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Essa é a edição especial da Agrishow 2026 pra te inteirar sobre a principal feira agrícola do país e do continente. A edição desse ano recebeu 197 mil visitantes, viu empresas chegarem armadas de lançamento e fechou com queda de 22% nas intenções de negócios. Teve anúncio de R$ 10 bilhões em crédito que já nasceu com desconfiança, produtor mais interessado em fazer conta do que em assinar pedido e um cardápio enorme de novidades em IA, etanol, robô e conectividade pra mostrar que o campo quer ser mais eficiente mesmo quando o caixa tá curto. Aqui tá o resumo do que aconteceu, o que foi lançado e o que ficou no fio da navalha.
Por Enrico Romanelli
DINHEIRO, JUROS E PROMESSAS NO MICROFONE
R$ 10 bi aqui, R$ 400 mi ali… e o crédito continua travado

Foto: Maria Reis
Se teve uma coisa que não faltou na Agrishow foi anúncio de dinheiro. O problema é que, na prática, o agro ainda tá olhando pro banco com aquela cara de “você vem sempre aqui?”. Entre promessas bilionárias, pacotes estaduais e críticas cruzadas, o crédito virou protagonista da feira, mas com aquele clima de novela em que todo mundo fala de compromisso e ninguém sabe quando sai o casamento.
De um lado, o governo de São Paulo chegou com pacote parrudo, reforçando seguro rural, crédito subsidiado e até incentivo pra comprar trator novinho. Do outro, Brasília entrou em campo com R$ 10 bilhões pra modernizar máquinas, animando a indústria, mas já gerando desconfiança no meio político. No meio disso tudo, o produtor segue fazendo conta, porque com juros altos, promessa bonita não paga parcela.
São Paulo abre o cofre pro agro
O governo paulista anunciou um pacote de investimentos de R$ 400 milhões em crédito, seguro e sustentabilidade via FEAP, incluindo R$ 40 milhões pra máquinas e até R$ 100 milhões pra seguro rural. A ideia é dar mais previsibilidade aos produtores, coisa rara ultimamente no campo.Trator na conta… se o banco deixar
O programa Protrator deve viabilizar até 1 mil operações com subvenção estadual. Na teoria, máquina nova na lavoura. Na prática, depende da aprovação, garantia e aquele check básico que todo produtor já conhece bem.Alckmin coloca R$ 10 bi na mesa
O governo federal anunciou uma nova linha de crédito pra máquinas agrícolas com valor total de R$ 10 bilhões, com promessa de juros mais baixos e liberação em até 3 semanas.Indústria vê alívio, mas com pé atrás
As fabricantes de máquinas gostaram, porque qualquer empurrão já ajuda num mercado empacado. Executivos de gigantes como Case IH e Fendt disseram que o crédito pode destravar vendas, mas o cenário ainda é de aperto.Crédito ou “crédito fantasma”?
Nem todo mundo comprou a ideia do anúncio federal. Teve autoridade chamando a nova linha de “crédito fantasma”, levantando aquela dúvida clássica do agro brasileiro se o dinheiro vai chegar na ponta ou ficar só no discurso.Plano Safra vira alvo de crítica
Tarcísio cobrou mais previsibilidade e menos improviso no Plano Safra. Segundo ele, mudar regra todo ano e manter juros altos deixa o produtor no escuro, sem saber se investe ou segura o caixa.
QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
Agrishow teve público, teve vitrine, mas a venda ficou com o pé no freio

Foto: Agrishow
A Agrishow 2026 terminou com aquele clima de feira cheia, estande bonito e muita conversa boa, mas com a caneta do produtor mais tímida na hora de assinar. A queda de 22% nas intenções de negócios não veio do nada. Veio de boleto vencendo, margem apertada, juros ainda altos e produtor mais interessado em fazer conta do que em sair comprando máquina como se fosse Black Friday.
Mesmo assim, nem tudo ficou parado no acostamento. Banco do Brasil superou a própria previsão, aviões agrícolas encontraram comprador, picapes ganharam espaço e irrigação mostrou mais resistência do que outros setores. O produtor não parou de investir, só ficou mais seletivo. Agora, cada compra precisa provar serviço antes de entrar no carrinho.
