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Bom dia!

Quarta é dia de feira, e a de hoje abre com balança, etiqueta e senha. Na banca do açúcar, duas balanças pesam o mesmo saco e marcam números bem diferentes. Na banca do boi, uma consultoria trocou a etiqueta para R$ 390 enquanto a vizinha segue cobrando 380. No guichê da Noruega, a senha é por ordem de chegada e a cota de carne vale para o Mercosul inteiro. E a banca mais cheia é a do frango, porque a China recortou o embargo no mapa e o México barrou o Brasil inteiro. Descendo a tela tem mais.

Pra você começar bem o dia.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$208.295,98 1,57% 29,28%
IFIX R$3.976,17 0,49% 5,22%
KEPL3 R$7,96 4,05% -19,11%
RANI3 R$8,28 3,76% -4,61%
CSAN3 R$5,27 3,13% -0,94%
XPCA11 R$7,72 1,45% -7,43%
BTRA11 R$71,79 0,76% 17,23%
Ethereum US$2,455.28 2,31% -17,82%
Bitcoin US$82,909.42 1,22% -6,15%

Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).

A cobertura do seguro rural caiu de 16,3% da área cultivada em 2021 para 3,3% em 2025, segundo a Abag. Com o Super El Niño já nos alertas do setor, a saída apontada por Alexandre Mendonça de Barros, da EY, é uma forte subvenção estatal ao prêmio do seguro, e a Abag lembra que recuperar essa proteção também ajuda a destravar crédito.

DE OLHO NO PORTO

Newcastle, dois dias depois: a China barrou só 14 plantas de SC, e o México barrou o Brasil inteiro

Fonte: Giphy

Ontem a pergunta era o tamanho da falta. A resposta veio, e veio menor do que o protocolo previa. A China suspendeu as compras de 14 plantas de Santa Catarina, cinco da Aurora, cinco da Seara, três da MBRF e uma da JBS Aves, segundo o registro da alfândega chinesa citado pela Globo Rural; o Brasil tem 61 plantas habilitadas para a China. A China pegou a tesoura e recortou o mapa na fronteira do estado.

O Ministério da Agricultura credita o recorte à negociação; o Dipoa, que não certificava produtos avícolas para a China desde segunda, pode voltar a certificar as demais empresas do país, pela apuração da Globo Rural, e o Citi conta 47 plantas fora de Santa Catarina seguindo habilitadas.

Para medir o que se evitou, vale a régua de 2024: a China levou 26 dias para trocar o território inteiro pelo Rio Grande do Sul, e depois 17 meses para retirar a medida; desta vez, segundo o secretário Augusto Billi, o bloqueio já foi focalizado desde o início. O Citi põe a ressalva: embora a regionalização "continue sendo um resultado negociado, e não uma disposição inequívoca do protocolo bilateral", escreve o banco, a decisão "estabelece um precedente encorajador". Tesoura emprestada, não escritura.

Quem não recortou nada foi o México: suspendeu o Brasil inteiro, de aves vivas a ovos férteis, e a suspensão fica sujeita à avaliação sanitária do caso e às informações sobre as medidas de controle no Brasil. O Brasil responde por cerca de 30% do frango importado pelo México, 244,39 mil toneladas em 2025, segundo a ABPA, e o país foi o sétimo destino do frango brasileiro de janeiro a setembro, com 182 mil toneladas. Billi diz que a suspensão mexicana cumpre o protocolo e que a negociação para reduzi-la a estado, município ou área começa agora.

O recorte tem dois tamanhos: 14 das 61 plantas, e, segundo o Citi, Santa Catarina participou com cerca de 23% do volume e 25% da receita das exportações de janeiro a maio deste ano. A tesoura é uma só; as réguas são duas.

A CONTA CHEGOU

O juro do crédito rural à pessoa física foi de 6,3% para 12,2% em quatro anos

Fonte: Giphy

Se você tem dívida rural, o Cepea acaba de mostrar que o problema do setor não é o tamanho dela: a dívida ficou mais cara, mudou de credor e se concentrou. Em 2025 a carteira de crédito rural equivalia a 94% da renda anual da agropecuária, dentro da faixa de 2013 a 2019, quando a inadimplência era um terço da atual; o que mudou foi o preço e o credor: a taxa média dos financiamentos a pessoa física foi de 6,3% para 12,2% ao ano entre 2021 e 2025, e a despesa anual estimada com juros, de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões, enquanto o crédito a taxa livre, como o ligado às LCAs, foi de 5% do contratado em 2013 para quase metade em 2023.

O atraso tem endereço: as operações a taxa livre, as atreladas à Selic via LCA e afins, concentram 77% do saldo em atraso, com inadimplência de 17,6%, contra 3,8% nos juros controlados, e a carteira problemática chegou a R$ 205 bilhões em agosto, 23,8% do saldo. A leitura dos autores, Lucilio Alves e Geraldo Barros, é a "mais defensável", nas palavras deles: dívida de investimento contratada com a margem de 2020 a 2022 vencendo quando a margem do grão encolheu e o juro dobrou, e, "se isso estiver certo", a resposta que defendem não é o alongamento generalizado, e sim separar liquidez de solvência caso a caso, com base nas contas da fazenda. Assinatura com a data de 2020, boleto com o juro de hoje.

