APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem Raízen sendo rebaixada pelo mercado financeiro, DSM-Firmenich fechando venda bilionária pra reduzir portfólio, Show Rural batendo recorde de público, exportações voando, planta daninha quarentenária em SP e Trump sob a mira do agro americano.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,50 0,00% 5,50 0,00%
IPCA (%) 3,96 -0,53% 3,80 0,00%
PIB (%) 1,80 0,00% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,25 0,00% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

  • Ibovespa bateu 186 mil e foi comemorar com as blue chips. O Ibovespa fechou acima de 186 mil pela 1ª vez, subindo 1,89% e carimbando 186.407,8 pontos, com empurrão de Itaú Unibanco, Vale e Petrobras.

APRESENTADO POR PASTU (SNASH)

Pastu chegou chegando no MT

A Pastu tá abrindo uma nova frente no Mato Grosso com equipe de campo dedicada pra ficar ainda mais perto do produtor, do jeito que a fazenda pede. Além do sistema, entram na jogada acompanhamento presencial, apoio na implantação e suporte colado na rotina, aquele reforço que evita que seja mais uma solução linda no slide e no panfleto, mas a maior dor de cabeça no pasto. A ideia é aproximar a tecnologia do dia a dia do produtor, acelerar os resultados e fazer a gestão pecuária virar um hábito, não algo pontual.

SAFRA DE CIFRAS

Raízen é rebaixada, vira papel de alto risco e pede uma mãozinha

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A Raízen acordou ontem (9) com o mercado batendo na porta e perguntando se tinha adoçante, porque o açúcar já tinha azedado. A Fitch e a S&P puxaram o tapete do grau de investimento e jogaram a empresa direto no território especulativo, no meio de um aperto de liquidez que vem ficando cada vez mais difícil de disfarçar com sorriso corporativo.

O rebaixamento veio com efeito dominó nos títulos. A queda, que já tava feia, ficou ainda pior, e os títulos derreteram quase pela metade na última semana e o mercado passou a tratar o risco como coisa séria.

Sem conseguir levantar mais dinheiro com os pais Cosan e Shell, a Raízen chamou a Alvarez & Marsal pra entrar como assessora financeira e ajudar a reorganizar a casinha. A turbulência abalou quem tem papel na mão e ainda acendeu um alerta maior, porque a história tá alimentando medo sobre outras empresas endividadas que captaram grana no mercado de dívida brasileiro.

As agências não economizaram na tesoura. A Fitch rebaixou em 5 níveis pra B, citando falha dos acionistas em colocar um dinheiro de respeito, um desempenho operacional mais fraco que o esperado e uma liquidez mais complicada. A S&P foi ainda mais pesada, cortou em 7 níveis pra CCC+ e disse que vê um risco cada vez maior de reestruturação de dívida que poderia ser vista como default. As duas ainda deixaram tudo em observação negativa, de porta aberta pra novos rebaixamentos.

A empresa vem apanhando de juros altos faz 4 anos, colheitas mais fracas do que o esperado e ainda fez sequência de apostas ambiciosas, do etanol de 2ª geração ao combustível de aviação sustentável, que ainda não viraram. O UBS BB já tinha dito no fim do ano passado que o buraco pede um caixinha extra de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões, mas as conversas com Cosan e Shell seguem só no papo.

O AGRO EM NÚMEROS

Feira lotada, boi carimbando passaporte e a lavoura correndo

Foto: Divulgação

O Show Rural Coopavel abriu a semana com parque cheio e sem timidez. No 1º dia do rolê, segunda-feira (9), 61.090 pessoas passaram por lá, recorde pra uma segunda e 4.580 visitantes a mais que a largada de 2025. A feira segue até sexta-feira (13), das 7h às 18h, com entrada e estacionamento grátis.

