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Na edição de hoje, a Kepler Weber juntou as peças com a GPT pra nascer um colosso dos silos, enquanto o Estreito de Ormuz fechou, o contêiner travou e o frete ganhou taxa de guerra bem na semana em que ureia e combustível já tavam com a mão coçando pra subir. No meio disso, milho perdeu fôlego, soja levou tesourada, açúcar do Norte e Nordeste correu pro etanol, a Louis Dreyfus fez giro duplo entre MT e PR, o biodiesel montou aliança pra falar a mesma língua e o JP Morgan botou a 3tentos no pedestal.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
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Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Kepler Weber bate o martelo com a GPT e nasce um colosso dos silos

GIF: roosterteeth on Giphy
A Kepler Weber decidiu que o namoro virou casamento e o conselho aprovou a assinatura do acordo de combinação de negócios com a GPT, dona da GSI Brasil. A operação ainda precisa passar por uma Assembleia Geral Extraordinária, mas o recado já tá dado. Se sair do papel, o mercado de armazenagem vai ganhar uma gigante nova e a concorrência vai ter que apertar o cinto.
O desenho da transação vem igual pra todo acionista e passa por uma engenharia que parece receita de bolo de banco. As ações comuns da Kepler Weber seriam incorporadas por uma empresa criada pra isso, a MergerSub, e cada ação viraria uma preferencial resgatável. Na sequência, essas preferenciais seriam resgatadas e canceladas e aí o acionista escolhe o caminho do dinheiro no bolso ou do investimento na nova empresa.
No plano A, cada ação dá direito a R$ 11 em dinheiro na liquidação. No plano B, o acionista recebe 0,4299 cota da GPT BR e mais R$ 8 em dinheiro. Nos 2 casos, fica retido R$ 1 por ação como uma espécie de caução pra eventuais pepinos judiciais ligados ao processo. Vai que dá ruim, né? Se a transação for consumada, a Kepler Weber deixa o Novo Mercado da B3 e pode migrar pra categoria B na CVM ou até ter o registro cancelado.
Do lado de lá, a GPT é uma máquina global de armazenagem e sistemas pra produção de proteínas, com faturamento anual na casa de US$ 1 bilhão, 14 unidades e cerca de 3,2 mil pessoas fazendo a engrenagem girar, vendendo pra mais de 100 países. Do lado de cá, a Kepler Weber segue líder em pós-colheita na América Latina, mas vinha de um 2025 mais apertado, com receita líquida de R$ 1,49 bilhão, Ebitda de R$ 231,9 milhões e lucro líquido de R$ 156,3 milhões, tudo em queda. Agora a empresa tá apostando que, junta com a GPT, o silo fica maior e o fôlego também.
DE OLHO NO PORTO
Ormuz fechou, o contêiner travou e o agro ganhou uma taxa de guerra no frete

Foto: Pixabay
Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã mexeram com força no mapa das rotas marítimas e, quando isso acontece, o agro sente bastante, primeiro no bolso e depois no prazo. Várias companhias de navegação começaram a suspender operações de contêineres no entorno do Estreito de Ormuz, restringir reservas pra carga frigorificada e ainda emplacaram uma tarifa extra por risco de guerra. A conta chega tanto na exportação de carne e grãos quanto na importação de insumo, tipo ureia.
O medo das empresas tá nas ameaças que foram feitas. A Guarda Revolucionária saiu dizendo que vai botar fogo em qualquer navio que tentar passar pelo Estreito, como forma de dar o troco pela morte do aiatolá Ali Khamenei, que era quem mandava em tudo no Irã. Pra deixar mais claro, a Guarda Revolucionária é um órgão oficial do Irã, parte do exército de lá e foi um dos “bambambams” na luta contra o Estado Islâmico. Em 2019, os EUA colocaram eles no balaio de grupo terrorista, e a União Europeia acompanhou, mas só em janeiro desse ano, tudo por conta de repressões pesadas a protestos.
