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Bom dia!
Segunda é dia de rever os lances do fim de semana, e o agro tem replay para todo lado. Em Chicago, o milho tomou um gol depois que os americanos contaram o que sobrou nos armazéns. Nas distribuidoras, o etanol hidratado fez a melhor partida em anos. Do outro lado do mundo, a Austrália segue com o elenco cheio de carne e avisa que quer mudar a tática para o boi de grão. E aqui, uma trading estreou balcão de farelo dentro de um armazém público. Descendo a tela, tem mais lance para rever.
É o placar que você precisa antes de abrir a semana.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
O mercado abre a semana esperando real mais forte e juro futuro em queda depois do primeiro turno. É o mesmo dólar que amorteceu a soja no porto na semana passada, então quem vende grão perde parte desse colchão, e quem toma crédito tende a ganhar fôlego.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Cargill passa a vender farelo no armazém da Conab em Brasília

Fonte: Giphy
Quem cria animal no Distrito Federal, na Bahia, no Piauí ou no Rio Grande do Norte vai poder comprar farelo de soja num armazém da Conab. E quem irá vender será a indústria:
a Cargill foi escolhida para Brasília, onde a venda começou na sexta (2);
a Oleoplan, para as demais unidades.
As duas vão depositar o farelo nos armazéns e negociar direto com o criador.
A Conab cuidará da armazenagem, juntará os pedidos e passará cada um para a empresa, que abastece a unidade e libera a retirada. E o criador poderá se cadastrar on-line ou na unidade e pagará por Pix ou transferência.
O ponto que importa é que não se trata de farelo do governo. O programa não gasta dinheiro público, o produto não entra no estoque da Conab, e o preço é o da empresa, que manda uma oferta nova a cada 15 dias. A Conab cede o balcão e organiza a fila, e quem põe a etiqueta é a indústria.
Para a Cargill, o programa é um jeito de diversificar os canais de venda e chegar mais perto do pequeno e do médio produtor.
O limite é o volume. A Conab não informou quanto farelo o programa inteiro pode vender. E na unidade de Goiás, que também estava no edital, nenhuma empresa apresentou proposta.
Para quem cria, o balcão vai ficar mais perto; o preço, só a etiqueta vai dizer.
COMO TÁ LÁ FORA?
Lindt planeja baixar o preço dos seus chocolates

Fonte: Giphy
A Lindt cortou pela segunda vez no ano a previsão de vendas de 2026: o crescimento esperado caiu de 4% a 6% para 0% a 2%. Na explicação da empresa, o cacau caro a obrigou a subir bastante o preço do chocolate, e os europeus compraram menos. E ainda o calor recorde do verão tirou cerca de 1,5% do crescimento.
A resposta dela então é baixar o preço: os produtos de Natal da Lindt já estão ficando mais baratos, e o plano é um corte geral a partir de janeiro. Para bancar isso, ela conta com o cacau mais barato. Só que, por causa do hedge, a Lindt diz que a queda deste ano quase não entrou na conta dela, e que o alívio no custo só chega em 2027. Lembrando que hedge é preço travado com antecedência: é como quem fechou o diesel caro antes da baixa, e o desconto só aparece na próxima compra.
E a Lindt não está sozinha: em julho, a Barry Callebaut, que fabrica chocolate e processa cacau, já previa queda de 1% nos volumes de vendas do ano.
Moral da história, o chocolate caro da Lindt vendeu menos, e ela aposta em cacau mais barato para voltar a vender mais no ano que vem, uma aposta dela, não lucro garantido.
PAPO DE CURRAL
Austrália segue com muita carne e aposta no boi de grão

Fonte: Giphy
O boi que você vende ao frigorífico exportador vira carne que disputa os Estados Unidos e a Ásia com a australiana.
A análise de Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, sobre o relatório do USDA estima 2,31 milhões de toneladas exportadas pela Austrália em 2026, o terceiro recorde seguido. Para 2027, a mesma análise vê queda de 3%, e ainda assim seria o segundo maior volume da história do país.
Na Austrália, Brendan Tatt, diretor de operações da JBS Northern, contou numa conferência do setor que o país nunca vai conseguir competir com o Brasil na carne commodity, a de baixo custo, e que grande parte da estratégia para fugir dessa disputa é produzir mais carne de boi terminado no grão. Ou seja, o concorrente tá tentando escolher outra música pra não competir diretamente.
Para quem vende boi aqui, a análise de Isoldi vê duas datas:
nos Estados Unidos, a cota extra de 300 mil toneladas, aberta para os chamados "outros países", vale até 30 de novembro, e a Austrália, que tem cota própria, não tem acesso direto a ela; é uma chance da carne brasileira ganhar competitividade por lá.
na China, a cota australiana esgotou em junho e reabre em 1º de janeiro, e o USDA espera que os frigoríficos australianos já cheguem na reabertura com embarque pronto.
A questão é que, se a Austrália lotar a China rápido, a carne que não couber lá vai procurar outros destinos, e os candidatos são justamente Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, onde o Brasil também quer crescer.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Semana de temporal no Sul pode atrasar colheita e plantio

Fonte: Giphy
A semana começa com previsão da Meteored:
hoje, o temporal começa de madrugada no norte gaúcho e no oeste de Santa Catarina e do Paraná e, ao longo do dia, avança para quase todo o Paraná e Santa Catarina e para o nordeste gaúcho;
amanhã, vem uma trégua breve;
na quarta, a chuva forte volta, e a tendência é de um novo ciclone na costa gaúcha entre sábado (10) e domingo (11).
Se você tem máquina esperando nessas regiões, a terça é o único dia mais fraco, e no Paraná e no norte catarinense ainda chove moderado.
POR DENTRO DO MERCADO
Soja cai menos no porto do que em Chicago

