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Bom dia!
A edição de hoje tem Raízen tentando transformar credor em sócio, Brasil redesenhando a rota das exportações agropecuárias pra fugir do aperto em Ormuz, e JBS abrindo o cofre pra crescer em 2026. No meio disso, a cana entra mais inclinada pro etanol, o trigo segue perdendo espaço no Paraná e a gasolina ainda vê o etanol batendo na porta por mais espaço no tanque.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
Raízen quer trocar dívida por ações e acende alerta nos bancos

Foto: Divulgação
A Raízen entrou na mesa de negociação com os credores carregando uma proposta que não foi muito bem vista por todo mundo. O Agribiz apurou com fontes que acompanham as conversas de pertinho a informação de que a companhia indicou que vai precisar converter 50% da dívida em ações pra conseguir reequilibrar a estrutura de capital e trazer a alavancagem pra 3 vezes. Além disso, o resto da dívida da recuperação extrajudicial, que tá na casa dos R$ 65 bilhões, seria esticado e reformatado pra combinar mais com um negócio de alto risco.
A proposta, porém, caiu mal entre os principais bancos. E nem é porque o número ficou pequeno demais, mas justamente porque é grande o bastante pra transformar os credores em acionistas de peso, e esse papel não costuma ser o sonho de nenhuma instituição financeira. Nesse desenho, os credores passariam a ter uma participação extremamente relevante na companhia, com direito até ao controle formal do negócio, enquanto Shell e Cosan ficariam com algo perto de 30% das ações ordinárias depois da conversão. A ideia ficou meio entalada com os bancos, mas é melhor que tomar calote no pagamento de dívida.
A ideia é que a Raízen formalize a proposta até a próxima semana e, depois da Páscoa, os assessores devem levar o papo pra Nova York pra conversar com os detentores de bonds, que concentram a maior fatia da dívida. Os bancos seguem pressionando por um aporte maior da Cosan, o que reduziria a necessidade de converter tanto passivo em ação, mas até agora o grupo não afrouxou. No momento, a conta considera só os R$ 3,5 bilhões da Shell e os R$ 500 milhões da Aguassanta.
DE OLHO NO PORTO
Brasil dribla Ormuz, passa pela Turquia e segura a exportação no improviso

GIF: cbf on Giphy
Exportar pro Oriente Médio não tava sendo um trampo exatamente tranquilo, tudo por culpa da guerra no Irã e do fechamento de Ormuz, e agora o Brasil resolveu recalcular a rota pra não deixar a mercadoria refém. O Ministério da Agricultura fechou um acordo com a Turquia pra criar uma rota alternativa pras exportações agropecuárias, especialmente de produtos de origem animal, evitando o Estreito de Ormuz. Agora, a carga sai do Brasil, sobe pelo Atlântico, entra pelo Estreito de Gibraltar, cruza o Mediterrâneo, chega à Turquia e dali segue por trem ou caminhão pros mercados da região.
A saída funciona, mas não veio com desconto. Segundo Miguel Daoud, o seguro pra operação naquela região já subiu cerca de 10 vezes, e o custo total pode aumentar perto de 300%. Além do frete mais salgado, entram na conta combustível mais caro, logística mais enrolada e a necessidade de armazenar parte das cargas em território turco antes da redistribuição. É solução de guerra mesmo, daquelas que ninguém chama de ideal, mas todo mundo abraça porque ficar sem rota é pior.
A Turquia entrou nessa história não só pela localização, mas também porque atende uma penca de exigências importantes dos compradores árabes, inclusive critérios ligados ao abate halal. Com a certificação sanitária encaminhada, o Brasil consegue manter o fluxo e garantir que a carga chegue dentro dos padrões exigidos até o destino final. Não ficou mais simples, não ficou mais barato e muito menos elegante, mas manteve o navio andando e o mercado abastecido.
O AGRO EM NÚMEROS
Cana cresce, café empolga, trigo encolhe e o diesel pesa no bolso

