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Bom dia!
Na xícara de hoje, Brasília reabriu os trabalhos com uma treta grande no acordo Mercosu-UE, o Sul entra no forno enquanto o resto do país flerta com tempestade e ciclone, uma vacina em spray contra gripe aviária chama atenção lá fora, fertilizante e frete dão sinal de alta e a IA cutuca o mercado de trabalho. SP vira palco de investigação sobre fazenda de pesquisa e de pressão por tilápia importada, e o Plantão Rural chega com concurso na Bahia, consolidação no frango, números da proteína lá no Oriente Médio e uma estreia brasileira que pode mexer com ração e exportação.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Quem vai segurar essa bucha?

Foto: Gustavo Magalhães/MRE
O Congresso voltou do recesso com os dois pés na porta e a Frente Parlamentar da Agropecuária já chegou avisando que o acordo Mercosul-UE não vai passar na correria não. O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), disse que o texto principal até desce redondo, mas que o problema tá nos adicionais que vieram depois. A bancada curte a ideia do acordo, só não quer assinar no impulso e descobrir depois que a conta caiu no colo do produtor.
O ponto que tá travando o rolê são as salvaguardas colocadas do lado europeu, vistas pela FPA como uma cilada. O medo é a União Europeia ativar do nada esses mecanismos que suspendem benefícios tarifários e cotas, com gatilhos automáticos baseados em volume e preço, sem precisar provar nada.
Por isso a conversa agora tá menos pra voto e mais pra revisar esse textão todo. O grupo fala em criar medidas internas pra proteger o produtor sem mexer no tratado, com a Camex entrando como parte do escudo e com a Lei de Reciprocidade Econômica aparecendo como carta na manga se o parceiro resolver jogar pesado. A ideia é, se apertarem lá, o Brasil precisa ter como responder aqui de bate-pronto.
E o timing já virou pauta também. Lula mandou o texto pro Congresso pedindo pressa e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), falou em votar depois do Carnaval, na última semana de fevereiro, só que a FPA tá reforçando que quer ir na maciota com esse rolê. Lupion disse que não vê maturidade pra correr com isso agora e ainda tem incerteza até sobre como vai ser a tramitação. Teve até uma reunião da bancada com gente da CNA, como Sueme Mori, e com o embaixador do Brasil na União Europeia, Pedro Miguel, justamente pra tentar destrinchar as pegadinhas dessas salvaguardas, mas sem nenhuma conclusão por enquanto.
RADAR SANITÁRIO
Vacina em spray

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Lá nos Estados Unidos, pesquisadores da Washington University School of Medicine testaram uma vacina nasal contra gripe aviária e o resultado tá animando os pesquisadores. Em camundongos e hamsters, o imunizante segurou o vírus na porta, sem deixar ele se instalar no nariz nem descer pros pulmões, e ainda cortou a transmissão. O estudo saiu na Cell Reports Medicine e ganha peso num mundo em que o vírus vem fazendo participações especiais desde 2014, pulando de ave silvestre pra animal de produção e, de vez em quando, tentando dar as caras em humanos.
O pulo do gato tá no endereço. Em vez de só dar um treino mais geral pra defesa com a injeção, a fórmula nasal trabalha direto nas vias aéreas superiores, o lugar onde o rolê costuma começar, e barra o vírus na porta de entrada mesmo. Só que ainda tá cedo pra comemorar como se fosse lançamento de temporada nova, por enquanto é fase pré-clínica, ou seja, ainda tem estrada até virar algo testado em humanos e aprovado pra uso.
O AGRO EM NÚMEROS
Adubo subiu, frete foi junto e a IA tá de olho na vaga do estagiário