A Maersk foi rápida. A empresa suspendeu a aceitação de cargas perigosas, especiais e frigoríficas dentro e fora de países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein e Arábia Saudita, tudo com efeito imediato e com o discurso de segurança. Na sequência, também travou novas reservas entre o subcontinente indiano e mercados do Alto Golfo, e já tinha avisado que suspendeu travessias pelo Estreito de Ormuz, o que vai causar dor de cabeça com atraso, redirecionamento e mudança de cronograma pra muita gente.
Na mesma toada, a MSC anunciou suspensão de reservas de carga pra região do Oriente Médio até segunda ordem. E a Hapag-Lloyd entrou com o adicional que dói no bolso do exportador. Ela passou a cobrar a Sobretaxa de Risco de Guerra, com US$ 1,5 mil por TEU em contêiner padrão e US$ 3,5 mil por contêiner refrigerado e equipamentos especiais, além de colocar restrições novas justamente pras cargas frigorificadas e pro comércio dentro do Oriente Médio. Se o produto precisava de frio e velocidade, agora precisa de paciência e orçamento.
Do lado brasileiro, a confusão já tem número e fila. Existem 10 navios programados pra carregar, nos próximos dias, cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo de soja com destino ao Irã, com parte deles já em área de fundeio esperando pra começar a operação e o resto no meio do caminho. Com armador se retirando da região e seguradora falando em sobretaxa e seguro de risco de guerra, a dúvida tá no ar, se as tradings mantêm o destino ou se vai ter redirecionamento de rota, de prazo e de custo, tudo ao mesmo tempo.
E a proteína animal também tá fazendo conta de cabeça pra não perder o bonde. A ABPA lembra que o Oriente Médio responde por 25% das exportações do setor, então o plano é redesenhar caminho, com rota via Cabo da Boa Esperança, além de alternativas via Turquia e portos como Salalah em Omã, só que isso tende a encarecer e atrasar a entrega.
O AGRO EM NÚMEROS
Milho perde fôlego, soja leva tesourada, açúcar foge pro etanol e ureia já acordou cara

Foto: Reuters
O milho 2025/26 levou um corte e ficou mais magro na conta da Safras & Mercado. A projeção total caiu pra 141,71 milhões de toneladas, mais ou menos 1 milhão a menos que a anterior, porque a expectativa do rendimento médio murchou bem. No detalhe, a safrinha agora tá estimada em 100,58 milhões de toneladas, abaixo dos 101,79 milhões de dezembro e também abaixo das 100,80 milhões do ciclo anterior. Pra explicar a queda, o rendimento médio esperado da safrinha desceu de 6.496 kg/ha pra 6.417 kg/ha, bem abaixo de 2025, quando ele tinha sido de 6.543 kg/ha.
Na soja, a AgRural passou a faca na projeção de 2025/26 e colocou a safra em 178 milhões de toneladas, corte de 3 milhões, com o Rio Grande do Sul puxando a queda por causa da estiagem. E quando a colheita tenta acelerar, o clima puxa o freio de mão. O avanço da colheita chegou a 39% da área, contra 50% de um ano atrás, no ritmo mais lento desde 2020/21, com a chuva atrapalhando do Mato Grosso ao Sudeste e ainda bagunçando escoamento, principalmente no caminho pros portos do Arco Norte.
No açúcar do Norte e Nordeste, o tarifaço dos EUA ainda tá dando o que falar, mesmo depois de cair. A birra americana mexeu no humor das usinas e no mix do caldeirão, e com isso a produção de açúcar caiu 10,8% e foi pra 3,323 milhões de toneladas entre setembro do ano passado e o fim de janeiro desse ano, mesmo com a moagem de cana subindo 2,5% e chegando a 59 milhões de toneladas. Pra tentar não ficar na pior, o setor preferiu jogar mais cana no etanol. A produção total de etanol cresceu 12,7% e bateu 2,530 bilhões de litros, com o anidro liderando a arrancada com alta de 44%.
