APRESENTADO POR

Bom dia!

Pega o café, que em cinco minutinhos você sai daqui sabendo mais que o concorrente. Uma bactéria escondida na raiz do algodão pode um dia aposentar parte do adubo mais caro da lavoura. O governo quer encher o armazém de arroz antes de o El Niño apertar a safra. O Congresso mexeu no imposto do diesel e ainda deu uma carona pro adubo nacional. O socorro da dívida rural, aquele que travou na largada da safra, enfim deve sair da gaveta amanhã. E o Supremo bateu o martelo sobre a soja.

Pra você sentar na reunião de hoje já sabendo o que mudou.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (R$/saca 60kg) R$146,34 1,00% 3,78%
Milho (R$/saca 60kg) R$66,15 0,76% -4,82%
Café Arábica (R$/saca 60kg) R$1.771,09 0,49% -18,56%
Algodão (¢R$/libra-peso) ¢R$424,64 0,44% 21,81%
Arroz (R$/saca 50kg) R$73,37 0,77% 37,27%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

A inflação americana cedeu, o que costuma derrubar o dólar, mas aqui ele subiu do mesmo jeito, empurrado pelo estrangeiro tirando dinheiro do Brasil. Pra quem exporta soja, café e algodão o câmbio alto ajuda a margem, só que é um respiro que vem de fuga de capital, não de confiança.

PAUTA VERDE

A soja ganhou, e quem brigava com ela também

Fonte: Globo Rural

O que esse julgamento muda pro agro não é quem comemorou mais alto, é uma constatação incômoda: quem manda em quem vende soja continua sendo o mercado, não a lei.

O Supremo declarou a Moratória da Soja constitucional, aquele acordo em que as tradings deixam de comprar grão de área aberta na Amazônia depois de 2008, afastou a acusação de cartel e enterrou os processos que cobravam indenização das empresas.

No mesmo dia bancou as leis de Mato Grosso e Rondônia que tiram o benefício fiscal de quem adere a pactos desse tipo, ou seja, entrar na moratória é legal e punir quem entra também é, e essa contradição sobra pro produtor no meio.

E aqui está o nó que de fato interessa: o sojicultor que abriu área dentro do que o Código Florestal autoriza segue sem vender pras grandes compradoras, porque quem libera ou barra o acesso ao mercado é um acordo privado, não o juiz. A indústria festejou a segurança jurídica e a Aprosoja abraçou as leis estaduais, cada um com seu pedaço do troféu, mas a conta ambiental, e a do sujeito que planta, continua sendo acertada no talhão, não no plenário.

SAFRA DE CIFRAS

A SLC lucrou na terra, a Suzano chorou na fábrica

Fonte: Giphy

O recado que esses balanços deixam pro agro é direto, neste trimestre a margem estava da porteira pra dentro, na lavoura, e não em quem vem depois dela. Quem plantou e vendeu o grão faturou. A SLC Agrícola disparou o lucro puxada por algodão, soja e uma safra recorde, enquanto os elos seguintes da cadeia apanharam, a Minerva encolheu no abate, a Suzano derreteu na celulose e a Kepler Weber afundou nos silos.

Não é sorte nem clima, é posição na cadeia, quem estava mais perto da terra pegou o preço cheio da commodity e o volume da supersafra, quem precisa abater, prensar ou armazenar ficou espremido entre o custo lá em cima e a margem industrial lá embaixo.

Mesmo trimestre, mesmo país, e a conta só fechou pra quem tirou o dinheiro direto do chão.

COLHENDO CAPITAL

A dívida rural destrava, mas o Banco do Brasil quer mais garantia

Fonte: Giphy

O que interessa não é o carimbo que sai em Brasília, é o gerente que vai assinar embaixo, e ele está mais desconfiado.

O governo deve publicar nesta quinta a portaria que libera a equalização das renegociações da MP das dívidas, o empurrão que faltava porque a contratação estava parada nos bancos esperando o Tesouro bater o carimbo. Só que no mesmo dia o balanço do Banco do Brasil mostrou o outro lado da corda, a inadimplência do produtor subiu e fez o banco apertar a exigência de garantia.