Foto: Wenderson Araujo/CNA
A safra brasileira de cana se empolgou e deve bater 677,7 milhões de toneladas em 2026/27, uma alta de 3,15% sobre o ciclo passado, segundo a Safras & Mercado. Só no Centro-Sul, a moagem deve chegar nas 620 milhões de toneladas, avanço de 3,7%, enquanto o Norte-Nordeste desanima um pouco e cai 2,2%, estacionando em 57,7 milhões. No meio dessa conta, o açúcar tá perdendo espaço no mercado, com produção estimada em 40,3 milhões de toneladas, uma queda forte de 7,36%, enquanto o etanol pisa fundo e pode encostar em 43 bilhões de litros, arrastado pela mistura maior na gasolina e pelo apetite das usinas por um mercado que hoje parece bem mais simpático.
Saindo da cana e indo pro café, o ouro preto vai ganhar reforço no caixa e na saca. O CMN aprovou colocar R$ 7,37 bilhões no Funcafé em 2026, uma grana que vai servir pra bancar custeio, comercialização, aquisição de café, contratos de opções, capital de giro e até a recuperação de cafezais danificados. E a Marex jogou ainda mais lenha nessa fogueira e projetou a safra brasileira em 75,9 milhões de sacas em 2026/27, quase 10 milhões acima da conta mais recente da Conab. Desse total, 50 milhões de sacas devem ser de arábica e até 26 milhões de robusta.
Enquanto isso, no Paraná, o trigo segue perdendo espaço na lavoura e na preferência do produtor. A área plantada deve cair 6% em 2026 e ficar em 775,6 mil hectares, o menor nível desde 2000, com produção estimada em 2,53 milhões de toneladas, uma queda de 12%. Do lado vizinho da planilha, o milho safrinha continua ganhando terreno e deve ocupar 2,86 milhões de hectares, alta de 2%, com produção prevista em 17,54 milhões de toneladas. No campo paranaense, o cereal de inverno tá vendo o milho passar na frente e ainda buzinar.
E como nada no agro anda sozinho, o diesel tratou de lembrar que logística também sabe estragar conta e planejamento. Só nesse mês, o S-10 disparou 20,9% na média nacional e saiu de R$ 6,18 pra R$ 7,47 por litro, segundo Veloe e Fipe. A gasolina comum foi no embalo e subiu 6,11% e foi pra R$ 6,77, enquanto o etanol hidratado cresceu um pouco menos, 1,74%, e chegou a R$ 4,79.
NAS CABEÇAS DO AGRO
JBS abre o cofre pra 2026 e põe US$ 1,4 bi na mesa pra crescer

GIF: minions on Giphy
A JBS veio com tudo e resolveu começar 2026 sem economia no papo da ambição e da expansão. A companhia tá querendo investir US$ 2,4 bilhões durante o ano, sendo US$ 1,4 bilhão pra expansão da capacidade produtiva e outros US$ 1 bilhão pra manter o que já tá de pé rodando. O dinheiro vai pingar em várias frentes, de plantas da Pilgrim’s Pride nos Estados Unidos até uma nova unidade no Paraguai e o projeto em Omã, que mistura aves, carne bovina e cordeiro no mesmo pacote.
Além de abrir novas frentes, a empresa também tá de olho em espremer bastante as margens onde já tá rodando. Na Seara, os investimentos que devem ser finalizados nesse ano têm potencial pra jogar a capacidade produtiva pra cima em 13%. Já na Pilgrim’s, a reforma de 3 plantas que foi concluída recentemente deve ajudar a engordar as margens, especialmente em 2 unidades que foram adaptadas pra atender melhor o mercado de refeições prontas.
Por enquanto, a companhia diz que tá mais interessada em crescer com o que já tem do que sair comprando ativo a torto e a direito. Mesmo assim, vão ficar de olho no mercado caso pinte uma oportunidade e também vão tentar ganhar mais peso na bolsa americana, com expectativa de entrar em índices como os da família Russell ainda em 2026 e, quem sabe, no S&P 400 no início de 2027.
PAUTA VERDE
Etanol no tanque, gasolina na retranca e importação perdendo espaço

Foto: Canva/ Creative Commons
Aumentar a mistura de etanol na gasolina é uma daquelas ideias que o setor sucroenergético olha com brilho no olho, mas nem todo mundo segue essa linha. Segundo o Rabobank, se o Brasil subir o teor de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% pra 32%, já daria pra substituir 1,2 bilhão de litros de gasolina em 12 meses. Na prática, isso vira um corte de 34% das importações de gasolina A feitas no ano passado. Não é só detalhe, é uma mudança que mexe no bolso, na dependência externa, na nossa soberania energética e no espaço do biocombustível dentro de casa.
O problema é que essa conta ainda não pode sair correndo na frente da parte técnica. O aumento da mistura depende de vários testes, e o Ministério de Minas e Energia continua batendo na tecla de que essa etapa precisa vir antes de qualquer canetada. No setor sucroenergético, a leitura é de que, com esse ritmo, qualquer alteração mais concreta deve ficar só pro ano que vem. Até lá, a gasolina continua com 30% de etanol anidro, enquanto o mercado vai fazendo conta com um olho na bomba e outro na guerra no Oriente Médio, que já ajudou a empurrar o preço médio da gasolina em 6% em março.
Se o 32% sair do papel, o efeito vai bem além da importação. Pelas contas do Rabobank, a mudança também cortaria em 2% o desconto do etanol hidratado em relação à gasolina, o que mexe na disputa entre os combustíveis nas bombas. Hoje, o hidratado já sai mais barato porque rende menos, e essa relação costuma ficar na casa dos 70%. Mas esse assunto realmente deve ficar só pra mais tarde.
COLHENDO CAPITAL
Castrolanda quer crescer e aprova R$ 150 mi em novas fábricas

