APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem feira que passou o trator em recorde de negócio, Raízen negociando capitalização com a Shell e vendendo ativo pra aliviar a dívida, Conab projetando safra grande com produtividade cochilando, Lavoro saindo da Nasdaq depois de um tombo de 90%, rastreabilidade virando startup e o ovo carimbando passaporte com alta de exportação.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 186.464,30 15,73%
SLCE3 R$15,89 -1,00%
SMTO3 R$15,42 1,98%
KLBN11 R$20,39 8,69%
VALE3 R$87,03 20,94%
Bitcoin US$68.854,37 -22.06%
Solana US$86,13 -31,3%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

QUAL A BOA?

Show Rural Coopavel passou o trator e deixou R$ 7,5 bilhões na mesa

Foto: Divulgação

O Show Rural Coopavel fechou a 38ª edição com R$ 7,5 bilhões em negócios, novo recorde e um recado bem claro. O agro pode até reclamar do preço salgado, mas quando vê tecnologia boa e vitrine cheia, ele compra. No ano passado, a régua já tinha sido alta com R$ 7,05 bilhões, só que 2026 resolveu subir mais um degrau e não olhar pra trás.

E não foi só o caixa que engordou, foi a feira inteira. Em 5 dias, passaram 430,3 mil visitantes, recorde que derrubou a marca anterior de 2025, que tinha passado de 407 mil. Só no último dia foram mais de 61 mil pessoas, e ainda teve missa de abertura com 40 mil, que nem entrou na conta oficial.

O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, atribuiu o resultado à pancada de inovação, ao investimento pesado das empresas em pesquisa e desenvolvimento e à fome crescente do produtor por informação que reduza custo e aumente eficiência sem virar inimigo da sustentabilidade. Teve caravana do Brasil todo, mais de 20 delegações internacionais, recorde de alunos de escolas técnicas e, pra quem gosta de agenda cheia, a edição de 2027 já tá marcada de 1 a 5 de fevereiro.

COLHENDO CAPITAL

Solução chegando pra Raízen

Foto: Divulgação

A Raízen tá com mais uma proposta na mesa pra tentar domar a dívida, que chegou a R$ 55,3 bilhões no último trimestre. Segundo apuração do Pipeline do Valor Econômico, a Shell teria apresentado um caminho alternativo depois da Cosan e fundos do BTG Pactual colocarem na roda um plano mais cheio de peças. Hoje, Shell e Cosan têm 44% do capital cada, e os 12% restantes tão com o mercado.

No desenho inicial, a ideia era converter 25% da dívida em ações e ainda dividir a companhia em 2 empresas listadas, uma focada em açúcar e etanol e outra com combustíveis. Nesse roteiro, o braço de commodities receberia R$ 1 bilhão da Cosan, mais R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto e cerca de R$ 1,5 bilhão da Shell, enquanto o BTG entraria com um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões via fundos de private equity.

Só que a Shell, ao que tudo indica, resolveu simplificar a planilha. A proposta que circulou seria um cheque maior e sem cisão, com uma capitalização de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e o restante da Cosan. E o pacote ainda poderia ganhar reforço depois, com mais capital dos sócios e um follow on pra captar grana no mercado, se o apetite aparecer.

Enquanto a negociação de capital ganha capítulos, a Raízen também tá fazendo o básico do básico quando a dívida pesa, vendendo ativo pra levantar caixa. No balanço do 3º tri da safra 2025/26, ela informou ativos à venda no negócio de açúcar, etanol e bioenergia somando R$ 4,97 bilhões, mas com passivos ligados a essas operações de R$ 4,28 bilhões, o que deixa um valor líquido de R$ 697 milhões. Nesse balaio, entram R$ 1,94 bilhão em indústrias de açúcar e etanol, R$ 373 milhões em canaviais, R$ 1,4 bilhão em usinas solares e R$ 608 milhões em contas a receber, enquanto o negócio carrega R$ 1,5 bilhão em arrendamentos de terras no longo prazo.

Até aqui, a empresa diz que já acertou R$ 5 bilhões em vendas nos últimos 12 meses e ainda mira fechar a venda de ativos na Argentina até o fim do ano, com meta de chegar numa alavancagem entre 2 e 2,5 vezes. O problema é que, nas contas do UBS BB, a necessidade total pra arrumar a casa ficaria entre R$ 20 e R$ 25 bilhões, e o tombo recente só aumentou a urgência, com rebaixamentos de rating, impairment de R$ 11 bilhões e prejuízo de R$ 15,65 bilhões no 3º tri da safra 2025/26, num recado bem claro de que ajuste operacional sozinho não tá dando conta do recado.

O AGRO EM NÚMEROS

Safra promete volume, o rendimento dá uma cochilada e o ovo embarca

A Conab bateu o olho na lavoura e falou que 2025/26 tá com cara de safra grande, mas sem oba-oba na produtividade. A estimativa geral é de 353,4 milhões de toneladas de grãos, alta de 0,3%, com área plantada chegando a 83,3 milhões de hectares, alta de 1,9%, só que a produtividade média deve cair 1,5% pra 4.244 kg por hectare. Na soja, o número é de 178 milhões de toneladas, com colheita em 17,4% da área. No milho, a previsão total é de 138,4 milhões de toneladas, com 1ª safra em 26,7 milhões e a 2ª safra projetada em 109,3 milhões, com plantio em 21,6%.