No papel a portaria destrava o crédito, no balcão quem viu o calote crescer vai querer mais lastro antes de soltar o dinheiro. O gargalo não sumiu, só trocou de endereço, saiu do Tesouro e foi parar na mesa do gerente.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

O diesel ganhou trava, e o adubo pegou carona

Fonte: Giphy

Pro agro, o que saiu da Câmara não é alívio no bolso hoje, são duas promessas pra quando der. Mirando na conta do diesel, que dispara sempre que o petróleo surta lá fora, os deputados aprovaram o PLP dos Combustíveis, que manda derrubar imposto federal de diesel, gasolina e etanol nas disparadas do barril. E de carona no mesmo texto colaram um crédito fiscal pra fábrica de fertilizante nacional, o tal jabuti, justamente o incentivo que a relatora tinha cortado do Profert na véspera pra agradar o governo e que voltou pela porta dos fundos um dia depois.

O problema é o calendário, a trava do diesel só vale quando o petróleo pira e o adubo feito em casa ainda leva anos pra sair do papel. No Congresso o que sai por uma porta costuma voltar pela outra, de preferência pendurado num projeto que já estava andando.

ASSUNTO DE GABINETE

O governo quer o paiol cheio antes do El Niño

Fonte: Globo Rural

O que está em jogo aqui é um piso de preço garantido pra quando o clima virar, e foi isso que o governo foi montar. O Senado aprovou e mandou pra sanção um projeto soltando as mãos da Conab pra comprar comida mesmo com o preço já firme, pagando um tanto a mais no leilão pra recompor estoque, quando hoje a estatal só entra com a cotação no chão. A pressa tem nome, é o Super El Niño no radar, com o governo querendo arroz e ração no armazém antes de o tempo mexer na safra. Pro pequeno ainda vem um bônus, ele passa a comprar farelo de soja e sorgo pela Venda em Balcão, não só milho. O risco fica com o Tesouro, porque comprar acima do mínimo custa caro e, se o El Niño vier fraco, sobra estoque salgado na mão do governo. Mas em ano de clima virado, ficar sem paiol é a aposta mais cara de todas.

MENTES QUE GERMINAM

A Embrapa achou a bactéria que pode aposentar parte do adubo

Fonte: Giphy

O que faz essa descoberta interessar ao agro não é a biologia, é a fatura, porque o Brasil importa quase todo o nitrogênio que joga na lavoura e adubo e defensivo já comem boa fatia do custo do algodão.

A Embrapa achou, na raiz do algodão arbóreo, bactérias que puxam o nitrogênio do ar direto pra planta, a fixação biológica que a soja já faz sozinha, como mostranos aqui em outra edição.

Nos testes de vaso, a planta só com as bactérias foi tão bem quanto a que levou a dose cheia de fertilizante, ou seja, dá pra imaginar trocar parte do saco de ureia por um inoculante e ver o bolso sorrir.

Porém, é bom frear a empolgação, falta caracterizar as bactérias e provar no talhão antes de qualquer um bloquear o contato do fornecedor de adubo. Vamos acompanhar o desenrolar dos próximos capítulos.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Numa edição em que a laranja troca de endereço e as empresas encaixam a margem onde dá, o jogo de hoje é justamente sobre achar o lugar certo de cada peça. A dica é o Tangram da Geniol, aquele quebra-cabeça chinês de sete peças (uns triângulos, um quadrado e um paralelogramo) que você gira e encaixa até formar a figura pedida, animal, pessoa ou objeto.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, um jeito de medir quanto caixa o negócio gera só com a operação, antes dos efeitos financeiros e contábeis. É por isso que ele aparece em todo balanço: mostra se a atividade em si dá dinheiro, separada da conta do banco e do desgaste dos ativos.

Pergunta de hoje: o que é a "alienação fiduciária"?


A resposta você confere na próxima edição!

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