Foto: Nilson Bastian/CD
Janeiro chegou igual vilão de novela das 9 e puxou o preço do fertilizante pelo colarinho. A StoneX deu uma olhada nos portos brasileiros e viu uma alta de até 20% contra janeiro do ano passado, com superfosfatado simples e cloreto de potássio liderando a escalada e a ureia ficando 10% mais cara. E o contexto do mundo explica isso, tem temporada de aplicação no mundo todo, tensão geopolítica e o mercado olhando torto pro Oriente Médio, que é chave pros nitrogenados. E ainda tem os EUA importando forte no começo do ano, a China segurando exportação enquanto resolve focar no próprio prato, e a Índia podendo abrir compra grande e colocar mais lenha nesse fogo.
Saindo do porto e indo pra estrada, tem mais preço querendo subir com força. A Esalq Log tá prevendo que o frete de grãos vai subir uns 20% em fevereiro, o pico do ano, mas ainda um tiquinho abaixo daquela máxima que rolou no começo de 2025. O motivo é bem claro, a retirada da soja do Mato Grosso tá bem acelerada em 2026, e quando começar a correr soja de outros estados nas próximas semanas, o preço alto vai se sustentar por mais tempo. Como o Brasil só tem capacidade pra armazenar 70% da produção, a safra precisa andar no começo mesmo pagando mais caro, e a fiscalização eletrônica do piso do frete pela ANTT entrou no jogo com multa automática, tanto é que em 2025 passou de 68 mil autos e 2026 já tá acima de 35 mil.
E, no meio desse vai e vem de insumo e caminhão, tem a IA tentando fazer milagre dentro das empresas. Um recorte de uma pesquisa da PwC mostrou 33% das empresas do agro dizendo que a IA trouxe aumento de receita, enquanto outros 33% apontaram redução de custos e 48% não viram grande mudança, mesmo com 63% dos CEOs dizendo que inovação tá no centro da estratégia. Só que o efeito colateral tá no RH, já que 60% acham que vai ter uma menor necessidade de profissionais no começo de carreira em 3 anos. Ou seja, estudante vai ter que competir até com IA pra conseguir uma vaguinha de estágio.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Sul no forno e mais um ciclone chegando

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O Inmet apertou o botão vermelho e avisou que o Rio Grande do Sul tá entrando numa onda de calor daquelas que derretem até o bom senso. O alerta começou ontem (3) e vai até sábado (7), com temperatura batendo 5°C acima da média por mais de 5 dias. O pico promete passar dos 40°C e tem cidade que pode beliscar 44°C. Olhando pelo lado bom, pelo menos dá pra ir numa sauna na faixa e sem sair de casa.
Só que o resto do país não tá no mesmo episódio. Enquanto o Sul assa, boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste tão na vibe de instabilidade, com alerta de chuvas fortes, rajadas e granizo, e ainda tem o 4º ciclone de 2026 se organizando na costa pra deixar o roteiro mais caótico e trazer mais emoção. A conta inclui tempestade com chuva de 60 mm por hora, vento de 100 Km/h e risco real de alagamento, queda de árvore e prejuízo no campo. O Mato Grosso do Sul aparece como um dos alvos principais, e no Rio de Janeiro tem cenário de acumulado que pode chegar perto de 200 mm até sábado, principalmente em áreas mais vulneráveis.
DEU B.O.
Cadê a fazenda de pesquisa que tava aqui?

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O MP-SP abriu um inquérito pra entender como 350 hectares de uma fazenda de pesquisa em Pindamonhangaba (SP) foram vendidos. A área, chamada Gleba Brasília, tava na mão do Estado desde 1910 e fazia parte do patrimônio científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. Em outras palavras, não era só terra, era um laboratório a céu aberto.
Quem acendeu o alerta foi a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo. A entidade diz que a transação rolou com discrição demais pra um negócio desse tamanho, sem laudos de avaliação circulando no público, sem vitrine pra outras propostas e sem conversa com a comunidade científica que usa a área, que segundo a APqC deveria ter sido ouvida. No meio do caminho, a venda teria passado pelo Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de SP, administrado pela Singulare, e a compradora foi a SFA Agro, que na época tinha Paulo Skaf e o filho como sócios, pagando R$ 17,1 milhões.
Do lado do governo, a versão é que tá tudo no script da lei. A Secretaria de Agricultura disse que não foi notificada pelo MP e apontou que o imóvel foi integralizado ao fundo em 2019, com base na Lei 16.338/2016, e que a venda foi formalizada em 2024 por R$ 17,1 milhões. A pasta também afirma que o preço ficou 34% acima do laudo oficial e que a operação seguiu os ritos da legislação, ou seja, na versão oficial tá tudo dentro dos conformes.
Agora o MP vai atrás do que todo mundo quer quando aparece uma história assim, meio obscura, as mensagens, os bastidores e a linha do tempo. O promotor cobrou explicações sobre o papo com as instituições científicas, se teve audiência pública, como foi definido o pedaço vendido e se algum convênio ou pesquisa ficou pelo caminho, e o Estado tem 45 dias pra responder. No fundo, é a briga entre dois lados, um quer fazer caixa com imóveis e o outro não quer desmontar laboratório vivo, ainda mais num Estado que já discute vender áreas ligadas ao Instituto Agronômico, ao Instituto Biológico, ao Instituto de Pesca e ao Instituto de Zootecnia.
ASSUNTO DE GABINETE
Peixe BR na bronca com governo de SP

