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Bom dia!
Hoje o agro apareceu com o pacote completo. Tem exportação de frutas crescendo pra União Europeia, Indicação Geográfica pipocando no mapa e um vergalho bovino que, no mercado chinês, vale mais do que muita carne que a gente finge que é nobre. No meio do caminho, Minas armou uma rede pra vigiar a cigarrinha-do-milho, o governo abriu consulta pra mexer no desconto da energia da irrigação e soltou bilhões pra financiar reforma agrária, enquanto o tempo divide o país entre temporais e calor digno de onda.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
DE OLHO NO PORTO
Nada se perde, tudo vira dólar, até pênis bovino

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Esquece a briga entre picanha e maminha. Um dos cortes que mais têm ajudado a engordar a receita nas exportações pra China é o vergalho, o pênis bovino, que virou item de luxo e ainda melhora o aproveitamento do animal, segundo o Imac. No comércio, nada se perde, tudo vira dólar.
Pode até parecer que é algo pontual ou muito específico, mas não é assim que a indústria trata o vergalho. O gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez, diz que a exportação in natura é contínua, com uma média mensal que varia entre 4 e 5 toneladas. Não é só um pedido esquisito de uma semana ou pra uma data especial, é um mercado com rotina, contrato e carimbo sanitário.
A diferença de preço também explica a empolgação. No nosso mercado interno, o vergalho costuma virar petisco pra cachorro, vendido a um preço médio de R$ 21,00 por kg. Lá fora é outra história, no mercado externo a tonelada pode chegar a US$ 6 mil, mais ou menos uns R$ 32,00 por kg na cotação atual. O produto sai daqui in natura e entra num cardápio típico de países asiáticos, onde é tradição mandar o animal inteiro pra panela.
Pra Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, esse tipo de nicho mostra uma pecuária de MT mais organizada e alinhada ao que o mundo pede, inclusive quando o mundo pede umas partes que o Ocidente finge que não existem. E, no fim, diversificar produto e mercado reduz risco e fortalece a cadeia, já que nem só de carne nobre vive o churrasco.
RADAR SANITÁRIO
Cigarrinha aqui não

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Minas Gerais resolveu tratar a cigarrinha-do-milho do jeitinho que essa praga merece, com holofote, planilha e boletim técnico. Nesta terça-feira (27), às 8h, em Uberaba (MG), pesquisadores da Fazu e empresas do estado vão lançar o Observatório para Monitoramento da Cigarrinha-do-Milho, e já vem no embalo o 1º boletim sobre esse inseto chato que espalha doenças e adora derrubar produtividade sem pedir licença.
A iniciativa, que foi batizada de Rede Sentinela, nasce de uma parceria com várias empresas, entre elas JuliAgro, ColeAgro e a startup FitoWise, além do apoio de IFTM, Epamig, Algar Farming e a ABCZ. A ideia é juntar gente do campo e da pesquisa pra gerar e difundir informação técnica de verdade, pra produtor parar de trabalhar no boato e começar a reagir com dado, no tempo certo.
O foco é atender produtores do Triângulo Mineiro e do norte de São Paulo, com monitoramento que já começou em agosto de 2025. Tem pontos de coleta em Uberaba, Uberlândia, Contagem e Barretos, com armadilhas perto das lavouras avaliadas a cada 15 dias. Depois do lançamento oficial, os boletins vão virar rotina mensal, pra cigarrinha perder o elemento surpresa e o milho respirar um pouco.
O AGRO EM NÚMEROS
Fruta voando pra Europa, selo crescendo no Brasil

