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Bom dia!

Segura essa antes de todo mundo: a M. Dias Branco pegou o que sobra do trigo e transformou numa marca de ração que aterrissa direto no cocho do pecuarista. No caminho, o tarifaço dos EUA saiu do papel e virou taxa, com o socorro do governo mirando o caixa e não a fábrica, a CPR passou o banco e virou a principal fonte de crédito do agro, o biológico virou commodity e perdeu a margem fácil, a floresta do sul da Bahia começou a vender carbono, e o governo deu seis meses de fôlego pro produtor.

Desce o dedo, que hoje a gente amanheceu olhando pro que mexe no seu bolso.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (sc 60kg · Paranaguá) R$145,45 0,89% 3,15%
Milho (sc 60kg · ESALQ/B3) R$65,27 -0,03% -6,09%
Boi gordo (@ 15kg · CEPEA/ESALQ) R$342,65 0,06% 7,35%
Café Arábica (sc 60kg · CEPEA/ESALQ) R$1.701,33 -1,81% -21,77%
Açúcar cristal (sc 50kg · CEPEA/ESALQ SP) R$91,68 0,60% -16,65%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

A soja disparou, e quem segurou ela guardada escolheu a hora certa pra vender. Já o boi tá em outra onda, a cota de carne pra China tá quase estourando, e depois que isso acontece, exportar fica bem mais caro. Então quem vive de boi precisa correr e fechar negócio rápido, antes que a porta feche.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A M. Dias Branco “multiplicou o pão”

Fonte: Giphy

Enquanto o país inteiro discute tarifaço, tem novidade saindo do moinho que fala direto com quem precisa encher o cocho. A cearense M. Dias Branco, acabou de dar nome e identidade ao farelo de trigo que já vendia a granel, batizado de Gran Farelo, na linha Profissional, pra ração de bovinos, suínos, aves e equinos. O que muda pra quem cria não é pouco, o produto sai em embalagem de 30 kg com válvula a vácuo num mercado ainda preso à saca costurada, com rastreabilidade dos sete moinhos próprios e aproveitando 100% do grão numa lógica de economia circular. É subproduto virando ingrediente estratégico da proteína animal, e pro pecuarista, sobretudo o do Nordeste que tem a fábrica no quintal, significa mais um fornecedor de qualidade disputando o cocho por perto, dessas notícias que mexem com o custo da ração.

DE OLHO NO PORTO

O tarifaço virou conta na fatura

Fonte: Globo Rural

A ameaça que a gente vinha acompanhando deixou de ser conversa e virou taxa.

A sobretaxa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor ontem, com o alívio de que as isenções agropecuárias já cobrem 63,5% do valor que o agro exporta pros americanos, segundo a CNA.

O governo reagiu abrindo uma nova etapa do Brasil Soberano, mas vale olhar o retrovisor, na primeira rodada o agro abocanhou R$ 7,7 bilhões dos financiamentos, quase 40% do total liberado pelo BNDES, só que praticamente tudo foi giro e liquidez pra fechar o mês e menos de 2% virou investimento ou máquina nova.

Traduzindo, o socorro tampa o furo do fluxo de caixa, não reergue a competitividade lá na frente, e pra quem exporta o jeito é caçar mercado fora dos EUA antes que a próxima conta chegue.

COLHENDO CAPITAL

O dinheiro que banca a sua safra já não sai mais apenas dos grandes bancos

Fonte: Giphy

A CPR virou a principal fonte de crédito do agro brasileiro, com o estoque desses títulos chegando a R$ 565 bilhões em maio, 13% acima de um ano antes, e já respondendo por cerca de 43% do custeio da safra 25/26, contra 37% pouco tempo atrás. Ou seja, acabou a mamata dos grandes bancos.

Desenrolando a sigla, a Cédula de Produto Rural é uma promessa de entrega de grão ou boi que o produtor emite pra levantar dinheiro adiantado, e ela cresceu justamente no vácuo do crédito oficial, que anda caro e contado.

É autonomia com a outra face do risco, quanto mais a barra do financiamento passa pro mercado e pras tradings, mais o produtor fica preso a quem compra o seu papel, então saber a quem você está prometendo a safra virou parte do negócio, não letra miúda.

MENTES QUE GERMINAM

O biológico virou commodity e a margem fácil do começo acabou

Fonte: Globo Rural

Bioinsumo ainda é aquele filão de margem gorda? Cada vez menos. O setor entrou na fase da massificação, os produtos viraram quase commodity, e a Vittia admite que precisa de arma nova pra atravessar a tormenta enquanto a Syngenta reforça o portfólio num mercado de biodefensivos que deve bater R$ 17 bilhões até 2030. Bioinsumo é aquele defensivo feito de bactéria, fungo ou extrato no lugar do químico puro, e quando todo mundo passa a vender parecido, o preço desaba e sobra quem tem escala, portfólio e assistência técnica de verdade. Pro produtor a notícia vem dobrada, o biológico tende a ficar mais barato no balcão, mas escolher um fornecedor que não vá capotar no meio da consolidação passou a pesar tanto quanto o desconto na nota.

PAUTA VERDE

A floresta de eucalipto agora rende duas vezes no sul da Bahia

Fonte: Giphy

Um consórcio que junta a Veracel, a Carbon2Nature e a Biomas abriu créditos de carbono no Projeto Muçununga, transformando restauração e floresta em ativo que pode ser vendido a quem precisa compensar emissão. Crédito de carbono é, na prática, um certificado de uma tonelada de CO₂ que deixou de subir pra atmosfera, e cada um vira dinheiro no mercado voluntário. O movimento aponta pra onde a conta ambiental está caminhando, quem tem terra e mata em pé ganha uma segunda safra invisível, a do carbono, e mesmo com o preço desse mercado oscilando e a régua da certificação sendo dura, deixar essa receita nova na mesa é manter hectare rendendo pela metade.

ASSUNTO DE GABINETE

O governo deu seis meses de fôlego

Fonte: Giphy

Respira, produtor, o prazo que apertava afrouxou. O governo adiou para 1º de janeiro de 2027 a obrigação de o produtor rural pessoa física tirar o "CNPJ técnico" da reforma tributária e de emitir nota com destaque da CBS, pelo Decreto 13.075 publicado na quarta.

Esse tal CNPJ técnico não abre empresa nem transforma ninguém em pessoa jurídica, é só um cadastro pra identificar quem vai recolher os novos tributos, e a exigência alcança quem fatura acima de R$ 3,6 milhões por ano ou escolhe o regime cheio.

A folga é real, mas não confunda adiamento com desistência, a reforma segue de pé e passa a valer em 2027, então o mais esperto é usar esses seis meses pra sentar com o contador e revisar o enquadramento antes que a conta chegue de surpresa.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a edição veio cheia de sigla, CBS, IBS, CNPJ, CPR, então a dica de jogo combina com o clima de decifrar palavra: o Contexto. Você tenta adivinhar a palavra secreta do dia e, a cada tentativa, o jogo diz o quão perto você chegou pelo sentido, não pela letra. É viciante, diferente do esforço que a gente faz pra entender a próxima sopa de letrinhas da reforma tributária.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: tokenizar um bem é transformar um ativo físico, como aquela vaca que virou garantia de crédito na edição passada, em um registro digital que pode ser usado como garantia ou negociado, com os dados do bem atrelados a ele.

Pergunta de hoje: o que significa a sigla CBS, o novo tributo da reforma tributária que vai substituir o PIS/Cofins?


A resposta você confere na próxima edição!

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