E o fertilizante entrou na semana se tremendo todo de nervoso, com a ureia já subindo mais de 10% lá fora. No Egito, o preço passou de US$ 490 por tonelada pra perto de US$ 540 por tonelada em menos de 1 semana, com fornecedor do Oriente Médio recolhendo oferta pra entender se o mercado vai ficar em US$ 400, US$ 500, US$ 600 ou US$ 700 por tonelada, tudo isso por conta dos ataques americanos e israelenses no Irã. Ao mesmo tempo, a ANDA mostrou que o Brasil recebeu 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, alta de 7,7%, com importação ainda mandando no abastecimento com 43,32 milhões de toneladas, e Mato Grosso puxando entregas com 11,40 milhões de toneladas, enquanto Paranaguá seguiu como porta principal com 10,76 milhões de toneladas desembarcadas.
SAFRA DE CIFRAS
Louis Dreyfus vende planta no PR pra Frísia e inaugura hub logístico no MT

Foto: Reprodução/Redes Sociais.
A Louis Dreyfus Company, a LDC, resolveu fazer 2 movimentos em sequência e mostrou que logística também vira estratégia de safra. De um lado, inaugurou na semana passada um hub logístico em Rondonópolis (MT), um dos corações agrícolas do estado. Do outro, a cooperativa Frísia anunciou a compra de uma planta de esmagamento de soja em Ponta Grossa (PR) que era da própria LDC, numa jogada que puxa a empresa pra mais foco em trading e empurra a cooperativa pra mais indústria.
No Mato Grosso, o novo complexo da LDC já nasce sendo um posto avançado pra quem vive de fluxo. Ele junta uma misturadora com capacidade pra armazenar mais de 100 mil toneladas de fertilizantes e uma estrutura pra estocar mais de 20 mil toneladas de algodão em pluma, tudo colado em ferrovias, pra cortar custo e dor de cabeça no escoamento. A própria LDC vendeu a ideia de sinergia, o produtor entrega algodão e já volta com fertilizante, inclusive via barter, economizando na viagem e reduzindo a pegada de carbono por tonelada movimentada.
Enquanto isso, no Paraná, a Frísia, que é a maior cooperativa do estado, comprou a planta esmagadora em Ponta Grossa, com capacidade de 3,4 mil toneladas de soja por dia. A cooperativa disse que a aquisição é pra verticalizar a produção e integrar o caminho completo, do recebimento da soja ao processamento e à comercialização, ganhando mais eficiência, competitividade e autonomia pra atravessar as oscilações de mercado sem ficar refém do humor do preço, principalmente com todas as tretas geopolíticas que tão rolando pelo mundo.
PAUTA VERDE
Aprobio e Abiove criam a AliançaBiodiesel pra botar o setor na mesma página

Foto: Unica/Divulgação
A Aprobio e a Abiove aprovaram na quinta-feira (26) a criação da AliançaBiodiesel, uma espécie de clube do bolinha oficial do biodiesel. A ideia tá em coordenar estratégia, somar força institucional e vender uma imagem mais organizada do setor, tanto no Brasil quanto lá fora, com menos ruído e mais agenda comum.
Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio, disse que o plano é unificar posições e construir uma pauta alinhada com Executivo, Legislativo, a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel e o mercado consumidor. Já André Nassar, presidente-executivo da Abiove, reforçou que a iniciativa marca um momento de convergência institucional, com foco em previsibilidade regulatória, reforço técnico e aproximação com clientes e consumidores.
No pacote de desafios, entram melhorar a relação com quem compra e usa, fortalecer a regulamentação e fazer a Lei Combustível do Futuro sair do papel sem virar só placa bonita. Qualidade vira palavra de ordem nessa nova aliança, que tem lançamento oficial marcado pro dia 25 de março, em Brasília, com empresário, parlamentar, governo e o mercado inteiro na mesma sala, o que já economiza uns 3 meses de desencontro.
