APRESENTADO POR

Bom dia!

Pega o café que em cinco minutinhos a gente desembaralha as principais notícias. O adubo da safrinha ficou para depois, e o preço lá fora não esperou. O cavalinho passou de novo nas praças e deixou a saca mais gorda num pregão só. A fêmea parou de ir para o abate, e a arroba começou a andar sozinha. E a revenda passou a olhar o seu nome antes da sua lavoura, com o prazo sobrando só para quem está limpo. Lá embaixo tem mais, e tem do bom.

Pra você entrar na terça já sabendo onde aperta.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 % sem. 2027 % sem.
Câmbio (R$/US$) 5,20 0,00% 5,28 -0,47%
IPCA (%) 4,90 -2,00% 4,30 +0,28%
PIB (%) 1,89 -1,92% 1,45 -3,13%
Selic(% a.a.) 13,75 0,00% 12,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

Se o BofA estiver certo, a desinflação avançou e o crescimento desacelerou mais do que o esperado, o BCB vai cortar mais rápido e você renova o custeio da próxima safra com custo menor do que hoje. Quanto menor for a diferença entre o que o mercado projeta de Selic e o que o banco central de fato entrega, mais cedo você sente esse alívio no crédito rural.

A CONTA CHEGOU

O caminhão chegou, e a carga espera o Pix

Fonte: CNN Brasil

Está fechando adubo e semente a prazo, a revenda passou a olhar seu nome antes de olhar sua lavoura. Venda a prazo só para quem está limpo no Serasa e no SPC. Em algumas operações foi mais longe. O caminhão chega na fazenda e a carga só desce depois que o Pix cai. Virou pedido de delivery.

O crédito já vinha encolhendo, e a gente contou aqui. O que mudou é o endereço. O barter continua, com peneira mais fina.

Nem todo mundo lê assim. A gestora SFA Investimentos avalia que o pior do ciclo pode ter passado, com o grão bem acima da mínima do ano passado. O resultado das empresas demora a acompanhar.

Se o seu nome está limpo, a fila do prazo ficou mais curta e você está nela. Se não está, você paga o Pix antes, pra depois sorrir.

A CONTA DA LAVOURA

O gaúcho pediu diesel, e a resposta…

Fonte: Giphy

Você que vai encher o tanque da plantadeira no Rio Grande do Sul tem duas notícias na mesa, e elas não conversam entre si. A Farsul protocolou um ofício na ANP pedindo diesel, depois de novos relatos de restrição e atraso na entrega, no começo do plantio. O pedido é simples. Oferta de verdade, entrega regular e preço menor.

A resposta saiu na sexta, antes do ofício. Uma nova medida provisória mantém a subvenção ao diesel rodoviário, mas tirou do texto o valor por litro. Quem decide quanto vale o seu desconto passa a ser o ministro da Fazenda, por ato próprio e revisável. É a quinta MP do ano com esse auxílio, e nem time grande troca tanto de técnico. No fim das cotnas, a subvenção é um cheque assinado com o valor em branco.

A Farsul pede regularidade. O texto entrega menos previsibilidade. O valor fixo estava na MP anterior, que vence no fim de setembro. Moral da história, o diesel de outubro não tem preço mesmo tendo dono, ou seja, faça a sua conta com o litro cheio e trate o desconto como brinde.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

O biológico ganhou regra difícil

Fonte: AGFeed

Você vai decidir sobre bioinsumo com regra nova na mão, e não a que o setor pediu. O decreto que faltava para a lei de 2024 já passou pela Casa Civil e deve ser assinado ainda este mês. Antes disso, 35 entidades do agro mandaram ofício pedindo para limitar Anvisa e Ibama no registro. O texto que saiu não atendeu.

A minuta mantém com a Anvisa a avaliação de risco à saúde do produto novo de controle fitossanitário, e o parecer dela e do Ibama nesses casos é vinculante. Vinculante não é palpite de consultor. É voto que decide. Quem representa as empresas menores teme exigência igual ou maior que a do químico.

Na outra ponta, o decreto destrava coisa parada. Inoculante e biofertilizante saem do regime de fertilizante e entram no de bioinsumo. Tudo aqui é o que o texto prevê, não o que vale.

