APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem a Rússia tirando nitrato de amônio do mercado global, sementeira brasileira que cresceu em volume mas viu a margem derreter em 2025 e planta invasora aparecendo em Santa Catarina com capacidade de acabar com a lavoura inteira. No meio disso, as agtechs brasileiras passaram de 2 mil e tão chegando mais perto de onde o agro de fato acontece e a IA já acerta quase 95% na recomendação de adubo.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 182.509,14 13,27%
BEEF3 R$4,15 -27,95%
SMTO3 R$19,95 31,94%
RAIZ4 R$0,54 -33,33%
TTEN3 R$15,40 -6,67%
Bitcoin US$70.463,35 -20,24%
Ethereum US$2.152,42 -27,95%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

Boa Safra colhe frustração em 2025, mas vê 2026 com cara de revanche

Foto: Divulgação

A Boa Safra fechou 2025 com aquele resultado que ninguém enquadra na parede. A empresa até vendeu mais, mas esbarrou num problema que virou pedra no sapato de muita sementeira, estoque abarrotado de soja e margem sendo espremida sem dó. No 4º trimestre, que sozinho fica com mais de 45% da receita, a margem Ebitda ajustada caiu de 14% pra 5%.

No ano todo, o Ebitda recuou 16% e fechou em R$ 130,4 milhões, enquanto a margem foi de 10% pra 6%. A conta apertou porque sobrou estoque, faltou espaço pra vender tudo como semente, e uma parte precisou sair como grão, o que até ajuda a girar o estoque, mas passa longe de ser um bom negócio pra rentabilidade.

O resultado decepcionou tanto que até a própria empresa não tentou enfeitar muito a história. Luiz Henrique Colpo, um dos fundadores do grupo, chamou o resultado de decepcionante, e o mercado embarcou na mesma vibe. BTG Pactual, Itaú BBA e Bradesco BBI tiraram a recomendação de compra das ações, com a leitura de que a Boa Safra perdeu uma parte daquela imagem de negócio leve e acelerado e passou a exigir mais capital pra sustentar o crescimento.

Mesmo assim, a companhia tenta vender 2026 como um ano de arrumar a casinha e retomar o ritmo, devolvendo a margem pro negócio. A Boa Safra ganhou 2 pontos de market share em 2025, passou de 10% de participação e registrou o maior crescimento em volume da história, ainda que abaixo do sonho que tinham no começo.

A inadimplência segue sob controle, com provisão de R$ 13 milhões sobre uma carteira de R$ 773 milhões, o equivalente a 1,7%. E, com caixa de R$ 1,1 bilhão e vencimentos curtos de só R$ 62 milhões neste ano, a empresa tenta convencer o mercado de que 2025 foi um escorregão feio, não uma mudança definitiva de rota. Agora, a meta é voltar a vender 80% da capacidade de beneficiamento como semente, contra 76% em 2025, além de colher o efeito dos cortes de custos e da redução de pessoal feitos em dezembro.

MENTES QUE GERMINAM

Agtechs saem do eixo Sudeste e já são mais de 2 mil pelo país

Foto: Globo Rural

As agtechs, startups que tentam resolver pepino do agro com tecnologia, já viraram parte importante da engrenagem do setor e tão cada vez menos restritas àquela imagem de inovação concentrada em meia dúzia de polos. Segundo o levantamento Radar Agtech, da Embrapa, o agro brasileiro fechou 2025 com 2.075 agtechs mapeadas, uma alta de 5% sobre 2024.

Não é mais aquele boom alucinado de outros anos, mas também passou longe de ser mais do mesmo. O novo relatório mostra um ecossistema menos no oba-oba e mais na fase de crescer com algum juízo, com startup tentando parar de parecer pitch bonito e começar a virar negócio de verdade. E o dado mais interessante nem tá só no tamanho do bolo, tá em onde ele tá sendo repartido.

