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Bom dia!
Hoje o agro acordou com a planilha em voz alta. A Ecoagro foi pra execução de garantias depois do calote da Aliança Agrícola, enquanto a cana corta investimento com o açúcar em baixa e o custo em alta. No meio do caminho, o calor já empurrou o preço das hortaliças, a soja promete recorde de safra e exportação, mas a saca segue escorregando, e Paranaguá mostra que o frio bom mesmo tá nos contêineres reefer.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea. As variações são calculadas em YTD (Year to date).
DE OLHO NO PORTO
JBS dobra a aposta na Arábia Saudita

Foto: Reuters
A JBS tá fazendo check-in definitivo em Jeddah e puxando o freio de mão nas carnes que vão do Brasil pra acelerar a máquina de lá. A empresa vai dobrar, até o fim desse ano, a produção da fábrica de frango que começou a rodar em 2025, usando a Arábia Saudita como polo halal pra abastecer o país e ainda despachar pra Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. O pacote entra no investimento de US$ 85 milhões desde 2021 e reforça a estratégia saudita de reduzir dependência de importação de comida.
Por lá, a operação roda via Seara e tá ficando cada vez mais parruda: a fábrica em Dammam foca em bovinos e processados, enquanto Jeddah puxa a fila do frango com mais valor agregado. Pra turbinar a prateleira, a JBS ainda fechou uma parceria com a Entaj, a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment, pra botar frango inteiro e cortes no mercado saudita. A lógica é reduzir importação, ganhar escala e deixar a cadeia mais resiliente, tudo embalado no selo halal, que não aceita improviso.
E, como todo plano grande precisa de gente, a expansão em Jeddah promete 500 empregos diretos, levando o total da JBS no país pra perto de 950. De bônus, tem clima de rivalidade no ar: a BRF também tá levantando uma fábrica em Jeddah, pra processar cerca de 40.000 toneladas por ano a partir de meados de 2026. A disputa pelo mercado halal tá quase virando um Fla-FLu.
SAFRA DE CIFRAS
Cana com escorpião no bolso e o açúcar que se vire

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A Orplana passou pra avisar que o canavial tá entrando na fase das vacas magras: com o preço do açúcar lá embaixo e o custo de produção em alta, os produtores tão cortando os investimentos na cultura. Na fila da guilhotina aparecem fertilizantes e outros insumos básicos que a cana precisa pra crescer direito. É aquele tipo de economia que alivia o caixa hoje, mas cobra juros na lavoura amanhã.
O panorama geral vem de fora, e ele não ajuda. A combinação de safras cheias em gigantes como Brasil e Índia, somadas a um consumo mais fraco, jogou o preço do açúcar pra perto do menor valor nos últimos 5 anos no mercado global. Se esse roteiro continuar, a tendência é o produtor repensar contrato com usina e até flertar com outras culturas, como soja ou milho, onde a planilha costuma brigar menos com o produtor.
Pelo menos o efeito não aparece do dia pra noite, porque cana não é cultura de improviso. A Orplana avalia que 2026/27 ainda deve ser parecida ou um pouco maior que a atual, dependendo das chuvas, e o desinvestimento de agora vai bater mais forte em 2028, com risco de queda no processamento. No meio disso, a Unica mostrou que, até a 2ª quinzena de dezembro, já tinham sido moídas 600,4 milhões de toneladas de cana na safra atual, com 40,2 milhões de toneladas de açúcar produzidas. Muita cana, muito açúcar, e um monte de produtor olhando pra planilha e tentando fazer a conta fechar.
O AGRO EM NÚMEROS
Calor encarece a salada, desconto alonga o boleto e a soja testa a paciência