PAPO CURRAL

O boi subiu na bolsa, e o açougue não soube

Fonte: Giphy

Você leu aqui no sábado que a fêmea parou de ir ao abate. O capítulo novo é o que segura o preço. E ele tem freio. A fatia das fêmeas no abate com inspeção federal caiu de quase metade em fevereiro para um terço em agosto, e isso, com a demanda de fora, abre espaço para o boi valer mais. O contrato de dezembro na B3 emendou altas e abriu distância do que o frigorífico paga hoje.

O físico, esse, não acompanhou. O freio de verdade é o consumidor. Na hipótese do analista da Scot, se a arroba subir mais um degrau o consumo cai e a família vai para o frango.

Arroba alta é como aluguel. Você pede o valor que quiser, mas o inquilino se muda para o apartamento ao lado. Mas o apartamento ao lado, frango e suíno no atacado, também subiu o aluguel.

O futuro é igual história de papai Noel. Você vende o seu boi pelo preço de hoje, não pelo que a bolsa promete.

POR DENTRO DO PORTO

Os Estados Unidos abriram a porteira

Fonte: Canal Rural

Pois é, abriu mesmo. Em setembro começou a valer uma cota americana de carne moída com tarifa reduzida por noventa dias, e o próprio governo de lá explicou a decisão pela inflação da comida na casa do eleitor, não por simpatia com o Brasil.

Só que o caminhão que sai do porto diminuiu a marcha. Nos primeiros oito dias úteis do mês, o embarque diário de carne bovina correu quase um terço abaixo do ritmo de setembro do ano passado. Na segunda semana o ritmo seguiu igual ao da primeira. A porta abriu e a fila não andou.

As duas coisas cabem no mesmo mês. A cota é de um corte e de um comprador. O embarque é o total, para todo mundo, e ele reflete o que foi negociado semanas atrás, quando a sua arroba estava mais baixa e o frigorífico segurou compra. Em Mato Grosso a venda para os americanos cresceu metade de julho para agosto, e mesmo assim o estado embarcou menos no total.

Cota aberta é demanda possível, não demanda garantida. Se o seu lote está pronto, você olha o preço que o frigorífico paga hoje, não a manchete de Washington.

COMO TÁ LÁ FORA?

O açúcar vai faltar no mundo?

Fonte: Giphy

A semana trouxe uma boa notícia com quatro tamanhos. As fontes que projetam o balanço mundial concordam que vai faltar açúcar na safra que vem, depois de um ano de sobra. É a mesma safra medida com réguas diferentes, e a diferença entre elas é de mais de oito vezes.

O lado que empurra o preço para cima tem nome e sotaque. Um ex-diretor da Wilmar, uma das maiores tradings de açúcar do mundo, disse à Reuters que a combinação de El Niño com estoque baixo na Índia pode fazer um dos mercados mais altistas em vinte anos. A chuva no Centro-Sul atrasou a moagem, e a Tailândia deve colher menos porque o agricultor de lá trocou cana por mandioca.

O lado que segura o seu entusiasmo tem três freios, e estão nas mesmas matérias. O preço em Nova York já recuou da máxima da semana passada. O consumo no Oriente Médio deve cair com a guerra. E o próprio ex-diretor lembra que a Índia pode virar importadora só em 2027, não agora.

Déficit sem número é direção, não preço. Na hora de fechar o mix da sua usina, o que vale é a cotação que o comprador paga na sua conta, não a réguinha da consultoria que mais lhe agrada.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Uma palavra picada em sílabas, embaralhada, e uma dica de tema. É só isso o Sílabas Sortidas, e é por isso que ele pega: a primeira você monta em dez segundos, a terceira você fica encarando como se fosse cláusula de arrendamento. O Mix Diário traz cinco, de temas diferentes. A quinta é a que trava. Boa sorte.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Crédito rural para cobrir os gastos do ciclo produtivo, sementes, adubo e defensivo, antes do plantio.

Pergunta de hoje: o que é a LCA?


A resposta você confere na próxima edição!

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