APRESENTADO POR

Bom domingo!

Último domingo de setembro, em 5min você aprende dicas valiozas para o próximo mês. Tem série de fazendeiro segurando rancho de gado quando a Lei Seca e a Grande Depressão viraram a mesa do país. Tem vinho paulista para a mesa do churrasco apostar a origem antes de virar o rótulo. Tem agenda de evento para você virar o mês já com as datas marcadas. Tem azeite gaúcho tirando nota alta num boletim italiano, e a letra miúda dessa prova. E tem o pasto, que entra nas águas do jeito que você deixar agora. Ainda tem jogo e pergunta no fim.

Pra você entrar em outubro com a conta das águas feita.

Por Luciana Stival.

RURALIDADES

  • 1923 (série, duas temporadas no Paramount+, por assinatura): Harrison Ford e Helen Mirren segurando um rancho de gado no meio da Lei Seca e da Grande Depressão, em duas temporadas que fazem qualquer ano de juro alto parecer passeio no parque.

  • Temple Grandin (filme de 2010, na HBO Max, por assinatura): Claire Danes vive a cientista autista que revirou o manejo do gado nos Estados Unidos e deixou criador experiente de queixo caído, em 1h49 que rende conversa com a turma do curral na segunda-feira.

  • Ouça o Agro (podcast em vídeo do Sistema CNA/Senar, no YouTube, grátis): já chegou ao episódio 240, a maioria entre 20 e 25 minutos, com dívida rural, tarifa americana e biocombustível para navio na pauta, e cada um cabe no trecho de estrada de terra até a sede.

  • Grão Direto (plataforma e app de comercialização de grãos, grátis para instalar): cotação de soja, milho e sorgo em tempo real no celular e comprador do outro lado da tela, para você parar de depender do print que chega no grupo de WhatsApp às seis da manhã.

  • Guaspari Vale da Pedra Tinto 2023 (vinho de Espírito Santo do Pinhal, SP, na loja da vinícola, R$ 198): Syrah paulista com 8 meses em barrica de carvalho francês, a garrafa para levar ao churrasco e deixar a mesa apostar de onde ela veio antes de virar o rótulo.

PRA DENTRO DA PORTEIRA

O pasto que chega baixo às chuvas pode ficar verde antes

Fonte: Giphy

A chuva que vem aí vai encontrar o seu pasto do jeito que ele está hoje, e esse jeito pode pesar no potencial do período chuvoso inteiro.

O ponto certo lembra corte de cabelo bem feito, um pouco mais baixo que a altura das águas, sem palha nem talo sobrando, mas nunca na máquina zero.

Pasto que chega assim já vem perfilhando, e o zootecnista Edmar Peluso estima que ele dá capim verde até 30 dias antes do pasto passado, aquele que atravessou a seca de cabelo comprido.

O cabelo comprido tem preço conhecido. Pela Embrapa, capim sobrando no pasto sombreia a base da planta e pode atrapalhar o perfilhamento, e o capim rapado demais acelera a degradação. Para o pastejo no Marandu, a tabela que a Embrapa reproduz põe a entrada do gado em 40 a 45 centímetros e a saída em 20 a 25.

Acontece que a primeira chuva não faz o serviço sozinha. O rebrote do começo das águas tem menos vigor que o pasto no pico, e a lotação precisa ser ajustada para o gado não comer o capim novo cedo demais, que seria pagar o barbeiro para passar a máquina no que acabou de crescer.

Para quem vai adubar, a Embrapa cita a recomendação de até 50 quilos de nitrogênio por hectare por aplicação, principalmente quando a fonte é ureia. Num ensaio com Marandu, pôr os 160 quilos de uma vez concentrou quase 80% da produção da estação em dois cortes, e o parcelado produziu mais forragem no total.

Os 30 dias são estimativa do zootecnista. Já a Embrapa escreve que a carne mais barata é a produzida a pasto nas águas, e que o ganho feito na seca costuma sair com mais insumo e lucro menor.

PAPO DE CURRAL

Um litro a mais por vaca pesa mais na margem que o preço

Fonte: Giphy

Tem uma pergunta de balcão que diz muito sobre a margem de uma fazenda de leite: quanto a vaca dá por dia.

A média brasileira é de 6,47 quilos de leite, número que os próprios pesquisadores da Embrapa Gado de Leite chamam de bastante baixo e que cai na faixa de baixo da régua deles, a de menos de 10. A faixa alta começa acima de 25, e a Holandesa, criada em condições adequadas, pode chegar a 40 por dia.

A média junta a vaca da família que tira leite para casa e vende a sobra com a do rebanho tecnificado, onde a produtividade mais que triplicou nos últimos anos, e o que sai da ordenha varia com raça, genética, alimentação, manejo e saúde. No retrato de 2024, divulgado no ano passado, o IBGE contou leite recorde com o menor número de vacas ordenhadas desde 1979. Menos vaca, mais leite.