O caso de balcão voltou à mesa na terça: a Ruiz Coffees, uma das maiores cafeicultoras do país, pediu recuperação judicial em 8 de outubro com R$ 775 milhões sujeitos ao processo, de um passivo da ordem de R$ 1,6 bilhão, e o juiz, sem ter deferido o pedido, suspendeu as execuções por 30 dias e declarou essenciais as sacas colhidas e os frutos pendentes. O grupo diz que contratou crédito entre 2020 e 2023 para ampliar área e irrigar, que os vencimentos se concentraram em 2025 e 2026 e que a alta do juro encareceu a dívida atrelada ao CDI; diz também que parte da produção já tinha sido vendida a tradings com preço fixado antes da alta do café, e relata três safras abaixo do previsto. Ou seja, o juro de hoje, pago com o café de ontem.

E o balcão que o governo abriu para refazer essas datas: a MP 1.376 tinha renegociado R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, 5% do montante estimado, segundo o mesmo estudo do Cepea.

PAPO DE CURRAL

Agrifatto põe a arroba paulista em R$ 390, a Scot segue em R$ 380

Fonte: Agrolink

Se você tem lote pronto, leu R$ 390 na terça e pensou que o mercado subiu de degrau: leu a etiqueta de uma vitrine só. A Agrifatto, que acompanha 17 praças, pôs a referência paulista em R$ 390 a arroba, a prazo, "com a forte pressão dos pecuaristas". Na mesma matéria, a Scot mostra o boi paulista a R$ 385 para exportação e R$ 380 para o mercado interno, e na segunda a Scot tinha Araçatuba e Barretos em R$ 380. Na B3, o contrato de outubro fechou a segunda a R$ 388,10.

Na fila do caixa, o comprador parou para pensar. O Cepea descreve a segunda como dia de cautela: parte dos frigoríficos esperou o desempenho das vendas de carne no fim de semana antes de definir compras; os preços da arroba continuaram firmes, com reajustes de até R$ 5 em algumas praças, e o Canal Rural resume a abertura da semana como cautelosa, "mas sem sinais de recuo generalizado nos preços". Na terça, pelo Tem Boi na Linha, São Paulo ficou estável, com os frigoríficos comprando só o necessário e escalas de sete dias em média.

A própria Agrifatto explica o freio: o consumo de carne enfraquece na segunda quinzena, com o salário do início do mês gasto, e a demanda menor no atacado dificulta repassar custo e reforça a resistência do frigorífico a pagar mais; negócios pontuais em patamar mais alto, avisa a consultoria, "não asseguram valores equivalentes para todos os lotes", e o cenário, dizem os analistas, "exige atenção dos pecuaristas às escalas de abate da região e às condições efetivas de pagamento".

No porto, a etiqueta também mudou: a exportação de carne bovina in natura até a terceira semana de outubro corre a 9,8 mil toneladas por dia, 32,7% abaixo de outubro do ano passado, com o preço médio da tonelada 12,4% maior, em US$ 6,2 mil.

POR DENTRO DO MERCADO

200 mil ou 6,3 milhões de toneladas de déficit global de açúcar; quem tá certo?

Fonte: Giphy

Quem decide mix de açúcar e etanol ganhou uma balança nova, vinda da Austrália: a consultoria Green Pool elevou para 6,28 milhões de toneladas a conta do déficit mundial de açúcar em 2026/27. São 3 milhões a mais que a estimativa anterior, que era de 3,2 milhões.

Parte do buraco é daqui: com as chuvas, a produção acumulada de açúcar do Brasil está 14% abaixo da do ano passado, e a Green Pool cortou em 600 mil toneladas a estimativa do Centro-Sul, para 37,3 milhões.

No balcão brasileiro, o peso confere: o cristal branco do Cepea subiu 3,72% desde o início de outubro, a R$ 125,62 a saca de 50 kg em 19/10, maior valorização em cinco semanas, com a oferta do Centro-Sul menor pelas chuvas. E a StoneX desenha o resto do mapa: com União Europeia, Índia e Tailândia produzindo menos, o Brasil iria a 73% das exportações mundiais de açúcar bruto em 2026/27, contra 68% no ciclo anterior.

Só que a outra balança marca outro peso: a Organização Internacional do Açúcar projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27. E a bolsa fechou o dia dividida: em Nova York, o açúcar bruto para março de 2027 recuou 5 pontos, a 20,52 centavos de dólar por libra-peso, abaixo da máxima de 19 meses de 21,29 tocada na semana passada, enquanto Londres subiu US$ 3 a tonelada; as cotações se recuperaram das mínimas de uma semana com a revisão. Mas o mercado seguiu pressionado pela expectativa de tempo quente e seco no Centro-Sul, e os fundos chegaram, na semana encerrada em 13 de outubro, à maior posição comprada líquida em mais de cinco anos, 228.743 contratos. Fundo comprado assim é peso que pode sair da balança de uma vez.

