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Bom domingo!
Vamos para o último domingo de café sem pressa por um tempo, e ele cabe em cinco minutinhos. Tem chocolate de cacau selvagem colhido na beira do rio amazônico. Mexeram na ração do porco lá fora, e o efeito atravessa o oceano até a sua lavoura. O mato tem menos tempo de convivência com a lavoura do que a sua planilha ainda supõe. E tem uma conta de produtividade que você faz em um minuto e pode não gostar do resultado. Mais embaixo ainda tem o joguinho do dia, a pergunta pra responder de cabeça e a agenda, que começa a encher na quarta.
Pra você abrir a semana na dianteira.
Por Luciana Stival.
RURALIDADES
The Ranch (série, Netflix): Colt não vinga como jogador de futebol americano, volta pra casa e encontra o rancho da família atolado nas contas. São 8 partes, episódios de 30 minutos, com Sam Elliott no papel do pai que não perdoa um erro. Bezerro, dívida e quem manda na porteira, tudo discutido em voz alta na cozinha. Você vai reconhecer a cena.
A Lei da Água, Novo Código Florestal (documentário, 1h18, grátis no canal da O2 Play no YouTube): refaz a briga da elaboração e da aplicação do novo Código Florestal, ouvindo dos dois lados, de Blairo Maggi a ambientalista, e mostra onde a lei encosta em floresta, água, solo e produção de alimento. Já passou de 2,6 milhões de visualizações. Serve pra rever de onde saíram Reserva Legal e CAR antes da sua próxima conversa com o engenheiro.
O Quinze (livro, Rachel de Queiroz, José Olympio, 1930): 208 páginas sobre a seca de 1915 no Ceará, acompanhando Conceição, Vicente e a saga do vaqueiro Chico Bento com a família na estrada. A autora tinha 20 anos e bancou a primeira edição do próprio bolso. Clima virando risco de negócio é assunto velho, e poucos contaram melhor.
Vozes do Agro (videocast do Sistema Faemg Senar, grátis no Spotify): episódios de uns 16 minutos que entram na porteira de quem tirou o produto da commodity em Minas, da queijaria de cabra com câmara de maturação em pedra-sabão ao iogurte artesanal de Queluzito. Nota 5 dos ouvintes. É catálogo de ideia pra quem pensa em vender com nome próprio.
Luisa Abram (produto, chocolate do grão à barra): as barras de origem saem de cacau selvagem colhido às margens do Purus, do Juruá, do Acará e do Tocantins, uma para cada rio, de R$ 35 a R$ 41. A de crocante de castanha está esgotada. Você prova quatro e entende, sem ninguém explicar, o que o nome do lugar faz com o preço do que você planta.
SAFRA DE CIFRAS
Você tá avançando rápido ou devagar?

Fonte: Giphy
De 2008 para cá, a produtividade do campeão do Desafio de Máxima Produtividade do CESB subiu 87,6%, enquanto a média brasileira avançou 40,5%. Faça a conta da sua variação no mesmo intervalo: abaixo disso, segundo a lógica da notícia, você perdeu terreno.
Só que o número não fecha sozinho. O artigo é assinado por um sócio fundador do CESB, e quem organiza o desafio também escolhe como medir. Os 87,6% são de uma lavoura só, a campeã; os 40,5% são a média de todo o país, calculada pela Conab, escalas diferentes na mesma frase. E a conta de rentabilidade não aparece em lugar nenhum: produzir mais não é, necessariamente, lucrar mais. Antes de perseguir o número de fora, a pergunta mais honesta é sobre a sua própria lavoura: ela está melhorando em relação a ela mesma? Progressivamente, safra a safra? Esse é o número que importa, e o único que você realmente controla.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
A soja perdeu quase uma semana de paciência

Fonte: Giphy
A sua primeira aplicação de pós-emergência já está marcada, e pode ter sido marcada com a régua errada. O mato não é vizinho de talhão, é sócio na mesma tigela, disputando água, luz e comida com a soja desde o primeiro dia. E não entrou com nada.
O Brasil aprendeu que o aperto começava por volta dos 20 dias depois de a lavoura romper o solo. Os estudos recentes que a Embrapa reúne puxaram a fronteira para cerca de 14 dias. E a contagem começa na emergência, não na semeadura. É aí que a sua planilha erra.
Os 14 dias não são lei da física, e a própria Embrapa diz do que dependem, de cultivar e espaçamento a qual mato nasce no talhão, solo e chuva. Quem tem pressão baixa de mato e cultivar que fecha rápido compra folga. Quem não tem, perde a janela. Pegue a data prevista de emergência do talhão, some 14 dias e olhe o calendário. Se a sua aplicação vem depois disso, você decidiu pela régua antiga.
COMO TÁ LÁ FORA?
A China mudou a receita, não o mapa

