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Bom dia!

Terça tem cara de sala de espera, com senha na mão e café de garrafa térmica, então vamos ver quem está na fila. A MBRF pegou senha de novo e agora só espera abrir a fábrica da Arábia Saudita no começo do ano que vem, a Cosan deixou um pedaço da Rumo guardado num fundo do BTG sem dizer quando chama, e o cacau da Belterra só divide a colheita com o produtor a partir do quarto ano. Mas a espera que mais pesa é a do frango, porque quem segura a senha dele agora é a China. Descendo a tela tem mais.

Pra você começar bem o dia.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 % sem. 2027 % sem.
Câmbio (R$/US$) 5,13 -0,42% 5,22 -0,74%
IPCA (%) 5,22 -0,11% 4,32 0,48%
PIB (%) 1,83 -0,89% 1,32 -5,39%
Selic(% a.a.) 13,25 0,00% 12,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

O IGP-10 de outubro medido pela FGV veio acima do esperado, puxado no atacado pela gasolina, com os preços da cadeia da soja e dos bovinos reforçando a alta. Para quem compra farelo para ração ou animal para engorda, essa alta chega primeiro como custo.

RADAR SANITÁRIO

Newcastle em SC, e o protocolo prevê suspender as aves para a China

Fonte: Giphy

Para quem embarca frango para a China, a pergunta da vez não se responde em Brasília nem no galpão: se responde em Pequim.

O Ministério da Agricultura confirmou um foco de doença de Newcastle numa granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba (SC), com cerca de 6 mil aves que não apresentaram sinais clínicos da doença.

O acordo com a China prevê que o Brasil se suspenda sozinho das vendas nesses casos, como em 2024, sem prazo definido para o comércio voltar ao normal, e depois, na leitura da ABPA, é a China que costuma definir se o embargo fica restrito à região ou ao estado do foco. É lance de VAR: o juiz de campo apita, e o tamanho da falta se decide na cabine.

O detalhe é que o Ministério ainda não confirmou se haverá autossuspensão para algum destino e diz que eventuais restrições seguirão o protocolo de cada mercado.

Na conta de quem exporta, a China levou cerca de 10% do frango embarcado de janeiro a setembro, e Santa Catarina responde por pouco mais de 20% das exportações, então um embargo restrito ao local do foco atenuaria as perdas. Em 2024, os chineses voltaram a comprar em agosto, mas deixaram os frigoríficos gaúchos de fora até janeiro de 2026.

A arquibancada não esperou a cabine: a MBRF fechou a segunda em queda de 4,43%, e a JBS, de 1,96%. Fica você entre seis mil perus sem sintoma no galpão e uma falta cujo tamanho se decide em Pequim.

A CONTA CHEGOU

O fim da 6x1 equivale a até 25,8% do lucro projetado de uma usina, calcula o BTG

Fonte: AgFeed

Promulgada a 6x1 na sexta, a conta que importa agora é a de quem paga a folha, e ela chegou de três mãos. O BTG, cujo estudo já apareceu aqui pelo custo, mediu a despesa a mais contra o lucro projetado para 2027: equivale a 25,8% do resultado da Jalles Machado, a 15,9% do da São Martinho e a 9,4% do da JBS. Repare na letra miúda: não é previsão de queda do lucro, é a relação entre o custo estimado da reforma e o resultado projetado. É o orçamento da obra inteira, não o boleto do mês que vem.

Na indústria de aves e suínos, o boleto já tem mês previsto: a ABPA diz que o efeito já deve aparecer no preço da prateleira a partir de janeiro e acha curto o prazo de adaptação, que termina em 15 de dezembro. Por enquanto, a entidade não pôs número na inflação, e a perda de capacidade que ela calcula vale para as empresas que não conseguirem compensar a jornada menor.

E o financiamento da obra ainda está na mesa do gerente: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê linhas de crédito específicas para a transição, ainda no "é possível", e não anunciou desoneração da folha. O ministro também cita que de 68% a 70% dos empregos do país estão fora da escala 6x1.

Para quem decide agora, a letra miúda tem um segundo andar: o próprio BTG simula um cenário intermediário em que só metade desse custo se materializa, mais próximo do efeito esperado na primeira etapa de redução da jornada. O orçamento é da obra inteira; o primeiro boleto é menor.

PAPO DE CURRAL

Carcaça bovina em máxima nominal de R$ 25,75 o quilo em SP

Fonte: Giphy

Se você vende boi, a arroba acima de R$ 380 que já contamos aqui segue de pé, e a novidade da semana veio da outra ponta da cadeia, do balcão do atacado.

A carcaça casada bovina subiu pela sétima semana seguida no atacado paulista e fechou a sexta (16) a R$ 25,75 o quilo, nova máxima nominal na conta da Agrifatto, e o Cepea, com outra régua, viu a mesma semana de alta.

Só que o boi não corre sozinho: nas contas da Agrifatto, a carcaça bovina passou a valer 2,57 vezes a suína, contra 3,28 no fim de agosto. O líder segue na frente, mas o pelotão de trás encostou.

Do outro lado da pista, a Safras & Mercado ainda vê a menor competitividade da carne bovina diante do frango e dos cortes suínos limitando o espaço para novos reajustes, e espera demanda mais acomodada na segunda quinzena.