O Sudeste ainda manda no mapa, com 55,2% das agtechs, mas o resto do país resolveu entrar no jogo de vez. Norte, Nordeste e Centro-Oeste ganharam espaço e foram se aproximando mais das regiões onde o agro de fato acontece na prática, e não só no PowerPoint. Em 2019, Norte e Nordeste juntos tinham só 5% das agtechs do país. Agora, o Norte já aparece com 7,6%, o Nordeste com 6,5% e o Centro Oeste com 7,1%.

E essa mudança não veio sozinha. O Sul ultrapassou o Sudeste em número de ambientes de inovação, ficando com 37,18% dos 390 espaços mapeados no país, contra 32,82% do Sudeste, muito puxado pelo avanço das incubadoras lá no Rio Grande do Sul. No mercado de trabalho, 41,1% das agtechs já atuam dentro da fazenda e 40,5% depois da fazenda, sinal de que a turma tá cada vez mais conectada com o campo real. E a inteligência artificial também já virou arroz com feijão nesse ecossistema, sendo usada por 83% das empresas e mandando no negócio de 35% delas.

O AGRO EM NÚMEROS

Soja acelera na colheita, mas exportação ainda fica no vai-não-vai

Foto: Flickr/CNA

No Paraná, a colheita da soja 2025/26 chegou a 82% da área, avanço de 12 pontos porcentuais em uma semana, segundo o Deral. Ainda assim, o ritmo tá bem atrás dos 90% registrados no mesmo momento da safra passada. No milho, o primeira safra já foi colhido em 87% da área, enquanto o plantio da segunda safra chegou a 90%, com parte das lavouras mostrando estresse hídrico, falhas de germinação, estande irregular e lagarta fazendo hora extra.

Do lado das exportações, a média diária da soja ficou em 633,4 mil toneladas até a 3ª semana do mês, uma queda de 17,9% na comparação com a média de março de 2025, tudo isso de acordo com a Secex. No acumulado, foram 9,5 milhões de toneladas em 15 dias úteis, abaixo do que o mercado costuma esperar pra um período em que o Brasil já tá com a colheita bem mais adiantada.

Só que o line-up dos portos conta uma história mais animada. Segundo a Safras & Mercado, março deve fechar com 16,7 milhões de toneladas embarcadas, acima das 15,99 milhões de um ano atrás. Pra abril, a programação já aponta mais 10,51 milhões de toneladas, o que mantém a engrenagem girando forte.

RADAR SANITÁRIO

Caruru-gigante aparece em SC e liga o alerta no agro

Foto: Mapa/Divulgação

O agro brasileiro ganhou mais um personagem que ninguém convidou pra festa. O Amaranthus palmeri, também chamado de caruru-gigante, foi flagrado em uma propriedade de Campo Erê (SC) e já chegou carregando uma fama que não é pouca coisa. Em lavouras de soja e milho, essa planta daninha pode causar perdas de 70% a 100% e, em cenários mais extremos, até fazer a colheita parar. Não é só um matinho folgado de beira de cerca, é um concorrente de peso entrando no campo pra brigar por água, luz, nutriente e paciência do produtor.

O tamanho do susto vem do pacote completo. Segundo a Embrapa, a invasora pode crescer de 2,5 cm a 4 cm por dia em condições ideais, e em áreas mais densas esse ritmo pode chegar a até 6 cm. Além de acelerar mais que muita cultura importante, ela ainda é conhecida pela resistência a herbicidas. Nos Estados Unidos, já existem populações resistentes a até 6 diferentes mecanismos de ação. E como desgraça pouca é bobagem, uma única planta pode produzir de 80 mil a 250 mil sementes, com relatos de algumas que passam de 1 milhão. É praticamente uma fábrica de problema com raiz.

Depois da confirmação laboratorial, a Cidasc interditou a área, destruiu as plantas encontradas e delimitou o entorno pra tentar impedir que o caruru-gigante resolva fazer carreira em Santa Catarina. Os produtores da região também tão sendo orientados sobre como identificar a espécie, que tem folhas ovais, pode apresentar uma mancha branca em V invertido e traz inflorescências femininas rígidas, parecidas com espinhos.