Agrishow teve menos negócios, mais boletos e mais cálculo
A feira fechou com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, queda de 22% contra 2025, num momento em que o produtor encara o famoso “dia D” dos boletos do ano-safra. Muita gente foi pesquisar, pedir orçamento e deixar a compra pra depois.Seguro rural roubou cena no planejamento do produtor
Com clima mais instável, menos acesso ao Proagro e prejuízos recentes no campo, o seguro rural ganhou protagonismo na Agrishow. Crédito ajuda a produzir, mas seguro ajuda a continuar vivo depois de granizo, seca ou chuva fora de hora.Banco do Brasil ficou abaixo de 2025, mas passou da meta na feira
O BB registrou R$ 4,25 bilhões em propostas de financiamento na Agrishow, abaixo dos R$ 4,75 bilhões do ano passado, mas 41,6% acima da meta inicial de R$ 3 bilhões. Teve dinheiro pra máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio. Não foi recorde, mas também não foi cafezinho frio.Avião agrícola vendeu bem mesmo com mercado retraído
Mesmo com cautela no agro, fabricantes negociaram pelo menos 12 aviões agrícolas nos primeiros dias da feira, somando cerca de R$ 42,8 milhões. Teve Air Tractor, Pelican autônomo elétrico e negócios da Embraer com o Ipanema.Picapes viraram protagonistas fora da lavoura pesada
No meio de máquinas e inovações, as picapes também brilharam. Montadoras falam em alta de pelo menos 10% nas vendas e uma fabricante fechou cerca de 70 negócios só no 1º dia. O diesel segue rei no campo, porque produtor até olha híbrido com curiosidade, mas ainda quer robustez, confiança e motor pra encarar barro sem drama.Crédito apertado empurrou produtor pra tratores menores
Com juros altos e crédito restrito, os tratores menores e mais simples ganharam espaço na feira. Fabricantes como Massey, Case IH e New Holland ajustaram o portfólio pra atender produtor que precisa investir sem abraçar uma parcela gigante.Locação e seminovos entraram no radar das máquinas
Com crédito mais difícil, a locação e a venda de seminovos viraram alternativa pra quem não quer imobilizar capital em equipamento.Irrigação caiu menos que o medo inicial
O setor de irrigação vendeu menos que em 2025, mas melhor do que o tombo esperado. A Valley previa queda de 30% e agora fala em recuo entre 15% e 18%.Kepler Weber vê armazenagem resistindo melhor
A Kepler Weber avalia que o agro tá mais seletivo, com crédito restrito e inadimplência maior, mas vê a armazenagem mais resiliente que máquinas agrícolas. O Brasil segue com déficit estrutural de silos, e grandes produtores continuam investindo em automação. Guardar grão virou quase estratégia de sobrevivência.
QUEM LANÇOU O QUE?
Da IA ao etanol, marcas usaram a Agrishow pra vender futuro em embalagem de lançamento

Foto: Érico Andrade/g1
A Agrishow 2026 pode até ter tido produtor mais cauteloso na hora de fechar negócio, mas novidade não faltou. As empresas chegaram com um cardápio bem variado, de motores a etanol, pivôs conectados e pneus menos compactadores até robôs solares que “moram” no campo e avião autônomo que pulveriza sem piloto. Era feira agro, mas em alguns estandes dava quase pra confundir com evento de tecnologia.
O recado das marcas foi claro. Se o produtor tá comprando menos, o lançamento precisa prometer mais eficiência, menos custo e algum tipo de ganho que apareça no Excel. A palavra mágica foi produtividade, acompanhada de IA, conectividade, biológicos, automação e sustentabilidade. No fundo, todo mundo tentou responder à mesma pergunta que rondou a feira inteira. Como fazer mais, gastar menos e não depender tanto do humor do clima, do juro e do boleto.
Agrotek fecha parceria com AgNest e testa ácido húmico canadense no Brasil
A canadense Agrotek fechou parceria com o AgNest, hub de inovação ligado à Embrapa Meio Ambiente, pra testar no Brasil uma solução à base de ácido húmico. A promessa é melhorar saúde do solo, aumentar retenção de água e fazer o fertilizante render mais.Corteva leva pacote completo pra cana, citros e grãos
A Corteva apareceu na Agrishow com herbicidas, inseticidas, biológicos, sementes e programas fisiológicos pra soja, cana, café e citros. Teve solução pra broca da cana, psilídeo do greening, fixação biológica de nitrogênio e dessecação de soja. É aquele estande em que o produtor entra pra ver 1 produto e sai com uma cesta básica de tecnologia.Bayer acelera FieldView e quer o talhão mais conectado
A Bayer apresentou o FieldView Drive 2.0, novo hardware com transferência de dados até 12 vezes mais rápida, disponível na safra 2026/27. A plataforma já conecta 31 milhões de hectares e agora mira integração com máquinas, inclusive John Deere.Solinftec chega com robô solar e IA que age antes do produtor perguntar
A Solinftec foi à Agrishow com dois lançamentos que resumem bem onde a empresa quer chegar. O primeiro são os robôs movidos a energia solar que ficam no campo 24 horas por dia, 7 dias por semana, monitorando lavouras e aplicando herbicidas só onde precisa. O robô não tira férias, não reclama do sol e ainda manda dado direto pro produtor. O segundo é a Alice Multiagentes, plataforma de IA que cruza dados de clima, máquinas, logística, plantio e colheita pra recomendar ações antes mesmo do produtor perguntar.
