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Bom dia!
A edição de hoje tem Raízen tentando fechar um pacote bilionário com Cosan e Shell, o acordo Mercosul-UE passando na Câmara com a FPA cobrando salvaguarda, e os números do agro trazendo café rumo a recorde, cana mais pro etanol, algodão com oferta maior e até avião agrícola autônomo. No resto do cardápio, gripe aviária acendeu alerta no Uruguai e na Argentina, a cana do Nordeste pede subvenção, e o plantão vem com regra nova pra fertilizantes, fábrica da Cargill em MT, Mosaic no vermelho e embriões Nelore turbinados pela Embrapa.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
Raízen pede socorro e a Shell vai tentar salvar

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Já faz um tempo que a Raízen tá com a planilha gritando, tomando prejuízo atrás de prejuízo e vendo suas ações despencando na bolsa. Mas agora ela tá perto de ganhar um reforço de caixa pra botar ordem na casa. Cosan e Shell, as donas do negócio, tão em negociações avançadas pra montar um plano de recapitalização que inclui a entrada de fundos de private equity do BTG Pactual, comprando uma fatia parruda do negócio de distribuição de combustíveis por cerca de R$ 5,5 bilhões.
O desenho em discussão parece daqueles que trocam o pneu com o carro andando. A conversa inclui converter algo perto de 35% da dívida em capital e ainda somar aportes diretos dos acionistas, com um aumento de capital entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões. Nesse pacote, a Shell entraria com algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 3,5 bilhões, a Cosan colocaria R$ 1 bilhão e Rubens Ometto apareceria com mais R$ 500 milhões, pedindo empréstimo pra viabilizar a parte dele.
O motivo do corre é simples. Juros altos, safra abaixo do esperado e uma série de investimentos ambiciosos que não viraram retorno de verdade apertaram o bolso da companhia, pioraram o crédito, puxaram rebaixamento de rating e fizeram as ações sofrerem mais que calouro em primeiro ano de faculdade. O novo plano tenta organizar a bagunça separando a Raízen Energia, que faz açúcar e etanol, da distribuição de combustíveis, que tende a ter um fluxo de caixa mais previsível, e aí parte da dívida migraria pra esse braço pra deixar cada caixa com sua conta, sem depender de milagre de safra.
O mercado financeiro, que adora uma fofoca, reagiu rápido. As ações de Cosan e Raízen subiram na Bolsa depois das notícias do aporte, com investidores apostando que finalmente vem um caminho mais claro pra segurar essa crise financeira. Mesmo assim, o tamanho do buraco ainda é tema na Faria Lima, já teve banco falando em necessidade de capital na faixa de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões, então o jogo agora é ver se esse pacote vira acordo fechado ou se vai ficar no vai e volta que só cansa e não paga juros.
ASSUNTO DE GABINETE
Câmara diz sim pro Mercosul-UE e a bancada ruralista pede garantias

Foto: Reprodução
A Câmara dos Deputados ratificou, ontem (25), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aquele pacotão que já tava em pauta faz tempo mas só foi assinado em janeiro, no Paraguai, e que promete abrir mercado e também abrir debate. O texto foi relatado por Marcos Pereira (Republicanos-SP) e agora segue pro Senado, onde a relatoria fica com Tereza Cristina (PP-MS). A novela muda de canal, mas continua no horário nobre.
Na teoria, o acordo cria uma área de livre comércio com corte gradual de tarifas e preservação de setores sensíveis. O Mercosul zera as tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, e a União Europeia elimina as tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. No fogo cruzado, ficam as salvaguardas e os mecanismos de solução de controvérsias, que é a forma diplomática de dizer que se der ruim, já tem carta na manga pra resolver.
O ponto que azedou o café da FPA foi justamente a salvaguarda europeia, que tá sendo vista como um gatilho fácil pra virar barreira. A preocupação é com a regra que quer limitar o crescimento das exportações de produtos agrícolas em 5%, um teto que Pedro Lupion (Republicanos-PR) diz que tá bem abaixo do sobe e desce normal de cadeias como milho, carne bovina e açúcar. Pra bancada ruralista, isso abre porta pra investigação e trava nova com carimbo de burocracia.
Pra tentar trazer mais apoio do setor, rolou uma articulação com o Executivo com promessa de um decreto de salvaguardas bilaterais pra dar mais proteção e previsibilidade, e trocar chumbo se precisar. Hugo Motta (Republicanos-PB) disse que o governo vai fazer o que pode pra acelerar essa publicação, e Marcos Pereira falou que o Mdic vai mandar ainda essa semana a minuta final pra Casa Civil, prometendo que o decreto sai no Diário Oficial antes mesmo da votação no Senado. A FPA diz que não é contra o acordo, só quer a porteira aberta, mas com tranca dos dois lados, caso a Europa resolva testar o cadeado.
O AGRO EM NÚMEROS
Café promete mar de sacas, cana mexe no mix e o agro ganha mais asa

