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Bom dia!

A edição de hoje tem soja caminhando pro maior volume da história com o menor lucro por hectare em quase 20 anos, a Raízen ainda tentando convencer os credores a virarem sócios, e a Syngenta sendo condenada a indenizar um produtor. No meio disso, a MBRF abre o cofre no Paraná, o consórcio de máquinas esfria e o agro troca de ministro.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 181.556,77 12,68%
BEEF3 R$4,07 -29,34%
SMTO3 R$20,37 34,72%
RAIZ4 R$0,51 -37,04%
TTEN3 R$15,46 -6,30%
Bitcoin US$66.304,12 -24,95%
Ethereum US$1.991,92 -33,33%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

  • JBS bate recorde em Nova York. As ações da JBS fecharam a sexta-feira (27) em máxima histórica na Nyse, a US$ 17,03, depois do lucro de US$ 2,02 bilhões em 2025 e do anúncio de dividendos de US$ 1 por ação. O mercado gostou da combinação de resultado forte com dinheiro pingando pro acionista, e o papel aproveitou pra esticar.

EM PARCERIA COM AEGRO

Lucro não é sorte. É número.

A Aegro mergulhou de cabeça nos dados de mais de 5 mil fazendas brasileiras e reuniu 7 safras de informação real, daquelas que vêm de quem planta, colhe e registra tudo no sistema. O retrato que saiu daí é bem direto: as fazendas que acompanham os custos de perto lucram 300% mais que a média nacional. E não, a diferença não tá no tamanho da área, nem no CEP da fazenda. Tá na gestão. No controle. E em quem para de tratar número como detalhe.

Amanhã (31), às 8h, esses dados vão ser mostrados ao vivo no Aegro Day Online. A conversa vai passar por custo por hectare, margem por safra, o que mudou nos últimos 7 anos e o que os produtores mais lucrativos tão fazendo de diferente enquanto muita gente ainda administra no chute. É conteúdo pra produtor, consultor, agrônomo, gestor, contador rural, revenda e agroindústria. E tem mais um empurrãozinho, quem der as caras no ao vivo recebe um PDF com todos esses dados pra usar como achar melhor.

No agro, às vezes a diferença entre uma safra apertada e uma safra boa não tá no clima nem no mercado. Tá em olhar pro número antes que o número olhe pra você.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A safra é recorde, mas a margem tá na seca

GIF: mostexpensivest on Giphy

Safra recorde geralmente chega junto de peito estufado e conta sorrindo, mas dessa vez o produtor tá olhando pro volume com um misto de orgulho e irritação. Um estudo da Universidade Purdue mostrou que, mesmo com o Brasil caminhando pra uma safra de soja recorde, de cerca de 179 milhões de toneladas, em 2025/26, o lucro do produtor deve cair pro menor nível em quase 20 anos. O silo tá cheio e o bolso vazio.

A pressão vem de um combo que o agro conhece bem e odeia mais ainda. Os preços da soja tão mais baixos, os prêmios de exportação perderam força e o custo, que já tava alto, disparou mais ainda. No Mato Grosso, por exemplo, o custo de produção saiu de cerca de US$ 368 por hectare na safra 2009/10 pra aproximadamente US$ 559 em 2025/26, depois de ter batido US$ 602 em 2022/23. E como o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o dólar também entra na conta pra azedar ainda mais a parada, principalmente com as tretas recentes do Estreito de Ormuz e os preços dos insumos decolando.

Do lado da receita, a história triste se repete. O estudo mostra que o lucro da soja no Mato Grosso deve cair pra cerca de US$ 10 por hectare em 2025/26, o menor nível em quase 20 anos. Só pra comparar, esse número já ficou perto de US$ 440 por hectare em 2020/21. No meio do caminho, até houve um respiro temporário quando a guerra tarifária entre Estados Unidos e China puxou os prêmios nos portos brasileiros, mas esse empurrão não durou o bastante pra mudar a fotografia geral. Produzir muito continua sendo importante, claro, só que agora tá ficando cada vez mais claro que volume sozinho não faz milagre.

O retrato final que sai desse estudo é o de uma soja brasileira entrando em uma nova fase. Nas últimas duas décadas, expansão de área, produtividade e demanda internacional andaram juntinhas e fizeram a cultura crescer com força. Agora, o papo é diferente. Os pesquisadores falaram que margens mais apertadas devem passar a faca na capacidade e no apetite dos produtores em tentar ampliar a área cultivada, enquanto a demanda global, inclusive na China, pode começar a perder o embalo.