MIAC mecaniza colheita da pimenta-do-reino
A MIAC lançou a BP Master, máquina inédita pra mecanizar a colheita da pimenta-do-reino, cultura que ainda depende muito de mão de obra manual. O equipamento pode reduzir pela metade os custos com trabalhadores e manter a qualidade do grão. A pimenta continua ardida, mas pelo menos a colheita promete parar de arder no bolso.PTx e Massey deixam trator com cara de videogame
O piloto automático agrícola da PTx Trimble, usado em tratores como o MF Guide da Massey Ferguson, combina tela touch, GPS e comandos intuitivos. A margem de erro pode chegar a 2,5 cm, com economia de até 12% de combustível e ganho de até 10% em produtividade.John Deere leva 20 lançamentos e vira central de dados no campo
A John Deere apresentou mais de 20 lançamentos na Agrishow, com máquinas, conectividade e serviços integrados. Teve plantadeira transportável, See & Spray com economia de defensivos de até 93%, colhedoras de cana mais eficientes e JDLink Boost via satélite. O trator já não quer só puxar implemento, quer virar central de dados.Motores a etanol e biometano entram no radar das máquinas pesadas
Valtra, Massey, Case, Jacto e outras marcas mostraram projetos de motores a etanol pra tratores, colheitadeiras e máquinas agrícolas. Além do etanol, as marcas reforçaram testes e operações com biometano. A Valtra prevê lançamento do motor a etanol em 2029 e do biometano em 2028, e a New Holland já tem trator a biometano em uso no Brasil, com promessa de mesma potência do diesel e economia de até 40%. Até dejeto de suíno entrou na conversa energética, porque no agro nada se perde, tudo vira combustível.Baldan vê crédito extra como fôlego pra máquinas
A Baldan avaliou que os novos anúncios de crédito podem ajudar a melhorar o humor do produtor, mesmo com juros altos e cautela nas compras. Segundo a empresa, o agro segue resiliente, mas investindo em ritmo mais moderado.E-agro do Bradesco ganha escala no crédito digital
O Bradesco destacou o avanço do E-agro, plataforma digital lançada em 2023 que fechou 2025 com carteira de R$ 6,3 bilhões e R$ 5,6 bilhões em crédito originado. Para 2026, a projeção é crescer até 30%. O banco quer colocar o crédito rural no digital, sem perder o cafezinho da negociação.FPT leva motores, telemetria e biometano pra feira
A FPT apresentou motores a diesel, gás natural, biometano e soluções digitais de monitoramento remoto. Entre os destaques estão os modelos N67 NG e Cursor 13 NG, com possibilidade de operar com emissões muito menores.Michelin lança pneus pra gastar e compactar menos
A Michelin chegou com pneus agrícolas e de transporte com foco em durabilidade, economia de combustível e menor compactação do solo. O AXIOBIB 2, produzido no Brasil, opera com até 40% menos pressão e pode reduzir consumo médio de combustível em até 8,39%. Até pneu entrou na missão de fazer o solo respirar melhor.Lindsay mira o Brasil como potência da irrigação
A americana Lindsay vê o Brasil como possível maior mercado de irrigação do mundo nos próximos 20 anos. A empresa aposta no baixo percentual de áreas irrigadas, na demanda por produtividade e na rede com mais de 200 pontos de atendimento.Valley quer modernizar pivô sem trocar tudo
A Valley mostrou o painel ICON+, que conecta pivôs de diferentes marcas ao ambiente digital, além do Machine Diagnostics, sistema que monitora falhas mecânicas e hidráulicas em tempo real. A ideia é modernizar a irrigação sem obrigar o produtor a trocar o sistema inteiro.LiuGong amplia portfólio agro com máquina elétrica e telemetria
A LiuGong chegou com manipulador telescópico, empilhadeira off-road, trator de esteiras, pá-carregadeira elétrica e sistema de telemetria iLink. A proposta é atender logística, infraestrutura e movimentação no campo. A marca chinesa quer mostrar que agro não vive só de trator verde, vermelho ou azul.TIM aposta em IA, cloud e conectividade rural
A TIM apresentou soluções que combinam 4G, NB-IoT, cloud, dados e inteligência artificial pro agro. A rede da empresa cobre 26,2 milhões de hectares com 4G e mais de 53 milhões com NB-IoT. Depois de levar sinal pro campo, a operadora quer vender inteligência junto.Marispan transforma celular em controle de adubação
A Marispan lançou o e-TF Fertinox, sistema que permite controlar a adubação pelo celular via Bluetooth, além do Fertinox 2200 Multiuso, distribuidor 3 em 1 pra composto orgânico, adubo granulado e calcário.Pelican chega com avião elétrico e sem piloto
A Synerjet levou o Pelican, aeronave autônoma elétrica da Pyka pra pulverização agrícola. O equipamento carrega até 300 litros, pode cobrir até 90 hectares por hora e operar à noite. É avião agrícola sem piloto, sem combustível fóssil e com cara de que saiu de um videogame futurista.GeoIA usa drone e IA pra reduzir defensivos na cana
A GeoIA trouxe uma tecnologia que usa drones e inteligência artificial pra mapear plantas daninhas e gerar aplicação localizada de defensivos. Na cana, a empresa fala em redução de 82,29% nos custos com pulverização.
