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Bom dia!

A edição de hoje tem frigorífico comemorando resultado histórico com olho na China e nos EUA, startup que saiu da universidade e já tá mandando drone e IA pra dentro do canavial, e julgamento no STF que parecia encaminhado mas voltou pro começo. No meio disso, a Lavoro ganhou novo dono, o café saiu mais devagar do porto em fevereiro e o diesel resolveu lembrar mais uma vez que manda na logística.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 183.447,00 13,85%
SLCE3 R$16,96 5,67%
SMTO3 R$18,98 24,87%
KLBN11 R$19,72 5,12%
VALE3 R$80,56 11,95%
Bitcoin US$69.644,65 -21,17%
Solana US$85,66 -31,70%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

  • Cosan dispara com o balanço. A Cosan virou uma das maiores altas do dia no mercado de ações e chegou a saltar 8% após os resultados do 4T25, mesmo com prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões. O Ebitda ajustado ficou em R$ 7,8 bilhões e a dívida líquida expandida caiu pra R$ 9,76 bilhões, com alavancagem em 3,3x.

SAFRA DE CIFRAS

Temporada de recordes da FriGol

GIF: DrRoots on Giphy

A FriGol fechou 2025 engordando o próprio caixa e o relatório veio com sorriso largo. A companhia bateu R$ 4,5 bilhões de receita bruta e R$ 4,3 bilhões de receita líquida, alta de 22% nas 2 linhas, e ainda cravou o maior Ebitda da história, R$ 323,9 milhões, salto de 81% com margem de 7,6%. Na versão oficial, foi eficiência operacional e disciplina no capital. Na versão do campo, foi fazer o básico muito bem feito.

No lucro líquido, o número caiu 28% e fechou em R$ 156,7 milhões, com a FriGol dizendo que 2024 teve efeito fiscal não recorrente e bagunçou a foto do antes e depois. Mesmo assim, a empresa fez questão de puxar o FriGol Mais pro holofote, dizendo que o programa de eficiência respondeu por 30% do resultado operacional. No 4º tri, a receita bruta foi R$ 1,16 bilhão, o Ebitda caiu pra R$ 51,3 milhões com margem de 4,6%, e o lucro líquido fechou em R$ 13,5 milhões, um retrato de fim de ano mais pé no chão.

O empurrão maior veio da gringa. As exportações já viraram 56% do faturamento, acima dos 52% do ano anterior, com a China mantendo a coroa. No mercado interno, que ficou com 44%, a FriGol dobrou a aposta em linha de maior valor agregado e empurrou o crescimento com Chef, Angus, BBQ Secrets e Açougue Completo, que avançaram 11% em volume. E o projeto Açougue Completo ganhou mais chão, com 10 novas lojas e fechamento de 2025 com 65 pontos em supermercados parceiros.

Pra 2026, o plano é crescer ainda mais. A FriGol tá usando os acordos de prestação de serviços que fechou com a DistriBoi e a RioBeef em Rondônia, somando 3 unidades, pra aumentar a produção sem precisar construir frigorífico do zero. O plano é elevar os abates de cerca de 650 mil cabeças em 2025 pra mais de 1 milhão em 2026 e levar a receita pra perto de R$ 7 bilhões, mirando ampliar as vendas pra China mesmo com o barulho das cotas e da tarifa extra de 55% fora do volume limitado, e ainda colocando os EUA no radar com uma planta habilitada que dá esse passaporte.

Pra bancar o crescimento sem fazer o caixa passar vergonha, a companhia lançou um CRA de R$ 250 milhões e outras linhas de financiamento pra garantir capital de giro, com a leitura de que esse dinheiro volta pro caixa em até 12 meses. E, pra não esquecer que hoje boi também precisa de RG ambiental, a FriGol lançou o FriGol Farm, um programa que dá ferramenta pro fornecedor monitorar os próprios fornecedores indiretos e ampliar a rastreabilidade, tentando cortar os riscos de desmatamento antes que ele vire dor de cabeça na exportação.

CAMPO ATUALIZADO

Startup quer virar cérebro do campo usando IA e reduzir custos de aplicação

GIF: Giphy

A GeoIA nasceu dentro da UFMS e saiu da sala de aula direto pro canavial, com a missão de achar falha de plantio, linha torta, daninha folgada e outras anomalias, tudo no olhar do drone e no cérebro da IA, pra ajudar usina a gastar menos na pulverização. No portfólio de clientes já tem peso pesado como Adecoagro, BP Bioenergy, Cofco, Tereos e São Martinho.