Onde isso vira dinheiro, a CNA e o Cepea montaram 28 fazendas típicas, modelos de propriedade desenhados com produtores da região no levantamento de 2021 a 2023, e cada litro a mais por vaca por dia respondeu por uns R$ 705 a mais de margem líquida por hectare. Nessas fazendas, a receita por litro pesou menos na margem do que a produtividade, e o estudo lembra que alimentação e mão de obra costumam ser os custos que mais pesam.

A ressalva vem do próprio estudo, a relação não é sempre linear. Mas quem passa o mês brigando só pelo preço do litro está mexendo na alavanca que, ali, pesou menos.

DO CAMPO AO PRATO

Azeite gaúcho tira 98 na Itália, mas a safra oscila

Fonte: Giphy

Quem pensa em cultura nova para diversificar a terra tem agora um boletim para olhar. O guia italiano Flos Olei, que dá nota a produtores de azeite de dezenas de países, pôs na edição de 2027 15 casas brasileiras entre as 500, 11 do Rio Grande do Sul e 4 de Minas. Sabiá e Prosperato tiraram 98 de 100, a Prosperato na 11ª edição seguida dentro do guia, e dois azeites daqui levaram prêmio de categoria, o Picual da Sabiá em método de extração e o Signature, da Estância das Oliveiras, em blend frutado intenso.

Antes de pendurar o boletim na geladeira, vale ler como a prova funciona. Na lista das 500, o Brasil tem mais casas que Grécia e Portugal, mas o 98 é nota alta numa sala em que muita gente tira nota alta, e 87 casas ficaram com 98 ou mais. Só faz a prova quem se inscreve, e a inscrição começa em 350 euros, para um azeite. E o guia não corrige só o sabor, pesa também se a casa tem pomar próprio, quanto produz, onde vende e a que preço.

O que ainda não tem constância é a colheita. O Instituto Brasileiro de Olivicultura contou 1,4 milhão de litros de azeite em 2026, recorde, já projeta safra menor em 2027 pela perspectiva de chuva na primavera gaúcha, e o presidente dele quer acabar com a montanha-russa. Para quem olha o azeite como cultura nova, o boletim é bom, e a safra ainda anda de montanha-russa.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Uma cerveja de maxixe levou o ouro no Nordeste

Fonte: Abracerva

O maxixe, fruto de origem africana que ficou popular no Norte e no Nordeste, virou o ingrediente da Dança do Maxixe, uma gose, estilo alemão ácido e de pouco amargor, que a Proa, de Lauro de Freitas, na Bahia, faz com sal. Débora Lehnen, mestre-cervejeira da marca, desenhou a receita pensando no sunomono, a saladinha agridoce de pepino servida de entrada nos restaurantes orientais, e quis uma cerveja leve, que desse para beber mais de uma sem enjoar.

Em Feira de Santana, a etapa Norte-Nordeste da Copa Cerveja Brasil medalhou 30 cervejas de 13 cervejarias de cinco estados, em avaliação às cegas, e a Dança do Maxixe levou o ouro Best of Show, a fase em que as melhores de cada categoria se enfrentam, independentemente do estilo. O maxixe não foi o primeiro ingrediente da terra na Proa. Antes dele, a Proa já tinha feito a Sour de Caju, e a proposta da casa é pôr na receita ingredientes da Bahia.

MENTES QUE GERMINAM

Cebolinha no tomate matando como inseticida?

Fonte: Giphy

Quem tem tomate no portfólio conhece a Tuta absoluta pelo estrago na folha, e conhece também a queixa que o artigo registra: o agricultor mistura inseticida no tanque e relata o efeito caindo com o tempo, por resistência. Foi então que pesquisadores da Tanzânia e de Moçambique foram atrás de outra proteção, a do vizinho. Testaram 14 plantas para ver quais a praga evita, seis afastaram a mariposa, e duas foram colocadas para morar ao lado do tomate numa casa telada em Mbeya, na Tanzânia, a cebolinha-francesa e uma planta chamada Aeollanthus fruticosus.

A que melhor cuidou da vizinhança foi a cebolinha. Com ela ao lado, o dano nas folhas ficou em 14%, contra 63% no tomate sozinho, e o inseticida de comparação ficou em 10%, diferença sem significância estatística. O vizinho atento segurou a rua quase tão bem quanto a ronda paga, pelo menos na folha, porque na contagem de ovos o inseticida ainda foi melhor.