DE OLHO NO PORTO

Rússia fecha a torneira do nitrato e mercado ganha mais um motivo pra perder o sono

GIF: Devin Wang/pinterest

A gente sabe que você já tá cansado de ouvir (ou ler) sobre os preços dos fertilizantes subindo por conta da guerra no Irã, mas todo dia tem novidade, e parece que só piora. A Rússia decidiu pisar no freio nas exportações de nitrato de amônio por um mês, até 21/04, pra garantir o abastecimento do mercado interno durante o plantio da safra de primavera deles.

Como o país controla até 40% do comércio global desse fertilizante e produz mais de 25% de todo o nitrato de amônio do mundo, a decisão não passou batida. Na prática, Moscou tirou produto do mercado internacional num momento em que o setor já tá andando com o coração mais acelerado que o normal.

O cenário já tava longe de ser tranquilo até antes dessa decisão. O fechamento do Estreito de Ormuz zoou a oferta global de amônia, que é matéria-prima central pro nitrato de amônio, e a Rússia também não tá com sobra de capacidade pra compensar esse aperto aumentando produção.

Pra ajudar a deixar o roteiro ainda mais tenso, a fábrica de Dorogobuzh, da Acron, que responde por 11% da produção russa, foi atingida por drones ucranianos em fevereiro e não vai voltar a operar plenamente antes de maio. A Lei de Murphy não para pros fertilizantes.

O Ministério da Agricultura russo suspendeu todas as licenças de exportação e avisou que não vai emitir novas, com exceção dos contratos governamentais. O Brasil tá entre os destinos desse fertilizante, junto com Índia, Peru, Mongólia, Marrocos e Moçambique, então não é exatamente uma notícia distante da rotina do agro daqui.

Como o nitrato de amônio pesa no início da safra do Hemisfério Norte e ainda entra na produção de explosivos, a conta mistura lavoura, geopolítica e indústria pesada num coquetel que ninguém no agro tá olhando com tranquilidade.

ATUALIZAÇÃO RURAL

IA vira agrônomo de silício e acerta quase 95% na adubação

GIF: Giphy

A inteligência artificial tá cada vez menos parecendo acessório e mais ferramenta de verdade dentro do agro. Um estudo publicado na Scientific Reports mostrou que um sistema autônomo conseguiu acertar 94,7% das recomendações de fertilizantes, analisando imagens do solo, dados de nutrientes, clima e condições ambientais pra indicar o insumo mais adequado pra cada cultura. Em vez de só despejar gráfico na tela, a tecnologia entra pra interpretar o cenário e sugerir qual adubo faz mais sentido, o que ajuda a reduzir desperdício, custo mal alocado e impacto ambiental.

O sistema trabalha em etapas e vai montando o quebra-cabeça da lavoura. Primeiro, usa visão computacional pra identificar o tipo de solo por imagem, com 92,88% de precisão. Depois, cruza variáveis como nitrogênio, fósforo, potássio, pH, temperatura, umidade e chuva pra recomendar tanto cultura quanto fertilizante. Na escolha da cultura, o acerto foi de 92,4%. Já na indicação do adubo, o modelo baseado em XGBoost mandou 94,7% de precisão, sugerindo opções como ureia, DAP, MOP, NPK, potássio e compostos orgânicos. Tudo isso foi treinado com 2,2 mil amostras agrícolas, então já é melhor que chutar a quantidade e rezar pra dar certo.

Mas a parte mais interessante é que a ferramenta também usa dados climáticos em tempo real por API e ainda mostra quais fatores pesaram em cada decisão, o que evita aquele problema da tecnologia que responde bonito, mas que ninguém entende de onde saiu a resposta.

Os próprios autores lembram que resultado alto assim costuma aparecer com mais facilidade em ambiente controlado, mas o diferencial aqui tá justamente em juntar solo, clima, cultura e fertilizante na mesma conta. E como a arquitetura já foi pensada pra conversar com sensores, drones e imagens de satélite, a tendência é que esse tipo de sistema vá deixando de ser curiosidade de estudo pra virar mais um cérebro operacional dentro da fazenda.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Pinhão

Pergunta de hoje: Qual sanduíche amazônico leva pão, queijo coalho e um fruto laranja rico em gorduras boas?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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