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Bom domingo!
Hoje a gente desacelera e olha pro agro que não cabe na correria da semana. Tem parque de exposição fazendo aniversário sem ninguém reparar, prêmio de jornalismo com dinheiro em cima da mesa e uma exigência curiosa no regulamento, o Censo mostrando a porteira mais aberta do que o escritório, um vizinho invisível decidindo o inverno da sua fazenda, uma pilha de curso de graça esperando você clicar e um freguês nosso resolvendo virar concorrente. Ainda tem 5 paradas de cultura, um joguinho que vicia e a agenda dos eventos que vêm por aí.
Pega o café sem pressa, que é domingo, desce o dedo e vem comigo.
Por Luciana Stival
RURALIDADES
Créditos de Carbono em Agricultura, Florestas e Outros Usos da Terra (curso on-line, 30 de outubro): três horas ao vivo pra entender de uma vez por todas as quatro famílias de projeto de carbono do campo, do desmatamento evitado à agricultura regenerativa, e o que o Código Florestal deixa ou não deixa entrar no seu bolso. Não exige conhecimento prévio e dá certificado.
Rotten (série documental, Netflix): duas temporadas destrinchando uma cadeia de suprimentos por episódio, do cartel do abacate ao açúcar, passando pela guerra do vinho e pela indústria da água mineral. A própria Netflix classifica como documentário sobre empresas, e é isso mesmo: fraude, concentração e risco de cadeia, com legenda em português.
Vida Maria (curta de animação, 8 minutos e meio, grátis no YouTube): a menina do sertão que larga o caderno pra ir pra roça, e a filha dela faz igual, e a neta também. Premiado no Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo, passou de 19 milhões de visualizações e explica sucessão rural melhor que muito seminário.
Bacurau (filme, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles): Prêmio do Júri em Cannes, um povoado do sertão some do mapa depois que cortam a água dele e resolve reagir. Western brasileiro sobre território, água e quem manda no interior, e ninguém sai igual do fim.
AMMA Chocolate (produto, sul da Bahia): cacau orgânico virando barra na própria fazenda, em Itacaré, tocado pela família Badaró, que perdeu quase tudo para a vassoura-de-bruxa nos anos 1980 e voltou verticalizando, da roça à embalagem. É agro que virou marca, e essa dá pra provar.
EVENTO DE DESTAQUE
Entreterimento, cultura e negócio

Fonte: Expointer
Hoje são 141 hectares, e a edição de 2025 bateu recorde de público, 1,01 milhão de pessoas. Acontece que tradição, no agro, só sobrevive quando fecha conta. E fecha: os leilões de cavalo crioulo somaram R$ 14,51 milhões na Expointer 2025, e um estudo da ABCCC com a Esalq/USP calcula que a raça movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil e sustenta mais de 160 mil empregos diretos e indiretos, R$ 10.549,93 por animal ao ano. O que começou como vitrine de bicho virou cadeia inteira, com criador, veterinário, ferrador, transportador, sela e prova. O agro mais uma vez movimentando a economia de forma brilhante.
POR AÍ NAS REDES
O agro paulista está pagando pra ser visto

Fonte: Giphy
Repara numa coisa: o setor reclama todo ano que a cidade não entende o campo, e depois deixa a narrativa correr solta por aí. A ABAG de Ribeirão Preto resolveu fazer diferente e abriu a 19ª edição do Prêmio de Jornalismo José Hamilton Ribeiro, que paga R$ 12 mil por modalidade na categoria profissional. São cinco modalidades: Grande Reportagem/Especial, Jornal Impresso, Multiplataforma, Revista Impressa e TV. Tem ainda a categoria Jovem Talento, para estudante de jornalismo, com R$ 5 mil, R$ 4 mil e R$ 3 mil para os três primeiros de cada modalidade. Valem matérias publicadas entre 31 de outubro de 2025 e 1º de novembro de 2026, e as inscrições vão até 1º de novembro.
O detalhe é que muda tudo: em todas as modalidades, a matéria tem de fazer menção ao agro paulista, como tema principal ou como parte do texto quando a pauta for de abrangência nacional. Traduzindo pra quem não vive de redação, a ABAG/RP não está premiando jornalismo, está comprando presença de São Paulo na conversa pública sobre o setor. E é uma compra barata. Quem manda na narrativa manda no tom da audiência pública, do projeto de lei e da capa do jornal no dia em que o preço do arroz sobe.
AGRO EM NÚMEROS
Uma em cada cinco propriedades já tem dona