Na opinião de um analista da StoneX, o peso que falta conferir está na cana: para o Centro-Sul chegar a 38 milhões de toneladas, as usinas precisam fabricar 9,1 milhões de toneladas de açúcar entre outubro e março, acima da média de 7 milhões das últimas 15 safras, e isso, diz ele, "esbarra muito mais no ATR do que na moagem ou no mix". O que você acha?

ASSUNTO DE GABINETE

Noruega abre cota com tarifa zero em 1º de novembro

Fonte: Giphy

Para quem exporta carne, mel ou milho, abriu um guichê novo: a Secex publicou as regras para usar as cotas de tarifa zero que a Noruega concede ao Mercosul pelo acordo com a EFTA, que passa a valer com a Noruega a partir de 1º de novembro. O pedido é uma licença no Portal Único Siscomex, e em 2026 a cota vai por ordem de chegada dos pedidos, enquanto houver saldo. Deferida a licença, o exportador tem até 60 dias para vinculá-la à Declaração Única de Exportação; se não vincular no prazo ou cancelar, o saldo volta para a cota.

Agora o tamanho do guichê: pelo manual de desgravação do MDIC, a cota anual é de 666 toneladas de carne bovina em equivalente carcaça, 200 toneladas de carne de aves, 10 mil toneladas de milho, 5 mil de farelo de soja e 90 de mel, e cada volume é um só para todo o Mercosul, sem divisão prévia entre os países. Passou da cota, o pedágio é o de sempre: 320,4% no mel, 308,7% no milho e 154,8% no farelo de soja. E o primeiro ano é mais curto: como o acordo começa em novembro, a cota deste período é proporcional aos dois meses até dezembro, e o volume cheio só aparece a partir de janeiro.

A leitura de Karina Turbay Schnaid, especialista em comércio exterior, é a de quem olha a fila: a cota de carne bovina "não muda a balança do setor, mas abre espaço para nichos de maior valor, como cortes especiais, mel e produtos com rastreabilidade". Quem tem comprador norueguês e produto rastreável pega a senha cedo; quem pensa em volume já leu o tamanho do guichê.

O guichê sem senha da Noruega é outro: pelo mesmo manual, ração de peixe e os insumos para fabricá-la entram sem imposto, desde que o destino seja comprovado, e a tabela norueguesa separa milho e farelo de soja em duas versões, com só a que não vai para a ração de peixe sujeita à cota.

MENTES QUE GERMINAM

Solinftec leva o robô Solix à Espanha para aprender

Fonte: Giphy

O robô brasileiro chegou à Europa de matrícula feita.

A Solinftec levou o Solix, seu robô autônomo que monitora e controla pragas, para uma fazenda na Espanha, na região de Castela e Leão, em parceria com o Itagra.ct, centro tecnológico ligado à Universidade de Valladolid, e já tem uma rede de cerca de 50 fazendeiros que poderão conhecer a máquina.

Por ora, é semestre letivo. Segundo a empresa, a Espanha vai funcionar como "hub europeu" para adaptar a tecnologia ao continente, e o banco de dados "vai rodar por dois, três meses" até a detecção ter a acurácia que o solo e o clima de lá exigem. "Poderíamos sair vendendo, mas queremos deixá-la cada vez melhor", diz o diretor global de estratégia, Leonardo Carvalho, que cita França, Alemanha e Itália como "boas oportunidades" sem detalhar planos.

O mercado de lá tem uma urgência, segundo o executivo: por questões regulatórias, o produtor europeu precisa de alternativas ao agroquímico, justamente onde o Solix atua, e o release da empresa amarra a chegada à próxima PAC, de 2028 a 2034, com rastreabilidade e impacto ambiental mensurável.

Mas o colega de classe é outro: o produtor europeu, na avaliação do próprio Carvalho, é em geral mais velho e sem o perfil do brasileiro para adotar tecnologia; "o agro não é tech e pop por lá", nas palavras dele.

A Solinftec fechou 2025 com R$ 450 milhões de faturamento e projeta R$ 470 milhões em 2026, apesar de mudanças internas recentes, como as de Denis Arroyo, até então vice-presidente global, e de Henrique Nomura, ex-diretor de tecnologia.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Uma frase famosa está escondida na grade, e as letras de cada coluna ficam empilhadas logo acima dela, fora de ordem. Você desce uma letra por vez, e a primeira palavra que fecha puxa a seguinte quase sozinha. A citação muda todo dia, e a de hoje já está esperando no Entre Aspas.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: a libra-peso pesa cerca de 453,6 gramas, então a cotação do café ou do açúcar em centavos de dólar por libra-peso, em Nova York, é o preço de pouco menos de meio quilo.

Pergunta de hoje: o que é o ATR, a sigla que decide, na usina, quanto açúcar sai de cada tonelada de cana?


A resposta você confere na próxima edição!

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