GIF: Giphy
O café mundial tá ensaiando um recorde com gostinho de que vai sobrar pra alguém. O Rabobank tá projetando uma produção global de 180 milhões de sacas de 60 kg em 2026/27, safra que começa em outubro, puxada pelo arábica brasileiro embalado por clima favorável. No curto prazo, essa perspectiva de oferta ajuda a explicar a queda recente nos preços. No Brasil, o arábica pode virar protagonista de novo na 26/27. A Hedgepoint tá dizendo que vem aí uma produção entre 46,5 milhões e 49 milhões de sacas, colhidas entre abril e agosto, num momento em que o mundo ainda sente mais estoques apertados e o consumidor continua mais sensível a preço, o que pode ir derrubando os preços no varejo ao longo do ano.
Na cana, as usinas tão se preparando pra moer mais e adoçar menos. A SCA Brasil tá vendo a moagem do Centro-Sul saindo de 610 milhões de toneladas na 2025/26 pra 629 milhões de toneladas na 2026/27, com o mix de açúcar caindo de 51% pra 48%, ou seja, mais cana indo pra etanol. O roteiro faz sentido num cenário em que etanol ganha espaço, mas o clima já mandou aquele aviso nada fofo, modelos meteorológicos apontam nova ocorrência de El Niño, que costuma mexer com desenvolvimento de canavial e humor do mercado.
No algodão, a conta ficou maior e ajuda a segurar o roteiro de exportação, mesmo com uns tropeços pontuais. A StoneX revisou pra cima a oferta total do Brasil em 2026 pra 3,74 milhões de toneladas depois do fim do plantio, apoiada por um cenário climático positivo na Bahia, com as lavouras se desenvolvendo bem e a produtividade podendo encostar na do ano passado se o clima continuar colaborando. As exportações começaram 2026 mais lentas, só que a expectativa segue de embarques consistentes ao longo do ano, ainda mais se os EUA confirmarem o recuo produtivo que tá sendo especulado.
E no céu do agro, a frota cresceu e apareceu até um robô no hangar. A aviação agrícola somou 2,86 mil aeronaves em 2025, alta de 5,2%, e quase dobrou desde 2009, quando tinha somente 1,5 mil. Ainda manda no jogo o serviço terceirizado, que concentra 1,80 mil aviões, 62,9% da frota, enquanto produtores com frota própria ficam com 1,04 mil, cerca de 36%. E a principal novidade do ano é o 1º avião agrícola autônomo registrado, o Pelican, que é um modelo elétrico. Até o avião de pulverização tá sendo controlado por alguma IA.
RADAR SANITÁRIO
Gripe aviária correndo solta pela América Latina

Foto: Reprodução
O Uruguai apertou o botão vermelho e declarou emergência sanitária depois de detectar gripe aviária de alta patogenicidade em aves silvestres nas regiões de Maldonado, Rocha e Canelones. O vírus mal apareceu e o governo já decidiu agir, liberando um pacote de medidas de prevenção e controle pra não deixar essa treta pontual virar um negócio recorrente.
No protocolo, entram restrição de movimentação de aves pelo país inteiro, alojamento das criações de sistema livre e suspensão de feiras e eventos de avicultura. A orientação pras granjas é reforçar biosseguridade, não encostar em ave morta e avisar as autoridades na primeira desconfiança.
A diferença é que, por enquanto, o foco uruguaio tá em ave silvestre, então a avicultura comercial segue sem trava oficial. Na Argentina o papo foi outro, já que o Senasa confirmou alguns casos em granjas comerciais na província de Buenos Aires. O órgão deles de sanidade não marcou toca e já interditou o estabelecimento e deve comunicar a OMSA, com suspensão temporária de exportações pra destinos que exigem status de país livre.
No Brasil, o alerta ganhou megafone porque o país acabou de voltar pro jogo da exportação, com a China comprando frango de novo depois de um bloqueio de 6 meses em 2025. O Ministério da Agricultura segue tratando a gripe aviária como prioridade número 1, justamente porque essa época do ano tem bastante fluxo migratório de aves silvestres e o risco sobe, mas o setor diz que mantém os protocolos no talo pra não deixar a porteira sanitária aberta.
COLHENDO CAPITAL
Cana do Nordeste pede ajuda no caixa depois do tarifaço dos EUA

