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Bom dia!

Hoje a edição vem com o agro brasileiro vendendo bem lá fora e se virando aqui dentro: teve porco batendo recorde e trocando o mapa dos destinos, algodão fechando 2025 no topo com embarque forte, e a UE acenando com fertilizante mais barato. O Piauí decretou emergência por Peste Suína Clássica enquanto a pauta de energia e transição aparece com a Etlas, joint venture de Corteva e BP mirando óleo vegetal pra SAF e diesel renovável, e a conectividade 4G avançando no campo pra tirar produtor do modo avião.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 161.975,23 0,53%
MDIA3 R$24,16 0,83%
SMTO3 R$14,21 -6,02%
BEEF3 R$5,16 -10,42%
VALE3 R$76,32 6,06%
Bitcoin US$90.987,41 2,99%
Ethereum US$3.149,90 5,43%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

RADAR SANITÁRIO

Chiqueiro em quarentena

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O Piauí apertou o botão vermelho da sanidade e decretou emergência zoossanitária por 180 dias depois de confirmar um foco de Peste Suína Clássica em Porto, no norte do estado. Essa decisão serve pra destravar medidas mais rápidas de contenção e erradicação, com regras mais duras pra circulação de animais e de produtos que são considerados de risco, pelo menos por agora. Tudo isso porque ninguém quer que esse vírus pegue carona e vire excursão estadual.

E antes que alguém comece a imaginar contêiner parado no porto, Brasília já mandou seguir o baile. O secretário de Comércio do Mapa, Luís Rua, cravou que o caso não afeta as exportações de carne suína do Brasil. O ministério também reforçou que a treta aconteceu em área endêmica pra doença, ou seja, essa situação tá sendo tratada como rotineira, sem mexer no status sanitário do resto do país. E é sempre bom lembrar: PSC não é zoonose, então o risco não é pra humanos. O susto é econômico e sanitário na granja.

Pra você não se confundir, a gente explica melhor: Peste Suína Clássica e Peste Suína Africana são vírus diferentes, com sintomas muito parecidos, então só laboratório separa uma da outra sem achismo. No Brasil, a PSC ainda aparece em áreas não livres, enquanto a PSA é considerada erradicada por aqui, sem circulação registrada hoje. A africana é a vilã principal porque não tem vacina eficaz e, se entrasse, o estrago seria bilionário. Mas, nessa novela do Piauí, o roteiro é mais pé no chão: controle local, fiscalização na veia e exportação seguindo o cronograma, como se nada tivesse acontecido.

SAFRA DE CIFRAS

Nutrien passa o adubo pra frente

Foto: Reprodução/Nutrien

A Nutrien decidiu enxugar o portfólio e tá vendendo 2 unidades de armazenagem e mistura de fertilizantes, uma em Araxá (MG) e outra em Cristalina (GO), pra Terrena Agronegócios, do empresário Marco Antônio Nasser de Carvalho. Só falta o Cade carimbar o papel pro negócio ficar sob nova direção.

A história ficou pública depois de um despacho do Cade no Diário Oficial da União, publicado na segunda-feira (5). O detalhe que todo mundo sempre quer primeiro, o valor, não aparece na versão pública do processo, então por enquanto vamos ficar sem essa parte da fofoca.

Essas 2 unidades tão paradas desde o meio de 2024, e a Nutrien também suspendeu outras operações no ano passado dizendo que era decisão de eficiência operacional, aquele jeitão corporativo de falar que a conta não ta fechando. A Terrena já joga nesse mercado de produção e distribuição de fertilizantes e tem unidades em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, então tá pegando uma estrutura pronta pra reforçar a presença onde já conhece o terreno.

O AGRO EM NÚMEROS

Algodão no topo, porco com passaporte e 4G tirando o campo do modo avião

Foto: Wenderson Araujo/CNA

Se 2025 fosse um campeonato, o algodão brasileiro teria sido campeão disparado, com uma boa folga até o vice. Foram 3 milhões de toneladas exportadas no ano, acima das 2,8 milhões de 2024, e dezembro ainda mandou 452,5 mil toneladas, recorde pro mês, na base do combo que todo produtor ama: oferta grande depois de colheita histórica e logística cooperando sem fazer drama. A China liderou as compras, Bangladesh e Paquistão vieram na sequência, e a StoneX já avisa que 2026 pode ter produção um pouco menor porque preço internacional baixo é aquele “desânimo” que não precisa nem de legenda.

