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Bom dia!
Virou o mês, e o agro amanheceu trocando a folhinha da parede. No calendário do pasto, o rebanho encolheu pelo segundo ano seguido, com mais vaca indo para o abate. No da China, a sobra da cota uruguaia ficou sem dia marcado para o Brasil. No da Bahia, uma fazenda saiu vendida em sacas, com quatro vencimentos anuais na frente. E o seguro rural ganhou cadeado no cofre, mas quem escreve o tamanho dele a cada ano continua sendo o governo. Rolando a tela, tem mais data para circular.
Pra você amanhecer bem informado.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).
SEGURO MORREU DE VELHO
A verba do seguro rural ganhou cadeado, não cheque em branco

Fonte: Globo Rural
Se contratar o seguro da safra está na sua lista desta semana, a regra mudou no meio do caminho. O seguro rural que contamos aqui saindo do Senado, no começo de setembro, virou a Lei 15.526, sancionada em 29/09 e publicada no Diário Oficial de quarta. A principal mudança é que ela proíbe contingenciar a verba da subvenção, o congelamento que o governo faz no meio do ano.
O detalhe é que cadeado não aumenta cofre. A verba vira obrigatória, mas limitada ao valor que o próprio governo põe no projeto de orçamento, e para 2027 esse valor é de R$ 1,2 bilhão. Neste ano, sem essa proteção, só R$ 166,4 milhões dos R$ 1,01 bilhão previstos foram aplicados. Traduzindo, quem escreve o tamanho do cofre continua sendo quem deixou este quase vazio. E a obrigação ainda depende de uma medida de compensação fiscal que o governo não publicou.
Na mesa do banco, a apólice passa a entrar nas garantias do crédito rural, com o banco podendo ser o primeiro a receber a indenização se der sinistro. Em troca, o crédito com seguro pode ter juro, prazo e limite melhores, e prioridade na hora de prorrogar ou renegociar. O seguro deixa de ser papel na gaveta e vira fiador que o banco aceita.
Dos dois vetos, o que pesa é o da isenção ampla de tributos federais sobre o seguro, que a CNA queria para baratear a apólice e vai discutir com a FPA para tentar derrubar no Congresso. Pela leitura da FGV Agro, o veto não cria imposto novo.
Enquanto isso, parte da verba deste ano segue bloqueada, o ministro da Agricultura conta com a liberação, e há relatos de seguradoras mandando boleto ao produtor com a parte que caberia ao governo. A fechadura nova já vale; o boleto velho é que ainda pode chegar com a parte do governo dentro.
O MAPA DO AGRO
BrasilAgro vende terra na Bahia a 425 sacas o hectare útil

Fonte: Giphy
A BrasilAgro vendeu 2,6 mil hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, a 425 sacas de soja por hectare útil. É a primeira venda de terra dela no Brasil depois de uma safra inteira sem vender nenhuma por aqui, como contamos no começo de setembro. O pagamento também é em soja, uma parcela já entrou e as outras quatro vêm uma por ano. Terra no carnê em grão.
Repare na régua. Em 2021, a BrasilAgro tentou vender terra dessa mesma fazenda a algo entre 232 e 250 sacas o hectare útil. Em reais, trazendo as parcelas para o dinheiro de hoje, o hectare útil sai por uns R$ 45 mil, dentro da faixa que a região pratica desde 2021. Medida em saca, a terra subiu; medida em real, ficou onde estava.
O ganho com a venda, calculado sobre o que a área valia no balanço, é conta da própria BrasilAgro, que vem de um ciclo no prejuízo. E parte dessa área já tinha sido vendida uma vez: voltou em abril, depois que o comprador anterior, em recuperação judicial, parou de pagar.
Se você vende terra assim, lembre que o último carnê desse pedaço parou no meio.
A CONTA CHEGOU
A Raízen marca a votação que pode trocar o conselho

Fonte: CNN Brasil
Quando a reestruturação da Raízen sai do papel? A resposta tem data: em 30 de outubro, os acionistas votam as medidas do plano de recuperação extrajudicial, homologado na Justiça, como contamos aqui em agosto. É a reunião de condomínio em que a reforma combinada no papel começa a virar obra. Na pauta, o corte do capital social em até R$ 35 bilhões e a troca do conselho de administração inteiro. No corte, a proposta é que os acionistas recebam papéis da Raízen Energia, a subsidiária, na mesma proporção do que já têm. Cada condômino ganha, além da fração do prédio, uma fração da garagem do mesmo tamanho. Vai a voto também o teto de ações que a empresa pode emitir sem mexer no estatuto, até 200 bilhões, o passo que abre caminho para a capitalização do plano. A letra miúda é que manda. O corte de capital ainda depende de uma troca de registro da Raízen Energia na CVM e da listagem das ações dela na B3.
PAUTA VERDE
A Ikea paga para medir café regenerativo de 11 produtores mineiros

Fonte: TheAgriBiz
A conta da transição para o café regenerativo achou quem pague, e é uma loja de móveis. A Ikea, que serve café nas próprias lojas, pôs 500 mil euros num projeto com 11 cafeicultores da cooperativa MonteCCer, no Cerrado Mineiro, gerido pela Rainforest Alliance, a certificadora, para medir o custo e o resultado de cada prática regenerativa na lavoura. É escrever o manual antes de montar o móvel.
E o manual já achou parafuso sobrando. Tinha produtor que dizia não ter problema com nematoide e aplicava nematicida mesmo assim, no calendário. Agora alguém passa a cada 15 dias, coleta 100 folhas e diz se precisa aplicar, e um produtor viu a praga no vizinho antes dela chegar na fazenda e tratou de forma mais localizada. O primeiro sinal, segundo a Rainforest, é custo menor, com menos defensivo, e os dados ainda estão sendo fechados.
Na soja e no milho, a medição já anda, e o Reg.IA, da agtech Produzindo Certo, reúne cerca de 54 mil hectares com práticas regenerativas, e o dado de emissão e carbono de cada fazenda interessa sobretudo à indústria de alimentos, que quer reduzir as emissões da cadeia.
Por enquanto, quem conta o resultado é quem gere o projeto, e a compra desses cafés pela Ikea ainda é conversa, não contrato. O manual está sendo escrito; a venda do móvel, não.
COMO TÁ LÁ FORA?
Japão reabre à carne do norte argentino, e a Minerva espera

