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Bom dia!
A edição de hoje tem soja que passou a semana inteira presa no porto por causa de erva daninha e saiu com o problema resolvido na sexta à noite, Petrobras subindo o diesel logo depois do governo zerar o imposto, e feira agrícola que terminou com mais conversa sobre dívida do que sobre máquina nova. No meio disso, o javali ganhou pesquisa nacional, o suíno segue fazendo promoção involuntária e a Fórmula 1 estreou 2026 com combustível que custa até US$ 300 o litro.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
Diesel não vai acabar, mas tá virando o vilão oficial da colheita

Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo
O diesel voltou pro centro da conversa depois da Petrobras reajustar o preço nas refinarias. A justificativa vem do barril lá fora, que tá pulando com a guerra entre Irã e Israel, enquanto o governo tenta segurar o repasse com PIS/Cofins zerado e promessa de subvenção. Na conta da estatal, considerando a mistura com 15% de biodiesel, o ajuste equivale a R$ 0,32 por litro no diesel que chega no posto.
Daí nasce a pergunta dramática do momento, vai faltar diesel no Brasil? Por enquanto, não tem sinal de que vá acabar, mas a novela do abastecimento dá gatilho em época de safra. Nesta semana, a Petrobras até fez leilão de 20 milhões de litros no RS depois de relatos de aperto durante a colheita. E tem o ponto estrutural que deixa o país mais sensível ao susto internacional. Em 2024, cerca de 25% do diesel vendido aqui veio de importação, então qualquer tensão em rota e preço vira nervosismo na bomba antes mesmo de virar escassez de verdade.
Pro agro, diesel não é só combustível, é o coração da operação. A agropecuária responde por cerca de 11% do consumo direto, rodando trator, colheitadeira, pulverizador e plantadeira, e quando entra o frete na conta o peso cresce ainda mais, porque é diesel que leva insumo pra fazenda e tira grão e proteína pra armazém, indústria e porto. A Aprosoja lembra que frete e combustível podem bater 25% a 30% do custo no campo, e com fertilizante pesando perto de 20%, a combinação dos 2 subindo junto pode comprometer quase 50% do custo, dependendo de quanto a guerra esticar. No meio disso, o biodiesel aparece como alternativa imediata. Hoje o Brasil roda em B15 e o setor pede teste rápido pra ir pra B16, só que petróleo caro também pode empurrar o óleo de soja pra cima e encarecer a mistura.
DE OLHO NO PORTO
Mapa dá um boi na inspeção, tradings respiram e a soja volta pro trilho da China

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O Mapa resolveu destravar o gargalo que tava virando fila de navio e dor de cabeça no interior. Na sexta-feira (13) à noite, o Ministério da Agricultura mudou o procedimento da certificação fitossanitária da soja com destino à China e autorizou que as amostras analisadas sejam coletadas pelas supervisoras contratadas pelos exportadores, não mais pelos fiscais como regra geral. Só que não liberou tudo, não, em 1 de cada 10 embarques os fiscais seguem coletando direto, só pra deixar claro que a régua sanitária tá viva e de olho.
Essa troca veio depois da semana em que o tema virou novela com roteiro de porto. As tradings reclamaram que a amostra tirada pelos fiscais no navio não representava o carregamento todo, a originação travou e a Cargill chegou a anunciar pausa na operação. No meio do empurra-empurra, o ministro Carlos Fávaro bateu na mesa, criticou a empresa e disse que não ia precarizar o sistema, aí no dia seguinte o procedimento foi ajustado mesmo assim e passa a valer imediatamente pros carregamentos que ainda não tinham amostra coletada pra laboratório.
Só que o passivo do capítulo anterior ficou na tela. Antes da mudança, 23 navios foram avaliados pela regra antiga e 7 deram positivo pra daninhas vetadas pela China, e ainda não tá claro qual vai ser o caminho dessas cargas. Pra completar, Fávaro vai receber representantes da Abiove e da Anec em Brasília na segunda-feira (16), porque depois de tanta soja esperando sentada, o que o setor mais quer agora é previsibilidade e menos improviso no cais.
No mercado, a leitura é de que a medida deve normalizar os embarques já na próxima semana, segundo a Pátria AgroNegócios, e isso importa porque o Brasil tá com o pé no acelerador. A consultoria aponta 27 milhões de toneladas já comprometidas pra exportação, 25% acima do ano passado e 44% acima da média de 5 anos, enquanto o lineup encosta em 15 milhões de toneladas, recorde histórico. Pra completar o pacote, Brasil e China devem sentar na próxima semana pra ajustar protocolo e garantir fluidez.
O AGRO EM NÚMEROS
Soja atrasada, diesel mais caro e o suíno apanha

