
APRESENTADO POR

Bom dia!
Pega o café, que em cinco minutinhos você sai daqui sabendo mais que o concorrente. Uma bactéria escondida na raiz do algodão pode um dia aposentar parte do adubo mais caro da lavoura. O governo quer encher o armazém de arroz antes de o El Niño apertar a safra. O Congresso mexeu no imposto do diesel e ainda deu uma carona pro adubo nacional. O socorro da dívida rural, aquele que travou na largada da safra, enfim deve sair da gaveta amanhã. E o Supremo bateu o martelo sobre a soja.
Pra você sentar na reunião de hoje já sabendo o que mudou.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
A inflação americana cedeu, o que costuma derrubar o dólar, mas aqui ele subiu do mesmo jeito, empurrado pelo estrangeiro tirando dinheiro do Brasil. Pra quem exporta soja, café e algodão o câmbio alto ajuda a margem, só que é um respiro que vem de fuga de capital, não de confiança.
PAUTA VERDE
A soja ganhou, e quem brigava com ela também

Fonte: Globo Rural
O que esse julgamento muda pro agro não é quem comemorou mais alto, é uma constatação incômoda: quem manda em quem vende soja continua sendo o mercado, não a lei.
O Supremo declarou a Moratória da Soja constitucional, aquele acordo em que as tradings deixam de comprar grão de área aberta na Amazônia depois de 2008, afastou a acusação de cartel e enterrou os processos que cobravam indenização das empresas.
No mesmo dia bancou as leis de Mato Grosso e Rondônia que tiram o benefício fiscal de quem adere a pactos desse tipo, ou seja, entrar na moratória é legal e punir quem entra também é, e essa contradição sobra pro produtor no meio.
E aqui está o nó que de fato interessa: o sojicultor que abriu área dentro do que o Código Florestal autoriza segue sem vender pras grandes compradoras, porque quem libera ou barra o acesso ao mercado é um acordo privado, não o juiz. A indústria festejou a segurança jurídica e a Aprosoja abraçou as leis estaduais, cada um com seu pedaço do troféu, mas a conta ambiental, e a do sujeito que planta, continua sendo acertada no talhão, não no plenário.
SAFRA DE CIFRAS
A SLC lucrou na terra, a Suzano chorou na fábrica

Fonte: Giphy
O recado que esses balanços deixam pro agro é direto, neste trimestre a margem estava da porteira pra dentro, na lavoura, e não em quem vem depois dela. Quem plantou e vendeu o grão faturou. A SLC Agrícola disparou o lucro puxada por algodão, soja e uma safra recorde, enquanto os elos seguintes da cadeia apanharam, a Minerva encolheu no abate, a Suzano derreteu na celulose e a Kepler Weber afundou nos silos.
Não é sorte nem clima, é posição na cadeia, quem estava mais perto da terra pegou o preço cheio da commodity e o volume da supersafra, quem precisa abater, prensar ou armazenar ficou espremido entre o custo lá em cima e a margem industrial lá embaixo.
Mesmo trimestre, mesmo país, e a conta só fechou pra quem tirou o dinheiro direto do chão.
COLHENDO CAPITAL
A dívida rural destrava, mas o Banco do Brasil quer mais garantia

Fonte: Giphy
O que interessa não é o carimbo que sai em Brasília, é o gerente que vai assinar embaixo, e ele está mais desconfiado.
O governo deve publicar nesta quinta a portaria que libera a equalização das renegociações da MP das dívidas, o empurrão que faltava porque a contratação estava parada nos bancos esperando o Tesouro bater o carimbo. Só que no mesmo dia o balanço do Banco do Brasil mostrou o outro lado da corda, a inadimplência do produtor subiu e fez o banco apertar a exigência de garantia.
No papel a portaria destrava o crédito, no balcão quem viu o calote crescer vai querer mais lastro antes de soltar o dinheiro. O gargalo não sumiu, só trocou de endereço, saiu do Tesouro e foi parar na mesa do gerente.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O diesel ganhou trava, e o adubo pegou carona

Fonte: Giphy
Pro agro, o que saiu da Câmara não é alívio no bolso hoje, são duas promessas pra quando der. Mirando na conta do diesel, que dispara sempre que o petróleo surta lá fora, os deputados aprovaram o PLP dos Combustíveis, que manda derrubar imposto federal de diesel, gasolina e etanol nas disparadas do barril. E de carona no mesmo texto colaram um crédito fiscal pra fábrica de fertilizante nacional, o tal jabuti, justamente o incentivo que a relatora tinha cortado do Profert na véspera pra agradar o governo e que voltou pela porta dos fundos um dia depois.
O problema é o calendário, a trava do diesel só vale quando o petróleo pira e o adubo feito em casa ainda leva anos pra sair do papel. No Congresso o que sai por uma porta costuma voltar pela outra, de preferência pendurado num projeto que já estava andando.
ASSUNTO DE GABINETE
O governo quer o paiol cheio antes do El Niño