E enquanto o produtor circula na feira, o boi circula no mundo e janeiro veio com recorde. O Brasil exportou 264 mil toneladas de carne bovina, alta de 26,1% contra janeiro de 2025, e faturou US$ 1,404 bilhão, avanço de 40,2%. A carne in natura puxou o bonde com US$ 1,292 bilhão e 231,8 mil toneladas, e a China continuou como principal destino com 123,2 mil toneladas e US$ 657,2 milhões, enquanto os EUA ficaram em 2º com 29,9 mil toneladas e US$ 193,7 milhões, num mês em que a proteína brasileira rodou por um total de 177 países.

Fevereiro também já começou com cara de exportação acelerada. Nos primeiros dias do mês, a carne bovina somou 68,3 mil toneladas embarcadas, com média diária de 13,7 mil toneladas, acima da média diária de fevereiro de 2025 que foi 9,5 mil toneladas. E o preço médio ajudou a engordar ainda mais o caixa, com US$ 5.619,40 por tonelada no início de fevereiro de 2026, acima dos US$ 4.928,20 da média de fevereiro de 2025.

No frango, a história rima com a do boi, volume andando e valor ganhando ritmo. Nos 5 primeiros dias úteis de fevereiro, a receita chegou a US$ 264,1 milhões, com média diária de US$ 52.820,50, acima da média diária de fevereiro de 2025 que foi US$ 38.981,30. Em volume, foram 142,8 mil toneladas no começo do mês, média diária de 28,6 mil, e o preço médio subiu pra US$ 1.849,40 por tonelada, acima dos US$ 1.785,70 de fevereiro de 2025.

Na lavoura, a soja também tá andando, mas com um olho no céu e outro no mapa do Brasil. A colheita da safra 2025/26 chegou a 16% da área na quinta-feira (5%, contra 10% uma semana antes e 15% um ano atrás, com Mato Grosso puxando o ritmo mesmo com chuva apertando a janela. Já no Sul do MS e principalmente no RS, estiagem e calor seguem como o maior motivo de preocupação, porque fevereiro costuma ser decisivo pra produtividade e o campo não negocia com termômetro.

E pra fechar a planilha, o agro também mexeu o ponteiro do emprego em 2025. O setor criou saldo líquido de 41,9 mil vagas no ano, resultado 269% maior que 2024, quando tinha sido 11,3 mil, e foi o único setor a melhorar o saldo na comparação anual, com a CNA jogando parte do mérito na safra recorde de 2025. Quem mais contratou foi laranja com 11,8 mil e soja com 5,6 mil, mas a média salarial do agro ficou em R$ 2.127,56, abaixo da média nacional de R$ 2.294,62, ou seja, o emprego cresceu, só que o contracheque ainda tá pedindo reforço.

COLHENDO CAPITAL

DSM-Firmenich muda de pasto e fecha negócio de € 2,2 bi

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A DSM-Firmenich, dona da Tortuga no Brasil, acertou repassar o braço de nutrição e saúde animal pra CVC Capital Partners por um enterprise value de € 2,2 bilhões. Só que não foi aquele término traumático não. A empresa vai segurar 20% do negócio e continuar acompanhando de pertinho.

Esse corte faz parte de uma limpeza de portfólio que já tava rolando, já que no ano passado a companhia também vendeu a divisão de enzimas pra rações pra Novonesis por € 1,5 bilhão. A empresa tá querendo reduzir a exposição ao enfraquecimento do mercado global de vitaminas e concentrar energia onde ela quer crescer, com menos oscilação no cocho e mais previsibilidade na prateleira.

A DSM-Firmenich virou uma gigante de sabores e fragrâncias depois da fusão de 2023 entre Royal DSM e Firmenich International, e agora quer concentrar munição em ingredientes pra fabricantes de alimentos como a Nestlé e em ingredientes funcionais de cuidados com a pele pra marcas como a L'Oréal. Analistas de mercado leram o acordo como a virada de página da transformação que a empresa tava querendo fazer, só que com valuation menor do que o banco esperava, e o mercado respondeu daquele jeitinho que não pede licença, as ações chegaram a cair 4,5%.