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A colheita de soja no Brasil chegou a 57,43% da área na safra 2025/26, segundo a Pátria AgroNegócios, ainda atrasada contra o mesmo período do ano passado, quando já era 66,03%, e um tiquinho abaixo da média de 5 anos, 57,88%. A produtividade segue naquele vai, não vai, mas a consultoria ainda chama a safra de positiva, mesmo com quebras por excesso de chuva no Centro-Oeste.
E o diesel cedeu às tretas lá de fora e vai pesar no bolso do produtor. A Petrobras vai subir o diesel A em 11,6%, ou R$ 0,38 por litro, pra uma média de R$ 3,65 nas refinarias a partir de sábado. A estatal diz que, com PIS/Cofins zerado e a subvenção do governo, o repasse na bomba deve ser bem baixo, coisa de R$ 0,06, e soltou que sem as medidas do governo, o ajuste seria equivalente a R$ 0,70 por litro. Mesmo com o reajuste, especialistas lembram que a defasagem com o importado ainda não some, e a Petrobras tá esticando a operação das refinarias pra 97% da capacidade e até adiando manutenção pra jogar mais diesel no mercado.
E enquanto o diesel encarece o rolê, o suíno tá fazendo promoção involuntária. No mercado interno, o Cepea apontou queda de 16,1% em fevereiro na região SP-5, com o suíno vivo a R$ 6,91 por kg, contra R$ 8,24 em janeiro, a maior queda desde 2022, e o setor entrou no ano com baixa liquidez e indústria comprando menos no independente. No atacado da Grande SP, a carcaça especial também caiu, com média de R$ 10,36 por kg, baixa de 14,6%, e o poder de compra do produtor encolheu: com 1 kg de suíno, ele comprou só 3,75 kg de farelo de soja e 6,11 kg de milho, os piores níveis desde 2024.
Só que, pra tentar compensar a tristeza do mercado doméstico, o porco brasileiro tá com passaporte carimbado. Em fevereiro, as exportações bateram 120,9 mil toneladas, alta de 5,1% sobre janeiro e 6,9% sobre fevereiro do ano passado, o maior volume pra um fevereiro desde 1997, e já são 3 meses seguidos de recorde mensal, somando mais de 372 mil toneladas desde dezembro.
NAS CABEÇAS DO AGRO
F1 troca o petróleo pelo combustível verde e o litro custa até US$ 300

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A Fórmula 1 entrou em 2026 pisando diferente, e não é só porque o carro tá mais estreito, mais leve e com aerodinâmica ativa pra dar aquele tempero nas 24 corridas. A grande virada tá no tanque. Depois de mais de 70 anos acelerando com derivados fósseis, os 22 carros do grid tão usando combustível 100% sustentável, além de motores elétricos com mais potência e um pacote técnico pensado pra deixar a disputa mais apertada e o fã mais grudado na tela. Tudo isso por que a categoria quer provar que dá pra acelerar forte sem deixar rastro de fumaça no retrovisor.
Esse combustível novo atende pelo nome de Combustíveis Sustentáveis Avançados e, na prática, é uma gasolina de laboratório. A F1 diz que ele é sintético e produzido a partir de fontes tipo captura de carbono, resíduos urbanos e biomassa que não vira comida, tudo pra cortar a dependência do petróleo bruto. Antes de estrear no palco principal, a receita foi testada em 2025 na F2 e na F3 e, segundo a categoria, funcionou sem derrubar o desempenho, ou seja, o discurso é que o carro continua voando, só que com a pegada mais limpa
Só que sustentabilidade na F1 ainda tem preço de luxo. Como cada uma das 11 equipes trabalha com um fornecedor diferente, não existe valor oficial único, mas estimativas da indústria falam em até US$ 300 por litro, algo perto de R$ 1,5 mil no câmbio do momento, porque o negócio envolve pesquisa pesada, tecnologia cara e produção em escala pequena. A Saudi Aramco, que fornece pra Aston Martin, já falou em uma faixa entre US$ 170 e US$ 225 por litro. Tudo isso faz parte do plano anunciado em 2019 com a FIA pra a F1 buscar neutralidade de carbono até 2030, e a categoria diz que já reduziu 26% das emissões até 2024, tentando provar que dá pra correr com o pé embaixo e o carbono na coleira.
COLHENDO CAPITAL
Expodireto vira termômetro da cautela e o produtor não tira escorpião do bolso