GiF: mostexpensivest on Giphy
O pessoal da cana no Nordeste chegou em Brasília na quarta-feira (25) com uma mensagem nada doce. Depois do tarifaço americano, que caiu na semana passada, lideranças do setor sentaram com o Ministério da Fazenda pra pedir subvenção e tentar estancar um rombo que já passa dos R$ 500 milhões, segundo a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco.
E a dor não tá só no caixa. Tem produtor dizendo que já falta fôlego pra manter canavial em pé pra próxima colheita, com gasto de rotina, tipo fertilizante, virando luxo. Pra piorar, a região depende pesado do açúcar vendido pros EUA, que é um mercado que geralmente paga mais pelo produto brasileiro, mas que virou o tipo de cliente que muda o humor da conta do dia pra noite.
A conversa rolou com Dário Durigan, secretário-executivo da Fazenda, que deu o papo de que vai estudar o pedido. A estratégia agora passa por emplacar apoio no Congresso, porque o setor quer botar essa proposta pra andar no mundo real. Na conta da AFCP, a subvenção pode chegar a R$ 270 milhões, com pedido de R$ 12 por tonelada de cana entregue nas usinas do Nordeste.
No pacote, veio ainda um puxão de orelha no modelo atual. As lideranças defendem que a cana entre na Política de Garantia de Preços Mínimos, porque, na visão deles, se essa rede de proteção já existisse, ninguém tava batendo na porta pedindo subvenção.
PLANTÃO RURAL
Lucro na Kepler, mas 2025 foi na unha. A Kepler Weber teve lucro líquido de R$ 64,8 milhões no 4T25, alta de 28,5%, com ajuda de crédito tributário de R$ 11,4 milhões. Mesmo assim, o Ebitda caiu 17,7% e a receita recuou 13,3%. No ano, o lucro da Kepler Weber fechou em R$ 156,3 milhões, queda de 21,5%.
Fertilizante ganhou regra nova. O governo publicou o decreto 12.858/2026 que regulamenta a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos. O texto cria a infração moderada, além de leve, grave e gravíssima, e ajusta as multas ao porte econômico dentro da Lei do Autocontrole.
China não fechou a porteira dos frigoríficos. O Mapa negou que exista um veto da China até 2028 pra novas habilitações de frigoríficos. O ministério falou que as negociações seguem e mais de 50 plantas já cumpriram requisitos e tão no aguardo. Hoje são 67 habilitadas, com 3 suspensas.
Cargill abriu fábrica em MT. A Cargill inaugurou uma nova unidade em Primavera do Leste (MT), com capacidade de 150 mil toneladas por ano de suplementos pra animais. A nova planta pode reduzir até R$ 600 por tonelada no custo logístico na região.
Mosaic fechou o 4T no vermelho. A Mosaic registrou prejuízo líquido de US$ 519,5 milhões no 4T25, contra o lucro de US$ 169 milhões no mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu o tombo a baixas e ajustes contábeis. Vendas subiram 5,6% pra US$ 2,97 bilhões, mas o Ebitda ajustado caiu pra US$ 505 milhões. No Brasil, Ebitda ajustado ficou em US$ 45 milhões.
Embrapa produzindo embrião de alto valor genético. A Embrapa Gado de Corte e a Geneplus firmaram uma parceria pra ampliar a produção de embriões in vitro de Nelore com matrizes no top 3% do IQG. As empresas estimam média de 6 embriões grau 1 por sessão e cerca de 500 embriões ao longo do ano. A Embrapa diz que a FIV já pesa em 35% das prenhezes do rebanho.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Laranja
Pergunta de hoje: Qual erva originária do Paraguai virou símbolo cultural do Sul do Brasil e do chimarrão?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