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O termômetro subiu e a conta do hortifruti veio junto. Com ondas de calor ganhando força e alguns picos chegando perto dos 40°C no Sudeste e Centro-Oeste, as hortaliças tão sentindo o baque e o bolso também. Os dados da Conab mostraram uma alta generalizada dos preços nas Ceasas, com batata subindo 14,18% em algumas capitais, e cebola e tomate pegando carona. No mercado, Itaú e XP já falam em inflação de alimentos a 5,1% em 2026, com clima e câmbio fazendo dupla de vilões.
Se na gôndola o calor aperta, no campo o governo tentou dar uma folga no aperto do crédito. O Desenrola Rural fechou 440 mil acordos e renegociou R$ 20,3 bilhões, com desconto de até 70%, parcelamento em até 145 meses e entrada dividida em 12 vezes. As adesões seguem abertas até o dia 30 e a régua tá apontando pra passar de 450 mil acordos e bater mais de R$ 22 bilhões nessa reta final.
Só que nem todo número do agro tá com cara de sufoco: na soja, a Abiove tá vendo 2026 com motor cheio. A projeção da associação traz uma safra de 177,1 milhões de toneladas em 2025/26 e esmagamento recorde de 61 milhões de toneladas, acima de 58,5 milhões de toneladas em 2025. No comércio exterior, o complexo soja deve somar US$ 57,3 bilhões em exportações em 2026, alta de 8,3%, puxada pelas 111,5 milhões de toneladas de grão que devem ser despachadas a preço médio de US$ 425 por tonelada. Tudo isso sem falar das 24,6 milhões de toneladas de farelo a US$ 335 e 1,45 milhão de toneladas de óleo a US$ 1.140.
Aí vem o detalhe que faz produtor coçar a cabeça: a oferta tá grande, mas o preço tá escorregando. Em Paranaguá (PR), o indicador do Cepea marcou R$ 129,71 por saca em 21/01, queda de 0,95% no dia e tombo acumulado de 8% no mês, com relatos de saca abaixo de R$ 100 em praças do interior, especialmente no MT, arrastada pela queda do dólar.
E já que Paranaguá entrou na conversa, o porto também tá mostrando serviço fora da soja. Depois de ampliar a estrutura e erguer o maior pátio de contêineres refrigerados da América do Sul, a TCP elevou em 53% as exportações de carne bovina em 2025, pra 1,03 milhão de toneladas, e aumentou sua fatia nos embarques brasileiros de 23% pra 29%, com investimento de R$ 350 milhões e 5.268 tomadas pra reefer. A China levou 58% desse volume, e o terminal ainda manteve a liderança no frango, com 2,398 milhões de toneladas exportadas e 45% do total do país, mesmo com o soluço pós caso de gripe aviária em Montenegro (RS).
COLHENDO CAPITAL
Por bem ou por mal, vai ter que pagar

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A Ecoagro começou a executar as garantias da Aliança Agrícola do Cerrado, uma trading do grupo russo Sodrugestvo, depois do calote no pagamento de quem tem os CRAs que eles emitiram em 2023. O tropeço veio no dia 13/01, quando a empresa não pagou os juros mensais, e virou treta de vez no dia 16/01, quando a Ecoagro declarou o vencimento antecipado do saldo todo, com juros, multa e encargos, numa conta perto de R$ 112 milhões.
Sem pagamento e sem manifestação formal no prazo, a securitizadora jogou com o regulamento debaixo do braço e começou a executar as garantias, que existem justamente pra isso. Essas garantias incluem CDA/WA de soja depositada na Control Union, a cessão de contratos de compra e venda dessa soja com clientes da trading e uma conta escrow com dinheiro reservado. A Ecoagro disse que soja e caixa já dão conta de pagar integralmente os investidores, somando valor investido e juros, com liquidação prevista até 28/01.
A história vinha dando aviso no painel. A Aliança emitiu R$ 147 milhões em 2 séries de CRAs em 2023, com vencimento em 2028, juros mensais e amortizações semestrais, e vinha pagando certinho até dezembro de 2025. No último trimestre, começou a dar falha na razão de garantia, que pedia ativos equivalendo a 120% da dívida, e em 08/01 o índice tava em 119%. A empresa chegou a chamar assembleia pra 28/01 pra afrouxar o indicador pra 102% e incluir direitos de vendas ainda a performar nas garantias, mas a liquidez apertou e o juro do dia 13 ficou pelo caminho e desencadeou a treta toda.
CAMPO ATUALIZADO
2025 teve registro de monte, mas novidade que é bom, quase nada

Foto: Freepik
2025 foi ano de recorde no carimbo dos defensivos, mas a prateleira das novidades veio bem magrinha. No total, o Mapa deu passe livre pra 467 novos registros, mas a maior parte foi de genéricos, com 371 aprovações, enquanto só 6 ingredientes ativos químicos novos entraram na lista e apenas 19 produtos formulados vieram de substâncias que a gente ainda não usa por aqui. E pra acelerar o fluxo, mais ou menos 15% das autorizações saíram no empurrão do Judiciário, porque o prazo legal fez o que faz de melhor, atrasou.
E a fila não andou mais rápido, pelo contrário. O tempo médio pra conseguir registro subiu pra 46,3 meses, acima dos 42,3 meses de 2024, e quando o assunto é formulado novo a espera encosta perto dos 67 meses. A maior parte do que foi liberado tava parado desde 2021, e só 8 pedidos feitos em 2025 conseguiram sair no mesmo ano. O Mapa tirou o dele da reta e jogou a culpa pra fila e pro estoque de pedidos represados.
O Governo promete tentar destravar isso com o decreto que regulamenta a Lei 14.785/2023, com versão preliminar até o meio do ano, e com uma regra que faz sentido até pra quem já cansou de preencher formulário: se o ingrediente ativo novo for aprovado, o formulado baseado nele tem que ganhar preferência na fila, pra não ficar aquela situação do produto técnico passando na frente e o resto chegando quando a safra já virou saudade. A meta é registrar 15 ingredientes ativos novos em 2026, enquanto ambientalistas seguem pressionando, inclusive com pedido de nova reavaliação do glifosato e suspensão do registro durante o processo.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Kepler Weber de malas prontas pra um novo projeto