Fonte: Globo Rural
O que está em jogo aqui é um piso de preço garantido pra quando o clima virar, e foi isso que o governo foi montar. O Senado aprovou e mandou pra sanção um projeto soltando as mãos da Conab pra comprar comida mesmo com o preço já firme, pagando um tanto a mais no leilão pra recompor estoque, quando hoje a estatal só entra com a cotação no chão. A pressa tem nome, é o Super El Niño no radar, com o governo querendo arroz e ração no armazém antes de o tempo mexer na safra. Pro pequeno ainda vem um bônus, ele passa a comprar farelo de soja e sorgo pela Venda em Balcão, não só milho. O risco fica com o Tesouro, porque comprar acima do mínimo custa caro e, se o El Niño vier fraco, sobra estoque salgado na mão do governo. Mas em ano de clima virado, ficar sem paiol é a aposta mais cara de todas.
MENTES QUE GERMINAM
A Embrapa achou a bactéria que pode aposentar parte do adubo

Fonte: Giphy
O que faz essa descoberta interessar ao agro não é a biologia, é a fatura, porque o Brasil importa quase todo o nitrogênio que joga na lavoura e adubo e defensivo já comem boa fatia do custo do algodão.
A Embrapa achou, na raiz do algodão arbóreo, bactérias que puxam o nitrogênio do ar direto pra planta, a fixação biológica que a soja já faz sozinha, como mostranos aqui em outra edição.
Nos testes de vaso, a planta só com as bactérias foi tão bem quanto a que levou a dose cheia de fertilizante, ou seja, dá pra imaginar trocar parte do saco de ureia por um inoculante e ver o bolso sorrir.
Porém, é bom frear a empolgação, falta caracterizar as bactérias e provar no talhão antes de qualquer um bloquear o contato do fornecedor de adubo. Vamos acompanhar o desenrolar dos próximos capítulos.
PLANTÃO RURAL
A Raízen dá mais um passo na reestruturação: a companhia pediu à CVM a conversão do registro (de Categoria B para A), dentro do plano de recuperação extrajudicial do grupo, o que a habilita a negociar valores mobiliários mais amplos, inclusive ações.
A Vittia foi o respiro da temporada de balanços: a empresa de bioinsumos e nutrição vegetal reduziu o prejuízo no segundo trimestre e viu a receita crescer 15,1%, na contramão de boa parte do setor.
O Senado liberou o governo a montar estoque de comida: aprovado o projeto que atualiza o Programa de Venda em Balcão e permite a compra de alimentos para formação de estoques públicos, útil como colchão em ano de El Niño forte no radar.
O BNDES lucrou recorde e promete mais crédito pro agro: o banco de fomento fechou o primeiro semestre com lucro recorde de R$ 9,2 bilhões e sinaliza ampliar o financiamento ao setor, num momento em que o crédito privado aperta.
O tempo seco liga o alerta em meio país: um veranico deixa 16 estados em alerta de baixa umidade nesta quinta, com risco de queimada, e só o Sul deve receber chuva mais intensa.
O trigo americano encolheu no relatório do USDA: o departamento americano cortou a estimativa de produção de trigo dos EUA e ajustou soja e milho no balanço de agosto, dado que mexe no preço global que o Brasil acompanha.
A soja brasileira embarcou forte em julho: as exportações do grão passaram de 13 milhões de toneladas no mês, sustentadas pela demanda chinesa e pela janela de câmbio favorável ao exportador.
SE DIVERTE AÍ
Numa edição em que a laranja troca de endereço e as empresas encaixam a margem onde dá, o jogo de hoje é justamente sobre achar o lugar certo de cada peça. A dica é o Tangram da Geniol, aquele quebra-cabeça chinês de sete peças (uns triângulos, um quadrado e um paralelogramo) que você gira e encaixa até formar a figura pedida, animal, pessoa ou objeto.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, um jeito de medir quanto caixa o negócio gera só com a operação, antes dos efeitos financeiros e contábeis. É por isso que ele aparece em todo balanço: mostra se a atividade em si dá dinheiro, separada da conta do banco e do desgaste dos ativos.
Pergunta de hoje: o que é a "alienação fiduciária"?
A resposta você confere na próxima edição!
