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Bom dia!

Virou o mês, e o agro amanheceu trocando a folhinha da parede. No calendário do pasto, o rebanho encolheu pelo segundo ano seguido, com mais vaca indo para o abate. No da China, a sobra da cota uruguaia ficou sem dia marcado para o Brasil. No da Bahia, uma fazenda saiu vendida em sacas, com quatro vencimentos anuais na frente. E o seguro rural ganhou cadeado no cofre, mas quem escreve o tamanho dele a cada ano continua sendo o governo. Rolando a tela, tem mais data para circular.

Pra você amanhecer bem informado.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Açúcar (R$/saca 50kg) R$121,12 -0,12% 10,12%
Arroz (R$/saca 50kg) R$82,81 -0,49% 54,93%
Trigo (Paraná, R$/tonelada) R$1.544,33 0,49% 30,63%
Boi gordo (R$/arroba 15kg) R$364,30 0,34% 14,13%
Café Arábica (R$/saca 60kg) R$1.576,85 0,82% -27,49%

Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).

SEGURO MORREU DE VELHO

A verba do seguro rural ganhou cadeado, não cheque em branco

Fonte: Globo Rural

Se contratar o seguro da safra está na sua lista desta semana, a regra mudou no meio do caminho. O seguro rural que contamos aqui saindo do Senado, no começo de setembro, virou a Lei 15.526, sancionada em 29/09 e publicada no Diário Oficial de quarta. A principal mudança é que ela proíbe contingenciar a verba da subvenção, o congelamento que o governo faz no meio do ano.

O detalhe é que cadeado não aumenta cofre. A verba vira obrigatória, mas limitada ao valor que o próprio governo põe no projeto de orçamento, e para 2027 esse valor é de R$ 1,2 bilhão. Neste ano, sem essa proteção, só R$ 166,4 milhões dos R$ 1,01 bilhão previstos foram aplicados. Traduzindo, quem escreve o tamanho do cofre continua sendo quem deixou este quase vazio. E a obrigação ainda depende de uma medida de compensação fiscal que o governo não publicou.

Na mesa do banco, a apólice passa a entrar nas garantias do crédito rural, com o banco podendo ser o primeiro a receber a indenização se der sinistro. Em troca, o crédito com seguro pode ter juro, prazo e limite melhores, e prioridade na hora de prorrogar ou renegociar. O seguro deixa de ser papel na gaveta e vira fiador que o banco aceita.

Dos dois vetos, o que pesa é o da isenção ampla de tributos federais sobre o seguro, que a CNA queria para baratear a apólice e vai discutir com a FPA para tentar derrubar no Congresso. Pela leitura da FGV Agro, o veto não cria imposto novo.

Enquanto isso, parte da verba deste ano segue bloqueada, o ministro da Agricultura conta com a liberação, e há relatos de seguradoras mandando boleto ao produtor com a parte que caberia ao governo. A fechadura nova já vale; o boleto velho é que ainda pode chegar com a parte do governo dentro.

O MAPA DO AGRO

BrasilAgro vende terra na Bahia a 425 sacas o hectare útil

Fonte: Giphy

A BrasilAgro vendeu 2,6 mil hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, a 425 sacas de soja por hectare útil. É a primeira venda de terra dela no Brasil depois de uma safra inteira sem vender nenhuma por aqui, como contamos no começo de setembro. O pagamento também é em soja, uma parcela já entrou e as outras quatro vêm uma por ano. Terra no carnê em grão.

Repare na régua. Em 2021, a BrasilAgro tentou vender terra dessa mesma fazenda a algo entre 232 e 250 sacas o hectare útil. Em reais, trazendo as parcelas para o dinheiro de hoje, o hectare útil sai por uns R$ 45 mil, dentro da faixa que a região pratica desde 2021. Medida em saca, a terra subiu; medida em real, ficou onde estava.

O ganho com a venda, calculado sobre o que a área valia no balanço, é conta da própria BrasilAgro, que vem de um ciclo no prejuízo. E parte dessa área já tinha sido vendida uma vez: voltou em abril, depois que o comprador anterior, em recuperação judicial, parou de pagar.

Se você vende terra assim, lembre que o último carnê desse pedaço parou no meio.

A CONTA CHEGOU

A Raízen marca a votação que pode trocar o conselho

Fonte: CNN Brasil

Quando a reestruturação da Raízen sai do papel? A resposta tem data: em 30 de outubro, os acionistas votam as medidas do plano de recuperação extrajudicial, homologado na Justiça, como contamos aqui em agosto. É a reunião de condomínio em que a reforma combinada no papel começa a virar obra. Na pauta, o corte do capital social em até R$ 35 bilhões e a troca do conselho de administração inteiro. No corte, a proposta é que os acionistas recebam papéis da Raízen Energia, a subsidiária, na mesma proporção do que já têm. Cada condômino ganha, além da fração do prédio, uma fração da garagem do mesmo tamanho. Vai a voto também o teto de ações que a empresa pode emitir sem mexer no estatuto, até 200 bilhões, o passo que abre caminho para a capitalização do plano. A letra miúda é que manda. O corte de capital ainda depende de uma troca de registro da Raízen Energia na CVM e da listagem das ações dela na B3.

