APRESENTADO POR

Bom dia!

Sábado de feriadão pede cerveja gelada, e antes do primeiro gole vale conferir a comanda da semana, porque teve conta que mudou de mesa. A Petrobras abriu a dela para quem quiser vender biometano por anos a fio. A do trigo paulista, a chuva levou mais de 80%. Na Raízen, quem escolhe quem senta à mesa passa a ser o credor. E a que abre a edição é a do México, que voltou a pedir a carne de aves brasileira, com uma exceção bem na divisa. Descendo a tela tem mais.

Pra você ficar bem informado em 5 minutinhos.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (Paranaguá, R$/saca 60kg) R$158,88 0,38% 12,68%
Milho (R$/saca 60kg) R$65,64 0,08% -5,55%
Algodão (Centavos R$/libra-peso) 413,02 0,21% 18,47%
Boi gordo (R$/arroba 15kg) R$389,90 0,18% 22,15%
Açúcar (R$/saca 50kg) R$128,35 -1,25% 16,69%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

Os acionistas da Raízen aprovaram a separação dos negócios de açúcar e etanol da distribuição de combustíveis, que ainda depende do plano de recuperação extrajudicial, segundo fato relevante. Pela segregação aprovada, a Raízen Energia fica com etanol, açúcar e bioenergia.

RADAR SANITÁRIO

O México volta a comprar carne de aves do Brasil, menos a catarinense

Fonte: Giphy

Quem abate frango fora de Santa Catarina estava pagando pelo foco de Newcastle do vizinho: depois do primeiro caso, numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC), o México suspendeu as compras de carne de aves de todo o Brasil. Agora o governo mexicano reconheceu a regionalização sanitária: a restrição fica só em Santa Catarina, e os frigoríficos habilitados dos outros estados voltam a ter acesso ao mercado mexicano. Traduzindo, a cerca saiu da fronteira do país e foi para a divisa do estado.

Para ter a medida do freguês: o México compra cerca de 25 mil toneladas de frango brasileiro por mês, US$ 70 milhões, pelas estimativas do setor, e agora só a parte catarinense fica de fora. Era a decisão que o mercado esperava desde que o México deixou entrar só a carga embarcada antes do foco, como já contamos aqui.

Do lado de dentro da cerca, a restrição apertou na mesma semana. A Arábia Saudita, que pela orientação do Mapa barrava só a área em volta dos focos, estendeu a suspensão a Santa Catarina inteira, um cliente que levou 88,8 mil toneladas de frango catarinense de janeiro a setembro; a indústria avalia que o impacto será reduzido, porque um volume expressivo de cargas já tinha sido enviado.

O detalhe é que a cerca só segura enquanto o vírus ficar do lado de dentro. O terceiro foco, em Nova Erechim, fica a cerca de 50 quilômetros da divisa do Paraná e da do Rio Grande do Sul, e o Itaú BBA avisa que um caso fora de Santa Catarina pode fechar esses dois estados também.

A CONTA CHEGOU

Os credores indicam quem preside o conselho da Raízen da cana

Fonte: Giphy

A reestruturação da Raízen andou mais uma casa na sexta-feira.

Os acionistas da Raízen S.A. e da Raízen Energia aprovaram as mudanças de estatuto e de capital, a separação dos negócios e os novos conselhos. Para quem entrega cana, o que interessa é quem senta à mesa daqui para a frente.

Na Raízen Energia, a empresa do etanol, do açúcar e da bioenergia, o presidente do conselho será Julio Cesar de Toledo Piza Neto, indicado pelos credores, que também escolheram a maioria dos nomes nas duas companhias. A Shell indicou dois conselheiros, e a cadeira de Rubens Ometto depende da Aguassanta entrar com até R$ 500 milhões na capitalização. Ou seja, a cadeira dele agora tem preço de entrada.

Por enquanto, ninguém troca de cadeira: a posse vale com a homologação da capitalização, prevista até 18 de dezembro, e quem tem ação pode exercer a preferência de 9 de novembro a 8 de dezembro. E a pergunta do canavial ficou sem resposta: a Raízen não detalhou o efeito da reorganização sobre o investimento industrial, a operação das usinas e o planejamento da produção agrícola.

BATEU O MARTELO

A Bayer ganhou o primeiro júri do Roundup depois da Suprema Corte

Fonte: Globo Rural

Em junho, a Suprema Corte americana barrou as ações baseadas na falta de aviso de câncer no rótulo do Roundup, herbicida à base de glifosato, mas deixou abertas as acusações de defeito do produto e de negligência.

O primeiro caso a ir a júri depois disso foi o de três mulheres com linfoma não Hodgkin, que processaram a Monsanto em 2020, e em St. Louis o júri rejeitou por unanimidade as acusações de defeito na concepção, fraude e negligência, depois de cerca de duas horas.

Foi a estreia de um campeonato comprido. A Bayer ainda tem cerca de 65 mil ações nos Estados Unidos e um acordo de US$ 7,25 bilhões à espera da análise de um juiz do Missouri, e os advogados das autoras contestam que a decisão da Suprema Corte alcance defeito de projeto e negligência. O Jefferies vê possíveis dificuldades para quem processa com os mesmos argumentos, mas avisa que um veredicto só não antecipa os próximos.