O CEO, Pedro Cavalcante, ainda joga a ambição lá em cima e diz que a GeoIA quer ser a OpenAI do agronegócio, no sentido de pegar um problemão e transformar em ferramenta que o campo consegue usar sem virar cientista de dados. A lógica, segundo ele, é treinar modelos que aprendem padrões de solo, cultura, infestação e falha de plantio sem ficar presos num talhão só, daí dá pra adaptar pra cana, soja e o que vier depois.

O processo começa com mapeamento de alta resolução, quando drones capturam as imagens e a IA da empresa faz a leitura usando base técnica de cerca de 120 artigos científicos. A diferença pro jeitão tradicional é que aqui a ideia não é jogar herbicida na área inteira pra garantir, e sim aplicar só onde o problema tá gritando, talhão por talhão, sem banho coletivo.

Depois da análise, o sistema gera um arquivo executável e manda direto pra máquina agrícola que consegue receber as instruções e aplicar na lavoura. A GeoIA diz que já roda com máquinas da John Deere e da Jacto e também com drones da DJI, o que ajuda a fechar o caminho do diagnóstico até a operação sem virar um festival de retrabalho.

O principal produto, que é a eliminação de daninhas, promete economia que pode chegar a 82,29% no ponto mais eficiente. A São Martinho usa há 3 anos e fala em adoção que pode ir até 350 mil hectares, com a IA funcionando como uma auditoria digital do campo que mostra falha, aponta paralelismo e ajuda a decidir replantio pontual. Pra 2026, a GeoIA quer ampliar as classes de identificação, passar a fazer os próprios voos e dobrar a meta de faturamento pra R$ 8 milhões, além de levar o serviço pra lavouras de grãos.

O AGRO EM NÚMEROS

Ovo voando pra fora, café indo com calma e diesel subindo no susto

GIF: fuzzyghost on Giphy

O ovo brasileiro tá com moral lá fora. Em fevereiro, as exportações somaram 2,94 mil toneladas, alta de 16,3% na comparação com o mesmo período de 2025, e a receita foi junto no embalo, com US$ 6,18 milhões e avanço de 25,1%. No acumulado do 1º bimestre, já são 6,03 mil toneladas e US$ 12,58 milhões, com altas de 23,4% e 37,9%.

o café entrou no ano com menos mala pronta no porto. Em fevereiro, o Brasil exportou 2,62 milhões de sacas de 60 kg, queda de 23,5%, com receita cambial de US$ 1,06 bilhão. No 1º bimestre, o tombo ficou mais visível, foram 5,41 milhões de sacas, recuo de 27,3%, e a receita caiu 13% pra US$ 2,24 bilhões. O Cecafé jogou a conta na mão do arábica apanhando em Nova York, real valorizado e produtor mais capitalizado vendendo no compasso dele, sem correr atrás de dólar.

No tabuleiro global, o relatório do USDA mexeu pouco, mas mexeu. A safra mundial de soja em 2025/26 caiu 0,2% e ficou em 427,18 milhões de toneladas, e a exportação global também recuou 0,2% pra 187,17 milhões. EUA e Brasil ficaram iguais na foto, com 115,99 milhões de toneladas pros EUA e 180 milhões pro Brasil, enquanto a Argentina levou um corte e foi pra 48 milhões, e a China seguiu com previsão de compra em 112 milhões de toneladas. No milho, o USDA subiu o Brasil pra 132 milhões de toneladas e manteve exportação em 43 milhões, enquanto no trigo a oferta global foi revisada pra 842,12 milhões de toneladas, com Brasil mantido em 8 milhões.

E pra fechar a conta do campo, o diesel resolveu lembrar que manda na logística. Na 1ª semana de março, o S-10 subiu 7,72% e foi pra R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel comum avançou 6,1% pra R$ 6,61, e a gasolina teve alta mais tímida de 1,24% pra R$ 6,52. A leitura do setor é que o diesel reage primeiro quando o petróleo dá tranco, ainda mais porque o Brasil importa algo entre 20% e 30% do que consome e o combustível importado ficou mais caro com a guerra envolvendo o Irã, mesmo com a Petrobras segurando suas cotações.

