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Bom dia!
Bom dia! Setembro batendo na porta, e a gente atualiza o agro em 5 minutinhos. A safra grande já está mandando a conta pelo diesel, e ela chega no pior mês do calendário. Um aviso vermelho abre a semana bem em cima de lavoura em flor, e granizo não dá segunda chance. Do outro lado do mundo, uma carta de reajuste de celulose mostra quem realmente decide preço numa cadeia. Uma fábrica de colheitadeira com mais história que muita cooperativa trocou de dono por menos do que custa um café. O desconto do adubo apareceu, e caiu no saco errado. E o trigo na maior cotação em anos deixou na mesa do moinho uma pergunta que ele vem adiando faz meses.
Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Na segunda o Tá Quanto é o mapa da semana, sem economês, sem torcida e sem palpite de compra ou venda: o que está marcado, quem decide e o que aquilo mexe no seu bolso.
O que tem data marcada: a Conab leiloa compra de milho na terça, e repete na quarta se sobrar volume. A laranja deve ter PEP e PEPRO na quinta, com preço mínimo de R$ 28,76 pela caixa de 40,8 kg, e o edital ainda não saiu. E o crédito do CMN para a cadeia de fertilizantes saiu no Diário Oficial.
O clima que manda na semana: Quase toda Santa Catarina e o norte gaúcho entram a segunda sob aviso vermelho, 378 municípios, com chuva acima de 100 mm no dia e risco declarado de estrago em lavoura, e outros 935 municípios de doze estados e do DF ficam hoje mesmo no alerta de ar seco. Na terça a instabilidade escorrega para o Sudeste, em nível amarelo.
O calendário que começa a correr: a soja 26/27 pode ir ao chão a partir de 7 de setembro no Mato Grosso, 16 no Mato Grosso do Sul e 25 em Goiás, com a abertura nacional do plantio marcada para o dia 17, em Ipiranga do Norte. A Expointer fecha as porteiras no dia 6.
POR DENTRO DO MERCADO
Alta de trigo é festa de quem tem trigo

Fonte: Globo Rural
Tem notícia que enche o bolso e tem notícia que só enche o boleto. O trigo fechou a sexta em Chicago a US$ 7,84 o bushel, quarta semana seguida de valorização, 19,25% em um mês e o maior nível em três anos. O motivo mora longe daqui: a consultoria SovEcon calcula que mais de 95% da capacidade russa de exportar grão pelo Mar Negro e pelo Azov está fisicamente paralisada, e a Ucrânia avisou que vai semear menos trigo de inverno. Acontece que o Brasil, no trigo, senta do lado que compra: a Conab projeta a menor produção desde 2020, e só no primeiro semestre entraram aqui 170 mil toneladas de trigo russo.
Aí a alta deixa de ser receita e vira custo. Quem tem grão no armazém do Sul comemora, e são poucos. O resto da cadeia paga, e vem pagando calado: já que a alta chegou ao consumidor com defasagem, que uma parcela relevante ficou na indústria e que a farinha não acompanhou o trigo, com a margem comprimida. O repasse que anunciam agora não é ameaça nova, é fila atrasada
PRA DENTRO DA PORTEIRA
O desconto do adubo caiu no saco errado?

Fonte: Giphy
Faz a conta comigo. A ureia recuou de US$ 482,50 para US$ 422 a tonelada em agosto, e o sulfato de amônio, de US$ 262,50 para US$ 220. É boa notícia, e é boa notícia de quem tem safrinha pela frente, porque nitrogenado tem janela de compra que se estende até o fim do ano. Agora, quem semeia soja em 7 de setembro no Mato Grosso não enche caminhão de ureia. Enche de fosfatado. E o MAP, a US$ 855 a tonelada, até recuou e continua desfavorável, porque a queda veio mais do enfraquecimento da demanda brasileira do que de melhora da oferta lá fora.
Ou seja, a relação de troca melhorou no papel e não melhorou na sua ordem de compra. Parte dessa melhora nem veio do adubo, veio do grão, com a soja fechando a sexta a R$ 159,76 no indicador de Paranaguá. A moral é que desconto no insumo que você não vai comprar agora não é desconto, é notícia. E, nem sempre, esperar é estratégia: quando falta o insumo que a semeadeira pede na véspera de sair, quem decide é o calendário.
QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
Comprar máquina virou aposta no fabricante

Fonte: Giphy
Tem negócio que não se mede pelo preço, se mede pela dívida que vem junto. A Vassalli, fabricante argentina de colheitadeiras com mais de 75 anos, mudou de dono em 26 de agosto por um dólar, com Roberto Chinelli assumindo as ações da família Marsó. No pacote vão três plantas em Firmat rodando a meio vapor, em jornada de quatro horas, e pouco mais de 200 funcionários com dez meses de salário atrasado. Dois anos atrás a mesma empresa valia cerca de US$ 8 milhões.
O recado não é sobre a Argentina. Máquina é a primeira linha que o produtor risca quando o juro aperta, e o termômetro está aqui do lado: na Expointer de 2025, máquinas e implementos caíram de R$ 7,4 bilhões para R$ 3,8 bilhões, quase metade a menos. Fabricante sem escala corta assistência técnica e some com a peça de reposição, e aí o valor de revenda do que está no seu barracão deixa de ser linha teórica de planilha. A moral é que, ao escolher máquina, você não compra só o motor, compra a saúde de quem fabrica.
COLHENDO CAPITAL
Quem anuncia o preço e quem só recebe