Aqui, a decisão que mexeu com o registro foi outra: em setembro, a 7ª Vara do Trabalho de Brasília suspendeu por 90 dias os novos registros e autorizações de defensivos à base de glifosato, sem atingir os que já estão registrados. E lá fora o produto segue em exame: a EPA, que já concluiu que o glifosato provavelmente não é cancerígeno, faz uma nova avaliação de segurança.

COLHENDO CAPITAL

Uma CPR de seis anos vem com três relatórios por safra

Fonte: Giphy

Alongar dívida fora do banco tem um preço que não está só na taxa. A gestora JiveMauá comprou para a carteira uma CPR de R$ 36 milhões de um grupo agrícola de Sinop (MT), com prazo de seis anos, custo de CDI mais 4% ao ano e alienação fiduciária de terras, para alongar as dívidas do produtor.

A novidade está no contrato: a MSA Partners, que montou a operação, vira uma espécie de RI do produtor, a área que presta contas a quem investe, e vai entregar à gestora três relatórios por safra, da compra do fertilizante à estratégia de preço dos grãos. O gestor do Fiagro da JiveMauá resume a lógica dizendo que, com menos falta de informação, o crédito barateia.

Quem não tem terra livre para dar em garantia tem outra porta. O banco digital Plantae Agrocrédito, de Presidente Prudente (SP), usa imagem de satélite e informação das usinas para acompanhar a lavoura e ver se precisa estender o prazo. Agora prepara para o começo de 2027 um Fiagro-FIDC de cerca de R$ 100 milhões e passou a vender consórcio de máquinas da Rodobens.

As duas casas falam do que vendem, e o Fiagro da Plantae ainda é previsão. Mas a frase do diretor comercial dela é a que pesa na decisão de quem vai trocar máquina: até para comprar uma, os bancos estão pedindo garantia real além do bem.

PAPO DE CURRAL

Repor um boi magro custa 13,9 arrobas de boi gordo em São Paulo

Fonte: Giphy

Vendeu boi gordo em outubro e vai repor? Na última semana do mês, no mercado de São Paulo, o boi magro subiu 4,5%, e todas as categorias de reposição, machos e fêmeas, andaram para cima, pela Scot Consultoria. A Scot dá o motivo: procura alta, oferta restrita e chuva favorecendo a rebrota do capim, o que faz o pecuarista segurar o bovino.

Na conta da troca, são 13,9 arrobas de boi gordo para um boi magro e 9,5 para um bezerro de desmama, e o ágio do bezerro de desmama sobre o boi gordo está em 45,3%, quase 11 pontos acima de um ano atrás. Traduzindo, de um ano para cá o salário subiu, mas o preço do bezerro subiu mais.

Em Mato Grosso do Sul, o bezerro também subiu: o indicador do Cepea registrou média de R$ 3.530,19 por cabeça, com alta acumulada de 2,44% em outubro.

MENTES QUE GERMINAM

Solo, cocho e motor: três trocas que a tecnologia propõe à fazenda

Fonte: Globo Rural

Três novidades de tecnologia apareceram nesta semana, e cada uma mexe numa conta diferente da fazenda.

No café, a Nestlé, pelo Nescafé, e a cooperativa Expocacer levaram para dez fazendas de arábica em Patrocínio (MG) a BioAS, a bioanálise de solo da Embrapa, que soma à análise química a atividade de enzimas de microrganismos, um termômetro da saúde do solo. A coleta é mecânica e cai de dois dias para uma hora por propriedade. É um exame de sangue para o talhão.

No cocho, a dsm-firmenich, dona da Tortuga, lançou o Protocolo Tortuga para Mercados Exigentes, um protocolo nutricional da cria à terminação sem antibióticos promotores de crescimento, com aditivos fitogênicos no lugar deles. O anúncio é da empresa e não traz custo nem ganho de peso. Mas um pesquisador do IZ-Apta já tinha dito ao Canal Rural, em setembro, sobre as alternativas aos promotores em geral, que elas podem, em alguns casos, perder eficiência, e que nenhuma substitui 100%.

No motor, o Instituto Mauá de Tecnologia e a UFSM testam etanol hidratado num motor feito para diesel, de olho em caminhão e máquina agrícola, e por enquanto chegaram a torque e potência equivalentes sem mudança estrutural significativa. Só que o teste ainda é virtual: o motor só vai para o banco de prova no fim do ano, se as estimativas se confirmarem.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Uma palavra secreta de até dez letras, e ninguém diz quantas: Letroso. Você chuta qualquer palavra, o que está na resposta acende em verde, e as letras que andam coladas aparecem grudadas num bloco só. O teclado vai apagando as letras que não estão lá. Comece por uma palavra cheia de vogais e vá montando. Divirta-se!

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: semente salva é o grão que o produtor separa da própria colheita para plantar na safra seguinte, sem comprar semente nova; a Lei de Cultivares permite, só para uso próprio.

Pergunta de hoje: o que é o biometano?


A resposta você confere na próxima edição!

PROGRAMA DE INDICAÇÃO

CONTATO

📧 Leitor: [email protected]

📧 Imprensa: [email protected]

Keep Reading

VOLTAR À PÁGINA INICIAL