NAS CABEÇAS DO AGRO

AgroVen cria braço de M&A e profissionaliza o casamento empresa–startup

GIF: Giphy

O AgroVen, aquele clube de investidores do agro que junta uma penca de gente grande na mesma mesa, resolveu tirar o vamo ver da conversa e lançou uma unidade pra mexer com dinheiro sério, Corporate Venture Capital e M&As. O nome do novo braço é XVen Intelligence, e ele tá vindo pra ajudar empresa grande a investir em startup, comprar, vender e não transformar inovação em paixão de feira que dura 2 semanas e termina em ghosting.

A XVen vem ancorada numa rede que já tem gente do tamanho de SLC, Bayer, Suzano, Cooxupé, Ourofino e Minerva Foods, ou seja, não é grupinho de WhatsApp, é mesa de reunião peso pesado. A proposta é usar esse ecossistema como atalho pra conectar capital, estratégia e execução, além de trazer um método pra decisões que, no agro, às vezes ainda rolam no feeling.

O time vai estruturar operações de CVC, que é quando corporação investe direto em startup, fazer avaliação e valuation de empresas com potencial pra receber aporte e apoiar processos de fusões e aquisições, tudo com aquela capinha de governança pra evitar que o case incrível vire um aprendizado valioso na ata do conselho. Silvio Passos, presidente do conselho do AgroVen, disse que a XVen nasce pra juntar estratégia, capital e execução, com foco em vantagem competitiva de longo prazo, que é o jeito elegante de dizer que eles querem que o investimento dê certo e não vire só conversa bonita no PowerPoint.

COLHENDO CAPITAL

AGI assume a Lavoro e o futuro promete cortes e rédea curta

Foto: Reprodução/AgFeed

A Lavoro trocou de piloto no meio da tempestade e chamou um trio que vive de pouso forçado. André Peixoto, Leonardo Macedo e Wallace Henriques, fundadores da AGI, compraram as operações brasileiras da empresa, que tá em recuperação extrajudicial desde junho do ano passado, e vão tentar domar os R$ 2,5 bilhões em dívidas da empresa. O anúncio veio discreto, sem valor e sem manual de como vai ser daqui pra frente, mas o recado é claro, entrou gente de reestruturação pra fazer o que fundo não gosta de fazer por muito tempo, segurar o rojão.

O currículo da AGI ajuda a imaginar como vai rolar essa parada. Eles já passaram por reestruturações no varejo com C&C, Lojas Leader e Casa & Video e têm um padrão bem clássico, cortar custo, fechar unidade que não dá margem, vender ativo e fazer caixa. Em 2023, quando compraram a C&C, aceleraram o encolhimento da rede, com fechamento de lojas grandes e deixaram a marca mais focada em poucos pontos e no digital. Nos outros casos, o remédio teve efeitos diferentes, teve reestruturação que virou venda e teve história que terminou em encerramento depois, o que mostra que o plano funciona no papel, mas depende de cada paciente.

Só que a AGI também não tá começando do zero. A Lavoro já vinha num programa pesado de enxugamento, com fechamento de lojas desde o começo de 2025, desmonte em estados como MT, RO e TO mais recentemente, e a venda da CropCare pro próprio Pátria, que era a joia mais rentável do grupo. Pra completar o combo, a empresa saiu da Nasdaq tem pouco mais de 1 mês, o que deixa o bastidor mais livre pra fazer acordo, cortar, vender e reorganizar sem plateia de mercado cobrando performance semanal.

Daqui pra frente, o mais provável é a AGI dobrar a aposta no downsizing e tentar deixar a Lavoro menor, mais regional e menos espalhada, mantendo só as revendas com melhores indicadores e tentando estancar o consumo de caixa. Tem até a tese de fatiar a operação em blocos menores pra vender por partes, se fizer sentido. O desafio é que revenda de insumo não vive só de e-commerce bonitinho, ela depende de assistência técnica e relação com produtor, então a AGI vai ter que cortar custo sem cortar o fio do balcão.

RADAR SANITÁRIO

Julgamento da Moratória da Soja sai do virtual e recomeça do zero no STF

GIF: Giphy

O julgamento sobre a Moratória da Soja ia terminar no virtual na sexta-feira (13), mas o ministro Edson Fachin pediu destaque e puxou o assunto pra Brasília. Traduzindo o juridiquês pra português, a votação sai da tela e vai pro plenário físico, com votação presencial, mas ainda não tem data marcada.

