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Bom domingo!

Hoje o Rio Grande comemora a Farroupilha, tem fogo de chão aceso em CTG de meio país, e domingo é dia de escolher o que fazer com as horas que sobram. Tem filme de família que troca a cidade por um pedaço de terra no interior americano e descobre, do jeito caro, quanto custa água. Tem queijo da Canastra chegando pelo correio com o nome do produtor na etiqueta. Tem agenda de evento pra marcar antes que os prazos fechem. Tem edital com dinheiro pra mulher do campo vencendo na quinta, num canto do site da Embrapa. E tem carbono que o frigorífico precisa cortar e quer cortar no seu pasto, com técnico de graça. Ainda tem jogo e pergunta no fim.

Pra você começar a semana sabendo o que o calendário já marcou.

Por Luciana Stival.

RURALIDADES

  • Minari, Em Busca da Felicidade (filme, 1h55, no catálogo do Prime Video ou alugado por R$ 9,90): Jacob tira a família da costa da Califórnia, vai plantar hortaliça coreana no interior do Arkansas dos anos 80 e descobre, do jeito caro, que terra isolada cobra o preço no poço, no comprador e na paciência de quem mora junto. Nota 7,4 no IMDb, e o Prime já avisa que o filme sai do catálogo daqui a pouco mais de uma semana.

  • Terra que Alimenta (documentário da TV Cultura, 51 minutos, grátis no YouTube): a pergunta de como alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 aterrissa onde interessa, na terra degradada que dá para recuperar, 12 milhões de hectares pela conta do Censo Agropecuário e de 80 a 100 milhões pela da UFG. Estreou em fevereiro do ano passado e já passou de 56 mil visualizações, sem custar nada além da sua tarde.

  • Gestão de negócios agropecuários com foco no patrimônio (livro, editora Alínea, R$ 52,00): 120 páginas que tratam a fazenda como fábrica a céu aberto e põem caso real na mesa para responder como o seu patrimônio atravessa seca e mercado ruim sem virar inadimplência. Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros assina com mais três pesquisadores, e o livro inteiro cabe numa viagem de estrada.

  • Mundo Agro Podcast (podcast semanal, grátis no Spotify): o professor Rogério Coimbra senta com quem opera de verdade, e no episódio 359 a conversa vai parar na formação do piloto agrícola, no voo baixo e no peso e balanceamento do velho Ipanema. São 5 estrelas em 96 avaliações e um episódio por semana, que é ritmo que não acumula na fila.

  • Queijo Canastra Online (produto, queijo artesanal da Serra da Canastra, de R$ 36,10 a R$ 144,40): a loja da Canastra Velha vende com o nome do produtor na etiqueta, Zé Mario, Sítio Talismã, Roça da Cidade, Capela Velha, do mini merendeiro de R$ 36,10 à peça tradicional de R$ 144,40. Três dos maturados estão esgotados, que é a forma mais curta de medir o que a origem faz com o preço do leite que saiu da mesma vaca.

QUEM FICA COM A FAZENDA

A idade que ninguém pôs na planilha

Fonte: Canal Rural

Vai deixar a fazenda pra quem? A pergunta costuma chegar com um susto junto, sete em cada cem empresas familiares chegando ao neto, e quem conta o susto é uma conselheira de empresas que termina recomendando contratar conselheiro. Pois é.

O número que dá para conferir de graça é outro, e é mais duro. Quase um quarto dos produtores do país já tinha 65 anos ou mais quando o Censo passou, em 2017, contra pouco mais de um sexto em 2006. O plano de sucessão que a família foi adiando não envelheceu. Quem adiou, sim.

E não é jeitinho brasileiro, em Iowa é igual. Quarenta produtores e lideranças do Sistema FAEP foram lá e voltaram com o mesmo problema na mala, e lá 58 mil dos 153 mil produtores têm 65 anos ou mais. O que trouxeram de útil foi o diagnóstico: o filho se forma, a indústria oferece salário bom, e o que segura ele na fazenda não é papel de cartório, é a fazenda dar conta de pagar.

Sucessão, no fim das contas, é uma linha do fluxo de caixa. Quem quiser começar por ela antes de chamar consultor tem o Herdeiros do Campo, do próprio FAEP, que só recebe a família com duas gerações na mesma mesa.

