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Bom dia!
Senta que no tempo de um café a sexta tá resolvida. Uma turma que replanta o Cerrado subiu no pódio da ONU e voltou pra casa sem o cheque. Tem desconto no defensivo, mas não naquele que resolve o seu problema. O milho arrumou um pretendente que não exporta nada, e quem cria bicho vai ter que disputar o cocho. Quem colheu trigo ficou sem concorrente, e essa sorte tem data pra acabar. Uma fábrica gigante de fertilizante pediu silêncio no telefone pra conseguir falar com quem cobra. E o herbicida que você aplica segue liberado, mas agora sai com a sua assinatura junto.
Pra você fechar a semana sabendo de onde vem a próxima conta.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O rombo das contas do Brasil com o exterior veio maior e o investimento estrangeiro que entra para ficar veio menor, o que deixa o país mais dependente do dólar que sai pelo porto. Repare no que isso faz com você, que deixa de ser só um setor produtivo e vira peça de política econômica, com tudo o que a atenção de Brasília costuma trazer junto.
ASSUNTO DE GABINETE
O risco agora tem CNPJ

Fonte: Revista Cultivar
O frasco do 2,4-D não subiu de preço. O que subiu foi tudo em volta dele. O Rio Grande do Sul criou zonas de exclusão do herbicida em três municípios, e do lado de fora delas ele segue liberado, agora com um termo de responsabilidade que sai assinado com o seu nome e o do agrônomo. O que empurrou a caneta foi a conta da uva: R$ 210 milhões de prejuízo com deriva entre 2018 e 2025, em mais de 400 ocorrências registradas.
A pergunta óbvia é se dá pra trocar por biológico. Não dá, e o motivo é simples: o 2,4-D mata mato, o biológico que ficou pronto mata bicho. A Embrapa e a Efense acabaram de viabilizar bioinseticida em tanque de 1.200 litros, o biológico já domina mais de 80% da área tratada contra nematoide e ainda assim leva só 6% do dinheiro que o país gasta em defensivo. Para planta daninha, não tem prateleira.
Então o que resolve não está no rótulo do produto, está na ponta da barra. Trocar bico de gota fina por gota muito grossa derruba a fração que vira deriva de uns 40% para 3 a 7%, e só isso corta o risco em mais de 40%. Junte a janela de vento entre 3 e 10 km/h e umidade acima de 55%. É barato, é chato, e é exatamente o que aquele termo de responsabilidade vai cobrar de você. A regra nova não tirou o produto da sua mão, ela transferiu a conta do erro. Vale lembrar, porém, que bico bom não salva dia ruim: se o vento passar de dez, o melhor bico do mercado não assina nada no seu lugar.
DEU B.O.
A Heringer pediu tempo emprestado do seu outubro.

Fonte: Giphy
Cento e três mil toneladas saíram da esteira da Heringer entre abril e junho. Um ano antes tinham sido 274 mil. Menos da metade. Com esse ritmo, ela abriu mediação com credores na Câmara Wind, no dia 25, e no mesmo dia pediu à Justiça paulista 60 dias de suspensão. Traduzindo do tribunal: quem sentar nessa mesa não cobra, não executa e não penhora enquanto o prazo corre. O juiz ainda não bateu o martelo.
Agora olha o calendário. Sessenta dias contados de 25 de agosto varrem setembro e outubro, bem em cima da entrega que você contratou pra 26/27. E repara na letra miúda: a proteção é contra credor, não a favor de cliente. Se você só assinou contrato, tem um fornecedor com problema de caixa. Se você já pagou adiantado ou fechou barter, você virou credor sem garantia, e a mediação é fechada. Ninguém divulgou quem sentou na mesa nem por quanto. Não dá pra ligar e perguntar, não dá pra sair da fila, não dá nem pra saber se existe fila.
Sendo justo, isso não é recuperação judicial, as unidades seguem operando e ela já saiu de uma renegociando mais de R$ 2 bilhões. Mas contrato de insumo tem duas datas, a do pagamento e a da entrega, e só uma delas foi pra mesa. Prazo de safra não pede mediação, ele só passa.
POR DENTRO DO MERCADO
Você tem até dezembro

Fonte: CNN Brasil
Se você colheu trigo este ano, está numa posição que não se repete: o seu concorrente sumiu. A área brasileira encolheu 20,4% e a safra saiu mais de um quarto menor, porque muita gente cortou investimento e ficou com medo de El Niño forte na hora de decidir o plantio. Quem ficou, ficou com o mercado.
Agora vem a parte que tem relógio. O moinho precisa comprar de alguém, e a alternativa barata dele só desembarca no fim do ano, porque a safra nova da Argentina chega em dezembro. Até lá ele escolhe entre remendar com argentino velho de proteína baixa a R$ 1.463 a tonelada, o mesmo de que ele reclamou no ciclo passado, pagar russo a R$ 1.591 ou americano a R$ 2.048. O Sindustrigo já avisou por escrito que o custo vai subir. E o Brasil vai importar 7,103 milhões de toneladas, o maior volume em quase duas décadas.
Ou seja, daqui até dezembro você negocia sem concorrente barato do outro lado da mesa. Depois disso o navio atraca e a conversa muda de dono. Vale lembrar que preço alto por escassez não é prêmio por qualidade, é uma janela. E essa, ao contrário das outras, já tem data marcada pra fechar.
O MAPA DO AGRO
O milho troca de destino