O AGRO EM NÚMEROS

Soja corre atrás do prejuízo, máquina esfria e salário aperta

Foto: Freepik

A colheita da soja no Brasil chegou a 72,99% da área, segundo a Pátria AgroNegócios. O ritmo ainda tá abaixo dos 81,31% de um ano atrás e também um pouco aquém da média dos últimos 5 anos, de 73,95%. A consultoria diz que o Brasil Central já entrou na reta final e tá esperando menos chuva nos próximos dias pra ajudar o campo a ganhar tração. Mesmo assim, a produtividade segue apontando pra uma safra acima de 176 milhões de toneladas.

E o apetite por máquina nova resolveu dar uma segurada. No 1º bimestre, o consórcio de máquinas agrícolas recuou 13,4% e somou R$ 2,84 bilhões em créditos comercializados. As vendas de novas cotas caíram 15,2%, pra 12,76 mil, e as contemplações encolheram 17,4%, com 8,02 mil liberações. Ainda assim, o número de participantes ativos cresceu 6,5% e chegou a 472,6 mil.

No mercado de trabalho, os dados mais recentes do PNAD Contínua e do IBGE mostraram que o agro emprega 7,72 milhões de pessoas no Brasil, o equivalente a 7,6% dos 102,14 milhões de ocupados no país. O tamanho é de respeito, mas o contracheque ainda vem mais magro que a média nacional. Enquanto a renda média geral ficou em R$ 3.679, no agro ela parou em R$ 2.294.

DEU B.O.

Syngenta é condenada a indenizar produtor que perdeu a safra e ficou sem seguro

GIF: Gifdb

Quem vende insumo agrícola não vende só produto, vende também confiança, recomendação técnica e um certo sossego na tomada de decisão. Só que, nesse caso, a história foi meio diferente. O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a Syngenta a indenizar um produtor rural que teve a cobertura do seguro agrícola negada depois de perder a safra com a estiagem.

O motivo do BO todo foi que a cultivar comprada, a Syn 1059 RR, não tinha registro no Ministério da Agricultura pra ser plantada no município de Miguelópolis (SP), mesmo tendo sido vendida e divulgada pela empresa com o discurso de que era a certa pra região.

A novela começou há mais de 10 anos, quando o produtor pegou R$ 111,3 mil via financiamento de custeio no Banco do Brasil pra tocar 72 hectares, com seguro rural amarrado à operação. Aí tudo foi pro buraco. Veio a seca, a produção quebrou e, na hora de acionar a cobertura, a seguradora fechou a porteira.

A justificativa foi que a semente usada não atendia ao zoneamento agrícola de risco climático (Zarc) da região, que é uma exigência básica pra apólice valer. A perícia judicial concluiu que a variedade realmente tava sendo apresentada comercialmente pra área, com o discurso de que era “expressamente recomendada para a região”, mas essa informação não tinha sido cadastrada com a antecedência necessária no ministério.

O TJ-SP entendeu que a empresa não deixou o produtor ligado sobre essa irregularidade e ainda vendeu a cultivar com indicação de compatibilidade com a área de plantio, o que acabou dando corda pra negativa do seguro e o prejuízo junto. A indenização vai ser no valor do financiamento, com correção monetária e juros de 1% ao mês. A Syngenta disse que ainda analisa a decisão e prefere não se manifestar fora do processo.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen tenta fazer credor virar sócio, mas a proposta não deve ser aceita

GIF: Giphy

A Raízen, que tá em recuperação extrajudicial, deu uma sondada nos seus credores com uma proposta de converter pelo menos 45% da dívida em ações, o que cortaria pelo menos R$ 29 bilhões da dívida. A ideia é aliviar a estrutura financeira da empresa sem ter que recorrer pra um desconto ainda mais pesado, mas o mercado não curtiu muito a ideia.

O ponto que tá travando a conversa é o tamanho da mordida. Os bondholders não tão dispostos a aceitar uma conversão tão grande nessas condições, principalmente porque o esforço dos acionistas até aqui tá bem mais tímido do que o tamanho do rombo.

