APRESENTADO POR

Bom dia!

O seu café está mais barato do que estava no começo do ano, e dos preços que a gente acompanha aqui ele é o que mais caiu, então pega a xícara que em cinco minutinhos você se atualiza. Tem bioinsumo pronto, já vendido no vizinho, parado aqui à espera de uma assinatura. O boi achou comprador no preço que o pecuarista vinha pedindo, ainda que em negócio pontual. O carbono que uma gigante da internet foi comprar está numa lavoura de arroz no Rio Grande do Sul. E o preço do seu crédito ganhou uma variável nova, que não está na planilha nem no balanço. Tem mais coisa boa daqui pra baixo.

Pra você atravessar a quinta sabendo de onde vem a próxima conta.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (R$/saca 60kg) R$161,88 0,80% 14,80%
Milho (R$/saca 60kg) R$69,20 -0,27% -0,43%
Algodão (Centavos R$/libra-peso) 431,07 -0,28% 23,65%
Café Arábica (R$/saca 60kg) R$1.566,48 -1,38% -27,97%
Trigo (R$/tonelada) R$1.512,00 0,16% 27,90%

Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).

O índice geral de preços que baliza arrendamento e dívida indexada no agro já embutiu o risco climático do El Niño antes de a safra de soja e milho estar plantada, puxado por compras de antecipação de quem processa grão. Quem tem contrato atrelado a esse índice paga a apreensão do mercado meses antes de saber se o clima vai confirmar o pior cenário.

A CONTA CHEGOU

Quanto custa o seu crédito? Também pode depender do tribunal

Fonte: Giphy

Dá para prever o juro do custeio da safra que vem? Um pedaço dele pode passar a depender de algo que não está em planilha nenhuma, o tempo que um banco leva para transformar em dinheiro a garantia de quem não pagou.

O aviso veio de quem vive disso. Quem faz busca de patrimônio e recuperação de ativo diz que a imprevisibilidade do Judiciário virou variável econômica, porque para quem empresta não basta saber que o devedor tem fazenda e máquina, é preciso estimar quanto custa e quanto demora chegar até elas. Se esse caminho virar fila de cartório, todo mundo sabe que anda e ninguém sabe quando, e aí o banco pode não esperar o calote seguinte, pedindo mais garantia, encurtando o limite ou cobrando mais pela mesma operação. Uma especialista em risco na cadeia de insumos chega ao mesmo lugar, lembrando que o risco que uma decisão tira de um elo muda de endereço e pode voltar para o produtor embutido no preço do dinheiro.

O alerta vem com a própria ressalva. A crise institucional não é o que aperta o produtor, isso são juro, custo e clima, e o que ela pode fazer é pôr uma camada de incerteza por cima da pilha de recuperação judicial que a Serasa segue medindo em alta. E fica registrado de onde vem o aviso, já que quem alerta que recuperar ativo pode ficar imprevisível é uma empresa que vende busca e recuperação de ativo.

Antes de sentar com o gerente para o custeio, vale saber que o crédito pode ficar mais caro ou mais curto antes de qualquer atraso seu, só pelo que o banco enxerga do outro lado do balcão.

PAPO DE CURRAL

Menos carne no prato, mais carne no navio

Fonte: Canal Rural

Para quem está decidindo o que engorda para o começo de 2027, chegou ontem, do Fórum da Datagro, o lado da demanda do boi; o da oferta, a virada lenta do ciclo, ficou na edição de ontem.

Do lado de dentro, a Datagro projeta o consumo formal por habitante de carne bovina caindo no ano que vem, com a economia desacelerando e o consumidor perdendo poder de compra, depois de um 2026 em que emprego e renda seguraram a carne no prato mesmo cara.

Do lado de fora, a cota chinesa de 2026 acabou em praticamente sete meses, e Pequim deve voltar a intensificar as compras entre o fim de setembro e o começo de outubro, para a carne chegar lá já dentro da cota de 2027, um pouco maior. É o mesmo boi disputado por duas bocas, e a de fora, na leitura da Datagro, hoje tende a pagar melhor pela nossa carne do que a daqui.

E a pegadinha está na mesma apresentação. Boi valorizado demais pode encarecer a carne aqui dentro e apertar ainda mais um consumo que já deve desacelerar. A China volta a pesar na arroba, mas não sozinha, porque o consumo daqui, os americanos e o câmbio também estão na balança, e no fim das contas é esse conjunto que diz até onde o boi vai.

QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU

A JBS achou com quem dividir o couro do seu boi

Fonte: Giphy

Foi preciso quase um ano de negociação para a JBS e a Viva assinarem a junção das operações de couro numa empresa só, a JBS Viva, e o fechamento ainda não tem data garantida.

Vai ser meio a meio, com metade das ações para cada uma, conselho rachado ao meio, a JBS indicando o presidente do conselho, sem voto de desempate, e o financeiro, e a Viva indicando quem toca a operação.