GIF: Giphy
A Castrolanda tá querendo crescer com força e deu sinal verde pra meter R$ 150 milhões na construção de 2 novas fábricas, uma de tortilhas e uma Unidade de Dietas Bovinas, num movimento que chega pra reforçar a aposta da cooperativa em diversificar receita e tirar mais valor do que sai do campo. O pacote passou por unanimidade em assembleia e entra dentro do plano de R$ 500 milhões que o grupo já tinha anunciado pra 2026.
A fatia maior vai pras tortilhas, com R$ 100 milhões. A cooperativa enxergou espaço num mercado que ainda fica mais concentrado em poucos players e quer repetir ali a lógica que já conhece na batata frita, especialmente no B2B. A produção já nasce com demanda assegurada por um parceiro estratégico, o que ajuda a deixar o projeto com menos cara de aposta no escuro e mais de negócio bem mastigado. A planta será instalada em Castro (PR), numa área comprada pra virar um complexo industrial e com espaço pra mais novidades no futuro.
Do outro lado do projeto, a Unidade de Dietas Bovinas vai receber R$ 49,5 milhões e deve começar a operar em 2027. A ideia é entregar dietas balanceadas prontas pro uso nas fazendas, com mais precisão na dosagem, menos desperdício e mais praticidade pro pecuarista de leite, além de ajudar a reduzir o custo e o trabalho no manejo e no dia-a-dia da lida.
PLANTÃO RURAL
BTG pisa no freio com a Minerva. O BTG cortou o preço-alvo da Minerva de R$ 8,50 pra R$ 7 e manteve recomendação neutra, citando desalavancagem mais lenta e pressão na geração de caixa.
Austrália corre pra não estourar a cota. A Austrália já usou 50% da cota anual de carne bovina pra China sem a tarifa extra de 55%. Até fevereiro, os australianos tinham embarcado 71,9 mil toneladas, e Pequim avisou que, 3 dias depois de a cota acabar, a sobretaxa entra em campo.
Atvos quer trocar diesel por gás da casa. A Atvos tá construindo sua 1ª usina de biometano em Nova Alvorada do Sul (MS) e já avalia levantar outras 7 ao lado das demais usinas. A planta de Santa Luzia vai produzir 28 milhões de m³ por safra com investimento de R$ 350 milhões.
Milho pode sentir a guerra no frete. O Rabobank avalia que a alta do petróleo e do diesel pode limitar o ritmo das exportações brasileiras de milho em 2026, projetadas em 41 milhões de toneladas. No ano passado, o Irã respondeu por 20% dos embarques brasileiros, então qualquer tropeço nessa demanda obriga o exportador a caçar comprador novo.
Juro cai pra genética bovina nas cooperativas. O CMN reduziu de 8% pra 3% ao ano os juros do Pronaf Mais Alimentos para cooperativas da agricultura familiar que financiarem sêmen, óvulos e embriões pra melhoramento genético da pecuária bovina.
Mapa monta força-tarefa da carne sustentável. O Ministério da Agricultura criou o GT Carne Bovina Sustentável, que vai reunir governo, setor produtivo e financeiro pra discutir rastreabilidade, integração de dados e práticas mais sustentáveis na cadeia.
Comigo fecha 2025 com faturamento parrudo. A Comigo encerrou 2025 com R$ 14,1 bilhões em faturamento, alta de mais de 25% sobre 2024, e registrou R$ 793 milhões em sobras. Desse total, 70% vão pra cota capital e 15% caem direto na conta dos cooperados.
Algodão pode sentir o baque da guerra. Depois de crescer 4,5% nas exportações entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, o algodão brasileiro pode perder ritmo no restante desse ano por conta da guerra no Irã.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Rio Grande do Sul
Pergunta de hoje: Qual destilado de cana nasceu no Brasil colonial e hoje tem indicação geográfica em regiões mineiras e fluminenses?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