A dívida total que consta na recuperação extrajudicial soma R$ 65 bilhões, e quando entram mais R$ 33 bilhões em débitos intercompany, a conta total bate os R$ 98 bilhões. Do outro lado, os aportes prometidos pelos acionistas até aqui tão longe de bater de frente com o tamanho desse rombo, com R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto via Aguassanta.

No meio dessa novela, a Cosan, que é uma das acionistas principais, junto da Shell e de Rubens Ometto, segue sem colocar dinheiro novo na mesa. O BTG, que hoje é quem manda na Cosan, teria barrado esse caminho. Nos bastidores, o banco quer separar os negócios de distribuição e de biocombustíveis da Raízen, enquanto a Shell não mostrou muita disposição pra embarcar nessa ideia.

COLHENDO CAPITAL

MBRF pisa fundo no Paraná e joga mais de R$ 1 bi na esteira da proteína

GIF: Giphy

O mercado de proteína animal continua com fila de demanda na porta, e a MBRF resolveu responder com cheque grosso e fábrica turbinada. A dona de marcas como Sadia, Perdigão e Qualy anunciou mais de R$ 1 bilhão em investimentos no Paraná pra ampliar capacidade produtiva e acompanhar um mercado que continua com fome, tanto nas exportações quanto no consumo interno. O pacote envolve expansão de linhas de processados, aumento de capacidade, ajustes pra novas habilitações, reforço na base de produtores integrados e diversificação de portfólio.

O dinheiro vai se espalhar por várias frentes. Em Francisco Beltrão (PR), a empresa vai abrir um novo turno pra fabricação de perus e adaptar a planta pra exportar peito de peru pra Europa. Em Ponta Grossa (PR), o foco tá nas linhas de pizza e lasanha. Em Toledo (PR), entra o aumento de capacidade da linha de empanados e um reforço pra exportação de pés de frango pra China, além da ampliação no negócio de gelatina e colágeno.

Do total investido, R$ 375 milhões vêm do FIDC Paraná, aquele fundo voltado ao fortalecimento da cadeia de aves e suínos no estado, com 80% bancados pela própria MBRF e 20% com subsídio do governo estadual. A empresa também conseguiu a liberação de R$ 300 milhões em créditos de ICMS e ainda tem o compromisso de mais R$ 700 milhões no Paraná Competitivo.

PLANTÃO RURAL

  • Cooxupé faz caixa graúdo. A Cooxupé fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 16,99 bilhões, alta de cerca de 60%, e resultado de R$ 470,3 milhões, com R$ 185,6 milhões em sobras pros cooperados.

  • Klabin vai ao mercado atrás de até R$ 1,75 bi. A Klabin anunciou emissão de até R$ 1,75 bilhão em CPR-Fs, em até 3 séries, pra financiar atividades ligadas à silvicultura, agricultura, florestamento e reflorestamento.

  • Heringer segue no vermelho, mas bem menos afundada. A Fertilizantes Heringer fechou o 4º trimestre com prejuízo líquido de R$ 189,9 milhões, queda de 71,2% sobre 1 ano antes. No acumulado de 2025, a perda foi de R$ 172,2 milhões, 85,1% menor que em 2024.

  • André de Paula sobe 6 andares e assume a Agricultura. Lula convidou André de Paula pra deixar o Ministério da Pesca e assumir o Ministério da Agricultura no lugar de Carlos Fávaro. A posse deve acontecer na quarta-feira (1º).

  • Belagrícola segue travada na tentativa de unificar dívidas. O TJ-PR negou o pedido da Belagrícola pra manter, do jeito atual, a reestruturação conjunta de dívidas de empresas com CNPJs diferentes. Agora o grupo vai ter que escolher entre migrar pra recuperação judicial ou apresentar planos separados na extrajudicial.

  • Míssil atinge fábrica da Adama em Israel. A fábrica Makhteshim, da Adama, no sul de Israel, foi atingida por um míssil iraniano ou por destroços de uma interceptação. Não houve feridos, mas a extensão dos danos ainda não foi informada.

  • Mapa apreende 5 mil litros de fertilizantes irregulares em SP. O Ministério da Agricultura apreendeu mais de 5 mil litros de fertilizantes irregulares no interior de São Paulo. Os produtos não tinham registro, apresentavam rótulos incompatíveis e entre outras irregularidades.

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Cachaça

Pergunta de hoje: Qual queijo artesanal de Minas Gerais ganhou registro de indicação geográfica e reforçou o valor do leite de montanha?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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