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Bom dia!

Sábado de manhã é quando a gente abre a gaveta que ficou fechada a semana inteira, e o agro amanheceu com dois papéis nela: um que passou na prova e ainda espera o carimbo, e outro que financiava refrigerante, então pega o café que em cinco minutinhos a gente confere o que tem de mais relevante para você. O cacau devolveu numa sessão só o que tinha ganhado em semanas. O CRA que financiava o refrigerante de Goiás perdeu o selo de bom pagador, e a conta está no papel do agro. O fumo gaúcho passou no exame chinês inteiro e continua esperando o papel que libera o navio. E a JBS quer que a pele do seu boi valha mais como salgadinho do que como pote de colágeno. Descendo o dedo tem mais te esperando.

Pra você entrar no sábado sabendo qual conta fecha de verdade.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Açúcar (R$/saca 50kg) R$119,18 +0,06% +8,35%
Arroz (R$/saca 50kg) R$79,79 +0,14% +49,28%
Trigo (R$/tonelada) R$1.489,65 +1,12% +26,01%
Boi gordo (R$/arroba 15kg) R$349,50 0,00% +9,49%
Soja (R$/saca 60kg) R$160,55 −0,73% +13,87%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

O diferencial de juro entre Fed e Copom, que segurou o real o ano inteiro, está mais apertado, e ninguém garante para que lado o câmbio vai. Um real mais fraco favorece quem exporta soja e carne, mas encarece o fertilizante importado e a comida na gôndola.

A CONTA CHEGOU

O refrigerante entrou na conta do agro

Fonte: Tenor

Sabe o CRA, aquele papel que existe para levar dinheiro à lavoura? Pois entre 2021 e 2024 ele também financiou a Coca-Cola de Goiás e Tocantins. O Grupo José Alves, dono da engarrafadora, captou mais de R$ 1,2 bilhão assim, com contrato de compra de açúcar servindo de lastro, na época em que a regra deixava.

Agora a Moody's tirou o selo de bom pagador dos títulos que sustentam esses CRAs, de BBB+ para BB-, com o caixa do grupo queimando e vencimentos pesados em 2027 e 2028. No mercado, quem tem o papel tentou vender pagando quatro vezes o juro de quando ele nasceu, e mesmo assim não apareceu comprador.

O Conselho Monetário já fechou essa porteira, mas o papel que entrou antes continua lá dentro, com nome de agro. Se você se financia por CRA, vale saber o que mais foi parar na mesma prateleira.

COLHENDO CAPITAL

Quanto desse CPR é dinheiro novo?

Fonte: Globo Rural

O Ministério da Agricultura foi contar quanto cheque pré-datado o campo tem na praça, e achou R$ 600 bilhões em CPR aberta em agosto, um pouco acima de julho, em 359 mil cédulas. É o papel em que o produtor promete a safra que ainda vai colher e recebe dinheiro ou insumo agora, e aqui já tinhamos contado que ele passou de meio trilhão; a questão é que não parou de crescer.

Porém, essa conta junta o que foi emitido nesta safra com o que ficou aberto das anteriores, e o que o mercado de fato abriu a carteira em julho e agosto, já para a safra 2026/27, foram R$ 62,5 bilhões em cédulas novas. É esse o número que diz se o crédito está fluindo, não os seiscentos.

E do outro lado do balcão tem quem tope segurar o cheque: LCA e CRA, os papéis que o investidor compra, também seguem crescendo. Cada real a mais nesse estoque é alguém no mercado apostando que a safra paga, e a taxa que esse alguém cobra é a próxima linha da sua planilha.

SAFRA DE CIFRAS

A lavoura comemorou em 2025, mas o Sul não foi convidado

Fonte: Giphy

O IBGE fechou a conta do ano passado, e a lavoura brasileira valeu R$ 927 bilhões em 2025, 18% a mais que em 2024 e o maior valor da série. Quem puxou foi a safra recorde de grãos. Soja e milho, sozinhos, são quase nove décimos de tudo o que se colheu de grão.

Mas recorde de valor não é recorde no seu talhão. O café arábica colheu menos, no ano fraco da bienalidade que o clima piorou. Arroz e trigo colheram mais e ganharam menos, porque o preço da saca caiu junto com a colheita boa. E o Sul, com arroz e trigo baratos e menos soja no Rio Grande do Sul, cresceu menos da metade do que o país cresceu.