No ovo, o Brasil resolveu fazer passaporte e carimbar mercado novo. As exportações em janeiro subiram 30,9% em volume e chegaram a mais de 3 mil toneladas, enquanto a receita bateu US$ 6,41 milhões, alta de 53,1%. Emirados puxou mais de mil toneladas, alta de 34%, o Japão acelerou 267% e chegou a 752 toneladas, o Chile cresceu 184% pra 371 toneladas e o México avançou 65% pra 284 toneladas.

SAFRA DE CIFRAS

Lavoro dá tchau pra Nasdaq depois de 3 anos de filme triste

Giphy

O colapso da tese de consolidação das revendas ganhou um novo capítulo bem marcante. A Lavoro anunciou que vai iniciar o processo pra sair da Nasdaq, encerrando a passagem na bolsa americana pouco mais de 3 anos depois da estreia via SPAC patrocinada pela The Production Board.

No papel, a justificativa vem com aquela sinceridade que só aparece quando a conta aperta. A empresa diz que o custo de ser listada nos EUA não tá virando benefício, ainda mais num momento em que as revendas agrícolas tão enfrentando um combo de dificuldades que não perdoa quem vende insumo no fiado e compra à vista.

Na prática, a história na Nasdaq nunca ganhou tração. As ações ficaram sem liquidez pra atrair investidor, e a crise das revendas jogou água no plano de saída do Pátria Investimentos pela bolsa americana. Enquanto isso, a Lavoro entrou num processo de enxugamento, fechou mais lojas e saiu do Mato Grosso, bem no quintal do grão.

O tombo também ficou escrito no gráfico. Desde a listagem, os papéis caíram 90% e a companhia hoje vale US$ 112 milhões, algo como R$ 585 milhões. Lá atrás, nos tempos mais otimistas, chegou a ser avaliada em US$ 1,2 bi e levantou mais de US$ 200 milhões na transação. Agora, a ideia é fazer a deslistagem em 24/02, ainda que o processo possa ser adiado ou até cancelado, mesmo que isso pareça pouco provável.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Startup nasceu porque o gado tá sem RG

Foto: Divulgação

O Brasil tem 238 milhões de cabeças e só 3% delas devidamente identificadas. Foi esse buraco de rastreabilidade que fez um jovem paulistano de 17 anos mudar de rota em 2024, largar o sonho de economia nos EUA na gaveta e mirar direto no curral, depois de uma conversa com o professor de biologia Ricardo Junqueira e um mergulho nos dados do plano nacional de identificação.

O clique virou CNPJ em fevereiro de 2025, quando Henrique de Barros Galhardo se juntou ao professor e ao amigo Giovanni Del Chiaro pra criar uma startup que combina tecnologias diferentes pra facilitar identificação e rastreamento dos animais. O timing não é acaso, segundo o Ministério da Agricultura, a obrigação de rastrear todo o rebanho só passa a valer em 01/01/2033, mas o mercado já tá cobrando o dever de casa bem antes da prova.

A empresa levantou R$ 7,5 milhões com investidores-anjo em junho do ano passado, já soma mais de 40 colaboradores em operações em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, e atende clientes que administram mais de 350 fazendas espalhadas por São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Bahia.

PLANTÃO RURAL

  • Equador liberou farinha animal. O Equador abriu o mercado pra farinha de vísceras de aves e farinha de sangue bovino do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura. Em 2025, o agro brasileiro vendeu mais de US$ 346 milhões pro país, com destaque pra papel, cereais e café. Já são 537 aberturas desde 2023.

  • Orplana quer canavial na mão do fornecedor. Com a Raízen afundada em dívida de R$ 55,4 bilhões e prejuízo de R$ 15,6 bilhões no 3º tri da safra 2025/26, a Orplana defende repassar mais canavial próprio pra independente. A sugestão é sair de 50% pra 30% de cana própria e levar fornecedor de 50% pra 70%.

  • Biossensor caça bioinseticida mais rápido. A UFSCar criou um biossensor pra identificar compostos naturais com potencial bioinseticida, mirando inibidores da acetilcolinesterase. O truque inclui nanopartículas de ouro pra dar estabilidade e resposta. Validaram com azadiractina e viram inibição de 41% a 55% em extratos de plantas.

  • Jumento na UTI, colágeno no laboratório. Pesquisadores da UFPR tão tentando salvar os jumentos com colágeno feito por fermentação de precisão, sem abate. O rebanho no Brasil caiu de 1,37 milhão nos anos 1990 pra 78 mil em 2025, puxado pela demanda de pele pro ejiao. A ideia é matar a demanda sem matar o animal.

  • Waiver preventivo na SLC Máquinas. A SLC Máquinas convocou assembleia pra 19/02 pra votar waiver de covenants de um CRA de R$ 600 milhões emitido em 2024. A meta é evitar vencimento antecipado se algum indicador do balanço de 31/12/2025 sair da linha. Waiver aqui é tipo atestado médico do contrato.

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Physalis

Pergunta de hoje: Qual raiz brasileira deu origem à tapioca e sustentou expedições europeias no século XVI?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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