Fonte: CNN Brasil
Se o seu boi vai para frigorífico com planta na Argentina, um comprador que passou 20 anos sem levar carne de lá voltou à mesa, e é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo. O Japão acertou com a Argentina as condições sanitárias para voltar a comprar carne do norte do país, barrada até aqui por causa da aftosa. Foram cerca de 695 mil toneladas importadas em 2025, pelos dados do USDA.
E aí que o assunto chega no frigorífico brasileiro. A Minerva tem seis plantas de abate na Argentina e já vende carne ao Japão pelas unidades do Uruguai. A MBRF também tem unidade por lá e pode ganhar com a abertura; a JBS não tem planta de bovinos na Argentina. É entrar pela porta do vizinho, com a chave que o vizinho recebeu.
Só que a porta ainda está encostada. O governo japonês vai inspecionar e habilitar planta por planta antes de qualquer embarque, e só entra carne desossada e maturada, o tratamento que inativa o vírus da aftosa, e o que for feito dela. Quem chama de acordo histórico é o ministro da Economia argentino; quem anuncia a oportunidade é a própria Minerva. Até o fiscal bater em cada porta, é convite, não pedido.
COLHENDO CAPITAL
A Caramuru aprova até US$ 100 milhões, parte para o biodiesel

Fonte: Giphy
Vale pôr dinheiro em biodiesel com o B16 atrasado? A Caramuru, a maior esmagadora de soja de capital nacional, acha que sim: o conselho aprovou uma operação de até US$ 100 milhões com o Rabobank, parte dela para as plantas de biodiesel. Quanto vai para o biodiesel e quando o dinheiro sai, a ata não diz.
As três plantas ficam em Ipameri e São Simão (GO) e em Sorriso (MT), e a matéria-prima vem, em grande parte, do próprio esmagamento. É a padaria que mói o próprio trigo e agora quer forno maior. O financiamento deve reforçar a capacidade de produção da companhia, e a ata deixa a Caramuru dar ao banco quase qualquer garantia, de recebível a hipoteca.
Acontece que o mercado cresce puxado pela Lei do Combustível do Futuro, mas o degrau da mistura obrigatória, do B15 para o B16, está atrasado em relação ao cronograma. Forno aprovado, encomenda atrasada: a Caramuru apostou que ela chega.
PLANTÃO RURAL
A MBRF prepara emissão de dívida com nota abaixo do grau de investimento: as conversas com investidores começaram na segunda, segundo fonte ouvida pela Bloomberg, e os títulos sairiam com BB+ pela S&P e pela Fitch, na primeira emissão desde que a Marfrig comprou a BRF.
O rebanho brasileiro caiu pelo segundo ano seguido: são 234,3 milhões de cabeças em 2025, 1,7% a menos, numa queda que o IBGE relaciona ao aumento dos abates dos últimos quatro anos, em especial de fêmeas.
A J&F alongou US$ 1,32 bilhão de dívida com dez bancos: o empréstimo tem três anos de carência e cinco de prazo, com garantia de Eldorado, Flora e LHG Mining, e a J&F diz que não está aumentando a dívida, só esticando.
A MFG largou dois confinamentos alugados para investir nos próprios: a empresa do grupo MBRF saiu de Pereira Barreto (SP) e Campo Verde (MT) no fim do ano passado, sem acordo com os donos, ampliando dois confinamentos de Mato Grosso para 30 mil cabeças cada.
A CPR da SLC foi quase toda para a mão de pessoa física: dos R$ 515,5 milhões da emissão encerrada na terça, 537 investidores profissionais pessoa física levaram R$ 504,6 milhões, e uma instituição ligada à SLC ficou com o resto.
A China não deixou o Brasil usar a sobra da cota do Uruguai: a recusa vale para este ano e para o próximo, segundo fontes ouvidas pela Reuters, e o Ministério do Comércio chinês não se pronunciou publicamente sobre os pedidos do Brasil. A sobretaxa de 55% sobre a carne bovina que passa da cota vale desde 1º de outubro.
O Desenrola Rural foi prorrogado até 29 de janeiro: o desconto chega a 100% em juros, multas e encargos, nunca no principal, com teto de 65% da dívida, ou 70% para os grupos prioritários.
O açúcar paga cerca de 20% mais, e a usina continua mandando cana para o etanol: a cana colhida com alta umidade tem menos açúcar e serve melhor ao combustível, então até dezembro quem decide o mix é o clima, não o preço, dizem analistas ouvidos pela Reuters.
DIVIRTA-SE
Pense num personagem, de carne e osso ou de ficção, e o gênio do Akinator vai atrás dele com perguntas de sim ou não. O bom é quando ele leva a mão à testa e demora a perguntar de novo. Escolha um nome difícil, um violeiro das antigas ou o locutor do rodeio da sua cidade, e conte quantas perguntas ele gasta até cravar o nome.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium, que resistem anos no solo como esporo e são muito letais; previne-se com vacina no rebanho.
Pergunta de hoje: o que significa o B15 do diesel?
A resposta você confere na próxima edição!