Fonte: Revista Cultivar
Tem grão que sai da lavoura sem saber se vai virar ração, navio ou gasolina. Agora apareceu um pretendente que não exporta nada.
Bota na ponta do lápis: as 29 usinas de etanol de milho comportam uns 10,6 bilhões de litros ao ano. A Conab já projeta 11,91 bilhões pra 26/27, e tem 27 projetos na fila. É mais litro do que o parque de hoje aguenta.
O nome virou etanol de cereais porque a usina ficou pouco enjoada: come milho, sorgo, trigo, qualquer coisa com amido. E tem grão chegando, São Paulo colheu 41% mais milho de verão.
Já quem cria frango, suíno e boi passa a brigar pelo mesmo grão que ia pro cocho. O consolo vem no DDG, o resto seco da destilaria que volta como ração e responde por 20% a 30% da receita da usina.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Syngenta dá desconto, só não no que resolve

Fonte: TheAgriBiz
Na hora de fechar o defensivo da 26/27, você vai ter duas conversas com o mesmo vendedor. A primeira é boa: o preço da química velha está pressionado no mundo inteiro, e do lado de lá da fronteira o canal está tão entupido que a Syngenta perdeu 11% na América Latina com estoque encalhado, com a Argentina na frente. Ou seja, nessa mesa pode sentar e pedir desconto.
Já a segunda conversa é a do produto que resolve o problema, seja o Plinazolin para percevejo e cigarrinha que não morrem mais com o inseticida velho, seja o Tymirium, que pega nematoide e fungo na mesma passada. Foi o que fez o defensivo dela crescer 7% aqui, contra 4% no mundo.
E detalhe, a empresa escreveu, com todas as letras, que está concentrando recurso em produto de maior valor agregado. Deu certo, vendeu 2% menos e viu a margem ir de 18,6% para 19,5%. Esse é o verdadeiro sucesso: trabalhar menos e ganhar mais.
PAUTA VERDE
A ONU premiou um jeito de plantar que parece simples demais

Fonte: Tenor
Vinte e sete mil hectares é o tamanho de uma fazenda grande em Mato Grosso. É também tudo o que a rede Araticum recuperou no Cerrado até junho, e foi com esse número que ela subiu no pódio da ONU como World Restoration Flagship, com coordenação técnica da Embrapa. O detalhe é que o compromisso assinado é mais de setenta vezes isso: 2 milhões de hectares até 2030.
Só que o prêmio não está reconhecendo tamanho, e sim método. Que, inclusive, tem nome de festa: muvuca, que é jogar semente nativa direto no chão, tudo misturado, economizando o custo de plantar mudinha por mudinha. Sem fila, sem covinha, sem plaquinha: joga e deixa o mato se entender. O que é uma técnica bem antiga, por sinal. O Xingu, por exemplo, já virou 330 toneladas de muvuca em quase 8,8 mil hectares com sucesso. Para você ter ideia, a semente responde por 20% do custo total do método, o resto é operação, e ainda assim sai mais em conta que cavar buraco pra cada mudinha.
Agora sim você vai poder tirar seu projeto de Reserva Legal da gaveta, e sorrir de orelha a orelha com o retorno de crédito de carbono e comprador bom que gosta dessa pauta verde. No fim das contas a solução é boa, agora é ver a viabilidade de aplicar. Afinal, não é porque ficou mais barato que cabe no bolso de todo mundo.
PLANTÃO RURAL
Tem gente apostando que a China vai comprar mais do Brasil: Marcos Troyjo, conselheiro da Minerva Foods, disse em Barretos que os chineses vão importar menos da Europa, dos EUA, da Austrália e da Nova Zelândia, e mais daqui.
Os EUA vão fazer o próprio fosfatado depois de 40 anos: a CHS e a OCP planejam em Waggaman, na Louisiana, uma fábrica de mais de 1 milhão de toneladas por ano, cortando mais de 48% da importação.
A revenda que virou grupo deve o que fatura: a Justiça de São Paulo deferiu a recuperação judicial do Grupo Sefert, com R$ 240 milhões em dívida e Santander, Banco do Brasil e Itaú na fila de credores.
Quinze safras dizem que a soja sozinha rende menos: no experimento de Itiquira, em Mato Grosso, a soja semeada depois do milho fez 65,89 sacas por hectare contra 52,15 na monocultura em plantio direto.
Tem dinheiro novo pra quem plantou grão e ficou devendo: a gestora 051 Capital já soltou cerca de R$ 250 milhões no Matopiba a CDI mais 8% ao ano, com dois anos de carência e a fazenda em garantia.
A feira do leite bateu recorde de público e vendeu 36% menos: a Agroleite fechou R$ 612 milhões em negócios contra os R$ 969 milhões da edição anterior, com 194 mil visitantes em Castro.
O governo aposta que a Europa não vai apertar mais: o ministro Márcio Elias Rosa não vê razão técnica para nova restrição, a menos de uma semana da entrada em vigor da lista europeia de antimicrobianos sem o Brasil.
Os 14 mil litros de vinho apreendidos podem nem ser vinho: a fiscalização do Ministério da Agricultura e da Polícia Civil recolheu 14.640 litros em Campo Largo, no Paraná, sob suspeita de ser bebida mista de álcool e corante.
SE DIVERTE AÍ
No Jogo das Diferenças, entram duas fotos lado a lado e você caça as cinco diferenças no clique. Errou, o cronômetro leva 30 segundos de castigo, então pressa aqui custa caro. São mais de 100 pares pra treinar o olho fino que separa o original da cópia. Dica da Agro Espresso: comece pelas bordas, que é onde a turma esquece de olhar.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Canola não é planta, é sigla: canadian oil, low acid, óleo canadense de baixo ácido. A planta é a colza, cujo óleo tinha tanto ácido erúcico que servia de lubrificante de máquina a vapor, não de comida. O Canadá derrubou o ácido e, em 1978, registrou o nome novo.
Pergunta de hoje: quantos quilos tem um bushel de soja?
A resposta você confere na próxima edição!