Nesse julgamento, o STF vai decidir se referenda a decisão individual de Flávio Dino, de novembro do ano passado, que suspendeu as ações judiciais que discutiam a validade da Moratória da Soja e também travou o processo no Cade sobre o tema. Tudo isso tá dentro da ADI 7774, que contesta uma lei de Mato Grosso que corta benefícios fiscais de empresas que participem de acordos privados mais rígidos do que a legislação.

E tem plot twist. Como o caso migra pro plenário físico, os votos do virtual são anulados e a contagem recomeça do zero. Até aqui, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes tinham acompanhado Dino, Dias Toffoli tinha divergido, e agora todo mundo volta pra cabine de votação com o placar zerado.

PLANTÃO RURAL

  • Cosan promete capítulo novo pra Raízen. A Cosan disse que espera desdobramentos nos próximos dias no plano pra Raízen, com conversa mais estruturada com credores, Shell e Rubens Ometto. A Cosan repetiu que não vai vender ativo a qualquer preço e defendeu que os negócios da Raízen pedem estrutura de capital diferente.

  • Bunge abre o plano até 2030. A Bunge apresentou uma estratégia pra levar o lucro por ação de cerca de US$ 13 pra pelo menos US$ 15 até 2030 e autorizou até US$ 3 bilhões de recompra de ações. A Bunge também colocou a integração da Viterra como motor pra ganhar eficiência e oportunidades comerciais.

  • Master Agroindustrial põe R$ 250 milhões na suinocultura. A Master Agroindustrial anunciou R$ 250 milhões em investimentos direto nas granjas de produtores integrados em SC. A Master hoje integra cerca de 350 produtores e abate 1,1 milhão de suínos por ano. A meta é passar de 2 milhões de suínos por ano até 2030.

  • Ministério aponta risco pesado pro adubo. O Ministério da Agricultura viu risco elevadíssimo de desabastecimento parcial e alta de preços de fertilizantes com guerra e Ormuz travado. No cenário pessimista, pode faltar fosfatado equivalente a até 20% da demanda nacional, com ameaça de impacto de produtividade acima de 20% em algumas culturas.

  • Embrapa e Baldan chamam pro pasto. A Embrapa Pecuária Sudeste e a Baldan vão fazer em 16/04 um dia de campo em São Carlos (SP) sobre como converter pastagens degradadas em sistemas produtivos intensificados. O evento vai mostrar diagnóstico, manejo de solo, ILP e máquinas, com participação do Banco do Brasil falando de crédito.

  • Algas entram no jogo contra a seca. Uma pesquisa da Embrapa Agroenergia testou extratos de algas brasileiras como bioestimulante em canola e trigo sob estresse hídrico. Em casa de vegetação, a canola teve até 160% mais síliquas e o trigo ganhou até 12% de raiz. Agora o desafio é levar isso pro campo e ver se mantém o tranco.

  • Greve na JBS nos EUA tá marcada. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da JBS em Greeley, Colorado, planejam greve a partir de 16/03. O sindicato pede salário acompanhando inflação e quer parar com cobrança por EPI perdido ou danificado. A JBS diz que cumpre as leis e tá remanejando produção pra outras plantas.

  • Soli3 avança com biodiesel no RS. A usina de biodiesel da Soli3 em Cruz Alta (RS) recebeu licença prévia e uma linha de crédito de R$ 300 milhões do BRDE. O investimento total é de R$ 1,25 bilhão. A Soli3 mira começar obra até junho e operar em 2028, processando 3 mil toneladas de soja por dia.

  • Aliare vê a reforma tributária como acelerador. A Aliare quer crescer com a reforma tributária, apostando que o produtor vai precisar de controle fiscal e contábil mais afiado pra não perder benefício e pagar mais imposto. A plataforma MyFarm quer sair de 5 milhões pra 8 milhões de hectares geridos em 2026, e a Aliare projeta receita de R$ 230 milhões.

  • Touro campeão foi de arrasta. Man Hater, touro bicampeão da PBR avaliado em mais de US$ 1 milhão, foi sacrificado após fratura na pata em uma prova em Little Rock. Ele tinha média histórica de 49,50 e participou da nota 98,25 com o brasileiro Cássio Dias. Veterinários consideraram a lesão irreparável.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Proálcool

Pergunta de hoje: Qual fruta tornou o Brasil líder global em suco concentrado?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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