PAPO DE CURRAL

Decoraram o ano errado

Fonte: Canal Rural

Todo boi e búfalo do Brasil vai ter que andar com brinco eletrônico, um número só dele, e o Ministério da Agricultura já publicou o calendário. O ano que todo mundo repete é 2032, quando cem por cento do rebanho precisa estar identificado. A obrigação de verdade, porém, começa bem antes, em 1º de janeiro de 2027, com os animais que tomam vacina de brucelose e os que estão em protocolo privado. Até o fim de 2029 boi sem brinco ainda anda, mas a partir de 2033, acabou a “paciência”.

O que a portaria não diz, em nenhum dos seus dez artigos, é quanto custa o brinco, quem paga e o que acontece com quem não colocar… O preço que circula, na boca de quem vende rastreabilidade, é de R$ 7 a R$ 10 por cabeça. E o pior é que tem o risco do seu estado antecipar o prazo e apertar a regra.

Mas a principal pressão vem de fora, porque Europa e China cobram carne de área sem desmatamento, tanto que no Pará a JBS-Friboi e a Amazon já saíram distribuindo três milhões de tags. Que mandem mais, porque vai precisar.

PAUTA VERDE

Minerva, “tão galera”

Fonte: BDO

A oferta parece daquelas que não se recusa, técnico na fazenda, ferramenta de medir emissão e um selo de baixo carbono no fim, e a empresa garante, em entrevista, que não custa nada ao produtor. Quem oferece é a Minerva, que compra o seu boi, e o programa é, nas palavras dela mesma, a principal ferramenta que tem para reduzir a emissão da cadeia de fornecimento, porque 98% do carbono da empresa vem da produção do boi, não da fábrica, e ela se comprometeu a chegar ao Net Zero até 2035. O que o técnico corta no seu pasto é, antes de tudo, problema dela.

O produtor, por sua vez, leva orientação técnica, um certificado da Food Chain ID e acesso a crédito com condição diferenciada em instituição parceira. A página oficial lista o resto, e cada item começa com a mesma palavra, acesso, a pagamento por serviço ambiental, a mercado de carbono, a crédito verde. Prêmio por arroba não aparece em nenhuma das quatro páginas lidas. Aparece produto diferenciado com maior valor agregado, sem dizer no bolso de quem. A recuperação do pasto, essa, é do seu bolso, e a conta de diesel, de energia, de adubo e de defensivo vai para a certificadora fazer o cálculo. Quatro anos depois do lançamento o programa tinha 31 fazendas no Brasil, das 145, a maioria no Uruguai, e a meta é ter pelo menos metade dos abates vindo de fazenda certificada até 2030. Onde o carbono vira dinheiro para o pecuarista é outro contrato, com a subsidiária MyCarbon, pago pelo carbono medido no solo, e em novembro do ano passado os créditos ainda estavam em análise na Verra, previstos para 2026. Selo não tem cotação, e o contrato ainda está na fila.

TRAMPO NO CAMPO

Quem atende o campo hoje quase nunca é consultoria

Fonte: AGFeed

Quem coordena o Rally da Pecuária escreveu que o atendimento técnico vai acabar se concentrando na iniciativa privada e que, sem coordenação, isso vai se dar pela exclusão de quem não se adaptar. Ele é engenheiro agrônomo e diretor da Athenagro, e prevê, ele mesmo, que tudo começaria na desconfiança entre os interesses envolvidos.

A contagem nacional desenha outro mapa. Quando o Censo perguntou de onde vinha a orientação técnica recebida, a categoria de empresa privada de planejamento apareceu em 28.302 estabelecimentos, atrás do governo, com 388.077, do próprio produtor, com 316.394, da cooperativa, com 251.520, e da empresa integradora, com 134.950.

O trem privado que a coluna anuncia existe, mas tem 28 mil lugares, e na plataforma estão mais de quatro milhões de estabelecimentos que não recebem orientação de ninguém, num país onde a cobertura caiu de 22% para 20,1% entre 2006 e 2017. O dado é do Censo de 2017. Para quem está escolhendo carreira agora, o que a tabela diz é que a consultoria pura é a menor dessas cinco portas, e que quem mais atende produtor, de longe, ainda é o serviço público.