Na carne suína, o Brasil terminou o ano com o porco mais globalizado do que nunca. As exportações bateram 1,51 milhão de toneladas, alta de 11,6%, e a receita subiu 19,3%, chegando a US$ 3,62 bilhões, com dezembro fechando forte em 137,8 mil toneladas. O detalhe bom pra quem gosta de dormir sem pesadelo de dependência é que o tabuleiro mudou: as Filipinas viraram o principal destino com 392,9 mil toneladas, salto de 54,5%, enquanto a China caiu pra 159,2 mil toneladas, mostrando que a turma tá espalhando melhor os ovos... ou as carnes.

Pra fechar, um número que muda jogo: nos últimos dois anos a cobertura 4G no campo avançou pra atender 1,7 milhão de pessoas em mais de 2,8 mil localidades, com R$ 4 bilhões investidos, segundo o Ministério das Comunicações. Nada de ficar sem sinal na hora de consultar clima e preço, e agora tem mais chance de agricultura de precisão sair do PowerPoint e virar rotina.

COMO TÁ LÁ FORA?

Europa quer adubo mais barato e um pouco menos de drama no campo

Foto: Mosaic/Divulgação

A Comissão Europeia resolveu jogar um calmante na ração política dos agricultores do bloco e colocou fertilizante no centro do pacote. A ideia que tá sendo discutida por lá é de reduzir as tarifas de importação pra insumos como ureia e amônia e ainda empurrar uma proposta que pode abrir brecha pra suspender temporariamente o imposto de fronteira de carbono da UE, tudo isso como parte das concessões ligadas ao acordo UE-Mercosul.

No miolo, o comissário Maros Sefcovic falou em zerar as tarifas padrão de 6,5% da ureia e 5,5% da amônia e pressionou por uma lei que libere isenções temporárias no imposto de carbono. A Comissão também já tinha sinalizado acesso mais rápido a cerca de 45 bilhões em fundos pra agricultura que, em tese, só apareceriam no orçamento de 2028 a 2034. Tão tentando de tudo pra ver se os protestantes sossegam o facho.

A França comemorou o alívio e avisou que não tem motivo pra importador meter aumento oportunista nos preços, mas manteve o pé atrás com o acordo. Polônia e Hungria continuam resistentes, a Irlanda dá sinais de que pode apoiar e a Comissão marcou conversas consideradas decisivas pra sexta-feira (9) pra ver se vai ou racha.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Quer fazer uma joint venture comigo?

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A Corteva e a BP resolveram oficializar o flerte e botaram aliança no dedo com nome e sobrenome: Etlas. A joint venture, anunciada lá em 2024, saiu do papel com capital meio a meio e uma missão bem direta: produzir óleos vegetais de canola, girassol e mostarda pra virar combustível verde, principalmente SAF pra aviação e diesel renovável. A ideia é juntar a mão pesada da Corteva em sementes com a experiência da BP em refino e comercialização, tipo um casamento por conveniência com meta e planilha.

A Etlas já nasce com ambição grande: chegar a 1 milhão de toneladas de matéria-prima por ano até meados de 2030, podendo virar mais de 800 mil toneladas de biocombustível, segundo as contas da empresa. O fornecimento inicial tá previsto pra começar em 2027, pra uso em coprocessamento em refinarias e em plantas dedicadas, surfando um mercado que pode pedir até 10 milhões de toneladas de SAF e 35 milhões de toneladas de diesel renovável até 2030.

O pano de fundo é que a demanda tá crescendo e a pressão por descarbonização não tá dando trégua, mas a BP tá dando dois passos pra frente e um pra trás. Em 2024, ela dobrou a aposta no Brasil ao comprar a parte da Bunge na joint venture sucroenergética e virar dona integral de 11 usinas, mas em 2025 veio o tal reset estratégico da companhia, com mais grana pra óleo e gás e menos entusiasmo em renováveis. Agora parece que voltaram atrás, ou só querem equilibrar as contas ambientais mesmo.