E tem pegadinha importante nessa venda, ficaram de fora 2 produtos animais que são estrelas da casa, Bovaer e Veramaris. Ao mesmo tempo, a companhia vem sentindo pressão de ingredientes mais baratos da China e, na outra ponta, cresce a conversa de que segurança de ingredientes volta pro centro do palco depois do caso de contaminação de fórmulas infantis que chegou em Nestlé e Danone. Pra completar o pacote, a DSM-Firmenich também planeja recompra de ações de € 500 milhões no 1º trimestre.

RADAR SANITÁRIO

Caruru-gigante dá as caras em SP e vira caso sério no talhão

Foto: Fernando Adegas/Embrapa Soja

São Paulo entrou oficialmente no clube do perrengue fitossanitário. Um foco de caruru-gigante, também chamado de caruru palmeri, apareceu numa propriedade em São José do Rio Preto (SP) e marcou o 1º registro da planta daninha no estado, com direito a carimbo de praga quarentenária presente, aquela categoria que obriga o setor a sair da tranquilidade e ir direto pra contenção.

E não é qualquer matinho não. O caruru-gigante tem fama de agressivo, derruba o potencial produtivo da lavoura onde se instala e ainda é do tipo que cresce rápido todo dia, como se tivesse meta pra bater. Pra piorar, é difícil de controlar porque tem resistência a alguns herbicidas e ainda se adapta bem a diferentes condições, sem falar que ele vai passando essas habilidades pras sementes, que podem viajar pelo mapa inteiro grudadas em resíduos agrícolas no maquinário ou até com ajuda de aves.

Por isso o Ministério da Agricultura e Pecuária interditou a propriedade e puxou o freio: nada de sair material vegetal da planta, restos culturais ou solo. A área onde o foco foi detectado é de soja e a colheita desse talhão só vai acontecer quando a daninha for completamente eliminada, enquanto rola um levantamento pra entender o tamanho do problema e evitar que a história ganhe continuação em outros municípios.

E esse enredo já é conhecido no Brasil. O 1º caso por aqui foi registrado em 2015 no Mato Grosso, que já teve confirmação oficial em 8 cidades, e o Mato Grosso do Sul também entrou na lista nos últimos anos com focos em 2 municípios. Agora SP também tá na roda e vai ter que ficar de olho aberto pra não piorar essa situação e começar a pipocar caso dessa daninha.

COMO TÁ LÁ FORA?

Ex-líderes do agro gringo apontam dedo pra Trump

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Um grupo bipartidário de ex-lideranças do agro dos Estados Unidos mandou uma carta pro Congresso dos EUA, sem muito rodeio, dizendo que as políticas da administração Donald Trump tão acumulando efeito ruim em cima do produtor rural e da competitividade do país no longo prazo. No meio do recado, eles ainda jogam luz no que mais dói pro ego exportador, o Brasil seria o principal beneficiário dessa crise.

A turma que assinou o texto mistura ex-chefes de associações de commodities e biocombustíveis, líderes rurais e até gente que saiu recentemente do USDA, tudo com currículo de vida inteira defendendo a agricultura americana com unhas e dentes. O grupo argumenta que as falências no campo dobraram e o país entrou num déficit histórico na balança comercial agrícola, uma guinada brusca frente aos superávits e às rendas altas de poucos anos atrás.

A lista de culpados vem em combo. Eles dizem que ações do governo mais a inação do Congresso aumentaram custo de insumo, bagunçaram mercados internos e externos, tiraram do setor uma força de trabalho confiável e ainda cortaram grana de pesquisa, ciência e de equipes essenciais do USDA. A carta bate especialmente na tecla das tarifas em insumos agrícolas, que jogam lá pra cima o preço de fertilizantes, defensivos e peças, e isso empurra o custo de produção pra cima enquanto o preço das commodities não acompanha na mesma velocidade. O texto ainda larga uma cutucada e pergunta por que taxar insumo básico parecia uma boa ideia em algum momento.