SAFRA DE CIFRAS
JP Morgan coloca a 3tentos no pedestal e crava ação como top pick do agro

Foto: Pasquale Augusto/Money Times
O JP Morgan chegou na 3tentos (TTEN3) com os dois pés na porta e abriu cobertura já escolhendo a ação como top pick do agronegócio na América Latina. O banco colocou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 21 pro fim de 2026, dizendo que o valuation tá atrativo e que a empresa tá num momento operacional daqueles que fazem analista sorrir sem perceber.
Na visão do JP Morgan, o charme da 3tentos tá no modelo integrado que mistura 3 frentes na mesma engrenagem. Varejo de insumos com mais de 70 lojas, indústria com 5 parques que incluem 3 de biodiesel e 2 de etanol de milho, e trading de grãos tipo soja, milho, trigo e canola.
No histórico, o banco destaca um crescimento composto de 25% no lucro por ação nos últimos 10 anos e um retorno sobre capital investido acima de 20% de forma consistente. Pra frente, a aposta é de 17% de CAGR no lucro por ação nos próximos 5 anos, puxado pela expansão do varejo pra novos estados e pela maturação dos projetos industriais. As contas do JP Morgan pra 2026 ainda ficam cerca de 2% acima do consenso de mercado, um jeito delicado de dizer que tão subestimando a 3tentos.
PLANTÃO RURAL
Senar MT lota março de curso. O Senar MT tá com 1,5 mil cursos programados em março, espalhados por 133 municípios e com apoio de 95 sindicatos rurais. Tem formação técnica, segurança e sustentabilidade, mas também tem Comunicação de Impacto, Oratória e Media Training.
Frigol puxa R$ 250 milhões no CRA e ganha selo A. A Frigol fechou a 4ª emissão e a maior da história, um CRA de R$ 250 milhões, acima do plano inicial de R$ 200 milhões, com lote adicional cheio. A operação tem 3 séries e a Moody’s deu rating A, com dinheiro indo pra alongar dívida, baixar custo e manter a máquina rodando.
Capal incorpora a Coopagrícola e ganha território no PR. A Capal confirmou a incorporação da Coopagrícola e amplia atuação em Ponta Grossa (PR). A Capal teve receita de R$ 5,4 bilhões e sobras de R$ 116 milhões, enquanto a Coopagrícola veio com R$ 480 milhões e prejuízo de R$ 40 milhões, então 2026 vira ano de ajuste com impacto inicial de R$ 90 milhões.
Mapa recolhe 368 toneladas de semente irregular no RS. O Mapa apreendeu 368 toneladas de sementes de azevém em Dom Pedrito (RS). A carga vale mais de R$ 1,5 milhão e ficou retida por falhas de documentação e origem.
LCA segue rainha do crédito privado do agro. As LCAs chegaram a R$ 589 bilhões em janeiro, alta de 11% em 12 meses, com R$ 353 bilhões reaplicados no financiamento rural, avanço de 34%. As CPRs foram a R$ 560 bilhões, os CRAs bateram R$ 177 bilhões e os Fiagros fecharam dezembro com R$ 47 bilhões em 256 fundos.
Ihara mira US$ 1 bilhão e aposta em acesso na lavoura. A Ihara fechou 2025 com US$ 817 milhões, alta de 11,9%, e quer crescer mais de 20% em 2026 pra voltar ao clube do US$ 1 bilhão. A Ihara diz ter 5% de market share e quer subir o acesso ao público, que hoje tá em 55%, com foco em soja, milho, cana e pastagem.
Warburg Pincus coloca até US$ 1 bilhão na Global Eggs. A Warburg Pincus anunciou investimento que pode chegar a US$ 1 bilhão na Global Eggs, avaliando o grupo em US$ 8 bilhões e ficando com 12,5% do capital. A Global Eggs produz mais de 15 bilhões de ovos por ano e mira expansão global, com dinheiro novo pra continuar comprando sem pedir bênção pra IPO.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Carnaúba
Pergunta de hoje: Qual fruto amazônico virou “chocolate sem cacau” graças ao aproveitamento das sementes?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