Vale lembrar de onde o país veio: 2024 foi o ano do El Niño, e 2025 é a volta por cima, mas o mesmo El Niño já está de novo no calendário.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A JBS quer que a pele do boi valha mais como salgadinho

Fonte: CNN Brasil

A empresa que abate o seu boi acaba de decidir que quer fazer o snack, e não só o colágeno que vai nele. A JBS criou a Genu-in Solutions, uma frente dentro da JBS Novos Negócios que entrega ao cliente o produto proteico inteiro, da formulação e do ingrediente até a avaliação regulatória, a produção e a logística. Um dos primeiros cartões de visita é um salgadinho tipo puff com 44% de proteína, que levou 18 meses para ficar pronto e já passou pelos testes de estabilidade e pelo regulatório.

Não é um laboratório recém-aberto. A Genu-in nasceu em 2022 para fazer peptídeo de colágeno e gelatina, já trabalhou proteína em requeijão, iogurte, barra, refeição pronta, água proteica e cerveja sem álcool, e o centro de inovação em Campinas, com o Ital, é o que leva a receita do laboratório à planta-piloto, antes da escala de fábrica. O tamanho da aposta é o do mercado global de proteína, que a Grand View Research projeta em US$ 101,6 bilhões em 2030, crescendo 6,2% ao ano.

A pele que contamos em agosto que vira cápsula agora vira snack, e a JBS resolveu ficar com a fábrica e a fórmula, não só com o pote de ingrediente, e o produto sai com a marca do cliente. Para quem vende boi, a novidade é que o comprador tá animado.

DE OLHO NO PORTO

O fumo passou na prova, mas o diploma ainda tá na China

Fonte: Giphy

A pré-inspeção da safra 2025/26 terminou sem achar nenhuma das nove pragas previstas no acordo bilateral em 52 lotes de sete empresas; o Ministério da Agricultura fala numa qualidade que só melhorou nos últimos vinte anos, e a aduana chinesa reconhece a evolução, mas ainda cobra menos material estranho no fardo.

Infelizmente, inspeção concluída ainda não é porto aberto. O que libera o embarque é o certificado da GACC, a aduana chinesa, e ele não saiu; até lá, o recado é cuidar do armazenamento. Está em jogo o segundo maior cliente do fumo brasileiro, que levou US$ 577 milhões em 2025. Só nos resta aguardar.

PAUTA VERDE

A floresta do Acre vai a edital, mas antes passa pela consultoria

Fonte: Canal Rural

Tem um calendário novo para quem olha a Amazônia como negócio de manejo, e não só como linha do CAR, e ele é longo.

O governo do Acre contratou o BNDES em agosto para estruturar a concessão do manejo florestal sustentável de três florestas estaduais em Tarauacá, a Mogno, a Rio Gregório e a Rio Liberdade, e a reunião que abriu os estudos aconteceu em Brasília na sexta.

Acontece que avançar, por enquanto, é avançar no papel. Antes do contrato, o banco já tinha aberto no começo do ano um chamamento de consultorias para mapear quem sabe estruturar, do jurídico ao manejo, um contrato desse tipo, e a consulta pública dos estudos e da minuta do edital só está prevista para 2027.

Nem o tamanho está fechado: uma cobertura fala em 213 mil hectares, outra lista as três florestas separadas, e a soma delas dá o dobro disso, enquanto a página do BNDES não crava número nenhum. Quando nem o hectare bate, o que existe é uma intenção com CNPJ.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Uma palavra de cinco letras escondida, seis tentativas pra chegar nela, e cada rodada devolve as letras em verde, amarelo ou cinza, feito sinal de trânsito. A cena boa é a quarta linha, quando sobram duas hipóteses e a cabeça trava antes de decidir. O Cata-Letras tá esperando o seu palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: salitre é o nome popular dos nitratos, de sódio ou de potássio, um sal mineral que a lavoura usa como adubo nitrogenado de efeito rápido e que, antes do adubo sintético, também virava pólvora.

Pergunta de hoje: o que é um CRA, e por que uma engarrafadora de refrigerante pode emitir um?


A resposta você confere na próxima edição!

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