PAUTA VERDE

A Ikea paga para medir café regenerativo de 11 produtores mineiros

Fonte: TheAgriBiz

A conta da transição para o café regenerativo achou quem pague, e é uma loja de móveis. A Ikea, que serve café nas próprias lojas, pôs 500 mil euros num projeto com 11 cafeicultores da cooperativa MonteCCer, no Cerrado Mineiro, gerido pela Rainforest Alliance, a certificadora, para medir o custo e o resultado de cada prática regenerativa na lavoura. É escrever o manual antes de montar o móvel.

E o manual já achou parafuso sobrando. Tinha produtor que dizia não ter problema com nematoide e aplicava nematicida mesmo assim, no calendário. Agora alguém passa a cada 15 dias, coleta 100 folhas e diz se precisa aplicar, e um produtor viu a praga no vizinho antes dela chegar na fazenda e tratou de forma mais localizada. O primeiro sinal, segundo a Rainforest, é custo menor, com menos defensivo, e os dados ainda estão sendo fechados.

Na soja e no milho, a medição já anda, e o Reg.IA, da agtech Produzindo Certo, reúne cerca de 54 mil hectares com práticas regenerativas, e o dado de emissão e carbono de cada fazenda interessa sobretudo à indústria de alimentos, que quer reduzir as emissões da cadeia.

Por enquanto, quem conta o resultado é quem gere o projeto, e a compra desses cafés pela Ikea ainda é conversa, não contrato. O manual está sendo escrito; a venda do móvel, não.

COMO TÁ LÁ FORA?

Japão reabre à carne do norte argentino, e a Minerva espera

Fonte: CNN Brasil

Se o seu boi vai para frigorífico com planta na Argentina, um comprador que passou 20 anos sem levar carne de lá voltou à mesa, e é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo. O Japão acertou com a Argentina as condições sanitárias para voltar a comprar carne do norte do país, barrada até aqui por causa da aftosa. Foram cerca de 695 mil toneladas importadas em 2025, pelos dados do USDA.

E aí que o assunto chega no frigorífico brasileiro. A Minerva tem seis plantas de abate na Argentina e já vende carne ao Japão pelas unidades do Uruguai. A MBRF também tem unidade por lá e pode ganhar com a abertura; a JBS não tem planta de bovinos na Argentina. É entrar pela porta do vizinho, com a chave que o vizinho recebeu.

Só que a porta ainda está encostada. O governo japonês vai inspecionar e habilitar planta por planta antes de qualquer embarque, e só entra carne desossada e maturada, o tratamento que inativa o vírus da aftosa, e o que for feito dela. Quem chama de acordo histórico é o ministro da Economia argentino; quem anuncia a oportunidade é a própria Minerva. Até o fiscal bater em cada porta, é convite, não pedido.

COLHENDO CAPITAL

A Caramuru aprova até US$ 100 milhões, parte para o biodiesel

Fonte: Giphy

Vale pôr dinheiro em biodiesel com o B16 atrasado? A Caramuru, a maior esmagadora de soja de capital nacional, acha que sim: o conselho aprovou uma operação de até US$ 100 milhões com o Rabobank, parte dela para as plantas de biodiesel. Quanto vai para o biodiesel e quando o dinheiro sai, a ata não diz.

As três plantas ficam em Ipameri e São Simão (GO) e em Sorriso (MT), e a matéria-prima vem, em grande parte, do próprio esmagamento. É a padaria que mói o próprio trigo e agora quer forno maior. O financiamento deve reforçar a capacidade de produção da companhia, e a ata deixa a Caramuru dar ao banco quase qualquer garantia, de recebível a hipoteca.

Acontece que o mercado cresce puxado pela Lei do Combustível do Futuro, mas o degrau da mistura obrigatória, do B15 para o B16, está atrasado em relação ao cronograma. Forno aprovado, encomenda atrasada: a Caramuru apostou que ela chega.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Pense num personagem, de carne e osso ou de ficção, e o gênio do Akinator vai atrás dele com perguntas de sim ou não. O bom é quando ele leva a mão à testa e demora a perguntar de novo. Escolha um nome difícil, um violeiro das antigas ou o locutor do rodeio da sua cidade, e conte quantas perguntas ele gasta até cravar o nome.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium, que resistem anos no solo como esporo e são muito letais; previne-se com vacina no rebanho.

Pergunta de hoje: o que significa o B15 do diesel?


A resposta você confere na próxima edição!

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