Para dentro vão o couro da JBS no Brasil e nas subsidiárias de fora e o couro e os químicos de curtume da Viva; ficam de fora colágeno e gelatina das duas, o couro da unidade de Cactus, no Texas, e o couro da JBS na Alemanha, no Uruguai e no México. É casamento com separação de bens, em que cada um entra com a parte combinada e o resto fica com quem já era.

Para quem vende boi para a JBS, a pele dele passa a ter dois donos, quando e se o negócio fechar.

COLHENDO CAPITAL

O terço do crédito de mercado que pulou o balcão

Fonte: Giphy

Do crédito que financia a sua próxima safra, uma fatia cada vez maior sai do bolso de investidor, não do balcão do banco, e Fiagros e CRAs já são um terço do crédito rural em mercado, pelo levantamento da Anbima.

A troca de CRA por Fiagro já passou por aqui no fim de agosto; o que a Anbima trouxe agora de novo é o tamanho que isso ganhou, uma fatia que em 2021 não chegava a um quinto, e o rumo, com os Fiagros batendo recorde para um primeiro semestre enquanto as emissões de CRA encolheram.

CRA é o título que o investidor compra e recebe juro; Fiagro é a vaquinha de investidor que decide onde aplicar, e a regra passou a deixar o fundo comprar mais coisas na cadeia, de cota de outros fundos a outros ativos ligados ao agro, o que, segundo a Anbima, ajudou o fundo a crescer. E a explicação de que isso é bom para quem toma o dinheiro vem da própria Anbima. Hum…

O banco não saiu de cena, e CPR-F e LCA seguem com um estoque muito maior que o dos dois juntos. A promessa da Anbima é dinheiro que muitas vezes sai mais barato e mais ajustado a quem toma, e essa promessa vale conferir na sua proposta, linha contra linha, antes de trocar o gerente pelo cotista.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Menor, mais rápido: o biológico da Yara

Fonte: Globo Rural

Botar biológico no programa de adubação é uma decisão que a própria Yara, que vive de vender o mineral, está tomando dentro de casa, com o segmento crescendo cerca de 10% ao ano, acima do resto da empresa, e ainda valendo uns 5% das vendas. É o posto de gasolina cuja loja de conveniência cresce mais que a bomba.

Biológico não é ureia. O mineral reage de forma mais previsível de um talhão para outro, o vivo depende de ambiente, clima e microbiologia para entregar, e é por isso que a Yara empilha ensaio de campo com montanha de dado antes de recomendar. A expansão, ela mesma diz, vai ser gradual, presa à viabilidade econômica e a parceiro, e como ainda não achou o parceiro certo para comprar, cresce por dentro.

A decisão continua sendo sua, e é o tipo de aposta que se faz sabendo que o resultado do vivo é menos previsível que o do mineral e que os dados vieram de quem vende o produto.

PAUTA VERDE

Pergunte quanto sobra pro arrozeiro no carbono do Google

Fonte: Giphy

No que Google e Terradot chamam de maior projeto de remoção de carbono por rocha moída já anunciado no mundo, em mais de 200 mil hectares de arroz no Rio Grande do Sul, falta justamente a informação que interessa a quem planta, que é quanto fica com o produtor.

O Google, que é investidor da Terradot, vai comprar dela dois lotes de impacto climático, um de metano evitado até 2030 e outro de carbono removido até 2040, na maior compra de remoção de carbono que já fez.

O arroz entra de dois jeitos. A lavoura deixa de ficar alagada o tempo todo e passa a secar e molhar em ciclos, o que corta o metano, que aquece rápido e some em uma década; e basalto moído espalhado nas mesmas áreas reage com a água da chuva e prende CO₂ por milhares de anos, pela estimativa da Terradot. É o remédio de ação rápida junto com o tratamento de fundo, em que um faz efeito agora, o outro demora, e a ideia é um cobrir o tempo do outro.

Para o produtor, a promessa é menos água e menos custo com insumo na nova irrigação, na palavra de quem vende e de quem compra o crédito, que são as duas partes do anúncio, e talvez um solo melhor com a rocha. O valor do acordo não foi divulgado, e a parte que chega ao arrozeiro também não. Se você planta arroz no Sul, a rocha e o manejo chegam com o Google no cheque; o que chega no seu bolso, ninguém disse ainda.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

O jogo pede um filme e devolve o palpite pintado, coluna por coluna, verde no que bateu, vermelho no que passou longe. No Cinedle, o chute em Titanic voltou com duas setas para baixo, sinal de que o filme secreto é mais velho e mais barato. Vamos ver quem entende mesmo.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: É o fundo que junta dinheiro de investidor para aplicar nas cadeias do agro, de recebível a imóvel rural.

Pergunta de hoje: que pedra moída o Google espalha no arroz gaúcho para segurar carbono?


A resposta você confere na próxima edição!

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