Fonte: Sebrae
Em 2006, 12,7% dos estabelecimentos agropecuários do país eram dirigidos por mulheres. No último Censo Agropecuário do IBGE, o de 2017, já são 18,7%. Mas aí vem a pegadinha: da porteira pra dentro elas avançaram, da sala de reunião pra dentro, não. O Great Place to Work põe o agronegócio com 27% de mulheres na média liderança, último lugar entre os setores que ele mede. Quando alguém fura esse teto, precisa virae notícia: a agrônoma Zene Vieira foi eleita em 2024 a primeira mulher a presidir a Copirecê, cooperativa baiana com cerca de 3.000 cooperados, depois de 54 anos de casa. Uau.
DICA AGRO ESPRESSO
Tem 254 cursos de graça esperando por você

Fonte: Giphy
O catálogo do Senar Play está com 254 cursos gratuitos abertos hoje, matrícula por CPF e turma de início imediato. Por onde começar, se você é quem decide: Gestão do Negócio Rural, 20 horas, cobrindo gente, mercado, finanças e operação.
E tem a novidade: a trilha de IA aplicada ao agro saiu em julho com cinco cursos, do conceito básico até montar um projeto piloto na sua propriedade, e o último da fila ensina a achar o gargalo, escolher a tecnologia e fechar o plano de ação. A ressalva honesta é que a trilha não dá certificado próprio, cada curso dá o seu. No fim das contas, nem sempre, quem mais precisa da trilha é quem vai se matricular nela. Então compartihe com quem precisa.
COMO TÁ LÁ FORA?
O seu freguês de milho está cavando um rio no deserto

Fonte: Giphy
Imagina fazer trigo nascer na areia com a água que outra lavoura já usou. É o que o Egito acabou de entregar: o Novo Delta, 924 mil hectares de deserto virando lavoura, US$ 15 bilhões, e um canal que o país chama de maior rio artificial do mundo. A água não sai do Nilo. Sai da drenagem agrícola do delta velho, tratada na estação de Al Hammam, 7,5 milhões de metros cúbicos por dia, e empurrada areia adentro por dezenas de estações de bombeamento.
Agora a parte que encosta na planilha: o que eles querem plantar ali é trigo e milho. Adivinha de quem eles compram isso hoje? Pois é… O Egito é o segundo maior comprador do milho brasileiro, 7,65 milhões de toneladas em 2025 e US$ 1,55 bilhão pagos, atrás só do Irã, no Comex Stat do MDIC. Mas por outro lado, ninguém some da noite pro dia, e tem gente de fora duvidando que bombear água tratada num país seco feche a conta de energia. Mas o recado está dado. Freguês fiel também aprende a cozinhar sozinho.
E AÍ, BORA?
Agosto
Expointer: a 49ª edição de uma das maiores feiras agropecuárias do país reúne genética, máquinas e a agricultura familiar, de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).
Setembro
33ª Agrinordeste: porta de entrada da cadeia agro do Nordeste, com entrada gratuita, de 3 a 6 de setembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE).
AgroMKT Summit 2026: o maior congresso de marketing, comunicação e inovação para o agro da América Latina, dias 4 e 5 de setembro, em Goiânia (GO).
Feedlot Summit Brazil: o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. De 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO).
Fórum Pecuária Brasil: um dia inteiro de mercado do boi, do indicador do preço ao futuro na B3, reunindo frigoríficos e pecuaristas, no dia 16 de setembro, em São Paulo (SP).
Outubro
GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).
Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).
26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).
AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).
Novembro
ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.
SE DIVERTE AÍ
No Contexto você tenta descobrir a palavra secreta do dia e, a cada chute, o jogo devolve a sua posição num ranking de proximidade calculado por inteligência artificial sobre um mundo de textos em português. Chutou "colheita" e caiu em 64º? Está perto. Caiu em 12 mil? Está em outra fazenda.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o calado é o quanto do navio fica embaixo d'água, e ele muda com a carga. Rio assoreado obriga a cortar calado, e o navio sai com menos grão. A pegadinha é que navio tem calado, porto tem profundidade.
Pergunta de hoje: o que faz a pimenta arder na boca?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