Fonte: Canal Rural
Quem ainda tem soja para vender terminou a semana com a saca mais barata em quase todo o país. Das 38 praças que a AgRural acompanha, só duas, no Maranhão, subiram, e o preço em Palmas ficou estável.
No porto de Paranaguá, o indicador do Cepea recuou 0,65% na semana e fechou a sexta (2) em R$ 159,94 a saca. Em Chicago, o contrato de novembro perdeu 3,14% na semana.
A queda chegou menor ao porto graças a três amortecedores: o dólar mais forte, as exportações brasileiras em ritmo alto e a China, que, segundo o consultor Vlamir Brandalizze, segue comprando a soja brasileira enquanto fica longe de novas compras nos Estados Unidos.
Por isso, o Brasil segue relativamente protegido, mas não imune a uma queda mais forte em Chicago. Afinal, o amortecedor segura o tranco, mas não tira o buraco da estrada.
Entre quem compra e quem vende, ninguém tem pressa: pela Safras & Mercado, a distância entre o preço pedido e o oferecido segue grande, e o produtor está mais no plantio do que na venda.
Para quem ainda tem soja da safra passada, pela Safras, 92,3% dela já foi negociada no país, acima da média, e a nova já tem 32,9% vendidos, também acima da média para a época.
DO CAMPO AO PRATO
Limão subiu 374% na Ceagesp e começou a ceder, sem garantia

Fonte: Giphy
Quem vende limão teve uma entressafra de preço alto, e o pico pode ter ficado para trás, sem garantia.
No atacado da Ceagesp, em São Paulo, o quilo do limão saiu de R$ 1,82 em maio e chegou a R$ 8,62 no pico, no fim de setembro. A alta veio de pouca fruta. O excesso de chuva afetou a quantidade e a qualidade do que dava para vender, a exportação levou cerca de 11% da safra e o calor de agosto e setembro aumentou a procura. Banca com pouca caixa cobra caro pela que sobrou. O preço na Ceagesp começou a cair, mas ninguém garante que siga assim.
Outra medida, a do Cepea para a lima ácida tahiti no estado de São Paulo, já mostrava preço recuando em 25 de setembro, com mais oferta: a chuva fez a fruta ganhar calibre e, em algumas regiões, parte do que estava nos pomares foi colhida.
A fruta da florada de julho, castigada pela chuva em Bebedouro e Matão, só deve dar volume relevante a partir de meados de novembro, segundo a Conab. A normalização do preço está prevista para o fim do ano, com a safra nova. E, para quem planta, o clima ainda deve pesar no ano que vem.
PLANTÃO RURAL
A arroba compra menos milho, no menor nível desde março: com o milho em alta de 6,48% na média nacional e o boi de 2,09% em São Paulo, a troca ainda ficou 36,49% acima da média histórica, pela Agrifatto.
O milho em Chicago perde quase 6% na semana e fica abaixo de US$ 5: a queda de 5,77% do contrato de dezembro veio depois da divulgação dos estoques americanos de 2,095 bilhões de bushels em 1º de setembro, os maiores para a data desde 2018/19.
A StoneX corta para 40 milhões de toneladas a exportação estimada de milho do Brasil em 2025/26: a consultoria estima embarques abaixo das 41,6 milhões de toneladas do ciclo passado, com a Argentina mais competitiva, preço menos atraente nos portos e consumo interno maior.
A Síria abre ao milho em grão e Bangladesh ao DDG do Brasil: a mesma comunicação das autoridades sanitárias, divulgada pelo MAPA, inclui ainda o mamão fresco para o Kuwait e as sementes de berinjela para a Nicarágua.
A saca de feijão sobe 5,46% em uma semana no Rio Grande do Sul: a Emater/RS-Ascar também registra danos localizados de chuva, vento e granizo nas lavouras já implantadas, com plantas tombadas na região de Santa Maria.
A chuva pôs a moagem de cana do Centro-Sul atrás da safra passada pela primeira vez: em 15 de setembro, os estoques de etanol somavam 7,28 bilhões de litros, 4% acima de um ano antes, com o hidratado 15% maior e o anidro 11,4% menor.
As vendas de hidratado em agosto são as maiores desde dezembro de 2019: as distribuidoras venderam 2,06 bilhões de litros no mês, 21,1% mais que em agosto do ano passado, segundo a ANP.
O Paraguai abre crédito a 8,5% em dólar e mira a indústria brasileira: a linha, de até 15 anos e com alimentos e agroindústria entre os setores, cobra 8,5% na opção em dólar, com risco cambial para a receita em reais.
DIVIRTA-SE
Doze afirmações sobre bicho, e você crava se é verdade ou mito. A primeira já cutuca: um cardume de piranhas devora uma vaca em poucos minutos? Logo vêm o cavalo de perna quebrada e o camelo com água na corcova. Abra o Curiosidades Animais: Verdade ou Mito? e confira quanto do que se conta por aí sobrevive ao gabarito.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: amburana é uma árvore nativa do Brasil cuja madeira vira tonel para envelhecer cachaça, dando cor dourada e aroma de baunilha, cravo e canela.
Pergunta de hoje: o que é o DDG que sai das usinas de etanol de milho?
A resposta você confere na próxima edição!