PAUTA VERDE

Capim indoor pra salvar da seca

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Se a chuva tá fazendo graça e o pasto tá virando lembrança, a forragem hidropônica chegou com os dois pés na porta pra solucionar esse B.O. A técnica, chamada de FVH, promete produzir até 100 toneladas de matéria verde por dia por hectare usando cultivo vertical e indoor, com grão virando biomassa em 10 dias, sem depender do humor do céu e sem pedir permissão pro solo.

A lógica é simples e meio futurista: grãos como milho, aveia, cevada e trigo passam por germinação controlada e viram um tapete verde, lotado de nutrientes. O sistema otimiza terra e água, com redução de até 99% no consumo hídrico, e ainda coloca no cocho um alimento de alta digestibilidade, daqueles que fazem até o gado agradecer.

No bolso, a promessa é de fazenda mais leve e conta mais curta. A FVH pode reduzir custos operacionais em até 50%, corta parte do gasto com maquinário pesado e diesel e ainda funciona como boia salva-vidas quando vem aquela seca braba. O retorno do investimento pode vir em menos de 24 meses, ou seja, é o tipo de tecnologia que chega oferecendo pasto, previsibilidade e um pouco de paz pra pecuária.

PLANTÃO RURAL

  • Milho com endereço certo. O governo autorizou a Conab a comprar até 50 mil toneladas de milho pro Programa de Venda em Balcão em 2026 e liberou até R$ 80 milhões pra equalizar preço pros pequenos criadores. Hoje, a Conab tem 108,9 mil toneladas em estoque, e a compra extra entra se faltar milho público ou se o leilão com logística sair mais em conta.

  • Multa de 2006 chegando agora. O TRF1 condenou um pecuarista a pagar R$ 514,7 mil por danos morais coletivos e cortou o acesso dele a crédito oficial por desmatar ilegalmente 983 hectares na Amazônia entre 2002 e 2006. O dinheiro saiu da conta de um parâmetro do Ibama.

  • Caterpillar e NVidia no modo Robocop. As duas empresas ampliaram a parceria pra levar IA e robótica pra máquina pesada, com a plataforma Jetson Thor rodando inferência em tempo real em equipamento de construção, mineração e energia.

  • Sementeira em modo RJ. A Uniggel, do grupo Formoso, pediu recuperação judicial com dívida em torno de R$ 1,3 bilhão, após aperto de crédito e excesso de estoques no setor de sementes de soja. A empresa diz que segue operando, mas o caso corre em segredo de justiça. No histórico recente, teve carta a fornecedor, dificuldade de renovar linhas e um CRA de R$ 130 milhões emitido em 2023 que ainda ronda o mercado.

  • Maçã com aplicativo no volante. A Embrapa Uva e Vinho e a Agrimar criaram o Irrifert, app pra irrigação e fertirrigação de macieiras, com recomendação baseada em dados do pomar e leituras de tensiômetro. A promessa é reduzir até 20% de água e 30% de fertilizante, com ganho de uniformidade, produtividade e calibre.

  • Embrapa virou ponto turístico da pecuária. A Embrapa Pecuária Sudeste recebeu 19 missões internacionais em 2025, com 55 visitantes de 14 países, de olho em pecuária sustentável, baixo carbono, ILPF, recuperação de pastagens e pecuária de precisão. O mundo quer ver como o Brasil pode produzir mais sem transformar pasto em problema climático, e a pesquisa tá virando vitrine.

SE DIVERTE AÍ

O desafio de hoje é o Flagle, aquele jogo em que cada palpite revela um pedacinho da bandeira até você acertar o país. Parece moleza até surgir uma bandeira que nem o professor de geografia lembraria de cabeça. Chama o pessoal da fazenda, do escritório ou da sala, cada um joga no seu celular e vence quem matar a charada em menos tentativas; o resto vocês decidem se paga o próximo cafezinho ou só aceita a derrota em silêncio.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Romã

Pergunta de hoje: Qual cereal originário da Etiópia é a base da injera, pão típico que alimenta milhões de pessoas no Chifre da África?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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