RETRATO DO CAMPO

Tem gente deixando esse dinheiro na mesa

Fonte: Giphy

Na quinta vence uma bolsa de mentoria para mulheres indígenas, e em 1º de outubro fecha uma chamada internacional de US$ 2,3 milhões para projeto de agricultura.

As duas estão num canto do site da Embrapa, no Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, criado em 2022 para dar subsídio a política pública em benefício das mulheres que atuam em atividade agropecuária, florestal e aquícola. São nove chamadas com prazo declarado.

Quem for escrever projeto para algum dos editais encontra ali ao lado a peça mais aproveitável do conjunto, um guia para incorporar gênero em proposta de ciência e tecnologia, que tem uma versão abreviada de dez perguntas. Aproveita.

PRA DENTRO DA PORTEIRA

O fungo não come o seu milho, come o seu tipo

Fonte: Giphy

Passou de três por cento de grão ardido e o lote cai para fora do Tipo 3, sem que ninguém tenha medido uma micotoxina sequer. Fora de Tipo ele pode ser vendido, desde que identificado como tal, e é acima de cinco por cento que a venda fica proibida.

A classificação oficial do milho olha o defeito que se vê a olho nu e enquadra a carga pelo pior deles, enquanto a toxina que o fungo deixou corre por fora, invisível, sem cheiro e sem gosto, e processo térmico ou químico convencional não a elimina por completo, segundo quem vende o aditivo que promete resolver.

Onde existe número fechado é na comida de gente, com 20 microgramas por quilo de aflatoxinas valendo tanto para o milho em grão quanto para o fubá, e um micrograma no alimento infantil.

Na página oficial de legislação de alimentação animal do Ministério, as duas únicas menções a micotoxina tratam de comida de cão e de gato, uma delas fixando limite desde outubro de 2025. Para quem exporta, o teto que vale é o do país comprador. A letra miúda mora na amostragem, que responde, numa conta que o laboratório oficial do Ministério credita a Whitaker, por nove décimos do erro de uma análise.

Num lote de quatro toneladas, os resultados foram de 0,11 a 100,93 microgramas por quilo, e quando o Ministério manda analisar substância nociva, o ônus é do responsável pelo produto.

E AÍ, BORA?

Setembro

  • 15º Congresso Brasileiro do Algodão: plenárias, hubs temáticos e cursos curtos ligando ciência aplicada, rastreabilidade e qualidade de fibra ao planejamento da cadeia, de 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

Outubro

  • GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).

  • Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).

  • 26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).

  • AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).

Novembro

  • Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Talento Jovem, com envio de matérias até 1º de novembro.

  • ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.

  • 16º Seminário DATAGRO de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol: a atualização das projeções de custo da safra 26/27, com preço de insumo agrícola e industrial destrinchado, para você comparar com a sua planilha, dia 5 de novembro, on-line. Exige inscrição.

  • Agro World Fórum: geopolítica, comércio internacional e competitividade brasileira resolvidos numa manhã, dia 5 de novembro, no Renaissance São Paulo Hotel, em São Paulo (SP). Credenciamento pelo site.

  • CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, com risco e régua de análise no centro da conversa, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.

  • Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e os concursos Coffee of the Year e Espresso Design, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

  • XXII FENACAM: camarão e aquicultura com simpósios internacionais, de 17 a 20 de novembro, no Centro de Convenções de Natal (RN). Pago, e quem deixar para depois de 29 de outubro paga R$ 100 a mais na inscrição.

SE DIVERTE AÍ

Cada número que abre no tabuleiro conta quantas minas encostam nele, e o resto é dedução. Abri o meio e veio um 2 solitário, sem nenhuma pista em volta; fui tentar a sorte num canto, que parecia manso, e a partida durou vinte e sete segundos. Na seguinte, dois números se cruzaram e a bandeira caiu no lugar certo. O Campo Minado Online tem uma grade nova esperando você.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio, título com lastro em crédito do agro, e a regra antiga aceitava até contrato de compra de açúcar.

Pergunta de hoje: que fermento natural o queijeiro mineiro guarda de um dia para o outro?


A resposta você confere na próxima edição!

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