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Bom dia!
Segunda-feira depois de eleição é dia de abrir a planilha com o mesmo presidente e uma lista nova na mão. A primeira linha é do Banco do Brasil, que diz que o agro não está em crise, só precisa rearranjar as contas. A segunda é do milho americano, com o USDA corrigindo um número e mantendo o outro. A terceira é da soja, que 40% dos produtores já venderam antes de ela nascer, e a que abre a edição é o seguro rural, que o programa do governo promete fortalecer enquanto o relatório mostra quem ficou de fora. Descendo a tela tem mais.
Pra você começar a semana sabendo o que cobrar e de quem.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
O adido agrícola dos Estados Unidos em Brasília prevê uma safra de soja um pouco maior que a passada, mas abaixo da conta oficial do USDA. Para ele, o clima deve pesar mais na colheita do que no plantio, e a maior preocupação está no milho e no algodão da segunda safra.
SEGURO MORREU DE VELHO
Reeleito, Lula promete fortalecer seguro rural; a subvenção cobriu 42 mil

Fonte: Giphy
Quem fecha apólice ou renegocia custeio acordou com o mesmo presidente e uma lista para cobrar.
Lula foi reeleito no domingo para o mandato que começa em janeiro de 2027. A cobrança já estava escrita antes da urna, por cadeias produtivas, indústria e especialistas: juro alto, acesso a financiamento e instrumento para administrar risco, com seguro rural e Proagro entre as prioridades em algumas regiões.
O programa que ele registrou responde item por item: continuar fortalecendo o crédito rural, ampliar o Plano Safra, juros compatíveis com a rentabilidade e, no seguro rural, fortalecer o instrumento e construir com o setor um mecanismo contra perdas sistêmicas. Promessa é verbo no infinitivo; apólice vence em data marcada.
O número é do próprio governo. Pelo relatório oficial do PSR, a subvenção ao prêmio do seguro rural beneficiou 42 mil produtores em 2025, contra 86,4 mil em 2024, e o guarda-chuva encolheu antes da promessa de alargá-lo. Do R$ 1,06 bilhão aprovado, só R$ 565,4 milhões viraram subvenção. O recorte é das apólices com subvenção federal, não de todo seguro contratado.
Por enquanto é programa de governo, e o primeiro teste do novo mandato sai no Orçamento de 2027 e no Plano Safra 2027/28. Até lá, você tem o "fortalecer" do programa de um lado e os 42 mil do relatório do outro.
A CONTA CHEGOU
Recuperação judicial "banalizou" e já vira falência, diz o Banco do Brasil

Fonte: Giphy
O Banco do Brasil vê o pedido "banalizado", em alguns casos virando discurso fácil para não pagar, e já conta casos que acabaram em falência, com dívida maior que a original. Só na carteira dele, 875 processos somaram R$ 7,66 bilhões desde o segundo trimestre de 2025. É o bote que quem está com água no pescoço enxerga primeiro.
Em Mato Grosso, o bote chegou vazio: a Justiça decretou a falência do Grupo Pelissari e determinou a lacração dos estabelecimentos rurais, fazendas incluídas, encerrando um processo que começou em 2024. Em Goiás, uma fazenda do grupo HB Fazendas, em recuperação desde 2023, vai a leilão nesta segunda (26) com lance mínimo de R$ 26,86 milhões, o valor cheio da avaliação, e a primeira etapa vai até 10 de novembro.
Quem avisa é quem empresta: o BB provisiona contra a própria carteira rural e quer o inadimplente renegociando no balcão, pela renegociação da MP, que já contamos aqui. Só que o mesmo banco diz que o agro não está em crise, está pujante, e a Serasa contou menos pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre que um ano antes.
POR DENTRO DO MERCADO
Soja: 40% negociada, e o adido vê estoque 35% menor

Fonte: Giphy
Se você ainda tem soja 2026/27 para vender, olhe quem já vendeu. O produtor negociou antecipadamente 73,7 milhões de toneladas da safra que está plantando, volume recorde, uns 40% da produção esperada, pela conta de Vlamir Brandalizze. É venda na planta: comprador e entrega fechados antes do grão nascer.
Quem assinou em setembro pegou o teto. Paranaguá bateu R$ 162 naquele mês, e na sexta (23) a saca ficou na faixa de R$ 152, com poucos negócios, portos saturados e produtor de olho no plantio. Para a Céleres, o melhor momento de preços ficou para trás, salvo clima adverso no Brasil ou na Argentina, ou uma China mais agressiva.
Quem mede é consultoria, e cada casa usa a própria régua: pelos cálculos da Céleres, a fatia negociada é pouco mais da metade da que Brandalizze conta.
E aí que o grão que ficou na lavoura também não promete sobra. Mesmo com a safra recorde, o escritório do USDA em Brasília projeta um estoque final 35% menor em 2026/27, com exportação e esmagamento crescendo junto com a produção. Fica abaixo do balanço oficial do USDA por premissa, não por quebra de safra.
E ESSE TEMPO, HEIN?
9 °C no Paraná e chuva de plantio em Goiás