Agora a letra miúda do condomínio: foi em casa telada, com uma variedade só, e o dano contado cinco dias depois de soltarem cerca de mil fêmeas. O próprio artigo pede teste em campo aberto e em regiões diferentes. E quando juntaram as duas plantas, o dano subiu para 39%, bem pior que o da cebolinha sozinha, então dois vizinhos bons na mesma calçada não deram um resultado melhor. Ou seja, por ora é pista de pesquisa, não receita pronta.

O AGRO EM NÚMEROS

A orquídea é resistente, e o setor de flores fatura bilhões

Fonte: Globo Rural

A orquídea tem fama de diva, dessas que pedem camarim e toalhas brancas, e cultivar uma pode parecer complicado à primeira vista. Mas um livro que a Senac São Paulo lançou este ano promete descomplicar a tarefa. Em 145 páginas, Andrew Mikolajski, autor de livros de jardinagem que mora em Northamptonshire, na Inglaterra, cataloga mais de 150 espécies, com hábitat, biologia e nomenclatura, e ensina rega, poda, replantio e reprodução. Na loja da editora, o livro sai por R$ 80.

O básico cabe em duas linhas. O primeiro passo é escolher bem o lugar onde a planta vai ficar, e depois a regularidade vale mais que o exagero nos cuidados. Em geral as orquídeas são resistentes, tirando algumas espécies com exigências próprias, e o cultivo, que já foi restrito a colecionadores e especialistas, ficou mais acessível com a evolução das técnicas de reprodução. A diva, no fim, pede mais rotina que mimo.

E essa diva fatura muito com ótimos “empresários”. Flores e plantas ornamentais faturaram R$ 19,9 bilhões em 2023, com São Paulo concentrando 75% da produção nacional.

Mas nem tudo são “flores”, no ano passado o maior produtor de orquídeas do estado, presidente do sindicato rural de Mogi das Cruzes, reclamava de insumo caro e de falta de mão de obra. Pelo visto tá faltando gente pra trabalhar no camarim da diva.

E AÍ, BORA?

Outubro

  • GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).

  • SIAL Paris: cinco dias para ver o que a indústria de alimentos do mundo está pondo na prateleira e onde cabe o que você exporta, de 17 a 21 de outubro, no Paris Nord Villepinte, em Paris (França). Ingresso pelo site.

  • Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).

  • 26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).

  • AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).

Novembro

  • Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Talento Jovem, com envio de matérias até 1º de novembro.

  • AgTech Summit: agricultura 4.0, rastreabilidade e inteligência artificial aplicada ao campo, dia 5 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.

  • ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.

  • 16º Seminário DATAGRO de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol: a atualização das projeções de custo da safra 26/27, com preço de insumo agrícola e industrial destrinchado, para você comparar com a sua planilha, dia 5 de novembro, on-line. Exige inscrição.

  • Agro World Fórum: geopolítica, comércio internacional e competitividade brasileira resolvidos numa manhã, dia 5 de novembro, no Renaissance São Paulo Hotel, em São Paulo (SP). Credenciamento pelo site.

  • EuroTier: a principal feira de pecuária profissional do mundo, para ver as soluções inteligentes de manejo do rebanho funcionando antes da sua próxima obra, de 10 a 13 de novembro, em Hannover (Alemanha). Pago, a partir de 33 euros o dia na compra on-line.

  • CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, com risco e régua de análise no centro da conversa, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.

  • Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e os concursos Coffee of the Year e Espresso Design, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

  • XXII FENACAM: camarão e aquicultura com simpósios internacionais, de 17 a 20 de novembro, no Centro de Convenções de Natal (RN). Pago, e quem deixar para depois de 29 de outubro paga R$ 100 a mais na inscrição.

  • Conexão Batata Brasileira: produtor, distribuidor e fornecedor da batata na mesma feira, para você sair com mercado, máquina e comprador no mesmo caderno, dias 20 e 21 de novembro, no Expo Boulevard Iguatemi, em Campinas (SP). Pago, por ingresso.

  • Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA): dois dias para acertar a conta da água e da energia da irrigação, com tecnologia, gestão hídrica e custo do manejo na mesa, no maior polo irrigado do país, dias 27 e 28 de novembro, no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Inscrições abertas.

SE DIVERTE AÍ

Sete peças e uma silhueta esperando, pode ser um bicho, uma pessoa, um objeto. O quadrado entra fácil, e é o paralelogramo que decide se a figura fecha ou se você gira a peça pela décima vez. No Tangram tem categoria de animais e de pessoas, e cada figura fechada chama a próxima.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: carência é o prazo no começo do empréstimo em que o devedor ainda não paga as parcelas; os juros continuam correndo e entram na conta depois.

Pergunta de hoje: o que é um azeite extravirgem?


A resposta você confere na próxima edição!

PROGRAMA DE INDICAÇÃO

CONTATO

📧 Leitor: [email protected]

📧 Imprensa: [email protected]

Keep Reading

VOLTAR À PÁGINA INICIAL