Foto: Canva/ Creative Commoms
A fruta brasileira nem precisou do acordo UE-Mercosul pra fazer barulho na União Europeia: em 2025, os embarques subiram 18,5% em volume e 12% em receita, pra 778,2 mil toneladas e US$ 847,4 milhões. O preço médio caiu 5,4% pra US$ 1.089 por tonelada, e a Abrafrutas ainda olha torto pro Tribunal da UE, que pode atrasar a queda de tarifas enquanto analisa a parte jurídica do acordo.
Enquanto a fruta ganha passaporte, as Indicações Geográficas tão pisando no acelerador com força. O Brasil saiu de 73 IGs em 2020 pra 150 no fim de 2025, alta de 105,4%, e o Sebrae estima um ritmo de crescimento de 20% ao ano. Só que o selo pede paciência: são pelo menos 18 meses de estruturação e mais 12 no INPI. Em 2025, as regiões com IG faturaram R$ 80 bilhões, e 2026 já começou com as tortas de Carambeí (PR) ganhando o selo.
COLHENDO CAPITAL
Desconto com relógio, irrigação com agenda

Foto: Wenderson Araujo/CNA
O Ministério de Minas e Energia abriu uma consulta pública pra mexer no desconto da tarifa de energia pra irrigação e aquicultura. A ideia é dar mais liberdade pro produtor que entra na classificação de Classe Rural escolher quando usar o benefício, em vez de ficar preso em regra engessada que só faz sentido no papel. Quem quiser opinar, o papo tá aberto até 27/01.
Na proposta, o desconto entra por 8h30 por dia, podendo ser tudo de uma vez ou picado, desde que o produtor combine os horários com a distribuidora local. Só tem um horário que fica proibido: das 18h às 22h59, quando a rede tá no pico e o sistema não quer saber de pivô, viveiro e nem papo.
O MME diz que a flexibilização vai ajudar a reduzir o custo e aumentar a previsibilidade. A CNA concorda com a discussão, mas também diz que o horário do desconto não pode ser decidido só pelo interesse do setor elétrico, e o prazo de 30 dias pra o produtor formalizar a escala, pra entidade, é curto demais pra quem tá no campo e nem sempre recebe o recado a tempo.
ASSUNTO DE GABINETE
Governo vai sair comprando terra à rodo pro MST

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo federal lançou um pacote de R$ 2,7 bilhões pro Programa Terra da Gente em 2026 pra comprar fazendas, bancar desapropriação de imóveis, criar mais assentamentos e pra ajudar nas linhas de crédito pra quem já tá na lida. O anúncio rolou em Salvador (BA), num ato com o MST, com Lula e Paulo Teixeira na linha de frente.
Na parte de terra, o governo disse que vai comprar fazendas em SP, PE, PA, BA, MA e SE, com milhares de hectares, mas sem dizer o tamanho exato, e vai fazer tudo de assentamento. Também entrou na reta a desapropriação de imóveis rurais em SP, MT, MG e RS e um acordo judicial no PR de R$ 584 milhões pra regularizar 32,3 mil hectares. E no anúncio também já veio a meta de criar 10 novos assentamentos em PA, PB, GO e SE.
Na parte do dinheiro, vieram 2 pacotes principais: R$ 717 milhões do Orçamento Geral da União pro crédito de instalação do Incra e R$ 1,015 bilhão em crédito habitacional rural pela Caixa. O pacote quer entregar terra e também garantir que a casa e a produção não fiquem só no discurso, mas fica a dúvida de onde o dinheiro vem e pra onde ele vai.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Tem água vindo aí