Fonte: Canal Rural
Quem planta soja de sequeiro em Goiás e Mato Grosso tem a semana para olhar. Pela meteorologia do Canal Rural, a frente fria que avança pelo Sudeste empurra umidade para o interior e deixa 40 a 50 mm nos dois estados entre segunda (26) e sexta (30), chuva que ajuda a repor a umidade do solo e favorece o avanço do plantio da soja de sequeiro. É uma frente com dois serviços na mesma viagem, e a entrega muda com o endereço:
Segunda (26), pelo Inmet: chuva com aviso amarelo de tempestade no norte e leste de Mato Grosso, em Goiás e no DF, enquanto Curitiba e a capital paulista acordam frias.
Terça (27), pela Climatempo: o fundo do frio no Paraná, com Castro, Carambeí e Guarapuava entre 8 e 9 °C, e a queda brusca traz risco de estresse térmico nos recém-nascidos. Geada, pelo Canal Rural, só nas serras gaúcha e catarinense.
Norte, na semana, pelo Canal Rural: Amapá, centro-norte de Roraima e norte do Pará seguem sem previsão de chuva significativa e acima de 40 °C, com alerta de incêndio.
O detalhe é que Mato Grosso do Sul fica fora da entrega grande: tempo firme e chuva passageira, de voltar ao campo. Se a sua soja de sequeiro espera em Goiás ou Mato Grosso, a janela é esta semana, pela previsão; se o seu recém-nascido está no Paraná, a mesma frente cobra abrigo na terça.
RADAR SANITÁRIO
Segundo foco de Newcastle em SC chegou pelos pombos

Fonte: Giphy
Quem cria ave no oeste catarinense passou a semana olhando para a porta do cliente, como já contamos aqui, e o aviso de sábado aponta para a tela do aviário.
A Cidasc confirmou o segundo foco de doença de Newcastle no estado, num núcleo de perus de corte em Coronel Freitas, a uns 35 quilômetros de onde o surto começou. A companhia achou ainda o vírus em pombos de vida livre em Marema, fora da área de emergência zoossanitária. E ela diz que o foco de Coronel Freitas também nasceu do vírus que os pombos transmitem. A cerca da emergência foi desenhada para granja e caminhão, e pombo não lê portaria.
Acontece que a maior parte dessa cerca já estava desenhada. Coronel Freitas já era um dos quatro municípios da Portaria 962, e mais de 70% da zona de vigilância do novo foco se sobrepõe à do primeiro, com a maior parte do entorno já vistoriada e poucas propriedades entrando agora no roteiro. Além do que, 15 granjas comerciais da região testaram negativo e seguem produzindo e abatendo. Quem conta é a Cidasc, falando do próprio trabalho.
Fica você entre uma zona de vigilância na maior parte já rastreada e um vírus achado em pombo fora dela, e o que a Cidasc pede ao avicultor é a cerca miúda: tela de proteção no aviário, controle de pragas e desinfecção de veículo e calçado.
PLANTÃO RURAL
Para o Banco do Brasil, o agro não está em crise e as contas dos produtores têm espaço para um rearranjo: o vice-presidente de Agronegócios do BB aponta problema de liquidez, não setor quebrado, com mais de 90% dos agricultores em dia e R$ 43,6 bilhões provisionados no primeiro semestre para a carteira rural.
O USDA corrigiu o erro no milho de setembro e manteve a projeção de outubro que pressionou Chicago: a correção em Kansas e Nebraska levou a média nacional de setembro de 178,5 para 178,8 bushels por acre, com os 181,2 de outubro mantidos e a NCGA, entidade dos produtores de milho, cobrando medidas.
Pela conta da própria Epagri, cinco gerações de seleção deixaram a tilápia GIFT 39% mais pesada: a empresa catarinense de pesquisa divulga o próprio programa, já na sexta linhagem, com mais de 318 mil matrizes fornecidas desde 2014 a 56 produtores de alevinos em 11 estados.
Água tratada no manejo das vacas pode reduzir em até 72% as células somáticas do leite, num estudo nos EUA: o estudo da Universidade de Iowa com a Kemin, empresa de biotecnologia e voz do resultado na matéria, usou 24 vacas Holandesas, com consumo de água inalterado e melhor relação leite por alimento.
O caruncho-do-fumo, com registros de resistência à fosfina, ganhou um alvo molecular, por enquanto só no laboratório: pesquisadores da China e da Bélgica silenciaram o gene LsPI3K21B por interferência de RNA, com 90% de mortalidade contra 5,8% no controle, em experimentos por microinjeção em pupas, sem teste oral nem no armazém.
O Torrefação do Ano fechou 20 finalistas entre 161 torradores, e a final é de 11 a 13 de novembro em Belo Horizonte: a organizadora Atilla Torradores, com uma Atilla Bancada como prêmio ao campeão, viu as inscrições subirem de 130 em 2025 para 161 torradores de 132 cidades, com oito finalistas de Minas Gerais.
DIVIRTA-SE
No Balança Lógica, cada fase põe cubo, esfera e companhia nos pratos de uma gangorra, e você aponta qual peça é a mais pesada. Fisga na primeira tela: o prato cede para o lado da esfera, o relógio já corre e os pontos caem quanto mais você demora para decidir.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a comitiva pantaneira é o grupo de peões a cavalo que toca a boiada por dias pelo Pantanal, com o condutor à frente, o berranteiro e o cozinheiro.
Pergunta de hoje: o que são as células somáticas do leite?
A resposta você confere na próxima edição!