Fonte: BrazilJournal
A China atacou a conta pelo lado da receita. A Muyuan, o maior frigorífico de suínos do planeta, mexeu na fórmula da ração e passou a economizar 31 quilos de soja por animal. É dieta com régua de engenheiro, não força de vontade. Não precisou de um hectare novo. A Systemiq projeta importação chinesa de soja um quarto menor até 2030, e é para portos chineses que vai a maior parte da soja que o Brasil exporta.
Do outro lado, tem gente achando a leitura grande demais. O Insper Agro enxerga aí redução de vulnerabilidade, não adeus ao comércio, porque depender menos não é parar de comprar. Para a StoneX ainda é cedo para imaginar a China cortando comida, e o risco que ela enxerga é ameaça ao produtor brasileiro, não porta fechada. A discussão é de prazo e de tamanho. Você não muda contrato por causa disso.
MENTES QUE GERMINAM
O resto do café foi consertar o açúcar

Fonte: Giphy
O que a sua operação joga fora ganhou uso novo num laboratório paulista. Pesquisadores tiraram antioxidante do resíduo do café e da pele do amendoim e prenderam o material no cristal do açúcar de cana, e o índice glicêmico do produto caiu da faixa média para a baixa. Não é calda por cima. É recheio por dentro. O antioxidante viaja dentro do cristal, e é ele que faz o corpo processar o carboidrato mais devagar.
A patente depositada já está no INPI, e a tecnologia está pronta para a indústria. Mas antes de imaginar o seu resíduo virando dinheiro, olhe os detalhes. Foram 25 voluntários e seis dias de teste, o que é piloto, não estudo longo. O valor calórico ainda não foi avaliado, então o açúcar pode entrar devagar no sangue e engordar igual. E não existe marca disso na prateleira, porque o pronto é a tecnologia. Você não compra isso hoje.
Mas serve para você começar a olhar com outro olhos o que descarta.
ACONTECEU NO AGRO
O que Viçosa ensinou para nós

Fonte: Giphy
Quantas capacitações a sua equipe fez neste ano? Guarde esse número.
Em Viçosa, na Zona da Mata mineira, a Semana do Fazendeiro da UFV entregou 409 cursos e conversas em pouco mais de uma semana, e a Câmara da cidade aprovou o projeto que declara a festa patrimônio cultural imaterial. É o costume que a cidade passou para o papel, para ninguém dizer amanhã que a ideia é dele. A festa nasceu em 1929, na escola de agricultura que virou a UFV.
O texto ainda não virou lei, o reconhecimento é de uma cidade só, e o que ele promete é que a festa continue acontecendo.
Mas o que interessa a você é o método atrás do número, uma casa que trata formação de gente como trata plantio e colheita, com data marcada. Isso não depende de lei nem de Câmara. Gera resultado como um bom insumo, mas na mente de quem trabalha contigo, ou seja, hora de aumentar aquele número que você pensou.
DICA AGRO ESPRESSO
Ninguém quebra por lucrar pouco

Fonte: Giphy
Você olha para o resultado do ano e procura o pico. O Itaú BBA pede para você olhar a linha inteira. A tese é que o que separa quem atravessa os ciclos de quem quebra não é o tamanho do lucro, é a constância. A curva importa mais que o pico. Na última bonança, muita compra saiu sem lente de risco, e a conta chegou em inadimplência. Risco que só aparece no susto é extintor comprado depois do incêndio.
O relógio é a reforma tributária, com adaptação a partir de 2027, e crédito tributário se organiza antes, não no ano em que a regra bate na sua porta. O resto é rotina, política de risco executada nos dois ciclos e caixa da empresa separado do da família. É disciplina, não jogada de mercado. Você não precisa do melhor ano da sua vida. Você precisa de uma sequência de anos bons.
E AÍ, BORA?
Setembro
Feedlot Summit Brazil: o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. De 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO).
Fórum Pecuária Brasil: um dia inteiro de mercado do boi, do indicador do preço ao futuro na B3, reunindo frigoríficos e pecuaristas, no dia 16 de setembro, em São Paulo (SP).
15º Congresso Brasileiro do Algodão: plenárias, hubs temáticos e cursos curtos ligando ciência aplicada, rastreabilidade e qualidade de fibra ao planejamento da cadeia, de 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
Outubro
GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).
Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).
26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).
AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).
Novembro
Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Talento Jovem, com envio de matérias até 1º de novembro.
ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.
CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, com risco e régua de análise no centro da conversa, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.
Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e os concursos Coffee of the Year e Espresso Design, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
SE DIVERTE AÍ
Você que passa o dia olhando qual país vale mais na planilha de exportação vai se sentir em casa no Globle: Capitals. Todo dia o jogo esconde uma capital no globo: você chuta outras capitais e a temperatura vai mudando de cor, azul gelado quando errou feio, vermelho quente quando está chegando perto. Cada novo palpite abre um arco no mapa e te ajuda a afunilar. Dica: comece pelos seus mercados de destino. Você já tem esse mapa de mente.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, cancela o custeio rural perdido por clima, praga ou doença.
Pergunta de hoje: o que é o PSR?
A resposta você confere na próxima edição!