Fonte: Giphy
Você já ligou pro seu comprador de soja avisando que, de setembro em diante, vai cobrar US$ 20 a mais por tonelada? Pois a Suzano fez isso por carta, comunicando os clientes da China e da Ásia de um reajuste na celulose de fibra curta, o primeiro para a região desde abril. Eucalipto também é lavoura: planta, trata, colhe, dá praga e espera chuva. A diferença não está no pé, está no balcão. A sua saca é cotada. A tonelada dela é anunciada.
Antes de invejar, olha a letra miúda. Meses de desconto derrubaram o preço na China de US$ 600 para US$ 560, e o reajuste recoloca a tabela em US$ 580, ainda abaixo de onde ela saiu. O Bradesco BBI chamou de surpresa positiva e manteve a recomendação de compra, escrevendo na mesma frase que os fundamentos estruturais do setor seguem desafiadores. A moral é que poder de preço não nasce no talhão, nasce no balcão. E quem não escreve a carta, recebe.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Chove demais de um lado, falta ar do outro

Fonte: Agrolink
Tem dia em que o país inteiro deixa a máquina no barracão, e por motivos opostos. Hoje, o dia todo, o Inmet mantém sobre quase toda Santa Catarina e o norte gaúcho um aviso de Grande Perigo, o nível vermelho, em 378 municípios, com chuva acima de 100 mm no dia, vento acima de 100 km/h e granizo, e o texto do aviso fala em estrago em plantação com todas as letras. No mesmo dia, do outro lado do mapa, 935 municípios de doze estados e do Distrito Federal ficam com a umidade relativa entre 20% e 12%.
Quem está no Sul não entra na lavoura porque atolou. Quem está no Cerrado não entra porque a calda evapora antes de encostar na folha. A conta é a mesma, dia de máquina parada, e ela chega justo na semana em que a semeadura da soja libera no Mato Grosso. Aviso não é sentença, e vale dizer: o vermelho não alcança Esteio, onde a Expointer está aberta, e o meteorologista Luiz Carlos Molion tem razão ao lembrar que ninguém no mundo crava o El Niño. A moral é que clima não cobra em milímetro, cobra em dia de calendário. E essa fatura não se parcela.
NOS TRILHOS DO AGRO
O caminhão come o que o talhão deu a mais

Fonte: Revista Cultivar
Setenta e um centavos por litro. É o tanto que a média nacional do diesel S10 encareceu de janeiro a julho, e é por aí que a safra grande começa a vazar antes de virar dinheiro no caixa. Quanto mais grão sai, mais caminhão roda. E caminhão bebe. A conta chega no pior mês: a sobreposição entre a colheita do milho e o plantio da soja empurra a demanda pelo diesel americano para quase 200 mil barris por dia acima do que se gasta fora da temporada, e o produtor pega o preço sazonal mais alto em quatro anos.
E o peso do combustível cresce com a distância, de cerca de 25% do frete no trecho curto a 40% em viagem de até dois mil quilômetros. Ou seja, quanto mais longe do porto está a sua fazenda, maior a fatia da sua conta pendurada num estreito do Oriente Médio que você nunca vai visitar. Ninguém está pegando fogo hoje, o frete recuou em 18 das 25 rotas de Mato Grosso em julho, mas partindo de patamar alto, e a Rystad lembra que o pico de demanda cai em outubro.
PLANTÃO RURAL
A Conab voltou ao mercado, só que dessa vez pra comprar: a estatal marcou leilões de compra de até 20 mil toneladas de milho para 1 e 2 de setembro, para recompor o estoque do Programa de Venda em Balcão.
A conta da folha pode mudar de tamanho já nesta semana: com as 12 emendas rejeitadas pelo relator Omar Aziz, o corte da jornada de 44 para 40 horas vai à votação da CCJ do Senado nesta semana com o texto da Câmara mantido no parecer, e ainda precisa de dois turnos no plenário.
O agro vai movimentar R$ 3,13 trilhões e ainda assim encolher: pelo Radar Macroeconômico da Faesp, com dados do Cepea e da CNA, o PIB do agronegócio deve recuar 7,8% em 2026, com o ramo agrícola caindo 13,7% e a pecuária subindo 2,8%.
A laranja paulista ganhou um piso pago pelo governo: saíram R$ 10 milhões em subvenção por leilões de PEP e PEPRO previstos para 3 de setembro, com preço mínimo de R$ 28,76 pela caixa de 40,8 kg.
O milho brasileiro já está quase todo no armazém: pela Pátria AgroNegócios, a colheita chegou a 88,4% da área total do país, perto da média de 90,2% dos últimos cinco anos, com a produção se aproximando de 104 milhões de toneladas e ficando abaixo da safra passada.
A Argentina dobrou o embarque de milho de um mês pro outro: os embarques previstos para agosto chegam a 6,56 milhões de toneladas, contra 3,22 milhões despachados em julho, com o cereal superando todo o complexo soja no volume do mês.
A lei que rege a semente que você compra é de 1997: a Abrasem, com o Mapa e a CNA, quer modernizar a Lei de Proteção de Cultivares, com o texto do deputado Arnaldo Jardim já aprovado na Comissão de Agricultura e parado na de Desenvolvimento Econômico pelo calendário eleitoral.
SE DIVERTE AÍ
Segunda pede jogo que faz você planejar a jogada antes de sair mexendo. No Tangle você recebe uma palavra em cima e outra embaixo, e tem de sair de uma pra outra trocando uma única letra por vez, formando palavra válida em cada degrau. É o passatempo que Lewis Carroll inventou em 1877. Ganha quem acha o caminho mais curto.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: é a capsaicina, a substância que responde pela ardência da pimenta. A escala que mede isso tem nome, Scoville, e vai de zero, no pimentão, a 300 mil no habanero.
Pergunta de hoje: você vende hoje, na bolsa, um lote de soja que só vai colher em março, e não sai um grão do armazém. Como o mercado chama essa operação?
A resposta você confere na próxima edição!