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A Associação Brasileira da Piscicultura bateu na porta do governo de São Paulo nessa terça-feira (3) pedindo 2 coisas bem diretas, suspender a importação de filé de tilápia do Vietnã e arrumar a bagunça tributária que, segundo o setor, tá fazendo a tilápia brasileira nadar contra a corrente. A reunião rolou com o secretário Geraldo Mello Filho e a entidade quer que SP siga o exemplo de Santa Catarina, que em dezembro do ano passado já deu aquele ban nas cargas do tipo vindas de lá, com aval da Justiça.
O medo principal não é frescura nem xenofobia de peixe, é sanidade. A Associação Brasileira da Piscicultura diz que a importação pode abrir a porteira pro TiLV, o Tilapia Lake Virus, um vírus que não tá presente em SP e que, se entrar, pode virar aquele plot twist que ninguém pediu na piscicultura, comprometendo a produção local.
E aí vem o segundo capítulo, que é o imposto fazendo papel de vilão. Hoje, SP cobra ICMS da produção local e do pescado que vem de outros estados brasileiros, mas o filé importado entra isento. A Peixe BR chama isso de distorção concorrencial e quer que o governo pare de cobrar ICMS do produto interestadual enquanto mantém isenção pro importado, ou seja, ajustar o tabuleiro pra competição ficar minimamente justa.
PLANTÃO RURAL
Uber Drone deu ruim. Um cara em Tucumã resolveu usar um drone agrícola de R$ 300 mil como transporte pra buscar água gelada e virou hit com mais de 5 milhões de views. O Sindag não curtiu muito a trend e denunciou pra Anac.
Cannabis medicinal ganha regra. A Anvisa publicou regras pra produção e pesquisa de cannabis medicinal e atualizou o marco de produtos à base da planta. As regras entram em vigor em 6 meses e ampliam usos e públicos, incluindo casos graves como fibromialgia e lúpus.
Concurso no agro. A Bahia abriu 200 vagas na Adab pra reforçar fiscalização e manter certificado sanitário em dia. São 160 vagas de fiscal (veterinários e agrônomos) com salário inicial de R$ 7.445,86 e 40 de técnico com R$ 2.924,39. As inscrições vão até o dia 25.
Seara engole 2 granjas. A Seara, da JBS, comprou 2 granjas da Céu Azul Alimentos em Ipiguá (SP) e Guapiaçu (SP), uma de ovos férteis e outra de frango de corte. O Pix ficou em off, e o negócio ainda vai passar pelo Cade.
Capal no modo recorde. A Capal Cooperativa Agroindustrial fechou 2025 com faturamento de R$ 5,4 bilhões, alta de 22,7%, e sobra líquida de R$ 116 milhões, salto de 106%. No ano, a cooperativa recebeu 965 mil toneladas de grãos e ainda investiu R$ 165 milhões em estrutura.
Plant based em fusão. A Vida Veg comprou a Plant Choice e projeta crescer 30% em 2026, surfando um mercado que pode bater R$ 2,2 bilhões no Brasil. A partir de 01/03, a operação comercial vira conjunta e a Plant Choice entra em mais de 6 mil pontos de venda.
Tyson tropeça no boi. A Tyson Foods viu seu lucro cair 76% no 1º tri fiscal de 2026 e parar em US$ 85 milhões, mesmo com receita subindo 5,06% pra US$ 14,3 bilhões. O frango e os preparados seguraram, mas a bovina virou âncora, prejuízo de US$ 319 milhões.
Coamo abre mais porta de grão. A Coamo inaugurou 2 unidades de recebimento em Mato Grosso do Sul, em Itahum, distrito de Dourados, e em Amambai, com investimento de R$ 191 milhões. Cada uma tem capacidade estática de 43,6 mil toneladas e secador de 200 toneladas por hora.
ADM em queda, dividendo em alta. A ADM fechou 2025 com lucro líquido de US$ 1,1 bilhão, queda de 40%. O tombo veio de serviços agrícolas e oleaginosas, com lucro operacional 34% menor, em US$ 1,6 bilhão. A empresa ainda subiu o dividendo trimestral 2%, pra US$ 0,52, e agora são 53 anos seguidos de crescimento na distribuição de dividendos
DDGS brasileiro estreia na China. Inpasa e FS vão mandar as primeiras cargas de DDG do Brasil pra China, num total de 65 mil toneladas. A Inpasa embarca 62,5 mil toneladas por Imbituba (SC) e a FS leva mais 3 mil por Santos (SP).
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Camu-camu
Pergunta de hoje: Qual especiaria caribenha era tão valorizada pelos colonizadores que servia como moeda de troca no século XVII?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