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A Kepler Weber começou a embarcar equipamento pra um novo projeto em um destino meio improvável diante do cenário geopolítico atual: a Venezuela. A empresa vai subir uma unidade de beneficiamento e estocagem de milho branco por lá, espalhando com força as suas raízes na América Latina. A estrutura vai nascer com capacidade pra 80 mil toneladas, com chance de crescer ainda mais, e mira abastecer principalmente a indústria de farinha de milho branco. No calendário, a entrega da obra fica pro 2º semestre de 2026.
O contrato foi fechado com a MP Agro, empresa cerealista venezuelana que fornece insumos, equipamentos e até financiamento da safra, kit completo. Com a nova unidade, ela quer turbinar a originação e passar a receber milho de 3 frentes: produção própria, agricultores independentes e cooperativas parceiras. Vai ser mais milho entrando no funil e menos risco de ficar na mão quando a indústria chamar.
E não é só silo e boa vontade. O projeto leva máquinas de pré-limpeza e limpeza, 4 secadores e um sistema de termometria digital da Procer com sensores de umidade relativa pra ficar de olho no milho durante o armazenamento, parecendo um BBB de tanta câmera. Pra completar o capítulo corporativo, a Kepler tá com exclusividade de negociação até 15/02 após receber proposta não vinculante da Grain & Protein Technologies, a GPT, dona da marca GSI, com preço indicativo de R$ 11 por ação pra uma combinação de negócios.
PLANTÃO RURAL
Amônia verde encostando na cinza. Um estudo do Instituto E+ Transição Energética com o Rocky Mountain Institute diz que o custo da amônia feita com biometano e energia renovável no Brasil já fica muito parecido com o da rota com gás natural. Em projetos híbridos nos portos, a conta fecha. Hoje, 97% dos nitrogenados ainda vêm de fora.
Café com trabalho digno na pauta. Nesta sexta-feira (23), a cooperativa faz em Guaxupé (MG) o evento Café com Conhecimento, com o Ministério do Trabalho e Emprego e o Cecafé, pra espalhar boas práticas e diálogo no setor. O encontro pega carona na convenção coletiva inédita em construção no sul de Minas, mirando valer já na safra 2026.
RJ com 90 dias de respiro. O Grupo Formoso, dono da Uniggel, recebeu uma liminar na recuperação judicial de R$ 1,3 bilhão, em Palmas (TO). A decisão suspende execuções das dívidas por 90 dias, segura as rescisões de contratos e libera cerca de R$ 23,9 milhões que estavam retidos em CDBs, pra reforçar o caixa e manter a operação de pé.
Soja do RS fecha o plantio, milho ainda corre atrás. A Emater-RS aponta que 98% da área da safra 2025/26 já foi semeada: 6,7 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.180 kg/ha. As lavouras tão andando bem e a ferrugem aparece só de forma pontual. Já o milho colheu 21%, ainda atrás dos 30% do mesmo período do ano passado.
Invernada no MT vira relógio contra o milho. A chuva irregular desde outubro já bagunçou a soja e empurrou o calendário, e as invernadas do 1º e 3º decêndios de fevereiro podem travar o plantio. Se fevereiro e março vierem abaixo da média e abril cair cedo, o ciclo vira corrida.
Memória de fábrica com capa dura. A AGCO reuniu ex-colaboradores em Jundiaí (SP) e lançou o livro Legendários Massey Ferguson, com histórias de 45 veteranos da companhia, do chão de fábrica à presidência. A homenagem veio no embalo de 65 anos de Brasil e mais de 175 no mundo, com exemplares entregues no evento
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Chicha
Pergunta de hoje: Qual leguminosa indiana é base de pratos como dhal e tem registros de cultivo há mais de 4 mil anos?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
