAFRA DE CIFRAS
Quatro safras, um bastão

Fonte: Giphy
É o revezamento da semana no campo, com quatro culturas passando o bastão em pontos diferentes da pista.
O algodão de Mato Grosso cruzou a linha: o Imea deu a colheita por 100% concluída na sexta 11, um pouco à frente da média dos últimos cinco anos, num boletim que sai do Sistema Famato, a casa dos produtores que colheram.
O milho está na última curva. A safrinha chegou a 98,1% colhida no país, e na mesma semana a primeira safra 2026/27 já estava quase um quinto plantada, à frente do ano passado, com o Rio Grande do Sul passando da metade e chuva atrapalhando a semeadura em Santa Catarina e no Paraná, na conta da Agrifatto sobre dados da Conab.
O café arábica do Cerrado Mineiro também cruzou, 99% colhido até o dia 11 e com rendimento entre os melhores dos últimos anos, na leitura da Expocacer, que já olha para a florada e teme que o El Niño desuniformize a próxima safra.
E a soja pegou o bastão: Mato Grosso plantou 1,15% da área no primeiro informe da safra 2026/27, o dobro do mesmo ponto do ano passado e acima da média de cinco anos, em treze milhões de hectares projetados. É a largada mais cedo que a média, num ano em que o clima prometido é o de El Niño forte: o bastão passou para quem corre olhando o céu.
PLANTÃO RURAL
O milho de Sorriso subiu 12% em agosto e chegou a R$ 47 a saca: com produtor segurando oferta, câmbio a favor e lavoura americana pior que a do ano passado, na leitura do Itaú BBA.
A Coamo vai gastar R$ 500 milhões para dobrar a fábrica de óleo de Paranaguá: de 2 mil para 5 mil toneladas por dia, com R$ 300 milhões ainda dependendo da assembleia de fevereiro.
O diesel fechou a semana no maior preço desde maio: R$ 7,13 o litro do S-10 na ANP, alta de 2,3% na semana, puxada pelo petróleo internacional em meio aos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, depois de dias em que a defasagem da Petrobras já batia recorde e importadores adiavam compra para outubro.
O Brasil virou fiador da comida do mundo e paga em dólar pelo adubo: o índice de alimentos da FAO subiu 1,9% em agosto, e o país importa cerca de 85% do fertilizante que usa.
A Cofco trocou o chefe do café no Brasil depois de um semestre de perda: Artur Ornelas assume no lugar de Octavio Pires, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg; a empresa não comentou.
Uma família de Castro tira 6.900 litros de leite por dia sem dever ao banco: 175 vacas em lactação e quarenta anos de reinvestimento com capital próprio, em reportagem feita a convite da Elanco.
O caju virou renda para 107 produtores no semiárido do Ceará: com 10 mil mudas distribuídas e R$ 100 mil da fundação da AGCO, junto com os Amigos do Bem.
O Senar levou cinema a crianças de um distrito de Tangará da Serra: sessão de "Harold e o Lápis Mágico" numa escola estadual de São Jorge, em ação contada pelo próprio Senar.
DIVIRTA-SE
A cada hora o Jogo da Forca troca de tema e sorteia uma palavra nova para descobrir letra por letra, com a corda esperando cada erro. Abri agora e o tema era legume, uma fileira de traços esperando a primeira letra certa, sem nenhuma pista além do assunto revelado. O Jogo da Forca está com uma palavra fresca à espera da sua primeira letra.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: pingo, o fermento natural que o queijeiro mineiro tira do soro de um dia pra coalhar o leite do dia seguinte, guardando a mesma cultura de bactérias da fazenda.
Pergunta de hoje: o que é uma debênture, e para que serve?
A resposta você confere na próxima edição!