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A Expodireto Cotrijal terminou em Não-Me-Toque (RS) com um assunto dominando mais que qualquer lançamento de máquina, endividamento agrícola gaúcho depois de uma sequência de safra que não ajudou. E a feira seguiu na linha do ano passado, sem divulgar o volume de negócios, dizendo que prefere fugir de comparação com outras exposições e focar na adoção de tecnologia. Em 2024, quando ainda saía número, a régua tinha batido em R$ 7,9 bilhões.
Na conversa de corredor, o ambiente de negócios foi mais pé no chão, sem correr muito risco. Segundo o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, as empresas até entraram tentando dar um descontinho, mas o produtor tá mais contido e aquela euforia de fechar pedido no impulso ficou bem menor. No meio da feira, a Emater soltou a estimativa da safra de soja do RS e colocou o número em 19 milhões de toneladas, 11% abaixo do previsto no começo, com a falta de chuva ajudando a estragar a foto. O produtor Luiz Fernando Branco, de Coxilha (RS), adiou irrigação pra 2027, cortou 20% da adubação e já tá fazendo conta com 40 sacas por hectare nas variedades precoces, bem longe das 65 que tavam no plano original, enquanto segura o calendário na esperança de as tardias darem um respiro.
E o freio não ficou só no talhão. Nos insumos, a Mosaic disse que as compras de fertilizantes estão mais lentas, com 28% do volume estimado negociado até agora contra 38% no mesmo período de 2024, e a relação de troca piorou, 26 sacas de soja por tonelada de fertilizante, quando era 24 há 1 ano e 20 em 2020. No milho, o número pulou pra 61 sacas por tonelada, bem acima das 43 do ano passado, e a indústria já alerta pra risco de compra concentrada virar estresse logístico e encarecer frete e porto. Ainda assim, o milho apareceu como o otimista da feira, com a Syngenta Seeds dizendo que a cultura tá ganhando espaço no Sul por ser a que paga a conta.
RADAR SANITÁRIO
Javali tá no radar e o Mapa quer sua ajuda

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O Mapa resolveu colocar o javali no radar oficial e abriu uma pesquisa nacional pra medir o tamanho da invasão no campo, com apoio do GT de Javalis do Paraná. A ideia é juntar dados de quem tá vendo bicho, tomando prejuízo e tendo dor de cabeça pra, no 2º semestre deste ano, soltar um retrato mais real do avanço da espécie no país e usar isso como base pra propostas de enfrentamento que não sejam só um “boa sorte aí”.
O questionário fica aberto até 31 de maio e mira 2 públicos, produtor rural e manejador autorizado. O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, bateu na tecla de que sem participação a conta não fecha, porque é esse volume de respostas que vai mostrar onde o javali tá aparecendo e quanto ele tá custando na prática. A orientação é, se já avistou javali na propriedade ou já teve prejuízo, responde. E se você conhece quem faz controle populacional, manda o link também, quanto mais resposta, menos achismo e mais chance de achar uma solução.
Pra quem ainda tá dizendo “eu não sei por onde começa”, o Sistema Faep também soltou uma cartilha de orientação com o pacote completo: riscos econômicos, ambientais e sanitários, um resumão do histórico do javali no Brasil e as regras que regulamentam o controle populacional via caça. O recado do Mapa é que os dados atuais ainda são preliminares e o levantamento depende desses questionários complementares pra funcionar.
PLANTÃO RURAL
Calor vira custo na pecuária. O estresse térmico pode cortar de 5% a 15% da eficiência produtiva do rebanho e derrubar as taxas de concepção entre 20% e 50%, segundo a Biogénesis Bagó. O alerta cresce quando o THI passa de 68 a 72 no leite e encosta em 74 no corte, e o básico já ajuda, sombra, água e manejo.
Trigo vai encolher e a conta chega em abril. A Conab estimou safra de trigo em 6,9 milhões de toneladas, queda de 12,3% e a menor desde 2021. A Safras & Mercado ficou em 6,86 milhões e projeta área em 1,99 milhões de ha, recuo de 15,5% vs a temporada anterior e até 40% menor que 4 anos atrás. Margem fraca, custo de insumo subindo, especialmente nitrogenado, e medo de excesso de chuva no Sul no 2º semestre com risco de qualidade.
Cerrado guarda carbono que ninguém tava vendo. Um estudo na New Phytologist estimou que algumas áreas do cerrado, veredas e campos úmidos, podem armazenar cerca de 1,2 mil toneladas de carbono por hectare, até 6x a densidade média da Amazônia. O truque tava na profundidade, amostras de até 4 metros mostraram que estudos rasos subestimavam até 95%.
Agricultura familiar vira inventora e ganha vitrine. A Embrapa e o MDA vão premiar inventos que resolvem problema na marra, de debulhadora de feijão verde a triciclo adaptado pra substituir trator caro. A premiação rola em 17/03 na Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias pra Agricultura Familiar, que acontece entre 16 e 18/03 em Campinas, com 242 inscrições no 1º concurso.
Oktoberfest com CPF paulista. A Hofbräu München vai produzir no Brasil, pela 1ª vez fora da Alemanha, parte da linha em Leme (SP) na fábrica da NewAge, que tem capacidade de 30 milhões de litros por ano. Um mestre cervejeiro da marca acompanhou testes e validação técnica, e alguns insumos seguem importados, como levedura, lúpulos e maltes especiais. Os 2 primeiros estilos chegam ainda este mês, weissbier e lager helles, e o setor aposta em queda de cerca de 20% no preço sem frete marítimo e taxas de importação.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Açaí
Pergunta de hoje: Qual espécie florestal amazônica depende de abelhas grandes para polinização e de cutias para dispersar sementes?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