No comércio exterior, o texto lembra que os EUA saíram da TPP e cita uma estimativa da American Farm Bureau Federation de que o acordo poderia adicionar US$ 4,4 bilhões por ano em exportações agrícolas, só que a promessa de compensar isso com acordos bilaterais não vingou. E a ferida com a China aparece como exemplo de cicatriz, eles dizem que a soja americana em grão caiu de 47% pra 24,4% de participação no mercado mundial desde as tarifas de 2018, enquanto o Brasil cresceu mais de 20% nessa vitrine e ainda teve espaço ocupado por Argentina e Austrália.

Pra evitar um colapso generalizado, os ex-líderes pedem ação em bloco. Querem isenção de tarifas pra todos os insumos agrícolas, revogação de tarifas que travam exportação, retomada de uma política comercial que permita acordos mais realistas, prioridade pra negociar com países que precisam dos produtos dos EUA, revisão do USMCA com solução da disputa de lácteos com o Canadá e extensão do acordo, além de reforço pra biocombustíveis como E15 e combustível sustentável de aviação, aprovação do Farm Bill, reforma de mão de obra rural incluindo o H-2A e recomposição de orçamento pra pesquisa agrícola e quadro do USDA. No fim, eles insistem num ponto bem pé no chão, ouvir o agricultor de perto seria o primeiro passo pra tirar a agricultura americana do aperto e devolver previsibilidade ao jogo.

PLANTÃO RURAL

  • Fundo coloca mais de US$ 1 bi no agro BR. O FIDA disse que os investimentos em projetos no Brasil saltaram de US$ 450 milhões pra US$ 1,1 bilhão entre 2017 e 2024, com carteira até 2030 pra chegar em 1 milhão de pessoas. O foco tá no Nordeste, onde a pobreza aperta mais e o dinheiro rende impacto.

  • Aurora põe R$ 1,1 bilhão na mesa e mira o porco. A Aurora Coop vai investir R$ 1,1 bilhão em 2026, com a maior fatia indo pros suínos. A planta de São Miguel do Oeste (SC) quer sair de 2 mil pra 5 mil suínos por dia até o 2º semestre de 2027. E 2025 fechou com sobras de R$ 1,2 bilhão.

  • Fiagro novo tenta destravar crédito. Yards e StoneX lançaram um Fiagro de R$ 250 milhões pra financiar produtor e empresa do agro via direitos creditórios. A ideia é começar a desembolsar até a 1ª quinzena de março, com garantias reais e diversificação, porque juro alto tá deixando o crédito mais seletivo que jurado de reality.

  • Castrolanda abre o cofre e aposta pesado no leite. A Castrolanda planeja investir R$ 500 milhões em 2026, recorde histórico. Só a torre de secagem do leite em Castro leva R$ 200 milhões e faz parte de um pacote maior na indústria, com aumento de capacidade previsto a partir de 2028. Também tem entreposto no Tocantins na rota.

  • São Martinho lucra ainda mais. A São Martinho viu o lucro líquido subir 168,5% no 3º trimestre da safra 2025/26, puxado por um ganho tributário sem efeito caixa de R$ 331,1 milhões. Enquanto isso, a receita caiu 13,6% porque a empresa adiou vendas de etanol, esperando preço melhor na frente.

  • Fávaro diz que juro caindo ajuda o Plano Safra. O ministro Carlos Fávaro afirmou que a perspectiva de queda na Selic em 2026 pode deixar o crédito rural mais fluido pro Plano Safra 2026/27. Ele diz que dinheiro não acabou, o que travou foi o crédito com inadimplência e recuperações judiciais. De brinde, prometeu novidades de mercados lá fora.

  • Pesca levou pente fino. O Ministério da Pesca e Aquicultura cancelou 76.665 licenças de pescadores do RGP por falta do relatório anual de 2021 a 2024, e isso suspende o acesso ao Seguro Defeso. A lista vai por estado no site do ministério e a suspensão fica por no mínimo 1 ano.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Camellia sinensis

Pergunta de hoje: Qual fruta americana encantou Cristóvão Colombo e virou símbolo do Havaí, mesmo sendo originária da América do Sul?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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