Para quem vende boi, sobra um atacado que acabou de bater recorde nominal e uma consultoria que ainda vê o frango e o suíno como freio do reajuste.

COLHENDO CAPITAL

BNDES aprova R$ 250 milhões para o cacau da Belterra, e o parceiro entra sem aporte

Fonte: Globo Rural

Para quem tem área degradada na Transamazônica, em Carajás ou em Alta Floresta (MT), apareceu um projeto de cacau em que o produtor parceiro não precisa pôr dinheiro. O BNDES aprovou R$ 250 milhões do Fundo Clima para a Belterra transformar 4 mil hectares de áreas degradadas da Amazônia em sistemas agroflorestais com foco em cacau, com 15 anos de prazo e cinco de carência, e é a Belterra quem assume mudas, insumos, assistência técnica e mão de obra.

O contrato com o dono da terra pode ser de arrendamento ou de parceria rural, e a parceria funciona como remuneração fixa que vira participação: um valor fixo nos três primeiros anos e, a partir do quarto, quando os cacaueiros começam a dar frutos, uma parcela da produção.

Antes de assinar, a pergunta do dono da terra é para quem vai esse cacau: a Belterra já tem contrato de venda de no mínimo 15 anos, mas não informa o nome da empresa compradora. O cacau da parceria já tem destino, e o destino não tem nome.

HORA DO CAFÉ

Arábica a 315,70 cents, maior nível em seis semanas, e um analista duvida do El Niño como causa da alta

Fonte: CNN Brasil

Fixar o café agora ou esperar é a decisão da semana para quem tem grão no armazém, e a bolsa de Nova York mexeu nela duas vezes seguidas: alta de mais de 3% na sexta, como contamos no sábado, e de novo na segunda (19), com o contrato de dezembro a 315,70 cents por libra-peso, o maior nível em seis semanas. O termômetro é um só, e os diagnósticos não batem.

O primeiro diagnóstico é de clima: o medo do El Niño sobre a produção do Brasil e do Vietnã em 2027, com o governo vietnamita alertando que o Planalto Central, a principal região de café do país, pode enfrentar seca ainda neste ano e no início de 2027. O segundo é de bolsa: para a NRT, a alta tem mais a ver com a cobertura de posições vendidas, num mercado de estoques certificados baixos, do que com uma mudança recente nas perspectivas climáticas, e a NRT questiona o El Niño como explicação principal do arábica. Em português de balcão: quem tinha vendido na bolsa precisou recomprar, e recompra em fila puxa preço.

E tem o balde de água fria: a Pharos lembra que, apesar da safra prevista acima de 70 milhões de sacas, algumas cooperativas estão recusando café com ocratoxina, a toxina de um fungo que estraga o grão, mas vê pouco espaço para o preço ficar lá em cima, com o Brasil prevendo exportar 49 milhões de sacas e o clima favorável nos cafezais.

Se você tem café guardado, anote que a mesma NRT que explica a alta pela bolsa avisa que parte dos produtores pode precisar ampliar as vendas nos próximos meses para liberar armazém antes da safra de 2027.

MENTES QUE GERMINAM

Bioinsumo no MAP rendeu mais soja na média de quatro regiões

Fonte: Giphy

Num estudo da FGV patrocinado pela Mosaic e pelo Itaú, a soja com MAP revestido por um bioinsumo da Mosaic rendeu em média 62,1 sacas por hectare, contra 57,8 com o MAP convencional, em ensaios de quatro regiões, de Sorriso (MT) a Botucatu (SP), na safra 2024/25. É o estagiário que foi bem no primeiro semestre.

O boletim tem observação. A intensidade de carbono por saca caiu, mas o levantamento não achou queda nas emissões absolutas por hectare, e a própria FGV avisa que o resultado econômico depende da resposta se repetir em outras safras, solos e manejos.

As outras duas notícias de biológico estão na sala de aula. Uma revisão sobre fungos entomopatogênicos, os fungos que matam inseto, lembra que virulência maior em laboratório não garante controle maior no campo: a mesma linhagem de Beauveria bassiana matou de metade (52,3%) a quase todas (91,8%) as ninfas de Bemisia tabaci, conforme a planta em que elas foram criadas. E um metabólito de Streptomyces inibiu 93,07% do crescimento do fungo Rhizoctonia solani, o da queima da bainha do arroz, em teste de laboratório, e a aplicação agrícola ainda depende de novos testes, incluindo casa de vegetação e campo.

Na hora de comprar, a pergunta ao revendedor é a que a própria FGV ressalta: esse ganho se repete no seu solo, na sua safra e com a relação entre o preço da soja e o custo da tecnologia de agora?

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Quatro países, uma bandeira na tela e dois minutos no relógio. A primeira que apareceu foi uma cruz branca deslocada para o lado, sobre fundo vermelho: Dinamarca, dez pontos na hora. Cada acerto vale dez e o relógio não espera: quantas você reconhece sem hesitar? Tire a prova no Adivinhe a Bandeira.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: veranico é uma sequência de dias secos e quentes no meio da estação das chuvas, que pega a lavoura justamente quando ela mais precisa de água.

Pergunta de hoje: quanto pesa a libra-peso, a medida em que o café é cotado em Nova York?


A resposta você confere na próxima edição!

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