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A previsão do tempo pra essa semana já começa com a chuva querendo aparecer em todo canto, e o Inmet soltou alerta pra acumulados de 20 a 50 mm por dia, com vento de 40 a 60 Km/h. O risco de falta de energia, queda de galhos, alagamentos e raios é baixo, mas o aviso cobre todos os estados do Norte e ainda pega SP, MT, DF e pedaços grandes de MS, GO, MA, MG, RJ e o norte do PR.
Só que, enquanto uma parte do país abre o guarda-chuva, o Sul e um pedacinho do Centro-Oeste tão indo pro lado oposto da história. Depois da passagem de uma frente fria, um sistema de alta pressão tomou conta da região Sul e do sul do MS, e deu uma segurada na formação de nuvens e deixou o sol trabalhando em hora extra. O Inmet falou de máximas mais fortes entre terça (27) e quarta-feira (28), e ainda tem a chance de uma onda de calor, com temperaturas 5°C acima da média histórica, principalmente no RS.
No resto do tabuleiro, o clima segue no padrão verão raiz: pancadas, abafamento e temporais aparecendo do nada, como o Climatempo já vinha apontando. Depois do 2º episódio de ZCAS, quem chega mais perto agora é a ZCIT, jogando mais chuva pro norte do Nordeste. E a MetSul mantém o alerta ligado pra SP, RJ e MG, com risco de chuva volumosa, acumulados entre 100 e 200 mm em 5 a 7 dias e chance de passar de 200 mm em pontos isolados, com possibilidade de alagamentos e inundações.
PLANTÃO RURAL
O acordo saiu, mas o acesso ainda tá na alfândega. A CNA avisou que a redução de tarifa no acordo Mercosul-UE, sozinha, não garante a entrada do produto brasileiro no bloco, porque a União Europeia também joga com exigência ambiental e salvaguarda automática, tipo o EUDR. A entidade quer regras nacionais de reação rápida, com salvaguarda bilateral, contramedida e mecanismo de reequilíbrio na prateleira.
A vacina deu ruim, e a fábrica virou saudade. A Dechra decidiu abandonar o Brasil e fechar de vez a planta de Londrina (PR), onde saíam vacinas pra bovinos, 6 meses depois do caso da Excell 10, ligada à morte de mais de 600 animais, em 2 lotes. A empresa disse que o problema veio de falha na inativação dos patógenos.
O trigo entrou no derby do etanol. A ANP liberou a CB Bioenergia, em Santiago (RS), e a usina já pode produzir etanol de trigo, com meta de moer 100 t por dia e chegar a 12 milhões de litros por ano. A expansão até 2027 mira 45 a 50 milhões de litros, com mais R$ 500 milhões. Em Passo Fundo, a Be8 e a Kepler Weber já tão com projeto maior no forno.
O Peru abriu a porta e o Brasil vai entrar. O Senasa habilitou 18 unidades brasileiras pra exportar farinha de carne e ossos bovina e hemoderivados de bovinos e suínos, mercado que tinha sido aberto em 05/2024, mas faltava carimbo nas plantas. O órgão também liberou mais 3 empresas pra farinhas de aves e renovou as licenças antigas. As autorizações valem até 12/2028.
Irrigação ganhou sobrenome novo e promessa de pós-venda. A Tracan e a New Irrigação juntaram forças e criaram a TracNew, que vai atuar como distribuidora dos sistemas da Lindsay no Brasil. A ideia é vender o pacote completo, com projeto, tecnologia e assistência, mirando várias culturas e puxando a irrigação pro setor sucroenergético, onde a Tracan já tá entrosada com a cana e com a planilha de custo.
Gripe aviária correndo solta na Europa. Em só 14 dias de 2026, o H5N1 já gerou 42 surtos em granjas comerciais de 11 países, com a Polônia liderando a dor de cabeça. No total foram 17 granjas e 1,49 milhão de aves afetadas até agora. Na França, até lote vacinado de pato pegou, e a fauna silvestre segue espalhando o vírus. O recado pro Brasil é o de sempre, biosseguridade sem férias.
O lixo do formigueiro pode virar ouro no laboratório. Um estudo da Unesp e da USP, com apoio da Fapesp, mostrou que a microbiota das saúvas muda conforme a dieta, e que o “lixo” do formigueiro guarda bactérias que produzem enzimas capazes de degradar fibras vegetais, tipo lignocelulose. Traduzindo, aquilo que a formiga descarta pode ajudar pesquisa em biocombustíveis e biorremediação, com o passado da folha virando combustível no futuro.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Lentilha
Pergunta de hoje: Qual fruta amazônica é chamada de “viagra da floresta” por comunidades ribeirinhas, graças ao seu uso tradicional afrodisíaco?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
